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cheia

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23
Nov21

Em casa alheia

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Em casa alheia!

Hoje estou em: https://milorde.blogs.sapo.pt

Fui muito bem recebido, à entrada, num lindo jardim, a rodear uma grande mansão

No salão, com vista para o mar, bebi um ótimo chá, na companhia do anfitrião

Que me pediu, para escolher o dia mais feliz da minha vida, uma escolha difícil, todos têm sido felizes, uns mais que outros!

Passem por lá, bebam um chá e assinem o livro de visitas.

Um feliz dia para todos.

29
Jul21

Mar!

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 O Mar

Mar, mar, tens um doce navegar

Perfumas com a tua maresia o meu olhar

No verão, nas tuas areias, muita animação

São crianças, homens e mulheres a verem a vida a correr

Parados nos teus lençóis de espuma, a navegarem, sem saber

Todos gostam da tua companhia, não se cansam de te ver, todo o dia

Alimentam sonhos, planeiam viagens, recordam outros anos, amigos e amizades

É um tempo de descontração, muitas brincadeiras e bolinhas de sabão

Os namorados, de mãos dadas, olhares floridos, desenham o futuro

As crianças constroem castelos de areia, que fortificam pela vida inteira

És a maior atração, principalmente, no verão

Onde todos encontrarão, um espaço para sonhar e fazer uma reflexão

Em perfeita comunhão, poderiam comprometer-se a construir um mundo melhor

Mas, para isso, tínhamos de abdicar de tanta asneira e bebedeira

De reconhecer que a vaidade não é nenhuma bandeira

Que a vida é uma pequena feira

Onde, todos os dias, compramos mais um dia.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

04
Fev21

Vidas (8)

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Continuação (8)

A terceira classe, terceira professora, três professoras em três anos! Na terceira classe havia exame para passar para a quarta classe. No seguimento das anteriores, esta professora, também queria que os seus alunos fizessem boa figura.

Numa tarde, depois de entrarem, após o intervalo para o almoço, a professora apercebeu-se que estava a cair neve, foi à rua certificar-se do que estava a ver, correu para a sala de aulas, dizendo : “agarrem nas vossas coisas e corram para casa. Não se entretenham a brincar com a neve, porque está a nevar muito, o que pode provocar muita dificuldade para chegarem a casa”

No dia seguinte estava tudo branquinho: telhados, campos, o que fez com que Francisco tivesse de ir cortar uns ramos de oliveira, para a cabra comer. Estávamos em 1954, o ano em o país ficou pintado de branco de alto-a-baixo  

Pouco antes do ano escolar acabar, a professora foi incumbida de fazer uma lista dos alunos mais pobres, para irem uma semana de férias, para a beira-mar, junto a uma praia

A professora disse-lhe que o nome dele fazia parte da lista. Dias depois, informou-o de que o seu nome tinha sido riscado, pelo Regedor, por o pai não apoiar o Salazar

José ficou muito revoltado, já sonhava com o mar, as brincadeiras com os colegas e com a praia. Parece que para os pais não foi grande surpresa, mas não deixaram de mostrar a sua indignação!

Francisco, não falava de política! Mas, ao contrário de outros pais, não tirava o filho da escola, para ir guardar as bestas, dos Senhores, quando começava aceifa

Dizia que ali ninguém passava da cepa torta. Por isso, tudo faria para que os seus filhos fossem para lisboa

Quando o ano escolar estava a terminar, foram a São Miguel do Pinheiro, para fazerem o exame da passagem para a quarta classe. Acabaram o exame e saíram, uma rapariga mais velha que ele, de quem gostava muito, e ela dele, correu para ele, dizendo que não tinha feito os problemas, estava tão nervosa que se esqueceu de tudo. Ele tentava acalmá-la, quando surgiu o pai dela 

Leu-o lhe a sentença:” não voltas para a Escola, estás uma mulher, vais trabalhar.” Ela, lavada em lágrimas, pediu-lhe que a deixasse ir mais um ano, queria, pelo menos, fazer a terceira classe, mas ele estava irredutível, agarrou-lhe na mão e seguiram para casa, nem tiveram tempo de se despedirem! José ficou com os olhos pregados nela, até deixar de os ver, nunca mais se viram!

