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15
Jan26

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

148

O ex- Governador dirigiu-se para a Cooperativa, para dar a notícia aos familiares e amigos. Mas, quando chegou, já todos sabiam que ele tinha sido substituído pelo general Xavier

A notícia correu rápida, toda a cidade já sabia da triste notícia da substituição do Governador, todos apoiavam o seu Governador, não compreendiam a decisão do Rei

Na Cooperativa, todos estavam revoltados com a decisão do Rei, queriam mostrar ao novo Governador o seu descontentamento, perguntavam por que razão o Rei tinha substituído o Miguel

O Miguel agradeceu-lhes o apoio, mas pediu que todos colaborassem com o novo Governador, como ele já tinha feito, disponibilizando-se para colaborar com ele, no sentido de tornar a Colónia mais próspera

Continuou, dizendo-lhes que era normal a mudança de Governador, como aconteceu, quando ele substituiu o Miguel, que lhe deu apoio, durante todo o seu mandato, como conselheiro

O Tico aproveitou para informar o Miguel, que a Cooperativa, como a instituição civil mais importante da cidade, estava a preparar uma petição, para apresentarem ao novo Governador, com a participação dos cooperantes, esperando que ele também contribuísse, para que a Colónia conseguisse, que o Rei autorizasse a criação de uma Universidade, em Luanda, ou permitisse que alguns jovens angolanos fossem estudar, para a Metrópole

O Miguel agradeceu-lhe a iniciativa e que contasse com a sua participação, porque todos deveriam participar nas discussões sobre os problemas da Colónia, e era isso que ele ia transmitir ao Xavier, na reunião que iam ter, para o informar do que os angolanos queriam que ele intercedesse junto do Rei, para a resolução dos entraves, que não permitiam a Angola um maior desenvolvimento, sempre reclamado pelos anteriores Governadores, que a Coroa nunca atendeu

O mundo estava a mudar, como todos os dias está, mas há acontecimentos, que nos levam a ter a perceção, que mudou a aceleração. O Miguel sabia que a África, mais tarde ou mais cedo, deixaria de ser uma Colónia da Europa, por isso, era preciso começar a lançar os alicerces da sua independência

Liberto das funções de Governador, queria, com outros, contribuir para a melhoria de vida dos povos de Angola. Para isso, contava com a colaboração, também, do novo Governador

Para ele, o primeiro passo era mandar para a Universidade de Coimbra uma meia dúzia de rapazes, seguidores do Roberto, aptos para obterem conhecimentos, que pudessem ajudar a desenvolver Angola, bem como criar estudos universitários, na Colónia. Mas, tudo teria de ser feito com muito tato, porque a Coroa ainda não estava madura, para admitir a independência das Colónias, o que só aconteceria, com o passar do tempo.

Continua

     

02
Out25

O Império

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O Império  -   As teias que o Império teceu

133

Tiveram de andar a bom passo, para conseguirem chegar, antes do meio-dia, à casa do Rei, não tinham tempo a perder, queriam regressar a casa, até ao pôr-do-sol, foram muito bem recebidos, mas o Rei ficou admirado de terem ido tantos, o Governador desculpou-se com o facto de o reino dele, sempre, ter repelido os portugueses, com grande ferocidade e valentia

O Rei respondeu-lhe que esses tempos tinham acabado, desde que os portugueses tinham deixado de praticar a escravatura, a chaga que tanto sangrou a África. Levando milhões de africanos, à força, tratados como animais, transportados em condições indignas, que lhes custaram muitas vidas

Comprados, vendidos, desenraizados, deportados para o outro lado do Atlântico, para serem explorados, em condições iguais ou piores que os animais irracionais

Foram muitas mortes, vidas destroçadas, muitas famílias separadas, fome, sede, maus tratos, punições de toda a ordem, um sofrimento indiscritível, que esperava nunca mais voltasse 

O Governador e os seus companheiros ouviram-no com atenção e em silêncio, preocupados com o passar do tempo, receando terem de fazer o regresso de noite, o que era muito perigoso, devido aos animais perigosos, que se escondiam nas matas, que ladeavam a bicada por onde tinham de passar

Por fim, o Rei olhou ao seu redor, pareceu-lhe que todos estavam cansados, decidiu terminar, agradecendo-lhes a visita, acrescentando que os tinha recebido, para lhes propor que dali em diante vivessem em paz: Africanos e Europeus, Angolanos e Portugueses

