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04
Mar21

Vidas (18)

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Vidas (18)

 

Continuação

 

 

  Mas, neste caso, o príncipe exagerou, dizendo que tinha mundos e fundos, e a princesa, em vez de desconfiar de tanta fartura, acreditou que aquele tesouro estava guardado para ela

Confrontada com a realidade, não desanimou, abraçou a sua sorte, pautando a sua vida pelo trabalho e dignidade. Tiveram duas Princesas. No primeiro Carnaval, de casada, desafiou o José, para se mascararem, e por um dia afastarem as tristezas e agruras da vida, comemorando o dia com fantasia e alegria, trocando as roupas: ela vestiu-se de homem e ele de mulher

Quando o patrão casou, o José teve de deixar de dormir no local de trabalho, porque, para além do quarto de casal, só havia outro, muito pequeno, para onde foi dormir o irmão dele

Valeu-lhe o sótão existente no cimo do prédio, onde já dormia o cunhado, da prima dele, que trabalhava numa oficina auto, para aprender a profissão de mecânico. Tinha uma janela para as traseiras, só se viam os telhados, o vão da janela era o único sítio onde se podiam pôr de pé. O espaço onde dormiam tinha um metro e pouco de altura

Era muito frio, no inverno, e muito quente no verão, porque as telhas estavam assentes nas travessas de madeira, sem qualquer isolamento

O patrão, do José, costumava, pelo Natal, oferecer garrafas do vinho do Porto, aos clientes. Num inverno de muito frio, aproveitaram as caixas de cartão para forrarem o sótão, tornando-o mais quente

 Mas, passados uns tempos, começaram a aparecer percevejos, tentaram matá-los com um pó, não deu resultado. Tiveram de arrancar todo o cartão e fazer uma desinfestação com creolina

O José, assim que soube fazer os tapetes, aproveitou os domingos para trabalhar, por cada tapete recebia quinze escudos. Num domingo de agosto, em que toda gente foi para a praia, conseguiu fazer quatro tapetes, foi como se tivesse ganho uma fortuna

O patrão alugou um andar, noutro prédio, para onde o casal foi dormir, uma vez que estava à espera da primeira bebé, ficando o local, onde faziam os tapetes, disponível para aumentar a produção, com mais horas de trabalho e mais pessoal

O irmão mais novo, do patrão, também deixou o Alentejo, para se juntar aos outros dois, fazendo com que a irmandade se tenha juntado, depois de anos em que cada um andou para seu lado

 Lisboa exercia uma grande atração, principalmente para os jovens da província, que não viam qualquer saída profissional, para o seu futuro, nas suas terras. O irmão e a irmã do José, assim que fizeram a quarta classe, também foram para Lisboa. Mais, tarde o irmão mais novo e a irmã mais nova, quinze e dezasseis anos mais novos, respetivamente, também foram, com os pais, para os arredores de Lisboa 

O irmão, da patroa, pediu a transferência das Finanças de Tondela, para o Ministério das Finanças. Passou, também, a ir fazer, nas horas vagas, tapetes para aumentar o rendimento mensal, e poder pagar a renda da casa, na Amadora, para onde tinha ido viver com a mulher

O José já lhe tinha dito que queria ir estudar, mas nunca mais se decidia, parecia não estar com muita vontade, nem muita pressa em voltar a não ter nenhum tempo de descanso, porque trabalhar

oitos horas por dia, com aulas das 20 às 24 horas, cinco dias por semana, não era muito agradável, nem tempo tinha para namorar

Mas, numa bela tarde, o cunhado do patrão, mal entrou na sala, e depois de os cumprimentar, voltou-se para o José e disse: “ andas a dizer que queres estudar, já sabes que não te livras da tropa, queres ir como soldado ou como sargento? Tens dois anos para fazeres o primeiro ciclo liceal, para ires como sargento”

Aquelas palavras mexeram tanto com ele, que ao fim do dia, quando acabou o trabalho, pegou na lista telefónica das páginas amarelas (o melhor motor de busca, daqueles tempos) e escolheu uma escola para ir estudar à noite. Na abertura do ano letivo, matriculou-se na Escola Académica, que admitia alunos internos e externos, no Largo Conde de Barão, perto de onde ele vivia, enquanto a anterior ficava na Praça da Figueira, e era para quem queria fazer a quarta classe

Como o dinheiro não era muito, aquando da apresentação dos professores, perguntou a alguns colegas onde iam comprar os livros. Informaram-no de que poderia comprá-los, no alfarrabista da Calçada do Carmo, que comprava e vendia livros usados

Na época de exames, inscreveu-se para fazer o primeiro ciclo liceal, no Liceu Passos Manuel, que fica perto de onde residia. Reprovou. Para além de serem dois anos num, já estava muito esquecido do que aprendera na instrução primária.

