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20
Nov25

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

140

Foi a maior e mais bonita festa, que a cidade já viu. Todos estavam muito felizes, nunca se tinha visto uns noivos tão populares, todos os conheciam e queriam abraçar e beijar, foram precisas muitas horas, para poderem dar atenção àquele mar de gente, muito alegre e contente

Os visitantes ficaram mais uma noite em Luanda, pernoitaram mais uma vez na Cooperativa. Estavam muito gratos a todos, pela afetuosa receção, mas queriam voltar a casa, quanto antes, para transmitirem a mensagem do Governador ao seu Rei

Para além de se sentirem muito honrados pelas atenções com que foram recebidos, estavam muito empolgados por serem portadores de uma mensagem, que poderia ser muito importante, para os dois povos

Um dos forasteiros, o Asdrubal, ficou encantado com a Francisca, a única irmã, ainda, solteira das cinco irmãs da noiva, e ela bem deu por esse olhar, que a seguiu por todo o lado, como se fossem duas setas de cúpido. Mas, a Francisca não lhe deu muita importância, por se tratar de um estrangeiro, que nunca mais viria

De regresso a casa, todos estavam muito felizes, e isso notava-se nos seus rostos, saudados com euforia, por onde passavam, recebidos, como heróis, por terem cimentado a paz, mais uma vez, por ser o mais importante, para todos os povos

Quando chegaram à cidade, dirigiram-se imediatamente para o Palácio Real, onde foram recebidos e cumprimentados, um a um, pelo Rei, que muito lhes agradeceu a missão, de seguida, o porta-voz do grupo, transmitiu ao Rei a mensagem do Governador de Angola

O Rei ficou tão contente com a resposta à sua mensagem, que lhes pediu para serem eles a escolherem, entre os seus pares, cinco homens, para o acompanharem na sua viagem a Luanda

O Asdrubal foi o nomeado para escolher quem iria acompanhar o Rei a Luanda. A nomeação teve em conta o que os companheiros já sabiam da sua paixão, pela Francisca. Assim, o Asdrubal tinha a oportunidade de voltar a ver a sua amada, mais cedo do que esperava, ainda-por-cima na companhia do seu Rei, o que poderia ser uma boa oportunidade, para lhe dizer quanto a amava

Escolhidos os cinco, que acompanhariam o Rei, este anunciou-lhes a data em que iriam a Luanda, uma vez que estava ansioso para apresentar, ao Governador de Angola, a sua proposta de unificação dos dois reinos, colocando o seu reino sob a proteção do reino de Portugal, um reino tão grande e poderoso, que nos seus domínios o sol nunca se punha.

Continua

 

13
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

139

O Manuel, pai da noiva, queria que a festa fosse realizada no palácio do Governador, como acontecera com as das irmãs, até já tinha a autorização do seu sucessor, seu genro. Mas, os noivos não aceitaram, dizendo que preferiam que fosse na Cooperativa, onde se sentiam mais à vontade e o queriam era a confraternização de toda a cidade

Pela primeira vez, estaria presente uma representação do vizinho reino a Norte de Luanda, que foi convidada pelos noivos, por intermédio do Tico, Presidente da Cooperativa, para cimentarem a amizade conseguida entre os dois vizinhos, depois de os dois Governos terem firmado um acordo de paz, e na sequência da visita do Tico, para trocar ensinamentos, sobre a agricultura, com os seus colegas do reino a Norte de Luanda

O Rei do reino a Norte de Lunada ficou muito sensibilizado, pelo convite aos seus agricultores, para participarem no casamento da Jesuína e do Aurélio. Aproveitou esse contacto, entre os povos dos dois reinos, para enviar uma mensagem ao Governador de Angola, pedindo que se voltassem a encontrar, onde ele quisesse, tanto podia ser em Luanda, como no seu reino. Tinha uma proposta para lhe fazer, que muito agradaria aos dois povos

Os noivos, à semelhança do que tinha acontecido nos casamentos das irmãs da Jesuína, convidaram toda a cidade, para o seu casamento. Estavam orgulhosos por serem os primeiros a ter convidados do reino vizinho, devido ao acordo de paz entre os dois reinos

