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25
Dez25

O Império

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O Império    -     As teias que o Império teceu

145

A Cooperativa tornou-se num local, que não era só um centro de negócios, mas também de amizades, troca de ideias e de confraternização, onde todos tinham lugar e podiam manifestar a suas ideias

Nela, todos tinham lugar, e muitos gostavam de colaborar em todas as suas atividades, entre   elas, as discussões sobre a governação da Colónia e o seu futuro

O Rei de Portugal, quando leu a carta do Governador de Angola, onde lhe transmitia o pedido do Rei do Congo, para integrar o Reino de Portugal, ao contrário do que alguns pensavam, não ficou nada entusiasmado, desconfiando que fosse uma maneira de se apoderar de toda a Colónia

Reuniu-se com os seus conselheiros, pedindo que o ajudassem a tomar uma decisão sobre um pedido de união, que ele julgava ser muito perigoso

Os conselheiros disseram-lhe que era difícil saber quais eram as intenções do Rei do Congo. Era bom que fossem boas, porque ter a Colónia em paz e unida, permitiria que se avançasse para o interior, ocupando-a, para tentar afastar as pretensões de ocupação por outros Impérios

O Rei, antes de se despedir dos seus conselheiros, disse-lhes que iria substituir o Governador de Angola, por um General, com amissão de tentar saber se o Rei do Congo estava determinado a acabar com o seu Reino, integrando-o na Colónia de Angola, sob a soberania do Reino de Portugal

O Tico foi indicar ao Asdrubal a lavra de onde tiraria o seu sustento, até lá, tinha todo o apoio da Cooperativa, para o seu sustento e acomodação

Os pombinhos estavam muito gratos, a todos, pela ajuda, para que estivessem juntos, foi o que foram transmitir a todos os que trabalhavam na Cooperativa, O seu presidente, aproveitou para lhes pedir que o acompanhassem, para escolherem onde iriam construir o seu ninho: a sua cubata.

Continua

                                                                                 Feliz Natal!

 

18
Dez25

O Império

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O Império    -      As teias que o Império teceu-

144

O Miguel, governador de Angola, enviou uma carta, ao Rei de Portugal, informando-o de que o Rei do Congo, com quem antes tinha selado a paz, com um aperto de mão, queria a integração do seu Reino no Reino de Portugal, com o pretexto de que era o Reino mais poderoso do mundo e que Angola seria a sua maior Colónia

O Asdrubal voltou para casa, quando se despediu da Francisca, garantiu-lhe que em breve voltaria, mas para ficar, de vez, junto dela. Nos olhos podia ver-se um mar de alegria, que tanto encantou o namorado, na hora da despedida

As mães, que conhecem os filhos, melhor que ninguém, sabem ler nos olhos ou na voz, se estão felizes, preocupados, angustiados……., dificilmente eles as conseguem enganar

Quando o Asdrubal beijou a mãe, ela sentiu que já tinha sido substituída por outra mulher, não ficou triste, pelo contrário, ficou orgulhosa por o filho estar a construir o seu ninho, já tinha acontecido com ela, com a mãe dela, era o que ela e o marido desejavam e esperavam dos filhos, não era, como muitas mulheres, que têm ciúmes das futuras noras

Depois de cumprimentar os pais, o Asdrubal, que tinha passado todo o caminho à procura da melhor maneira de dar a notícia aos pais, não a tendo encontrado, acabou por lhes dizer que tinha uma namorada em Luanda e que iria mudar-se para lá, para estar junto dela

Os pais não foram apanhados de surpresa, porque já tinham percebido, como tinha ficado feliz, quando o Rei o convidou, para o acompanhar a Luanda. A mãe disse-lhe que conforme fizesse a cama, assim se deitaria, desejando que fossem muito felizes

Passava os dias a pensar na Francisca, não podia protelar mais a partida, já nada o prendia aquela terra, aquela casa, nem mesmo custar-lhe a separação dos pais, o prendiam, os braços da Francisca eram o seu novo porto de abrigo

A felicidade do Asdrubal era contagiante, não se cansava de dizer, que o acordo de paz entre a sua República com Angola, tinha sido a sua estrela da sorte, sem ela não teria encontrado a Francisca, uma mulher que não sabia descrever, nela tudo era brilho, luz, fogo, harmonia

Interrogava-se, dizendo, se valeria a pena os povos guerrear-se, quando a paz era tão bela, fazendo com que todos se sentissem em segurança, alegres, felizes, como se fossemos todos irmãos?