O Governador, em nome dele e dos seus companheiros agradeceu-lhe a calorosa receção, disse-lhe que por eles a paz seria mantida, porque a boa vizinhança era muito importante, para o progresso e bem-estar dos povos

O encontro terminou com um aperto de mão, entre todos os presentes, para selar o pacto de amizade, que deve envolver todos os povos

Como já estavam muito atrasados, despediram-se do Rei e saíram em passo apressado de regresso a casa, com o sol a descer, também, acelerado, para dar lugar a mais uma noite recuperadora das canseiras do dia

Ainda tinham mais de uma dezena de quilómetros, para palmilharem, quando o sol desapareceu, tiveram de se adaptar, imediatamente, ao breu da noite, o que fez com que tivessem de caminhar, apenas, com o apalpar dos pés, sem a ajuda da visão, mais uma grande dificuldade, para vencerem a etapa

As hienas foram as primeiras a dar-lhes a boa noite, um grupo aí de umas dez, um cheiro insuportável e uns olhos muito vermelhos, não se meteram com eles. Mas, alguns tiveram medo, outros já estavam habituados a vê-las, mais adiante viram elefantes e impalas, nada de perigoso para o grupo

Exaustos, chegaram a Luanda por volta da meia-noite.

Continua

 

24
Jul25

O Império

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O Império -  As teias que o Império teceu. 

123

O Governador continuava descontente e preocupado por não conseguir arranjar dinheiro, para enviar para a Coroa, como se tinha comprometido com o Rei

Em Lisboa havia a convicção de que Angola era muito rica, devido ao negócio da escravatura. Mas, essa fonte de receita tinha acabado ou em vias de extinção, porque a escravatura já tinha sido abolida

Mesmo sendo de melhor qualidade que os dos Brasil, não era alternativa à escravatura, porque os do Brasil tinham inundado a Europa, fazendo com que a exploração de diamantes não fosse rentável

A Zulmira bem o queria ajudar, para ver se encontravam, entre os muitos minerais, que existem em Angola, algum que fosse muito rentável e de fácil exploração. Mas, de tudo o que diziam existir, não encontraram nada que os ajudasse a sair da difícil situação do incumprimento perante o Rei

Receavam que, mais tarde ou mais cedo, o Rei nomeasse um novo Governador, para substituir o Miguel, ainda que dissesse que isso não era o mais importante, porque o que o preocupava era não ter sido capaz de realizar o que se tinha proposto fazer

Nunca uma assembleia geral da cooperativa tinha tido tanta afluência, pela primeira vez, os jovens estavam em maioria

Alguns sócios, mais velhos, estavam admirados com tanta participação na eleição para a presidência da cooperativa, e ainda, por cima, eram jovens

Havia duas candidaturas: a Filó, responsável pela secção da produção, e o Zica, um dos primeiros alunos do Roberto, que ganhou o gosto pela agricultura, depois das aulas dadas nas lavras, ao ponto de deixar a turma e dedicar-se só à agricultura

Todos os dias ia para as lavras, falava com as muitas mulheres, que se dedicavam a tirar da terra o sustento da família. Ajudava-as, pedia-lhes que o ensinassem, porque também queria  fazer uma lavra, para ajudar a alimentar a mãe, que já não ia para as lavras, devido à idade e à doença

Diziam que ele era um filho exemplar, era o primeiro rapaz a querer ter uma lavra, e isso fazia com que fosse, para umas um exemplo, mas, para outras era um intruso nos trabalhos das mulheres, deixando-as sem saberem o que dizer.

Continua

 

 

 

 

 

05
Jun25

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

116

O Roberto não podia estar mais contente com o seu trabalho, ver os seus alunos quererem produzir mais e melhores alimentos, era o melhor resultado que eles lhe podiam oferecer, porque a alimentação é a base da sobrevivência, sem comida não se consegue viver, só depois de assegurada essa necessidade é que aparecem as outras

A Marina e a sua ajudante, a Alicia, sonhavam com a criação de um hospital. Numa visita do Governador, ao posto médico, acompanhado da esposa, a Zulmira, irmã da Marina, esta confidenciou-lhe o sonho de quem trabalhava naquele posto médico, pedindo que as ajudasse a concretizá-lo

