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cheia

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09
Mar23

A sedutora

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Lisboa! A sedutora

20

 

Estavas, Linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a Fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes ensinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas. ( canto III, estrofe 120 de os Lusíadas)

 

Era a declamar estes versos, que ele os acordava

E, ficavam tão empolgados, que depois de saírem da aula, ainda iam para o Granada, um café ao lado da Escola, declamar mais versos

Os bons professores sabem como acordar, entusiasmar, interessar, motivar os alunos

Mesmo com os bons professores, não foi possível fazer o segundo ciclo liceal num ano (terceiro, quarto e quinto anos)

Candidatou-se a exame, mas reprovou. Para o ano escolar seguinte voltou a matricular-se, mas já não concluiu o ano letivo, foi chamado para cumprir o serviço militar obrigatório.

A esposa voltou para a casa dos pais, e não queria voltar a viver em Lisboa

Na terceira semana da recruta, num exercício, rachou o calcanhar direito

No fim desse ano nasceu a filha mais velha, no dia do seu primeiro mês, não a pode ver, fez-lhe os primeiros versos

Esteve cerca de um ano no depósito de indisponíveis, na Graça, em Lisboa

Foi presente a uma junta médica, que o declarou apto para todo o serviço militar

Voltou outra vez para as Caldas da Rainha, para fazer a recruta, como instruendo do curso de sargentos milicianos

  Acabada a recruta, foi colocado na Escola Pratica de Cavalaria, em Santarém, onde concluiu o curso de sargentos miliciano, tendo sido graduado no posto de primeiro-cabo miliciano

Em Janeiro de 1969, foi colocado em Lisboa, no Regimento de Cavalaria nº7, onde deu instrução aos soldados, que foram com ele para Angola.

Foi obrigado a recensear-se, havia eleições Presidenciais, quando se realizaram já estava em Angola, e como não teve oportunidade de votar, talvez alguém tenha votado por ele

Calçada da Ajuda acima e abaixo, até Monsanto, onde eram treinadas as táticas de guerra, no Regimento de Lanceiros, 2 tinham à sua disposição uma pista de obstáculos, para se prepararem, para o que em Angola os esperava. Fizeram tiro com balas reais na Serra da Carregueira

Os derradeiros preparativos foram efetuados na Fonte da Telha e na Serra da Arrábida

Em Setúbal, bonita princesa do Sado, na sua avenida Luísa Todi, desfilaram, para que todos se despedissem dos jovens, e vissem como estavam saudáveis, forçados a irem para mais uma guerra sem sentido, como são todas as guerras

As pessoas aglomeram-se nos passeios, para dizerem adeus e desejarem boa sorte, às duas centenas de homens, que nunca mais voltariam a ver, todos, porque a alguns esperava-os a má sorte

Nas vésperas do dia de embarque, foi graduado no posto de furriel miliciano, o que fez com que a esposa recebesse quase 2.800 escudos, referentes aos dois terços do seu vencimento, o máximo que podia ser recebido na Metrópole

Juntaram quase 100.000 escudos, que serviram para remodelar a casinha de 50 m2, que não tinha casa de banho, nem água canalizada, nem eletricidade

A ligação da eletricidade, do exterior ao interior da casa, foi paga com os últimos 7.000 escudos, que recebeu como militar

Valeu a pena ter estudado, vale sempre a pena estudar, mais que não seja, para de outro modo, o mundo apreciar

Em Angola teve um aumento de vencimento, a que só os sargentos e oficias tiveram direito, uma vergonha revoltante, que só poderia ter acontecido num regime ditatorial

Os soldados, com toda a razão, ficaram revoltados, chegando a dizer aos graduados que fossem sozinhos para o mato, mas ninguém corrigiu a injustiça

 Perdeu o Tejo, Lisboa, a Serra de Sintra: tudo, o Atlântico era a nova morada  

Ia fazer 24 anos, fez em Angola os 24, 25 e 26 anos. A tropa roubou-lhe 4 anos de convívio com a família. Felizmente, não lhe roubou a vida, o que aconteceu a muitos

Uma guerra que poderia ter sido evitada, como acontece com todas as guerras, que só servem para causar destruição, dor e morte.

Continua

 

10
Mai20

Dor

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Dor

Os teus olhos não me saem do pensamento

Não queria presenciar mais um horrível momento

Mas, por que razão matam crianças e as atiram ao vento?

É tão grande a dor, que não há palavra para classificar este tormento

Este domingo o sol não apareceu, porque não quer ficar associado a assassinato, tão violento

Infelizmente, todos os dias, muitas crianças são assassinadas, mas finjo que não sei, porque os seus olhos, não entram por os meus adentro

Mas, hoje não consigo fingir, porque o teu doce olhar, não deixa de me atormentar

Mas como é que alguém é capaz de matar uma inocente indefesa!

Como é que os meus dias poderiam não ser cheios de tristeza

Se só vejo vingança, maldade e muita inveja

Uma flor frágil, tão delicada, que sonhava ser filha do amor

Foi vítima de quem menos esperava

O seu avô materno, muito chorava, foi, também, a morte dele, antecipada

Como é que existe tanta gente, com tanta maldade acumulada!