Continua

 

 

  

 

 

   

 

   

 

 

13
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

139

O Manuel, pai da noiva, queria que a festa fosse realizada no palácio do Governador, como acontecera com as das irmãs, até já tinha a autorização do seu sucessor, seu genro. Mas, os noivos não aceitaram, dizendo que preferiam que fosse na Cooperativa, onde se sentiam mais à vontade e o queriam era a confraternização de toda a cidade

Pela primeira vez, estaria presente uma representação do vizinho reino a Norte de Luanda, que foi convidada pelos noivos, por intermédio do Tico, Presidente da Cooperativa, para cimentarem a amizade conseguida entre os dois vizinhos, depois de os dois Governos terem firmado um acordo de paz, e na sequência da visita do Tico, para trocar ensinamentos, sobre a agricultura, com os seus colegas do reino a Norte de Luanda

O Rei do reino a Norte de Lunada ficou muito sensibilizado, pelo convite aos seus agricultores, para participarem no casamento da Jesuína e do Aurélio. Aproveitou esse contacto, entre os povos dos dois reinos, para enviar uma mensagem ao Governador de Angola, pedindo que se voltassem a encontrar, onde ele quisesse, tanto podia ser em Luanda, como no seu reino. Tinha uma proposta para lhe fazer, que muito agradaria aos dois povos

Os noivos, à semelhança do que tinha acontecido nos casamentos das irmãs da Jesuína, convidaram toda a cidade, para o seu casamento. Estavam orgulhosos por serem os primeiros a ter convidados do reino vizinho, devido ao acordo de paz entre os dois reinos

Os convidados de fora, vieram na véspera do dia da boda, foram recebidos pelo Tico, que  foi o primeiro a apresenta-los ao Miguel, aquém transmitiram a mensagem de que tinham sido incumbidos pelo seu Rei. O Miguel agradeceu-lhes a mensagem e pediu-lhes para dizerem ao seu Rei, que estava convidado para vir a Lunda, quando quisesse, que seria muito bem recebido

De seguida, o anfitrião foi apresentá-los aos noivos, que lhes apresentaram, também, as boas-vindas e lhes agradeceram terem aceitado o convite, para estarem presentes no dia mais feliz das suas vidas

Pernoitaram nas instalações da Cooperativa, a convite do seu Presidente, que os tinha convidado, para o casamento, em nome dos noivos

No dia do casamento a cidade acordou alegre, airosa, formosa, como nunca se tinha visto, não tinha sido decorada, a sua beleza estava no sorriso de cada um dos seus habitantes

Todos estavam imbuídos de uma alegria contagiante, via-se que a cidade estava muito feliz por participar nas cerimónias do casamento de uns noivos muito queridos, por todos

Os olhares eram flores atiradas ao ar, com um brilho e perfume, que só a África tem. Tinha chovido, como diz o ditado: casamento abençoado. Toda aquela multidão estava envolvida no cheiro a terra molhada, quente.

Continua

 

16
Out25

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

135

Alguns dias depois, os vinte e cinco heróis foram homenageados na cooperativa, onde todos se podiam reunir, onde havia lugar para todos, fossem ou não sócios. Mas, como a cidade compareceu em peso, o espaço foi insuficiente. Assim, todos tiveram de ficar na rua, para ovacionarem os que tinham conseguido a paz 

Todos lhes estavam muito gratos pelos esforços, por terem colocado as suas vidas em perigo, para conseguirem a paz com o vizinho Reino, a Norte de Luanda, porque a boa vizinhança contribuí para uma vida melhor, para todos, oportunidades de negócios, de experiências, de convivência, de amizades

O Tico, como presidente da cooperativa, deu-lhes as boas vindas, pediu desculpa por a cooperativa não ter instalações onde todos coubessem, o que seria, sempre, impossível, porque nunca se tinha assistido a uma reunião de todos os habitantes da cidade, o que dizia bem da sua importância

A cidade quis mostrar que quem trabalha, para o bem da comunidade, merece ser reconhecido e incentivado a continuar a trabalhar, para o bem de todos