Os convidados de fora, vieram na véspera do dia da boda, foram recebidos pelo Tico, que  foi o primeiro a apresenta-los ao Miguel, aquém transmitiram a mensagem de que tinham sido incumbidos pelo seu Rei. O Miguel agradeceu-lhes a mensagem e pediu-lhes para dizerem ao seu Rei, que estava convidado para vir a Lunda, quando quisesse, que seria muito bem recebido

De seguida, o anfitrião foi apresentá-los aos noivos, que lhes apresentaram, também, as boas-vindas e lhes agradeceram terem aceitado o convite, para estarem presentes no dia mais feliz das suas vidas

Pernoitaram nas instalações da Cooperativa, a convite do seu Presidente, que os tinha convidado, para o casamento, em nome dos noivos

No dia do casamento a cidade acordou alegre, airosa, formosa, como nunca se tinha visto, não tinha sido decorada, a sua beleza estava no sorriso de cada um dos seus habitantes

Todos estavam imbuídos de uma alegria contagiante, via-se que a cidade estava muito feliz por participar nas cerimónias do casamento de uns noivos muito queridos, por todos

Os olhares eram flores atiradas ao ar, com um brilho e perfume, que só a África tem. Tinha chovido, como diz o ditado: casamento abençoado. Toda aquela multidão estava envolvida no cheiro a terra molhada, quente.

Continua

 

06
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

138

Nunca se tinha visto um namoro tão intenso, como o da Jesuína e o Aurélio, enquanto ela fazia o seu trabalho, na Cooperativa, ele ajudava-a, para que depois, fosse ela a ajudá-lo no trabalho das lavras. Já todos diziam que os pombinhos andavam a construir o ninho

O que é certo, é que, o facto de passarem muito tempo juntos, ajudava a que fossem cimentando uma amizade baseada no conhecimento mútuo sobre como cada um encarava o futuro, juntos

A Jesuína estava muito marcada por mal ter conhecido a mãe, que morrera quando ainda era muito pequena, admirava o pai, por ter conseguido criar seis filhas, sozinho. Mas, continuava convencida de que tinha sido uma grande perda, para todos, fazendo com que as suas vidas tenham sido muito prejudicadas, por não terem sido acompanhadas pelos dois progenitores, sendo que o pai foi o mais prejudicado, por ter desistido da sua vida, dedicando-se inteiramente às filhas

Por isso, queria saber se o namorado partilhava da opinião de que para criar uma criança, o ideal é que seja um casal que, por vezes, ainda têm de pedir ajuda aos avôs, se forem vivos

O Aurélio disse-lhe que estava totalmente de acordo e que estaria sempre ao lado dela e dos filhos, não faria como alguns homens, que tinham tantas mulheres e filhos, que nem os conheciam

As palavras do namorado deixaram-na tranquila, cada vez estava mais contente e feliz por ter feito a escolha certa, desejando que em breve casassem, para estar sempre ao lado do homem, que amava

O pai parecendo-lhe que estavam a andar depressa de mais, perguntou-lhe quando pensavam casar, a filha respondeu-lhe que seria o mais rápido possível, porque já não tinham idade para andarem a perder tempo em anos de namoro, queriam ter filhos e o tempo não esperava

Disse-lhe que a compreendia e que ela sabia quanto ele gostava de ter muitos netos, e que tudo faria, para que todas as filhas fossem muito felizes, como o tinha feito, sempre, desde que a esposa tinha morrido devido ao parto do nascimento da filha mais nova

Tudo se conjugava, para que em breve houvesse mais um casamento, um acontecimento, que muito contribuiria para um grande convívio e muita alegria, como tinha acontecido com todos os casamentos das irmãs

Também, na Cooperativa, se vivia um momento de euforia, todos conheciam e tinham muito carinho pelos noivos, desejando que fosse uma bonita cerimónia e que os noivos fossem muito felizes.

Continua

 

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