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cheia

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16
Nov20

Folhas

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Folhas!

Devagarinho vão desaparecendo

Neste Outono, algumas, se vão mantendo

À espera do Inverno, que já nos está vendo

As árvores, as suas cores, vão vendendo

Para poderem comprar novas vestes, na Primavera

Pelas quais todos estamos à espera

Todos queremos boas novidades, para a nova estação da moda

Estamos fartos destas roupas do confinamento

Mas não há alternativa, neste momento

As folhas vão caindo com o vento

As mais velhas, como é natural, não perdem tempo

Na linha da frente, são as preferidas, pelo evento

Como quem diz presente ao julgamento

Vão dizendo adeus ao pensamento

Para que a Natureza fique mais leve

Mais limpa, mais jovem, mais breve

Uma lei que ninguém contesta

Mas também não é motivo de festa

Não há exceções, nem perdões, apenas tempo.

 

José Silva Csta

 

 

 

30
Mar20

Ruas e casas

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30/03/2020

Ruas e casas

Um silêncio profundo

Por todo o Mundo

Ruas desertas

Como nunca se viu

A procurarem a razão

Do desvio

A chorarem, devido à maldição

Que tanto as puniu

Sem pessoas, nem animais

Quando a Primavera floriu

Nos jardins, só se ouvem os pardais

As crianças não voltaram mais

O cheiro dos tubos de escapes acabou

O borborinho, que acordava as cidades, não voltou

Tudo parou!

As casas sentem-se incomodadas

Noite e dia, nunca são abandonadas

Nem se quer para serem arejadas

Estão desesperadas

Não sabem o que aconteceu

Para que as pessoas tenham de estar resguardas

As poucas que saem à rua

Quando se cruzam na entrada ou nas escadas

Vê-se que estão desconfiadas

Fogem umas das outras, como se tivessem sido mal tratadas

Tempos difíceis para todos

Que ninguém imaginou vir a presenciar

Esperarmos ver, como vai acabar.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

11
Mar20

11 de Março

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11 de Março de 2020

Se não fora o coronavírus, estaríamos a viver uma Primavera antecipada

Com temperaturas à volta dos vinte e cinco graus

A saborear os cheiros da Primavera, a ver as plantas e as árvores a desabrocharem

As aves com as suas cantorias e bailados nupciais

Mas, o maldito vírus veio-nos distrair

Fazendo com que não demos atenção ao fervilhar da Primavera

Ficámos indignados quando a Greta Thunberg disse que tínhamos de andar menos de avião

E, agora os aviões ficam mesmo no chão

Não sei se não será a Natureza a obrigar-nos a fazer a correção

À força, contra as nossas práticas de agressão

O que é certo, é que nos fechou numa prisão

Ainda que não tenha grades

Se formos responsáveis não fugimos, dela

Há quarenta e cinco anos, também estivemos em aflição

Nessa altura, também meteu a aviação

A Força Aérea veio a Lisboa mostrar quem é que tem asas

Mais uma vez, uma guerra civil foi evitada

Mas a economia foi nacionalizada

Os aviões levaram para o estrangeiro, alguns gestores

Outros foram para a prisão de Caxias

Foi outra Primavera estragada.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

22
Fev19

Os meus vizinhos!

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A Natureza

A um mês da Primavera

Os meus vizinhos andam numa roda-viva

Ainda o sol está ensonado, e nem, os olhos, tem esfregado

Já, elas e eles, andam numa correria e cantoria

Andam a escolher os parceiros e as parceiras

Tanto elas como eles tentam encontrar a parceira ou o parceiro ideal

A Natureza não espera! Apesar e andar um pouco perturbada, ainda tem alguns ciclos definidos

Assim, à medida que o inverno dá sinais de abrandar e a primavera preste a chegar, os meus vizinhos não param de se agitar

Aproxima-se o ciclo de reprodução

O acasalamento tem o seu tempo e encantamento

Matinais melodias, despiques e correrias

Eles procuram os pontos mais altos

Para melhor difundirem as mensagens

Acasalados, segue-se a construção dos ninhos

Fecundação dos ovos, pô-los, chocá-los

Está, um novo ciclo de vida, iniciado

Perdizes e perdigões são os meus vizinhos foliões.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

19
Mar18

Primavera

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Primavera

Primavera, menina bonita, toda perfumada

Este ano, de fios de prata, carregada

Vens despertar a Natureza, hibernada

Tudo se agita e empolga com a tua chegada

Trazes raios de vida, que provocam uma aceleração desenfreada

Tudo resplandece e aquece com o perfume da tua entrada

És a estação do ano mais bela e mais aguardada

Chegas bem regada, lavada, formosa

Pelo vento forte, despenteada

Todos os que te veem, dizem-se com muita sorte

Ao longo da vida vão acumulando Primaveras

Cansados das esperas, os cabelos vão branqueando

Rezam, para que vejam muitas Primaveras.

 

 

José Silva Costa

 

 

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