Por fim, o Governador aproveitou a reunião de tão grande multidão para lhes agradecer e   dizer, que continuava a contar com todos para defenderem a Colónia, cajo fosse agredida fosse por quem fosse

Quanto à missão, agradeceu, mais uma vez, a todos os que o acompanharam, e especialmente a quem muito bem a preparou, fazendo com que tivesse o êxito, que teve, porque a paz é um bem tão importante, que todos os povos devem fazer o que estiver ao seu alcance, para preservá-la

Foi uma festa muito emotiva, houve muitos abraços e beijos, as mulheres dos que integraram a missão ainda continuavam nervosas, como se o perigo não tivesse passado, o facto de terem passado muitas horas sem saberem o desfecho de tão arriscada missão, algumas admitindo que tinham perdido o companheiro, para sempre, marcou-as, senão, para o resto da vida, pelo menos, por muitos anos

Nos encontros há olhares que se cruzam, que parecem ficar presos aos olhares das outras pessoas, por mais que a pessoa queira desviar o olhar, os olhos não deixam

Foi o que aconteceu a um dos dois guias, que orientaram o grupo de emissários até à casa do Rei, eles conheciam aqueles trilhos, como a palma das suas mãos. Um deles, o Aurélio calhou a ficar defronte da Jesuína, uma das duas filhas do anterior Governador, que ainda era solteira: os seus olhos ficaram pregados na rapariga e nunca mais se conseguiram soltar

A rapariga, vendo que o rapaz não deixava de olhar para ela, dirigiu-se para junto dele, cumprimentou-o e deu-lhe os parabéns pelo brilhante trabalho, que tinha feito, segundo a tinham informado

O rapaz ficou um pouco envergonhado, agradeceu-lhe as amáveis palavras e aproveitou para lhe perguntar o nome, ao que ela correspondeu, acrescentando que era filha do Manuel

A conversa continuou durante todoo caminho para a casa da Jesuína, onde se separaram, tendo ficado combinado que se voltariam a encontrar no dia seguinte.

 Continua

 

09
Out25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

134

Quando o sol se pôs, em Luanda, as mulheres e os filhos, dos homens, que tinham ido falar com o Rei, começaram a dirigir-se para o palácio presidencial, estavam preocupadas por os maridos, ainda não terem regressado. A Zulmira que, também, estava preocupada, tentou mostrar que estava calma, dizendo-lhes que o sol tinha acabado de desaparecer, era muito apertado, fazer tudo num só dia. Mas, sem local onde pernoitarem, tinham de voltar para casa, nem que tivessem de andar de noite

Não conseguiu acalmá-las, tinham receio que os maridos tivessem sido presos, ou muito pior, que tivessem sido todos mortos, porque eles tinham ido para um encontro suicida, sem primeiro o terem preparado, não sabendo como seriam recebidos, e o que pensava o Rei do seu pacto de amizade

A Zulmira bem tentava que não tirassem conclusões antes de se saber o que tinha acontecido. Mas, as outras mulheres questionavam-na sobre como é que saberiam se foram mortos ou presos. Respondeu-lhes que mais tarde ou mais cedo, alguma coisa se saberia, por agora, era aguardar com serenidade

Mas, à medida que as horas avançavam, todas foram ficando mais nervosas e desesperadas, algumas reagiam como se os maridos já tivessem sido mortos: chorando, dizendo que não tinham nada que ir para aquele massacre, que o culpado era o Governador

Entretanto, as crianças já tinham adormecido, o sono venceras, as mães, no seu desespero, no aflito choro, nem deram por falta do choro delas, nem das suas incómodas perguntas, às quais não sabiam como responder, sendo melhor assim: o descanso interrompeu-lhes a tristeza e a dor de verem as mães em tão grande aflição

As mulheres estavam, cada vez, mais convencidas de que os seus maridos não voltavam, a Zulmira, não o dizia. Mas, também, achava que já devia ser muito tarde, que já deveriam ter chegado, não conseguindo esconder a preocupação, fez de conta que não ouviu as que culpavam o seu marido, pelo sucedido

Quando, já nem a Zulmira acreditava que voltassem, ouviram barulho, abriram a porta e viram os seus maridos a arrastarem os pés de tão cansados, mas os seus olhos brilhavam como as estrelas, como que a anunciar que tinha sido uma missão muito bem cumprida

As mulheres correram para os seus braços, continuavam a chorar, mas de alegria, no breu da noite, todas queriam certificar-se se tinham par, não fosse algum não ter aguentado tão dolorosa jornada. Todos tinham regressado sãos e salvos, no meio dos beijos e abraços iam dizendo às mulheres, que tinha chegado a um acordo de paz, selado com um aperto de mão, entre todos

Esgotadas as energias criadas pela receção das esposas, os pais foram buscar energia às reservas, para levarem os filhos pequenos, para as suas casas. Exaustos, só queriam cair nas suas camas, para um merecido descanso de um longo dia de muitas emoções e não menos dores físicas.

