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16
Mai24

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

 

60

 

Quando teve alta, o genial Maciel, seguiu para a fortaleza de Massangano, onde antes estiveram a Rosinha, o Januário, a Miquelina e o Ezequiel, quando a fortaleza foi capital de Angola, na sequência da ocupação da cidade, pelos holandeses

Foi solto para lutar pela sobrevivência. Tornou-se representante comercial dos negociantes de Luanda

 

Os pais e a avó disseram-lhe que o avô talvez já não se levantasse, ficou muito triste, chorou muito, quis ir vê-lo, eles disseram-lhe que fosse, que a acompanhavam, já estava em coma,  queria falar com ele, não parava de chorar, os familiares disseram – lhe que era melhor deixá-lo descansar. Mas, ela chorava e dizia que não queria que ele morresse

A mãe agarrou-se a ela, beijou-a, apertou-a contra ela, dizendo-lhe que tudo o que nascia morria, já sabia que os animais morriam, compreendeu que isso, também, acontecia às pessoas.

Em 1797, o novo Governador de Angola, D. Miguel António de Melo atestou, em ofício enviado para o Ministro do Ultramar, em Lisboa, que o Maciel  ganhava a vida como vendedor de panos no sertão

Em 1799 recebeu,  do Governador, uma licença para levar um carregamento à feira de Cassange, e encarregou-o da missão de verificar a existência de riquezas minerais, pelos sertões de Angola

Em Cathari montou uma pequena siderurgia, que produzia alguns ferros, com improvisação e o auxílio de cento e trinta e quatro negros

Em 1800 enviou um relatório, ao Governador, sobre o seu trabalho e as dificuldades que enfrentava por não encontrar oficiais de mecânica, carpinteiros e ferreiros, solicitando que estes profissionais lhe fossem enviados do Brasil

O Governador, assim que recebeu a resposta da Corte, chamou o Maciel e leu-lhe os elogios, que o Rei fazia ao seu desempenho, pediu a lista do que necessitava, para desenvolver a siderurgia

Maciel terá falecido em março de 1804 ou 1805, aos 44 anos de idade, antes que chegassem os recursos, que pedira a Lisboa.

Em 21 de abril de 1955, nas comemorações, pelos cento e sessenta e três anos da morte de Tiradentes, o governo do estado de Minas Gerais inaugurou uma siderurgia em Saramenha, no lugar das minas, por ele descobertas em 1788, com um forno, com o seu nome, em sua homenagem.

Na cooperativa, foi marcada uma reunião, para ouvir as mulheres sobre os problemas com os partos

Todas falaram das suas experiências, e as que já tinha ajudado a resolver partos mais difíceis, prontificaram-se a ajudar, sempre que fosse necessário

O Januário já estava acamado há alguns dias, todos pressentiram que tinham chegado ao fim os seus dias

A Milene sentia a falta do avô, queria ir para o campo correr, subir às árvores, gastar a muita energia, que tinha, e era com ele que costumava ir.

 

 

Continua

 

 

30
Mar23

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

2

Os descobrimentos portugueses foram um grande empreendimento, não foi menor o sofrimento, lutar no oceano contra o vento, o imprevisto, o desconhecido, tudo foi tão sofrido

Não foram só os elementos naturais, que tiveram de enfrentar, também a alimentação foi uma grande preocupação: falta de alimentos, alimentos estragados, água cheia de bichos, um inferno, de muitos, desconhecido

Nem com a primeira estação de serviço, na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, os problemas foram resolvidos, seriam precisas muitas mais estações de serviço entre Lisboa e Nagasaki

Contra ventos e marés, os portugueses nunca viraram a cara ao perigo, e com arte e engenho lá foram criando fortalezas, feitorias, erguendo padrões, tudo para conseguirem controlar o comércio da seda e das especiarias da Índia

Oh imenso mar, se pudesses falar, muito poderias dizer, sobre a bravura dos portugueses!

Tanta gente que morreu, de um país tão pequeno, para saberem o que havia para além de ti

Criaram um Império, que ia de onde o sol nasce até ao pôr, e também o meio-dia o via

Para ficarmos famosos, para nos livramos” da lei da morte” tudo fazemos, de todos os sacrifícios somos capazes, querermos ser famosos, faz-nos ser audazes

Vasco da Gama ficou famoso por ter conseguido ir à Índia, mas fala-se menos dos custos, de quantas vidas foram perdidas, de quantos filhos ficaram órfãos, de quantas mães perderam os filhos, de quantas noivas ficaram por casar, de quantas mulheres ficaram sem marido

No regresso da sua primeira viagem, o seu irmão, Paulo da Gama, adoeceu, diz-se com o mal de Luanda, (o escorbuto) outra designação, porque tanto as naus que saíam de Lisboa, em direção à Índia, como as que saíam da Índia em direção a Lisboa, antes de chegarem a Luanda, já todos os alimentos frescos tinham acabado, quase tudo já estava estragado, e a doença aparecia

O irmão tentou salvá-lo, ordenou que se dirigissem para a Ilha Terceira, para Angra do Heroísmo, sendo que a uma das naus foi dada ordem de que seguisse para Lisboa, para darem a boa nova ao Rei

Não resistiu, chegou morto ou muito doente, ficou sepultado na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, no meio do Atlântico, foi o preço pago por ter tido a oportunidade de participar na primeira viagem à índia

Os anónimos, os que não têm nome, aqueles que ninguém sabe quem são não tiveram tanta sorte, não tiveram sepulturas eternas, foram atirados ao mar.

 

Continua

 

 

 

 

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