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cheia

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11
Abr22

Violento!

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Violento

 

O vento diz-me para não pensar no momento

Tudo é tão violento!

A primavera quer um novo tempo

Não quer este mar sangrento

As flores da primavera vão perfumar o pensamento

É delas que as abelhas tiram o seu sustento

O constante movimento

Vai provocar um novo ordenamento

Nada ficará como era antes deste desencantamento

Têm sido muitas tempestades, muitos anos de sofrimento

Vai haver um grande desenvolvimento

Seja por causa da pandemia, da guerra ou do entendimento

Os custos é que assustam o firmamento

Não há rua, nem prédio, nem monumento que não tenha visto o horror, sedento

A História ensina-nos que depois da tempestade vem outro vento

Amassado na dor, na morte, em todos os horrores, nesse inesquecível fermento

Que faz com que o Mundo queira provar que nasceu um novo talento

Que, infelizmente, com o tempo, volta a cair no esquecimento

Fazendo com que voltemos a testar todas as armas nascidas do enlouquecimento

De quem acha que é capaz de prender o sol, a lua, o mar e o esquecimento

Mas, que um dia fica a saber que é mais frágil que o seu assento

E que quem faz um cesto, faz um cento

Não adianta irmos para um convento

Porque a terra vai continuar com o seu movimento.

 

José Silva Costa

 

 

03
Abr21

Silêncio & Movimento

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Silêncio e vida

No doce silêncio há uma angústia lá dentro

Para onde foi o habitual movimento?

A Primavera, felizmente, contínua exuberante

Com as suas cores e cheiros

Mas as ruas continuam sem gente, nem movimento

Até o sol e a lua perguntam

Para onde foram as pessoas, que vestiam a rua?

Tão deserta e nua, parece, para sempre, abandonada

Sem cor, sem amor, despida

O equilíbrio possível, entre o silêncio e a vida

Parecem depender do nosso comportamento

É o que nos impõe este momento

Temos saudades do movimento

Mas, saboreamos o silêncio

Queremos, sempre, tudo ao mesmo tempo

“Sol na eira, chuva no nabal”

O que é que queremos, afinal!

Não sabemos. Só estamos bem onde não estamos

Dizemos querer defender o ambiente

Mas, queremos investimento

Mesmo que destrua o ambiente

Vamos ter de decidir, o que é que queremos.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

15
Mai20

Estranho

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Estranho

Estranho o barulho do silêncio

Estranho o muito tempo

Estranho o preço deste tempo

Estranho o tempo sem tempo

Estranho o movimento deste tempo

Estranho o adiamento deste tempo

Estranho todo este tempo

Estranho o desequilíbrio do rendimento

Estranho que não aproveitem este tempo para mudarem o futuro tempo

Estranho que não oiçam o que diz o tempo

Estranho que não acudam aos que não podem esperar mais tempo

Estranho que não vejam os que nunca tiveram tempo

Estranho que só alguns tenham direito ao tempo

Estranho ver tudo encerrado

Estranho ver o gato arreliado

Estranho esta vida de confinamento

Estranho estar preso no tempo

Estranho não ter liberdade de movimento

Estranho ter de estar, sempre, neste apartamento

Estranho o nosso novo aspeto

Estranho ver o Mundo, sem movimento

Estranho o cheiro intenso

Estranho tanto avião no estacionamento

Estranho não ouvir a campainha do agrupamento

Estranho a saída de homicidas da prisão

Estranho a multidão no paredão

Estranho o meu comportamento

Estranho como me habituei a este tempo.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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