O meu coração ficou como se, também, tivesse levado uma facada

Preferia não ver televisão, não saber das notícias, mas pouco adiantava

Poderia não sofrer tanto. Mas, para o mundo isso não significava nada

Porque as mortes, as guerras, a fome, as doenças e os restantes horrores não acabavam

Para todos, a quem roubaram a vida, o meu amor

Ninguém tem o direito de tirar a vida, seja a quem for.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

  

 

30
Jun19

Canícula

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Canícula

O Mundo acordou a sorrir

Os “palhaços” voltaram a fazer-se ouvir

É melhor do que acordamos com o barulho dos tiros!

Não quer dizer que haja menos perigos

Continuam a morrer, por comerem de mais, menos

E, a morrer, por comerem de menos, mais

As guerras, os atentados, os acidentes continuam a matar

Dos que fogem de um lado para o outro, nem é bom falar!

Isso fica para os mares e os rios contarem

Porque, só eles sabem por que aflições estão, sempre, a passar

Tanto grito, choro e pedido de socorro!

E, aqueles que os ouvem e os vão ajudar

Estão sujeitos, à prisão, ir parar

Porque os que não os ouvem, têm a força da ovação

Dos que acham que não somos todos irmãos

Que não temos, todos, direito a casa e pão

Por que razão, gostamos tanto da acumulação!

Se sabemos, que chega o dia em que não precisamos de nada.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

17
Jun19

17/06/2017

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A tragédia

O sol nascera, como em muitos dias de Junho, radioso

O dia corria normalmente, até que as chamas envolveram as populações

As lavaredas montadas nos ventos fortes, levavam tudo à sua frente

O fumo escondeu o sol, o dia tornou-se noite

Nunca ninguém tinha visto um a coisa assim!

Não deu tempo nem para decidir

Ficar, correr, fugir, que fazer!

Não havia tempo a perder

A quem recorrer, se as comunicações não conseguiam responder!

Abandonados à sua sorte, uns correram para a salvação, outros para a morte

Rodeados por um inferno de chamas, sem ninguém que lhes desse esperança

Alguns meteram-se nos carros para fugirem à morte

Mas a estrada era de má sorte

Tudo ficou queimado, e o alcatrão bem marcado

Sessenta e seis mortos!

Duzentos e cinquenta e três feridos!

Meio milhar de casas destruídas!

Que sejam sempre recordados

Que se faça tudo para que tragédias destas não se repitam

Sejamos mais programáticos

Acreditemos menos na sorte

Porque o vento Norte, pode trazer a morte.

José Silva Costa

03
Nov18

Século XXI

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Século XXI

Dormimos descansados

Ao lado dos esfomeados

Dos que morreram de fome

Dos que deixaram tuto para trás

Quando na realidade não deixaram nada

A única coisa que tinham

Eram balas a zumbirem-lhes aos ouvidos

Agarraram-nos filhos e partiram

Na esperança de encontrarem segurança e pão

Mas, os que têm o poder na mão

Votam naqueles que lhes dizem não

Que num dia dizem que vão mandar os soldados atirar

No outro dia a opinião pública fá-los recuar

Nunca se sabe com o que se pode contar

Morrer, por morrer, vale mais enfrentá-los

Tudo, menos ver os filhos, de fome, morrer (Iémen)

Como podemos, na humanidade, crer!

Para onde quer que nos viremos

Só vemos mães e pais com os filhos nos braços

Sem saber o que fazer

Desesperados, atiram-se ao mar, aos rios, ao arame farpado

Mas, ainda há que durma descansado!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

03
Fev18

O petróleo verde

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O preço do petróleo verde!

 Muitos proprietários ficaram muito contentes, quando foram assediados para plantarem eucaliptos

Foi uma maneira fácil de conseguirem alguns rendimentos dos terrenos, que deixaram de ser cultivados

As celuloses esfregaram as mãos de contentes: um bom negócio, que países mais desenvolvidos não querem

Porque os eucaliptos esgotam os terrenos, acabam com a água, que existe no solo, matam tudo ao seu redor

Portugal tem pago um preço bem caro, por esta curta visão de políticos irresponsáveis, que só pensam no presente, que vendem o país e a sua gente

Quantas vezes o país já ardeu, quanto custa o combate aos incêndios, quem paga o que se perdeu?

Mas, a maior perda são as vidas perdidas, e, os que, para sempre, ficam com feridas!

Como se não chegasse, mataram o Tejo, matando tudo o que dele vivia!

Autorizam todas as indústrias, seja qual for a poluição, que se queiram instalar à beira Tejo

Nem mesmo a redução dos caudais, ao longo de anos, os conseguiu acordar, ou fazer atuar

Foi preciso o rio ficar coberto de espuma, já não ser possível encobrir o crime, para se mexerem!

Mas logo vieram dizer, que não havia culpados, e têm toda a razão, porque o único culpado é o São Pedro, que se esqueceu de mandar água suficiente, para lavar o Tejo, levando tudo para o mar, para o fundo, de preferência para longe do nosso olhar

Não! Meus senhores, a água barata acabou-se, não podem continuar a mandar a água das estações de tratamento para os rios, devem aproveitá-la para as regas

Quanto às celuloses não é reduzindo, mas proibindo, toda e qualquer descarga

Se quiserem continuar a laborar, podem fazê-lo em circuito fechado, sem contaminarem a pouca água, que temos.

 É mais caro! Pois é. Mas, a água é um bem indispensável para a vida, não pode ser poluída!

 

José Silva Costa

 

 

 

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