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cheia

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08
Fev21

Vidas! (10)

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Continuação (10)

 

José ficou algum tempo a saborear a liberdade de não saber o que ira fazer. Não foi por muito tempo, porque um vizinho, que tinha 4 ou 5 ovelhas, sem ter quem as guardar, propôs uma parceria ao Francisco: o José guardava as ovelhas, e os filhos que tivessem eram divididos pelos dois

Uma vizinha quando estava à porta, e ele passava Monte abaixo, atrás das ovelhas, dizia: “ andaste tu a estudar, para agora andares a guardar ovelhas”. José nunca lhe respondeu, seguia o seu caminho, na esperança de que um dia o vento mudasse

Ao fim do dia, quase todos os dias, juntava-se a um pastor, já com idade para se reformar, mas como o rebanho era dele, não achava jeito em o deixar. Dava-lhe o que tinha sobrado do seu almoço, para ele lanchar: pão com azeitonas, ou toucinho. Ambos gostavam daqueles encontros diários, falavam dos seus problemas e do que os rodeava

No inverno, um dia muito chuvoso, cruzaram-se logo de manhã, arranjaram um abrigo e mantiveram as ovelhas num espaço, onde havia uma planta, que podia não ser muito bem tolerada, pelos borregos, e ainda menos molhada: a alfavaca-dos-montes

Na manhã seguinte, quando se preparava para soltar as ovelhas, apercebeu-se que dois borregos tinham morrido. Sentiu-se culpado por o que tinha acontecido, devia ter ido para outro local, mas preferiu abrigar-se da chuva e estar todo o dia na conversa com o pastor

Foi dizer à mãe o que tinha acontecido, que lhe disse onde o pai estava a trabalhar, para o ir informar, para que os esfolasse e aproveitassem a carne, uma vez que tinham morrido de congestão, não tendo perigo para o consumo humano

Francisco não ralhou com o filho, mas disse-lhe que a parceria tinha acabado. A partir daquele dia, José estava desempregado, sujeito a qualquer momento ter de ir trabalhar para outro lado, o que implicava deixar a sua casa, deixar de ter contato diário com os irmãos e os pais

Foi o que aconteceu, passados alguns dias apareceu o primeiro patrão. José passou a ir a casa, só de visita. Foi o segundo corte umbilical. Com apenas dez anos perdeu, para sempre, o contato diário com os pais e os irmãos. Sentiu-se do afastamento, ter de viver em casas de pessoas, que não conhecia, como um intruso, sem carinho, apenas com a indiferença com que tratavam os criados

Um Senhor, que viva na sede da sua Freguesia, Santa Cruz, convenceu Francisco a que deixasse ir o filho guardar-lhe os porcos. Francisco não estava com muita vontade de o deixar ir, e foi dizendo que estava a ver se arranjava maneira de que fosse fazer a admissão ao Liceu. Ao saber do que o Francisco, para o filho, queria, o Senhor jugou a sua cartada, dizendo que na sua casa vivia a Professora Primária, que lhe daria explicações para fazer a admissão ao Liceu

Foi com uma falsa promessa, que o José foi arrancado do seu lar, para ir trabalhar. Lá foi, para Santa Cruz, para os porcos guardar, mais tarde ou mais cedo tinha de ser, o seu berço perder

O seu patrão e outros Senhores, de Santa Cruz, queriam implantar uma feira na sede da Freguesia. Para tentarem atrair os negociantes, ordenaram aos criados para que todas as quartas-feiras levassem os porcos, as vacas, as ovelhas, os machos, as mulas, as éguas, os cavalos, as burras e os burros para um largo à entrada da Freguesia

As semanas foram passando, mas os negociantes não apareceram, o sonho morreu, a ideia não deu, mas em alguns locais, foi assim que a feira nasceu

 Passado um mês ou mais, José estava com tantas saudades dos pais e dos irmãos, que, depois do jantar, disse ao patrão que ia visitá-los. Estava luar, meteu os pés ao caminho, deviam ser uns cinco quilómetros ou mais. Foi uma alegria voltar a vê-los, mas não se pôde demorar, porque tinha de voltar, para no outro dia trabalhar.  O pai perguntou-lhe se a Professora já lhe tinha começado a dar as explicações para a admissão ao Liceu. O José disse-lhe que ela nem sequer lhe dava os bons dias e boas noites. Francisco ficou irritado por ter sido enganado. Era uma pessoa muito séria. Educou os filhos, dizendo-lhes para não mexerem no que não era deles, nem fizessem aos outros o que não gostassem que lhes fizessem

Quando se despediram, disse-lhe que quando pudesse iria falar com o patrão dele.       

