Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

cheia

cheia

01
Jan26

O Império

cheia

O Império    -    As teias que o Império teceu

146

Com terrenos para fazerem a lavra e para construírem o ninho, não lhes faltava que fazer. O Asdrubal passava os dias a desmatar o terreno, para depois o preparar para as sementeiras, que dão muito trabalho e que são precisos alguns meses, para se conseguir retirar da terra o sustento, caso tudo corra bem, caso contrário, tudo pode ter sido em vão

É por isso, que a maioria prefere ter um emprego, saber quanto vai receber ao fim do mês, muito ou pouco é certo. Trabalhar na agricultura, a não ser que tenha alguma dimensão, é viver na incerteza de um clima, cada vez, mais incerto, com a certeza de que o trabalho será, sempre, certo

Ao Asdrubal não lhe restava escolha, tinha de tentar arrancar da terra o seu sustento. Felizmente, não estava só, tinha na Cooperativa, como que um seguro de vida, sabendo que lhe compravam toda a produção, e que em anos de calamidade seria ajudado, para que nos de boas colheitas, equilibrasse as contas

Uma Cooperativa, é como o próprio nome indica uma instituição onde todos os sócios cooperam, ajudando-se uns aos outros, para que nenhum se sinta sozinho, abandonado à sua sorte

Para além do apoio de toda aquela comunidade, que o recebera de braços abertos, não lhe faltava o amor da Francisca, que tanto o apoiava emocionalmente, estando sempre a seu lado, tentando ajudá-lo na concretização dos seus sonhos

Ao fim de alguns meses, quando a casa estava quase pronta e o tempo das colheitas se aproximava, o Asdrubal começou a andar triste, a Francisca não via motivo para isso, tudo estava a correr tão bem, não suportando mais vê-lo assim, decidiu perguntar-lhe o motivo, respondeu-lhe que estava com muitas saudades dos pais, das irmãs e irmãos, tinha de os ir ver e que gostava que ela fosse com ele, mas tinha receio que não aguentasse a caminhada

A Francisca ficou radiante, por ele a querer apresentar à sua família, antes de lhe dar a resposta beijou-o, dizendo que há muito esperava pelo convite, que faria muito gosto em acompanhá-lo, não só para conhecer a família dele, mas também ver onde tinha nascido, quanto à caminhada, que não se preocupasse, porque já tinha feito muitas e longas caminhadas, e ao lado dele percorreria o mundo inteiro

Acabara-se a tristeza, abraçaram-se e beijaram-se, dizendo que assim que fosse possível concretizariam a aventura.

Foi uma grande surpresa, para a família do Asdrubal, quando o viram acompanhado da bonita Francisca, todos ficaram rendidos à sua graciosidade, simpatia e simplicidade.

Continua.

 

 Feliz e Próspero 2026!

 

 

 

 

    

   

 

24
Jul25

O Império

cheia

O Império -  As teias que o Império teceu. 

123

O Governador continuava descontente e preocupado por não conseguir arranjar dinheiro, para enviar para a Coroa, como se tinha comprometido com o Rei

Em Lisboa havia a convicção de que Angola era muito rica, devido ao negócio da escravatura. Mas, essa fonte de receita tinha acabado ou em vias de extinção, porque a escravatura já tinha sido abolida

Mesmo sendo de melhor qualidade que os dos Brasil, não era alternativa à escravatura, porque os do Brasil tinham inundado a Europa, fazendo com que a exploração de diamantes não fosse rentável

A Zulmira bem o queria ajudar, para ver se encontravam, entre os muitos minerais, que existem em Angola, algum que fosse muito rentável e de fácil exploração. Mas, de tudo o que diziam existir, não encontraram nada que os ajudasse a sair da difícil situação do incumprimento perante o Rei

Receavam que, mais tarde ou mais cedo, o Rei nomeasse um novo Governador, para substituir o Miguel, ainda que dissesse que isso não era o mais importante, porque o que o preocupava era não ter sido capaz de realizar o que se tinha proposto fazer

Nunca uma assembleia geral da cooperativa tinha tido tanta afluência, pela primeira vez, os jovens estavam em maioria

Alguns sócios, mais velhos, estavam admirados com tanta participação na eleição para a presidência da cooperativa, e ainda, por cima, eram jovens

Havia duas candidaturas: a Filó, responsável pela secção da produção, e o Zica, um dos primeiros alunos do Roberto, que ganhou o gosto pela agricultura, depois das aulas dadas nas lavras, ao ponto de deixar a turma e dedicar-se só à agricultura