O Miguel disse-lhes que era um bonito sonho, tão importante para toda a população, mas não as poderia ajudar, porque não aceitaram a sua proposta de criar impostos, e sem dinheiro, nada poderia fazer, uma vez que o Rei o tinha incumbido de tornar a Província rentável, para poder ajudar a Coroa

Uma missão quase impossível, que ele aceitara com a convicção de que era possível, todos diziam que Angola tinha muita riqueza, que a escravatura dava rios de dinheiro, mas os empresários desse negócio tinha ido para outras paragens, devido à pressão, que europeus e americanos exerciam sobre Portugal, para que acabasse com a escravatura

A esposa queria que fomentasse a agricultura, a extração de minério e diamantes, e ele contrapunha, fosse para o que fosse, era preciso dinheiro para comprar alfaias e utensílios para a exploração dos minérios, sendo um círculo vicioso, do qual ninguém conseguia sair, sem o vil metal 

Ela insistia que em Angola era diferente, nas margens do rio Quanza havia quem tirasse diamantes com um simples pau. As suas terras eram muito férteis, precisavam era de quem as soubesse amanhar

Estava convicta de que a cooperativa daria um grande impulso à agricultura, com a ajuda dos jovens, que o Roberto encaminhara para as lavras, a fim de contactarem com os mais velhos, principalmente as mulheres, que, sempre, dela tiraram o sustento para a família. O mais difícil era acabar com a tendência de serem só as mulheres a trabalharem a terra, coisa que o Roberto parecia estar a conseguir, incutindo nos jovens o prazer de semear, ver crescer, apanhar e comer, o que fazia com que se sentissem realizados e admirados, pela comunidade

Muitas vezes o que falta, aos povos,  é quem os consigam galvanizar, para feitos extraordinários, sendo que os seus representantes têm de ser pessoas sérias, confiáveis, capazes de dar o exemplo

Roberto tinha esperança que o entusiasmo dos jovens, que o seguiam, fosse o farol, para a construção de uma Angola mais próspera.

Continua

 

 

15
Mai25

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

113

Quando saíram da mata e depararam com leoas e leões a banquetearem-se com uma zebra, todos ficaram arrepiados, mesmo os que já tinham visto refeições semelhantes, o facto de serem apanhados de surpresa, fez com que ficassem muito tristes, esquecendo-se de que a natureza está muito bem organizada e a cadeia alimentar não é exceção

Alguns temeram pela vida, ficaram parados, queriam voltar para dentro da mata, mas o senhor Rocha tranquilizou-os, dizendo que os leões não os atacariam, e se isso acontecesse, bastaria fazerem um pouco de lume, para que eles os deixassem em paz

Serenados os ânimos, procuraram uma picada, (caminho estreito através do mato, dicionário da  Porto Editora ) por onde pudessem regressar a casa, não havia tempo a perder, o sol não esperava, tal como eles, também se sentia cansado, mas enquanto eles tinham uma casa à sua espera, onde poderiam descansar, ele não tinha ordem de descansar, já tinha outros povos à sua espera, para os iluminar 

Foi uma jornada extenuante, mas todos diziam ter valido a pena, porque a natureza é encantadora, e temos muito a aprender com ela, de regresso a casa, tinham muito para contar

O almoço, onde tinham decidido escolher a data do casamento, correu muito bem, mas o pai da noiva disse que era melhor os noivos escolherem a data em que queriam casar

A Zulmira e o Miguel não perderam tempo, ele sugeriu-lhe que marcassem o casamento para o dia dos anos dela, que estava prestes a chegar, concordou e agradeceu-lhe ter-se lembrado do seu aniversário

Foram, juntos, à cooperativa anunciar o data do seu casamento e convidar, todos, para o mesmo, acrescentando que seria uma cerimónia simples, à qual todos teriam acesso, tivessem ou não sido convidados

O Miguel tinha pressa em ter a Zulmira a seu lado, para o ajudar a gizar o plano, que iria transformar a Colónia, como tinha prometido ao Rei

Pensava implementar um imposto, para criar uma autoridade, que ocupasse o território, que impedisse o seu desmembramento por algumas potências, que há muito o cobiçavam

Não sabia como, não havia moeda, era tudo à base te trocas de bens ou serviços. Afinal, no terreno, era tudo muito mais complicado do que imaginara, em Lisboa

Queria muito saber a opinião da Zulmira, mas não a queria ocupar com essas preocupações, antes do casamento

Já tinha sondado o seu antecessor, seu conselheiro, mas a proposta não tinha merecido a sua simpatia.