 

Continua

 

 

22
Out20

o momento

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O momento

 

O mundo está tenso

Um crime imenso!

A liberdade em suspenso

Um momento intenso

Sem consenso

O que escolher!

A saúde ou o alimento

Ninguém sabe!

Vamos continuar a sonhar

Porque isso ninguém nos vai tirar

Se nos soubermos adaptar

Podemos outro caminho encontrar

Mas temos de lutar

Porque nada cai do ar

A não ser a água, mas infelizmente, pouca

Uma situação louca

Que não vale a pena negar

Pelo contrário

Todos unidos, temos de a enfrentar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

15
Mai20

Estranho

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Estranho

Estranho o barulho do silêncio

Estranho o muito tempo

Estranho o preço deste tempo

Estranho o tempo sem tempo

Estranho o movimento deste tempo

Estranho o adiamento deste tempo

Estranho todo este tempo

Estranho o desequilíbrio do rendimento

Estranho que não aproveitem este tempo para mudarem o futuro tempo

Estranho que não oiçam o que diz o tempo

Estranho que não acudam aos que não podem esperar mais tempo

Estranho que não vejam os que nunca tiveram tempo

Estranho que só alguns tenham direito ao tempo

Estranho ver tudo encerrado

Estranho ver o gato arreliado

Estranho esta vida de confinamento

Estranho estar preso no tempo

Estranho não ter liberdade de movimento

Estranho ter de estar, sempre, neste apartamento

Estranho o nosso novo aspeto

Estranho ver o Mundo, sem movimento

Estranho o cheiro intenso

Estranho tanto avião no estacionamento

Estranho não ouvir a campainha do agrupamento

Estranho a saída de homicidas da prisão

Estranho a multidão no paredão

Estranho o meu comportamento

Estranho como me habituei a este tempo.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

25
Abr20

Em confinamento

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46 anos

Foi a madrugada mais radiosa, que nasceu

As balas foram substituídas por cravos vermelhos

Quando a madrugada rompeu

Lisboa foi acordada pelos carros de combate

A cidade, de medo, estremeceu

Mas, quem os mandou disparar, não venceu

Porque o atirador não obedeceu

Não quis manchar o dia que, tão radioso, apareceu

O povo ocorreu à rua

De peito afogueado, com medo que algum passo fosse maldado

Quando o sol raiou, uma senhora, um cravo vermelho, colocou

No cano de uma espingarda G3

O povo sorriu e aplaudiu

Estava quebrado o vazio

Um punhado de militares acabava de derrubar uma ditadura de meio-século

E um império de cinco séculos

Nos cinco cantos do mundo, houve choros e desejos

Que do velho império, nascessem povos inteiros

Que finalmente regressasse a paz

Foi um parto muito doloroso e difícil

Após treze anos de guerra

Valeu-nos o cansaço da espera

Para que sete povos decidissem os seus destinos

As transições são quase sempre, difíceis e dolorosas

Mas com disse uma futura rainha de Portugal:

“ Vale mais ser rainha por um dia, do que duquesa toda a vida”.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16
Fev20

Incerteza

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Covid-19

 

O Mundo está dependente do Covid-19

Mais de mil e quinhentos mortos, muitas pessoas de quarentena em navios, hospitais, residências

Eventos mundiais cancelados, medos por todos os lados

Num ano de jogos olímpicos, em que todos os segundos contam

Há atletas parados, prejudicando a sua preparação para a competição

Cidades, fábricas, casinos, tudo parado, como nunca se viu

Pessoas levadas à força das suas habitações, para ficarem de quarentena

Os países que vivem do petróleo, também fazem contas à vida

Não se sabe como e quando esta situação vai acabar

Mas, muito sofrimento está a causar

Por todo o Mundo, tudo o que vem da China, é olhado como perigoso

Toda a China está de quarentena

As Universidades pediram a professores e estudantes estrangeiros, para regressarem aos seus países

Muitas companhias aéreas suspenderam as viagens para a China

Como a produção, das grandes fábricas, de quase todo o mundo, foi deslocada para a China

Pode acontecer uma grande quebra na produção e levar o mundo para mais uma receção

Esperemos que em breve consigam travar esta mortandade

Para que todos possamos voltar a ter liberdade.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

19
Nov19

Até sempre!