Continua

 

 

11
Dez20

11, de Dezembro

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11, de Dezembro

Tornaste-te, num dia, inesquecível!

Deste-me uma Rosa encantada

Há muito desejada

Foi em Dezembro, a sua chegada

Linda, encantadora, pura e perfumada

Muito frio, neve e geada

Prenda de Natal, para sempre, antecipada

 

Estrela brilhante a anunciar o Natal

Meu anjo encantado, meu futuro

Por ti, chorei e ri, perto e longe

Quando voltei, a mais bela flor sorria

 

O serviço militar roubou nos o convívio

Dos teus radiosos, primeiros, quatro anos

Guerra, palavra mais negra e trágica

Levaste-me, em flor, para longe do amor

Tanto calor, tantas saudades, tantas crueldades

Longos anos, meses, dias, minutos. Tanta dor!

 

José Silva Costa

 

 

06
Dez20

A Ética Republicana!

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A Ética Republicana!

 

O dinheiro da chamada bazuca, ainda não chegou

Mas já fez correr tanta tinta

Nova legislação, mais agilização, para, no dinheiro, por a mão

Simplificar, para todo o dinheiro poder gastar, sem que ninguém o possa controlar

Procedimentos, menos documentos, nada de impedimentos, porque temos de gastar tanto dinheiro em tão pouco tempo

Desde que aprovaram esta lei (PS/PSD) caiu o Carmo e a Trindade, e com razão, não se devem fazer leis sob pressão, à pressa, para os € encantar

Foram estas as palavras: Simplificar e agilizar procedimentos, que fizeram a lei parar, em Belém

Chegou antes de tempo, ainda não estamos no Natal, não aconteceu o milagre

Foi devolvida à procedência, para a ética republicana, respeitar.

 

José Silva Costa

 

08
Dez19

Balanço

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Natal

Aproxima se mais um Natal, fim-de-ano, balanços, retrospetivas de mais um ano

Uma época muito especial, em que todos querem reunir as famílias

Mais nenhuma data é tão forte, que provoque tão grande movimentação

Uma rotação anual, para as distâncias encurtar, graças ao poder voar

Como é que há quem questione se avançámos, assim tanto!

Como se no último século não tivéssemos feito, quase tudo

Menos o essencial: acabar com as guerras, com a fome, com as desigualdades, com a poluição, que nos consome

Foi e será sempre assim, a ambição de alguns não se condoe com o bem de todos

Por isso, uns tanto avançam, enquanto outros ficam parados no tempo

Outros tentam travar e parar a revolução dos que querem que o ar continue respirável

Aproveitemos esta reunião familiar, para o futuro saborear, sem os problemas descorar

Porque não é enterrando a cabeça na areia, que vamos lá chegar!

Está nas nossas mãos, o fumo dos carros reduzir, sem fanatismos, racionalmente

Ou queremos que a sua comodidade, lentamente, nos vá matando!

Quem é que está do lado certo, do lado errado, sem falar dos que não estão em nenhum lado!

Este século já nos mostrou que tudo é possível!

Problemas de séculos parecem estar em vias de resolução, redução

Respeitar as mulheres, nas diversas dimensões: igualdade no local de trabalho, ser respeitada no local de trabalho, no lar, na via pública

São séculos de subalternização, que não vão desaparecer de um dia para o outro!

Mas, estas duas décadas, do século XXI, fizeram mais que todos os outros!

Estou esperançado de que este é o século das luzes, da humanização, de que duma vez por todas compreendermos que somos todos irmãos, que temos direito a uma vida digna, sem exploração.

José Silva Costa

 

 

 

 

04
Dez19

Likes!

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Likes!

Para terem êxito, nas redes sociais, há pessoas que são capazes de porem a vida em perigo

Uma jovem, de vinte anos, queria tirar uma fotografia panorâmica das iluminações de Natal

Para isso, pediu autorização para subir à cobertura dum supermercado, em Braga

A cobertura não aguentou, e, ela despenhou-se, partindo os membros superiores e inferiores

Muitos casos destes têm acontecido, por todo o lado, por causa duma fotografia perfeita

Há anos, no Cabo da Roca, um casal de estrangeiros, que queria, com o Atlântico, um enquadramento perfeito

Ultrapassou o muro de proteção e colocou-se de costas para o mar, para a recordação perfeita

Quem estava a tirar a fotografia, foi-lhes pedindo para recuarem, até que se precipitaram e caíram pela arriba abaixo, o que lhes causou morte imediata

Gosto muito de ver, todos os dias, as belas fotografias, que aqui publicam, nos blogs do Sapo

Mas, por favor, nunca ponham a vossa vida em perigo, para obterem a melhor fotografia do mundo, porque os likes não valem esse risco!