Continua

     

24
Abr25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

110

O Miguel ficou surpreendido com o pedido de esclarecimentos sobre o papel dela, como sua esposa

Não era habitual as mulheres dos governadores trabalharem, muito menos fora de casa

Não queria desistir de namorar a bonita Zulmira, o facto dela ser diferente, era motivo de orgulho, para ele, mostrava que era inteligente e sabia o que queria, podendo ser muito importante, para o ajudar a cumprir a missão de que o Rei o tinha incumbido

Aproveitou para lhe pedir se poderia contar com ela, para o ajudar a cumprir a sua missão, mesmo que continuasse a trabalhar na cooperativa

Ela respondeu-lhe que sim, acrescentando que se fosse necessário, deixaria de trabalhar para a cooperativa

Depois, veriam como melhor servir os povos de Angola, pedido do Rei, que muito queria cumprir

Aceite o compromisso de ambos, a tudo fazerem por Angola, oficializaram o namoro, com a promessa de se casarem e serem muito felizes, para sempre

A notícia correu rápida, por toda a cidade só se comentava o namoro de uma das filhas do antigo governador com o novo governador

Entre os familiares, todos aprovaram o namoro. As manas foram quem mais se regozijou com o namoro, sendo que o pai delas foi o que mais vibrou com a esperada notícia

Só pedia que corresse tudo bem, gostava tanto de ver as filhas felizes, já lhes bastava o facto de terem ficado, tão cedo, sem a mãe. Tinha prometido, a ele mesmo, quando a sua amada esposa faleceu, que tudo faria para que as filhas conseguissem superar tão grande perda

Muitas vezes interrogava-se se não teria sido preferível voltar a casar, se a escolha de não dar uma madrasta às filhas teria sido a melhor decisão

A Natureza mostrava-lhe que o natural era ser um casal a criar os filhos. Mas ele teve receio que não encontrasse uma mulher tão generosa, que amasse as suas filhas, como se fossem dela

Assim, só lhe restava continuar a tudo fazer, para que elas se sentissem felizes, apoiando-as nos seus projetos e sonhos, para que tudo o que dependesse dele, não lhes faltasse.

Continua

 

03
Abr25

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

107

Quando ele regressou a casa, não resistiu a perguntar-lhe o motivo do longo “namoro”

O marido disse-lhe que o Governador era um homem muito sensível, mostrando-se muito interessado em tudo o que se passava na Colónia, tendo-lhe dado muitos parabéns por o que estava a fazer, para que as futuras mulheres e homens estivessem mais preparados para engrandecerem Angola

Todos gostaram e ficaram bem impressionados com a visita do novo Governador, mostrou-se interessado pelo funcionamento da cooperativa, do posto médico e da escola

Numa Assembleia-geral da cooperativa, o Manuel informou todos os cooperantes de que estava muito confiante no novo Governador, o facto de ser seu conselheiro, fazia com que fosse conhecendo as suas ideias e objetivos para Angola

O Rei tinha-o encarregado de tentar dar uma nova vida à Colónia, disse-lhe que teria de encontrar meios de sustentabilidade que substituíssem a escravatura  

Em 15 de Junho de 1856 o parlamento português aprovou o decreto abolindo a escravatura no distrito de Ambriz e nos territórios de Cabinda e Molembo, o que contribuiu para a resignação britânica sobre a titularidade de Ambriz.

Para fazer face aos apetites sobre Angola, por outros países, como ingleses e americanos, era preciso avançar para o interior e ocupá-la, desenvolver as pescas e a agricultura, onde a cooperativa poderia ter um papel importante

Tinham de inventar novas alfaias agrícolas, para conseguirem aumentar a produção, novas culturas e melhorar as que já faziam, todas as contribuições eram bem-vindas

O Roberto comprometeu-se a levar os seus alunos para as lavras, pedir-lhes para também se pronunciarem sobre como conseguir produzir mais e melhores alimentos

Na turma do Roberto havia gente de todas as idades: meninos, meninas, mulheres e homens, todos queriam mostrar os seus talentos, uma escola inédita, livre e aberta a todos

Para ele, todas as pessoas tinham talento, só dando-lhes oportunidades, os poderiam mostrar

Era cansativo, dar atenção a todos, mas era o que gostava de fazer, descobrir em cada um, o que o fazia correr, para a sua escola.