Agradeceu ao pai, mentalmente, por ele ser diferente e dizer sempre que os estudos eram o mais importante para os seus filhos

No início do último ano escolar, regressou a professora do segundo ano, a Senhora da telefonia sem fios. Já a conheciam, sabiam que iria ser muito exigente com os três, que chegaram à quarta classe: dois rapazes e uma rapariga. Dos que entraram no início da Escola, só dois chegaram à quarta classe. A rapariga viera de outra Escola, depois de ter feito os dois primeiros anos

Nos dois últimos meses, a professora deu-lhes aulas aos sábados e domingos, queria que estivessem bem preparados para o exame a realizar na sua Vila, onde todos a conheciam

 Num sábado, deixou-os na sala de aulas e saiu. Eles fizeram trinta por uma linha: escreveram no quadro, saltaram por cima das carteiras, partiram um tinteiro. Quando regressou e viu a sala de aulas naquele estado, deu-lhes doze palmadas em cada mão e mandou-os sair

José, que morava ao lado da Escola, entrou em casa a esfregar as mãos, sentou-se à mesa, mas não pegava no garfo, fazendo com que a mãe preguntasse o que tinha acontecido. Mas o José continuava sem querer dizer o que tinham feito.

Continua  

 

 

 

 

  

 

 

   

 

 

   

  

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12
Out20

Sereno luar

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Sereno luar

Que nos levas a descansar

No silêncio da noite

No escuro que nos ajuda a namorar

Sem que a luz nos possa incomodar

Nem os pássaros possam piar

A noite é um sossegado mar

Onde, em nuvens, podemos sonhar

Todo o mundo percorrer

Ir e voltar, coisas que só a noite nos permite fazer

Sem sequer nos mexermos

Descobrir todos os mistérios

Revelar todos os segredos

Construir milhões de enredos

Mas, de manhã, quando acordamos

Verificamos que tudo se sumiu por entre os dedos.

 

José Silva Costa

 

 

 

14
Set20

Ano letico

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Regresso às aulas

Este regresso às aulas não tem a magia dos outros anos

O medo, as máscaras, as regras, tolhem os movimentos

Este ano, infelizmente, não vamos ver a euforia de beijinhos e braços de outros momentos

Vão ser experiências novas, que temos de aprender e algumas antigas, que temos de esquecer

Estamos todos ansiosos para ver o que vai acontecer

Quem vai pela primeira vez, é quem fica mais a perder

Mas a vida é mesmo assim, temos de estar preparados para estar sempre a aprender

Não damos o devido valor a este tempo, em que temos quem nos ensine, e perguntas podemos fazer

Mais tarde é que vamos a orelha torcer

Por não termos dado atenção a tudo o que nos queriam dizer

Vão muito, ficar a saber para, a vida, ganhar

A escola é um mar de conhecimentos, que devemos aproveitar

Quanto mais soubermos, melhor o podemos utilizar

Para proveito próprio, e os outros ajudar

Há quem sinta uma grande felicidade, por os outros poder iluminar

Da escola vai-nos, sempre, alguma saudade ficar

Mais tarde, gostamos dos nossos colegas encontrar

Para todos, um bom ano escolar!

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10
Set20

O sol

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O Sol

 

 

Continuas, quente

Mas as manhãs estão diferentes

Cada vez chegas mais tarde e partes mais cedo

Vais para outras paragens, para o outro hemisfério

Menos horas de sol, maior escuridão

As noites ficam longas

Fico mais tempo no aconchego do lar

Com mais tempo para te recordar

Assim que te escondes, no Atlântico, e me dizes: até amanhã”

 Volto sozinho e triste, para casa

Não quero que digas que ando com o mar

De manhã volto a esperar-te

Para aqueceres o meu dia.