Todos os dias ia para as lavras, falava com as muitas mulheres, que se dedicavam a tirar da terra o sustento da família. Ajudava-as, pedia-lhes que o ensinassem, porque também queria  fazer uma lavra, para ajudar a alimentar a mãe, que já não ia para as lavras, devido à idade e à doença

Diziam que ele era um filho exemplar, era o primeiro rapaz a querer ter uma lavra, e isso fazia com que fosse, para umas um exemplo, mas, para outras era um intruso nos trabalhos das mulheres, deixando-as sem saberem o que dizer.

Continua

 

 

 

 

 

27
Mar25

O Império

cheia

O Império   -   As teias que o Império teceu

 106

Portugal foi o primeiro país europeu a expulsar os jesuítas.[1]

Declaro os sobreditos regulares [os Jesuítas] (…) rebeldes, traidores, adversários e agressores que estão contra a minha real pessoa e Estados, contra a paz pública dos meus reinos e domínios, e contra o bem comum dos meus fiéis vassalos (…) mandando que efetivamente sejam expulsos de todos os meus reinos e domínios.

— Decreto de expulsão dos Jesuítas, 1759. (D. José I  )  (Wikipedia)

O novo Governador de Angola, acompanhado do ex-Governador foi visitar a cooperativa, e gostou muito do que viu

Deu os parabéns a todos, por estarem a construir uma grande obra, que muito contribuía para melhorar a vida dos cooperantes e engrandecimento da cidade

Disse que iria transmitir tudo o que vira ao Rei, para que soubesse como as populações trabalhavam, para tornar a Colónia mais próspera

Depois de passar algum tempo a ver como funcionava a escola do Roberto, pediu-lhe para interromper a aula, para lhe agradecer o excelente trabalho, que estava a fazer

Quis saber como é que tinha conseguido tirar os miúdos da rua, fazendo com que fossem à escola, e participassem em tantas atividades, parecendo muito felizes

Roberto respondeu-lhe que os tinha convidado para mostrarem as suas habilidades e em troca ensinar-lhes-ia a ler, escrever e contar

Acrescentou que nem ele acreditava que tivesse êxito, mas apercebeu-se de que todos queriam mostrar o que sabiam fazer e também aprender a ler

O Governador prometeu mandar fazer uma escola, para que não estivessem tão expostos ao pó, à chuva e ao sol  

O Roberto agradeceu-lhe o interesse pelo bem-estar daquelas crianças, que estavam tão interessadas em aprender, estava a pensar levá-los para as lavras, com o objetivo de saberem quanto as suas mães trabalhavam, para arrancarem da terra o seu sustento

O Governador, depois daquela confissão, ficou, ainda, mais impressionado com os métodos e entusiasmo daquele professor

Vendo que aquele era um professor diferente, continuou a ouvi-lo sobre os seus projetos, sempre com muito interesse, o que fez com que a conversa se tivesse prolongado por mais de uma hora

A Marina ficou, no posto médico, a falar com o pai, já estavam intrigados com tanta conversa entre o Roberto e o Governador, tendo ela questionado: “ que raio têm eles tanto que falar?”

Por fim despediram-se, o Roberto continuou com a aula. O Governador, quando chegou perto do ex-governador e da filha, disse-lhes: “ nunca vi uma pessoa que gostasse tando do que faz como o seu marido”

“Sim! O Roberto adora o convívio com os miúdos”

 

Continua

 

 

07
Set23

O Império

cheia

O Império – As teias que o Império teceu

 

25

O reencontro dos irmãos foi uma nova página, que se abriu na vida dos dois casais, fazendo com que estivessem muito felizes

A Miquelina e o Ezequiel não se cansavam de elogiar a bonita sobrinha e o bonito sobrinho, fazendo com que a Rosinha, meio a brincar, lhes respondesse, que com pais bonitos, tinham de ser bonitos

Assim que o Januário e o irmão saíram, para tratarem dos seus negócios, uma vez que o Januário tinha proposto ao irmão, sociedade nos negócios, e este aceitou, a Rosinha convidou a cunhada, para irem ver a lavra, onde tinha batata-doce, milho, mandioca, amendoim e a cana- de- açúcar, causa da escravatura, por exigir muita mão-de-obra, tanto no cultivo, sendo o corte, um trabalho muito violento, como no funcionamento dos engenhos de produção de açúcar