Continua

 

27
Mar25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

 106

Portugal foi o primeiro país europeu a expulsar os jesuítas.[1]

Declaro os sobreditos regulares [os Jesuítas] (…) rebeldes, traidores, adversários e agressores que estão contra a minha real pessoa e Estados, contra a paz pública dos meus reinos e domínios, e contra o bem comum dos meus fiéis vassalos (…) mandando que efetivamente sejam expulsos de todos os meus reinos e domínios.

— Decreto de expulsão dos Jesuítas, 1759. (D. José I  )  (Wikipedia)

O novo Governador de Angola, acompanhado do ex-Governador foi visitar a cooperativa, e gostou muito do que viu

Deu os parabéns a todos, por estarem a construir uma grande obra, que muito contribuía para melhorar a vida dos cooperantes e engrandecimento da cidade

Disse que iria transmitir tudo o que vira ao Rei, para que soubesse como as populações trabalhavam, para tornar a Colónia mais próspera

Depois de passar algum tempo a ver como funcionava a escola do Roberto, pediu-lhe para interromper a aula, para lhe agradecer o excelente trabalho, que estava a fazer

Quis saber como é que tinha conseguido tirar os miúdos da rua, fazendo com que fossem à escola, e participassem em tantas atividades, parecendo muito felizes

Roberto respondeu-lhe que os tinha convidado para mostrarem as suas habilidades e em troca ensinar-lhes-ia a ler, escrever e contar

Acrescentou que nem ele acreditava que tivesse êxito, mas apercebeu-se de que todos queriam mostrar o que sabiam fazer e também aprender a ler

O Governador prometeu mandar fazer uma escola, para que não estivessem tão expostos ao pó, à chuva e ao sol  

O Roberto agradeceu-lhe o interesse pelo bem-estar daquelas crianças, que estavam tão interessadas em aprender, estava a pensar levá-los para as lavras, com o objetivo de saberem quanto as suas mães trabalhavam, para arrancarem da terra o seu sustento

O Governador, depois daquela confissão, ficou, ainda, mais impressionado com os métodos e entusiasmo daquele professor

Vendo que aquele era um professor diferente, continuou a ouvi-lo sobre os seus projetos, sempre com muito interesse, o que fez com que a conversa se tivesse prolongado por mais de uma hora

A Marina ficou, no posto médico, a falar com o pai, já estavam intrigados com tanta conversa entre o Roberto e o Governador, tendo ela questionado: “ que raio têm eles tanto que falar?”

Por fim despediram-se, o Roberto continuou com a aula. O Governador, quando chegou perto do ex-governador e da filha, disse-lhes: “ nunca vi uma pessoa que gostasse tando do que faz como o seu marido”

“Sim! O Roberto adora o convívio com os miúdos”

 

Continua

 

 

16
Mai24

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

 

60

 

Quando teve alta, o genial Maciel, seguiu para a fortaleza de Massangano, onde antes estiveram a Rosinha, o Januário, a Miquelina e o Ezequiel, quando a fortaleza foi capital de Angola, na sequência da ocupação da cidade, pelos holandeses

Foi solto para lutar pela sobrevivência. Tornou-se representante comercial dos negociantes de Luanda

 

Os pais e a avó disseram-lhe que o avô talvez já não se levantasse, ficou muito triste, chorou muito, quis ir vê-lo, eles disseram-lhe que fosse, que a acompanhavam, já estava em coma,  queria falar com ele, não parava de chorar, os familiares disseram – lhe que era melhor deixá-lo descansar. Mas, ela chorava e dizia que não queria que ele morresse

A mãe agarrou-se a ela, beijou-a, apertou-a contra ela, dizendo-lhe que tudo o que nascia morria, já sabia que os animais morriam, compreendeu que isso, também, acontecia às pessoas.