Continua

 

02
Out25

O Império

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O Império  -   As teias que o Império teceu

133

Tiveram de andar a bom passo, para conseguirem chegar, antes do meio-dia, à casa do Rei, não tinham tempo a perder, queriam regressar a casa, até ao pôr-do-sol, foram muito bem recebidos, mas o Rei ficou admirado de terem ido tantos, o Governador desculpou-se com o facto de o reino dele, sempre, ter repelido os portugueses, com grande ferocidade e valentia

O Rei respondeu-lhe que esses tempos tinham acabado, desde que os portugueses tinham deixado de praticar a escravatura, a chaga que tanto sangrou a África. Levando milhões de africanos, à força, tratados como animais, transportados em condições indignas, que lhes custaram muitas vidas

Comprados, vendidos, desenraizados, deportados para o outro lado do Atlântico, para serem explorados, em condições iguais ou piores que os animais irracionais

Foram muitas mortes, vidas destroçadas, muitas famílias separadas, fome, sede, maus tratos, punições de toda a ordem, um sofrimento indiscritível, que esperava nunca mais voltasse 

O Governador e os seus companheiros ouviram-no com atenção e em silêncio, preocupados com o passar do tempo, receando terem de fazer o regresso de noite, o que era muito perigoso, devido aos animais perigosos, que se escondiam nas matas, que ladeavam a bicada por onde tinham de passar

Por fim, o Rei olhou ao seu redor, pareceu-lhe que todos estavam cansados, decidiu terminar, agradecendo-lhes a visita, acrescentando que os tinha recebido, para lhes propor que dali em diante vivessem em paz: Africanos e Europeus, Angolanos e Portugueses

O Governador, em nome dele e dos seus companheiros agradeceu-lhe a calorosa receção, disse-lhe que por eles a paz seria mantida, porque a boa vizinhança era muito importante, para o progresso e bem-estar dos povos

O encontro terminou com um aperto de mão, entre todos os presentes, para selar o pacto de amizade, que deve envolver todos os povos

Como já estavam muito atrasados, despediram-se do Rei e saíram em passo apressado de regresso a casa, com o sol a descer, também, acelerado, para dar lugar a mais uma noite recuperadora das canseiras do dia

Ainda tinham mais de uma dezena de quilómetros, para palmilharem, quando o sol desapareceu, tiveram de se adaptar, imediatamente, ao breu da noite, o que fez com que tivessem de caminhar, apenas, com o apalpar dos pés, sem a ajuda da visão, mais uma grande dificuldade, para vencerem a etapa

As hienas foram as primeiras a dar-lhes a boa noite, um grupo aí de umas dez, um cheiro insuportável e uns olhos muito vermelhos, não se meteram com eles. Mas, alguns tiveram medo, outros já estavam habituados a vê-las, mais adiante viram elefantes e impalas, nada de perigoso para o grupo

Exaustos, chegaram a Luanda por volta da meia-noite.

Continua

 

18
Set25

O Império

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O Império  -    As teias que o Império teceu

131

Com as novas sementeiras a garantirem mais quantidade de produtos alimentares, regressou a harmonia a toda a comunidade, com a alegria e a esperança de um dia vencerem a fome

Mas, à medida que os jovens aderiam às ideias propagadas, principalmente, pelo Roberto, no sentido de quebrar as regidas tradições, entre homens e mulheres, no que dizia respeito ao trabalho nas lavras, os Sobas tentavam contrariar as alterações, defendendo punições, para os jovens, que fossem contra as suas ideias

O Governador queria ser o fiel da balança, tinha de ser muito diplomático, como lhe dizia a Zulmira. Assim, não hostilizava os Sobas, com quem contava, para mobilizarem homens e mulheres na defesa do território, caso este fosse atacado. Mas, sempre, ia dizendo-lhes que ninguém conseguia travar o futuro