 

José Silva Costa

27
Ago20

A semente

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A semente

 

Nas asas do teu sonho, deito o meu olhar

Juntos estamos mais perto de voar

Nos teus braços sinto-me como no mar

No vai e vem das tuas ondas, quero-me deitar

Não deixes o nosso barco naufragar

Enquanto saboreio este instante, que quero perpetuar

Não podemos deixar que os nossos sonhos se afoguem no ar

Juntos vamos lutar para os concretizar

Nas nossas mãos temos o futuro e o presente

A esperança que há no teu olhar não o desmente

Juntos vamos fecundar uma semente

Que nos vai fazer sorrir diariamente

Vamos passar a viver em função da sua alegria

Vai-nos ocupar noite e dia

Tudo, na esperança de que um dia sorria

E, depois de muitos meses, calada, a ouvir, para aprender a falar

Acorde, solte a língua e diga: Mãe! Pai!

Palavras de apenas três letras que, de alegria, nos fazem chorar

Sentindo-nos compensados de todas as canseiras, de todas as noites mal dormidas

É uma sensação que só conseguimos sentir, quando somos pais.

 

José Silva Costa

 

 

 

20
Ago20

A noite

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Amar

 

Vamos nos beijar, sorrir, dormir

A lua derrama, na rua, o seu olhar

Lá fora, o sono, de tanto esfregar os olhos, já dorme

No silêncio, só se ouve o nosso arfar

O resto do mundo já se foi deitar

As estrelas insistem em nos iluminar

Querem, os nossos corações, incendiar

Mas os teus olhos ofuscam o seu cintilar

O seu brilho faz-me enlouquecer

Há um encantamento quando olham para mim

Quero ficar para sempre assim

Deitado no aconchego do teu baloiçar

Como se estivesse a ser embalado pelo mar

Sem calor nem frio, a sonhar

Preso nos teus braços sem me poder soltar

Assim, unidos para sempre

Até o mundo acordar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Jul20

Distanciamento!

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Vidas!

 

 

Translúcido pôr-do-sol no interior de um mar ofegante

Num rasgo, num sopro, num último esforço tudo toma forma espacial

Com flamínia a soprar o fogo verde da origem

De asas no centro do vento

A sina inscrita nas linhas da minha mão

Na curvatura fértil do colo materno da terra onde

No frenesim das horas que engolem os dias

Desvendamos e rasgamos salgadas estradas invisíveis

No vazio imperfeito das suas rotações

Sondamos os astros

Não ouvimos o rio na margem da corrente

Onde gizamos as linhas do destino do sono

Quando o luar trespassa a nudez dos ossos

Sem vermos de onde sopra o vento azul

 As palavras são as veias dos sentidos

Onde arderás na combustão dos tempos

Enquanto nós nos túneis sem saída nos atropelamos

Por todo o lado

Com os corpos sustemos os desmoronamentos das cidades

Nas palavras incendidas

No deserto mar

No fundo dos remorsos

Para afugentarem o travo do tráfico droga armas vidas

Jovens mães carregam os filhos com a ajuda do brilho das estrelas

E bebem a aurora nos transportes suburbanos.

 

 

José Silva Costa

 

 

25
Mai20

Rumo ao Norte

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Convite

 

Hoje, estou na casa do amigo C. C. Se gostam de mar, não deixem de lá passar, se não gostam também o devem fazer. É um amigo, que todos devem conhecer

Agradeço o teu convite, para conhecer o teu o acolhedor espaço, muito visitado e comentado.

O que me permitiu ir até ao Norte, sempre pela beira-mar, tendo podido visitar as maravilhosas praias do Atlântico, que este ano estão ainda mais belas:  todas desinfetadas, perfumadas, com cheiro a álcool e gel, nunca estiveram tão limpinhas, nem com águas tão límpidas!

Estavam cheias, mas todos às distâncias recomendadas, o que prova que estávamos com atenção, quando elogiaram os nossos comportamentos, mas também nos ameaçaram, caso não cumpramos o estipulado, fecham as praias.

Alguns esqueceram-se de que é proibido jogar nas praias, e outros ainda distribuíam música a metro, o que só podem fazer por mais uns dias, enquanto a época balnear não abrir oficialmente

Temos de nos habituar aos novos tempos. Fazer das praias lugares seguros

Se antes nos tínhamos de preocupar por causa dos afogamentos

Agora, temos de nos preocupar, também, com os afastamentos.

 

José Silva Costa

 

 

 

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