Na flor da vida, a vida interrompida, com marcas para sempre, por uma ação irrefletida, não só dela, mas também de quem a autorizou a subir à cobertura do supermercado.

 

José Silva Costa

 

 

22
Dez18

Vai e vem

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Inverno

Chegou mais um Inverno

Espero que não sejas muito frio

Porque o frio é um inferno

O pobre quer mais sol

Deita-se no frio da noite

A sonhar com o calor do dia

Não tem ar condicionado, nem o teto forrado

E alguns nem casa, nem telhado

A vida é um passo adiado

Tem presente e passado

O inverno vai e vem

No calendário tem dia marcado

Nunca chega atrasado

Pode vir seco, com frio ou molhado

Em Dezembro é esperado

Está ao Natal associado

Mal ele chega, o ano tem os dias contados.

 

Feliz Natal e próspero ano Novo

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

16
Dez18

Para onde vamos?

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Natal, a estrela, que todos os anos brilha

Que aquece o coração de muita gente

Que é responsável pela confraternização das famílias

Que consegue tréguas nas guerras e libertar um pouco de amor

Que faz com que algumas crianças tenham momentos de muita felicidade

Que faz com que se modifique a cidade

Que faz com que sobressaia e brilhe a caridade

Que para muitos é uma oportunidade

De sentirem algum calor humano e atenção, que, infelizmente, se evapora no resto do ano

Um dia, tanto para crentes, como não crentes, diferente

Um dia muito triste e difícil para quem não tem ninguém, que ao menos lhe diga: feliz Natal

Mas, há sempre o reverso da moeda

Uma época de desenfreado consumismo

De criminoso desperdício

Em que muitos políticos assumem toda a sua vaidade, queimando recursos, que poderiam ter muito melhor destino

Tempo de desespero, para muitos milhões de crianças, mulheres e homens, que vagueiam, por todo o lado, à procura de uma estrela que lhes abra as portas do Mundo.

À memória da menina de sete anos, que morreu depois de atravessar a fronteira entre o México e os Estados Unidos da América, vitima do nosso egoísmo. 

 

José Silva Costa

 

 

 

19
Nov18

Presente de Natal

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Prendas de Natal

Prendas de Natal, sem o vil metal

Este ano dê tempo, amor, amizade, coisas com valor

Visite uma amiga/o na cadeia, num lar, num hospital

Há situações em que dois dedos de conversa têm muito amor

As prendas que não se vendem nos supermercados deixam-nos esperançados

Que o mundo continua, de pessoas, povoado

Que ainda não estamos, pelos robots, ameaçados

Que, apesar de não termos tempo para nada, ainda nos conseguimos das redes digitais, nos, desligar

Por poucos minutos que sejam, vai ser um presente diferente

Lembre-se que nada substitui um abraço, um beijo, um olhar, um sorriso

Ganhe um dia, uma manhã, uma tarde ou uma noite com os filhos, netos, sobrinhos, afilhados

Acompanhando-os num evento escolhido, por eles

Eles vão preferir, a enterra-los em brinquedos

Hoje, muitos miúdos reclamam mais tempo com os progenitores

E, nós, muitas vezes, não nos apercebemos dessas dores

Pensando que podemos comprar o tempo, que lhes devemos

Comprando-lhes tudo o que querem

Uma alegria que só dura o tempo enquanto as prendas desembrulha

Num mundo virtual, continuarmos humanos é essencial.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

06
Nov18

Outono

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Outono

Lá fora, frio, vento, chuva, neve, frio

Cá dentro, o calor da lareira, o cheiro da batata-doce assada

As castanhas a queimarem a mão, o perfume rubro de uma romã

Nozes, figos secos, pinhões, um mar de sensações

Os cheiros do Outono. Cada estação do ano tem os seus cheiros!

No aconchego do lar, já cheira a consoada

O Natal está aí, não demora nada!

 

José Silva Costa

23
Dez17

É Natal

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É Natal

Todos os dias são dias, de Natal

Celebremos o nascimento

Celebremos todos os nascimentos

É o nosso mais alto momento

É o início do nosso andamento

Que todos desejamos

Seja longo e feliz

Com saúde e amor

É Natal

As estrelas brilham no ar

É um momento de paz

Que faz com que a família se una

Para comemorar o nascimento

De uma frágil for

Que necessita de todo o calor

De todo o amor

Para crescer

Para se tornar

Mulher ou homem

Para ser mãe ou pai

Para mais tarde ansiar

Ser avó ou avô

Na esperança de que o peso dos anos

Lhes tragam a mais bela lembrança

Bisnetos e bisnetas

E a paz eterna.

 

 

Para todos, um feliz Natal

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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