Sabia que as tradições dos povos não se mudam de um dia para o outro, queria apoiar o Roberto, na tentativa de fazer com que os jovens se dedicassem às lavras, aproveitando o exemplo do Tico, que tinha conseguido transformar os métodos ancestrais de fazer as sementeiras. Mas, depois de um grande entusiasmo, por parte dos jovens, pelas lavras, os jovens agricultores foram cansando-se da espera pelas colheitas

Muitos jovens continuavam indecisos entre o que fazer, continuar com as tradições, em que os homens se dedicavam à caça e à pesca, tendo muitas mulheres, para trabalharem para eles, ou seguir as ideias do Roberto, que era contra a poligamia, que considerava ser uma prática para escravizar as mulheres

Todos, os que seguiam o Roberto, sabiam que ele defendia a monogamia, apelando aos rapazes que acabassem com a prática da poligamia, que fazia com que as muitas mulheres de um homem tivessem de se submeter às ordens da mais velha, que era quem geria o harém e escolhia a que dormia com o seu senhor

O Governador, que não tinha conseguido angariar proveitos, para ajudar a suportar as enormes despesas da Corte, queria fazer um feito, que ficasse para a história e impressionasse o Rei, confidenciou à esposa de que tencionava contatar com um Rei, que lutava contra os portugueses, a norte de Luanda, para o convencer a cooperar com Portugal, para uma convivência pacífica

A Zulmira disse-lhe que não era uma boa ideia, por ser muito perigoso, uma vez que não tinha uma força armada, para o proteger e aos que o acompanhassem. Mas, desta vez não deu ouvidos aos avisos da mulher

Contactou os Sobas, pediu-lhes que mobilizassem os homens, que pudessem, para que todos juntos tentassem entabular negociações, para um acordo de paz

Os Sobas mostraram-se receosos, avisaram o Governador do perigo, que corriam, mas cumpriram o seu pedido,   mobilizaram os homens, que puderam.

Continua

 

 

11
Jan24

O Império

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O Império  -  A teias que o Império teceu

43

Em tempo de paz, os agenciadores de escravos, os pumbeiros, vasculhavam o sertão angolano comprando os prisioneiros de tribos rivais

Nas idas e vindas ao interior, levavam cerca de 150 escravos, para carregarem as mercadorias usadas como pagamento

Demoravam cerca de um ou dois anos nas jornadas e voltavam com filas de 500 a 600 escravos

Nas guerras de captura, os capitães partiam acompanhados por centenas de soldados europeus, mulatos brasileiros ou mesmo angolanos

Enfrentavam as tribos e escravizavam os homens capturados. Em Luanda, os cativos ficavam em grandes barracões, esperando o embarque

Quando os navios demoravam para os transportarem, os escravos trabalhavam na plantação e cultivo da mandioca

A comodidade, fundada pelos dois casais, contribuiu para que os seus membros tenham tido bons rendimentos e um grande melhoramento no seu nível de vida, conseguiram acabar com a fome e construíram cubatas mais confortáveis

O facto de se entre ajudarem, fez com que tudo mudasse, ninguém ficava entregue à sua sorte, o problema de um, era um problema de todos

Como todos os pais, todos queriam uma melhor vida para os filhos, mas era tão difícil  encontrar quem soubesse ler, quanto mais quem ensinasse

A ambição dos dois casais era que os seus filhos aprendessem a ler e escrever, mas constataram que esse seu sonho não era realizável, portanto, o melhor era ensiná-los a trabalharem a terra, aproveitando a experiência das mães, a Rosinha e a Miquelina, que eram duas competentes produtoras de alimentos

Os dois primeiros padres da Companhia de Jesus chegaram à Ilha de Luanda, em fevereiro de 1575, tinham saído de Lisboa, acompanhados de Paulo Dias de Novais, em  23 de setembro de 1574

Em 1580, chegaram a Luanda 2 missionários Jesuítas, em 1584 outros 2 e, em 1593, mais 4

Em 1590, os cristãos eram cerca de 20.000

Uma vez que estava fora de hipótese a Leopoldina, o Roberto e o Zacarias aprenderem a ler e escrever, o melhor seria toda a família dedicar-se à agricultura, onde já tinham uma boa capacidade de produção

A Rosinha, que era a mais experiente no cultivo da terra, estava interessada em aumentar a produção, e para isso contava com a opinião do marido, da cunhada e do cunhado, em conjunto, queria que tentassem criar novos utensílios e novos métodos de produção

Também queria que ouvissem os miúdos, porque não se deve desperdiçar nenhuma boa opinião.