 E que, também, causava discórdia entre elas e os maridos, por elas serem contra a escravatura

A Miquelina ficou admirada com a extensão da lavra e com os bons produtos, que ela dava

Ofereceu-se para ajudar no que fosse preciso, porque estava interessada em aprender a trabalhar a terra

Mas, a Rosinha, um pouco triste, disse-lhe que não valia a pena, porque em breve mudar-se-iam para Luanda, não sabendo se continuaria a fabricar alguma lavra

Todos estavam desejando de irem para luanda, menos ela, que preferia viver onde tinha nascido

A Miquelina também disse que lhe tinha custado muito deixar a sua linda Lisboa

É uma maldição dos portugueses, andarem de país em país, de continente em continente à procura de melhores condições de vida

O pequeno retângulo, sempre, foi pequeno, para grandes sonhos e a vontade de ver o que estava para lá do Atlântico foi, em todos os tempos, muita

Quando se mudarem para Luanda, a Rosinha vai ter mais tempo para se dedicar à filha e ao filho, e com a chegada do cunhado e da cunhada o ritmo de vida pode sofrer algumas alterações

Ela e a Miquelina já trocaram algumas opiniões, ambas estão de acordo em que a escravatura não pode ser o meio de sustento da família

Agora que os manos estavam juntos, era uma boa oportunidade para os quatro, em conjunto, procurarem um trabalho digno, para obterem o sustento das suas famílias.

Continua

 

 

11
Abr22

Violento!

cheia

Violento

 

O vento diz-me para não pensar no momento

Tudo é tão violento!

A primavera quer um novo tempo

Não quer este mar sangrento

As flores da primavera vão perfumar o pensamento

É delas que as abelhas tiram o seu sustento

O constante movimento

Vai provocar um novo ordenamento

Nada ficará como era antes deste desencantamento

Têm sido muitas tempestades, muitos anos de sofrimento

Vai haver um grande desenvolvimento

Seja por causa da pandemia, da guerra ou do entendimento

Os custos é que assustam o firmamento

Não há rua, nem prédio, nem monumento que não tenha visto o horror, sedento

A História ensina-nos que depois da tempestade vem outro vento

Amassado na dor, na morte, em todos os horrores, nesse inesquecível fermento

Que faz com que o Mundo queira provar que nasceu um novo talento

Que, infelizmente, com o tempo, volta a cair no esquecimento

Fazendo com que voltemos a testar todas as armas nascidas do enlouquecimento

De quem acha que é capaz de prender o sol, a lua, o mar e o esquecimento

Mas, que um dia fica a saber que é mais frágil que o seu assento

E que quem faz um cesto, faz um cento

Não adianta irmos para um convento

Porque a terra vai continuar com o seu movimento.

 

José Silva Costa

 

 

13
Abr21

Papoilas

cheia

Papoilas

 

Papoilas ao vento

Chamam o momento

Primavera em movimento

Com as andorinhas no centro

A Primavera beija o vento

As bonitas searas dão alento

Delas depende o sustento

Dentro delas há vidas em andamento

Os ninhos das perdizes são um encantamento

Em breve, cada fêmea com o seu agrupamento (cerca de 12 filhotes) 

Esvoaçam entre as espigas douradas ao relento

Parecem papoilas ao vento

É a dura luta pelo alimento

A Primavera é um grande evento

A Natureza faz o desfile pela passadeira adentro

Tudo se renova e veste para o abrilhantamento

Para o recomeço de um novo ano sem entendimento

Do que se está a passar no firmamento

Do que sentimos cá dentro.

 

José Silva Costa

 

 

29
Dez20

Os olhos

cheia

Olhos

 

Na pandemia destes dias

Os teus olhos são guias

Com a boca e o nariz tapados

São os teus olhos que sobressaem

Que falam e te representam

Nesse foco que entra por mim dentro

Que me iluminam a todo o momento

Olhos da luz do firmamento

Que me embalam noite dentro

Baloiços do tempo

Que advinham o meu pensamento

Que são a minha luz e o meu sustento

São tão lindos os teus olhos!

No escuro desta pandemia, ainda brilham mais

A máscara veio-lhes dar, ainda, mais realce

No triste confinamento

São as mais belas flores ao vento

Livres como pássaros que pousam em todo o lado

O seu encandeamento é o um fado.

 

José Silva Costa

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2009
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2008
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2007
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub