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cheia

cheia

14
Nov22

As ruas

cheia

A minha rua

 

Em cada rua, cada casa tem dentro corações atentos

Na palpitação de quererem aproveitar os melhores momentos

Cada qual nutre-se dos melhores e encantadores sustentos

 Lá fora ninguém sabe o que se passa nos apartamentos

Nem todos os dias são longos, com discussões e cinzentos

Há dias em que brilha o vento, há beijos e abraços, há movimentos

Se as paredes falassem, poderiam contar como são celebrados esses eventos

A ternura, a delicadeza, a beleza para eternizar, do coração, todos os batimentos

As mãos entrelaçadas nos beijos das bocas queimadas pelos pensamentos

Os corpos diluídos, no calor de um grito contido, na explosão de todos os ventos

Não há tempo para rodopiar por todos os cantos e assentos

O amor é tão forte que consegue sobreviver até nos conventos

Por muito que o queiram pender, ninguém consegue conter os seus empolgamentos

A minha rua é dona da lua, nas noites quentes, frias e nos dias sonolentos

Cada um tem uma rua, a que chama sua, mesmo em dias de aborrecimentos

Enquanto a rua dorme não há beijos, nem abraços, nem cumprimentos

É como se todos tivessem assinado um acordo de paz e bons entendimentos

Para que a madrugada acorde alegre, contente, eufórica, para novos envolvimentos.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

14
Mar22

Separação!

cheia

Despedida

 

O desespero de quem tem de partir

Da guerra teve de fugir

Sem saber para onde ir

Com o filho no regaço

Sob um nevão que corta a respiração

Cansada da longa caminhada

O filho dá-lhe força, para tudo vencer

Tudo fará para o proteger

Para o ajudar a crescer

Acompanha-a o perfume do último abraço

Do marido, que teme não o voltar a ver vivo

Sem marido, sem pátria, como vai criar o filho, querido!

Tenta afastar os negros pensamentos

Mas, nada de bom anunciam os ventos

São os constantes bombardeamentos

A destruição dos apartamentos

Uma guerra a contaminar os tempos

Mortos, valas comuns, movimentos

Só queria esquecer tudo, por uns momentos

Mas, não lho consentem, os pressentimentos

Por que razão a loucura voltou?

Sem dó, nem piedade, tudo matou

A esperança, a vida, a alegria

Tantos mortos, feridos, deslocados

Mulheres e crianças, de frio, arrepiadas

Por essa Europa, espalhadas

Acarinhadas por uma Europa, desta vez, unida

Para ajudar a sarar a ferida.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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