Continua

 

02
Nov23

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

33

Falhada a tentativa, da pequena comitiva dos brasileiros, de avisarem o comandante do Forte de Massangano, da chegada de reforços com o propósito de expulsarem os  holandeses, da cidade de Luanda, e retomarem o negócio da escravatura. O Forte continuava a resistir ao cerco, ordenado pela rainha Jinga, soberana do reino de Matamba, no leste de Angola, que comandava uma horda de guerrilheiros canibais, os jagas, habilidosos na luta com machadinhas

Jinga teve uma vida longa ( 1581 a 1663 ) era conhecida pela luxúria e perversidade

Possuía um harém de homens, dispostos a morrerem por ela, que viviam do roubo, vitimando diversas tribos

A vida no Forte estava a tornar-se muito difícil. O cerco já durava há muito tempo, e não viam maneira dos jagas se irem embora.

Não sabiam nada do que se passava na colónia, nem sequer o que se passava em Luanda, que era o que interessava mais, por ser onde os holandeses se tinham instalado

Salvador de Sá enviou três emissários para negociarem a rendição dos holandeses

Mas, estes não hastearam a bandeira branca

Colocou os seus oitocentos soldados e mais 200 marinheiros a fazerem fila na praia, para impressionar os holandeses

Na madrugada de 17 de agosto de 1648, cinco dias depois de chegar a Luanda, mandou os seus homens avançarem contra os holandeses, depois de ter destruído, os seus canhões, com a artilharia brasileira

Quando o sol raiou, 150 dos 400 brasileiros estavam mortos, do lado dos holandeses, apenas 3 mortos e 8 feridos

Mas, com os canhões destruídos, os holandeses pediram a paz

Deixaram Luanda, e os postos avançados de Cuanza e Benguela, levando na bagagem os escravos propriedade da Companhia Holandesa

Deixaram os jagas armados até aos dentes, para oferecerem resistência aos colonizadores.

 

(fonte: civilizacoesafricanas.blogs.pt)

 

Continua.

 

 

 

 

31
Mar22

Flores em março!

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Flores em março

 

São flores, são flores, para suavizarem os amores

Mais flores, mais flores, menos dores

Nesta primavera de horrores, mais flores, mais flores

Contra a cegueira dos que agitam os tambores

Para todos os heróis, mais, mais flores de girassóis

Para a embustice todos os anzóis

Mais flores, mais flores para todos os sóis

Aos agressores, ninguém dê flores!

São os autores de todos os rancores

Para quem a sua pátria defende, mais, mais flores

As maiores dores, pra todos os impostores

Para quem teve de abandonar o seu doce lar, mais, mais flores

 Todas as condenações para os usurpadores

Para quem está a ajudar, todos os que tiveram de abandonar o seu país, mais, mais flores

Todos os agressores terão de dormir, com os gritos dos homens, das mulheres e crianças, que mataram

Com a condenação, da maior parte do mundo, pela brutal barbaridade que estão a cometer

Para todo o sempre, ficarão responsáveis e nunca ninguém lhes perdoará os crimes

A invasão e destruição de um país a quem roubaram a paz, o trabalho, o pão

Mas, não foi só uma nação, que sofreu os efeitos de uma guerra sem sentido, foi todo o mundo

A tragédia foi ainda maior, fazendo com que os recursos, que poderiam ser utilizados para uma vida melhor das populações, sejam afetados ao esforço de guerra, na fabricação de mais material de guerra e mais letal, sabendo que todo esse material só servirá para o mal: a guerra

Mas, os efeitos desta barbárie podem, também, mais direitos dos cidadãos ofender, fazendo com que alguns países já comecem a voltar a instituir o serviço militar obrigatório

Não era tão bom, vivermos em paz

Sem sermos obrigados a ir para a tropa

Gastando o dinheiro em coisas mais úteis

Ajudar os mais desfavorecidos, reduzindo a pobreza!

José Silva Costa

 

 

 

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