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cheia

cheia

14
Nov22

As ruas

cheia

A minha rua

 

Em cada rua, cada casa tem dentro corações atentos

Na palpitação de quererem aproveitar os melhores momentos

Cada qual nutre-se dos melhores e encantadores sustentos

 Lá fora ninguém sabe o que se passa nos apartamentos

Nem todos os dias são longos, com discussões e cinzentos

Há dias em que brilha o vento, há beijos e abraços, há movimentos

Se as paredes falassem, poderiam contar como são celebrados esses eventos

A ternura, a delicadeza, a beleza para eternizar, do coração, todos os batimentos

As mãos entrelaçadas nos beijos das bocas queimadas pelos pensamentos

Os corpos diluídos, no calor de um grito contido, na explosão de todos os ventos

Não há tempo para rodopiar por todos os cantos e assentos

O amor é tão forte que consegue sobreviver até nos conventos

Por muito que o queiram pender, ninguém consegue conter os seus empolgamentos

A minha rua é dona da lua, nas noites quentes, frias e nos dias sonolentos

Cada um tem uma rua, a que chama sua, mesmo em dias de aborrecimentos

Enquanto a rua dorme não há beijos, nem abraços, nem cumprimentos

É como se todos tivessem assinado um acordo de paz e bons entendimentos

Para que a madrugada acorde alegre, contente, eufórica, para novos envolvimentos.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

21
Mar21

Primavera!

cheia

Dia mundial da poesia

 

Todos os anos, na mesma data, todos anseiam a tua chegada

Sempre bonita, vestida de flores, lindos odores, perfumada

Jovem, radiosa, formosa, airosa, amorosa, deslumbrada

O ar aguarda, impaciente, parado, emocionado, a tua amada

Tu és, para todos, a mais esbelta, a mais graciosa, a mais bela namorada

Todas as aves ensaiam, noite e dia, a sua melodia, para te ser cantada

E, em tua honra, todos os anos, uma nova euforia é dançada

Dando início ao acasalamento, à construção dos ninhos, uma tarefa delicada

Dela depende, a escolha que vai fazer, aquela que se pretende tenha ficado encantada 

Campos verdejantes floridos, melodias que encantam os sentidos

Verdes perfumados sons coloridos e fugidios

Árvores floridas nas ruas nuas, esguias

Onde o sol conta os dias e as horas

No desespero de voltar a ver as crianças atrás de um bola

Já não há pedintes a pedir esmola

Ninguém vai à rua, ninguém vai lá fora

O milagre da vacina demora

Muitos idosos acabaram por se ir embora

Quem é que esperava, que depois de mais um ano

Continuássemos a não poder pôr um pé na rua

A culpa não é tua!

Mas, estás associada, a estra triste chegada.

José Silva Costa

 

 

 

 

  

 

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