Em 1797, o novo Governador de Angola, D. Miguel António de Melo atestou, em ofício enviado para o Ministro do Ultramar, em Lisboa, que o Maciel  ganhava a vida como vendedor de panos no sertão

Em 1799 recebeu,  do Governador, uma licença para levar um carregamento à feira de Cassange, e encarregou-o da missão de verificar a existência de riquezas minerais, pelos sertões de Angola

Em Cathari montou uma pequena siderurgia, que produzia alguns ferros, com improvisação e o auxílio de cento e trinta e quatro negros

Em 1800 enviou um relatório, ao Governador, sobre o seu trabalho e as dificuldades que enfrentava por não encontrar oficiais de mecânica, carpinteiros e ferreiros, solicitando que estes profissionais lhe fossem enviados do Brasil

O Governador, assim que recebeu a resposta da Corte, chamou o Maciel e leu-lhe os elogios, que o Rei fazia ao seu desempenho, pediu a lista do que necessitava, para desenvolver a siderurgia

Maciel terá falecido em março de 1804 ou 1805, aos 44 anos de idade, antes que chegassem os recursos, que pedira a Lisboa.

Em 21 de abril de 1955, nas comemorações, pelos cento e sessenta e três anos da morte de Tiradentes, o governo do estado de Minas Gerais inaugurou uma siderurgia em Saramenha, no lugar das minas, por ele descobertas em 1788, com um forno, com o seu nome, em sua homenagem.

Na cooperativa, foi marcada uma reunião, para ouvir as mulheres sobre os problemas com os partos

Todas falaram das suas experiências, e as que já tinha ajudado a resolver partos mais difíceis, prontificaram-se a ajudar, sempre que fosse necessário

O Januário já estava acamado há alguns dias, todos pressentiram que tinham chegado ao fim os seus dias

A Milene sentia a falta do avô, queria ir para o campo correr, subir às árvores, gastar a muita energia, que tinha, e era com ele que costumava ir.

 

 

Continua

 

 

30
Mar23

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

2

Os descobrimentos portugueses foram um grande empreendimento, não foi menor o sofrimento, lutar no oceano contra o vento, o imprevisto, o desconhecido, tudo foi tão sofrido

Não foram só os elementos naturais, que tiveram de enfrentar, também a alimentação foi uma grande preocupação: falta de alimentos, alimentos estragados, água cheia de bichos, um inferno, de muitos, desconhecido

Nem com a primeira estação de serviço, na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, os problemas foram resolvidos, seriam precisas muitas mais estações de serviço entre Lisboa e Nagasaki

Contra ventos e marés, os portugueses nunca viraram a cara ao perigo, e com arte e engenho lá foram criando fortalezas, feitorias, erguendo padrões, tudo para conseguirem controlar o comércio da seda e das especiarias da Índia

Oh imenso mar, se pudesses falar, muito poderias dizer, sobre a bravura dos portugueses!

Tanta gente que morreu, de um país tão pequeno, para saberem o que havia para além de ti

Criaram um Império, que ia de onde o sol nasce até ao pôr, e também o meio-dia o via

Para ficarmos famosos, para nos livramos” da lei da morte” tudo fazemos, de todos os sacrifícios somos capazes, querermos ser famosos, faz-nos ser audazes

Vasco da Gama ficou famoso por ter conseguido ir à Índia, mas fala-se menos dos custos, de quantas vidas foram perdidas, de quantos filhos ficaram órfãos, de quantas mães perderam os filhos, de quantas noivas ficaram por casar, de quantas mulheres ficaram sem marido

No regresso da sua primeira viagem, o seu irmão, Paulo da Gama, adoeceu, diz-se com o mal de Luanda, (o escorbuto) outra designação, porque tanto as naus que saíam de Lisboa, em direção à Índia, como as que saíam da Índia em direção a Lisboa, antes de chegarem a Luanda, já todos os alimentos frescos tinham acabado, quase tudo já estava estragado, e a doença aparecia

O irmão tentou salvá-lo, ordenou que se dirigissem para a Ilha Terceira, para Angra do Heroísmo, sendo que a uma das naus foi dada ordem de que seguisse para Lisboa, para darem a boa nova ao Rei

Não resistiu, chegou morto ou muito doente, ficou sepultado na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, no meio do Atlântico, foi o preço pago por ter tido a oportunidade de participar na primeira viagem à índia

Os anónimos, os que não têm nome, aqueles que ninguém sabe quem são não tiveram tanta sorte, não tiveram sepulturas eternas, foram atirados ao mar.

 

Continua

 

 

 

 

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