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Um triste, dia!

Partiste, quando o dia sorria

Soube-se, acabou-se a alegria

Enquanto a ditadura durou

A alegria nunca sonhou

Acabou-se a ditadura

A alegria voltou

A PIDE perseguiu-te

Tu resististe

Para França, partiste

Sem liberdade nada existe

A Revolução prometeu-nos a esperança

Mas, tu nunca baixaste a lança

Tinhas razão!

Acalmada a populaça

Voltaram à anterior dança

Vivem na abastança

Fazem-nos pagar com língua de palmo

Toda a desgovernação.

 

Até sempre

 

José Silva Costa

 

15
Nov19

Convite!

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https://liberdadeaos42.blogs.sapo.pt Convite!

Hoje, a convite da MJL Liberdade aos 42, saí de casa, rumei ao Sul, passei pela minha terra, atravessei o Vascão, estou no Algarve, nas praias, onde o país passa férias

Um convite que muito me honra e muito agradeço. Escrever, num espaço tão acarinhado e visitado, é uma grande responsabilidade, ainda, por cima, sobre o que durante muitos anos não tivemos: a Liberdade

Não deixem de passar pelos espaços da MJP Liberdade aos 42 e Na Sombra da Luz, para se deliciarem com os seus excelentes textos e admirarem as fotografias, cuja beleza nos transporta, para outros horizontes.

 

Muito obrigado por tão honroso convite.

 

05
Nov19

A Comunicação Social!

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A força da Liberdade!

 

Numa democracia, a liberdade de imprensa é tão ou mais importante que os Partidos Políticos

O lixo sempre foi um grande negócio, seja em Portugal, na Itália, ou em qualquer parte do mundo

O Governo entregou a exploração do lixo da bio reciclagem, à Mota-Engil, sem concurso público

Por uma portaria, onde a Entidade Reguladora não foi tida nem achada

Pondo em causa a viabilidade de muitas empresas!

A jornalista Fátima Felgueiras, no programa Sexta às Nove, da TRP 1, procurou esclarecer o que se tinha passado

Graças à sua intervenção e à divulgação, num grande meio de comunicação, o problema foi comunicado à Procuradoria-Geral da República, fazendo com que o Governo tenha revertido a situação!

Quem não deu por nada foram os que deviam fiscalizar o Governo: os Paridos da oposição

Depois, admiram-se que apareçam novos Partidos Políticos!

Se os velhos estão cansados, ou só já se representam a si e aos amigos

Outros tentam ocupar o vazio!

Quem já se pôs em bicos de pés, foi o Bloco de Esquerda

Quer, com urgência, no Parlamento, ouvir o Ministro do ambiente

Não há nada, como não estar dependente

Como gostava que todos fossem Gente!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                              

 

23
Abr19

45 anos

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25 de Abril de 2019 ( 45 anos)

Quarenta e cinco anos, na vida de uma pessoa, pode ser muito tempo, mas na vida do Mundo, ou de um país, não é nada!

Há 45 anos fomos acometidos por tantos sonhos, tantas expetativas, e, hoje, olhamos para trás e o que é que vemos!

Um rasto de corrupção, de vaidades, de desigualdades; aumentaram os muito ricos, muito pobres e os sem-abrigo

Para alguns, viver é mesmo um castigo!

A justiça não funciona: nem mesmo depois de o processo ter transitado em julgado, o condenado, para a prisão, não é levado

Felizmente ainda, podemos falar, mas isso não chega!

Com uma dívida de mais de 120% do produto Interno Bruto

Que nos custa, em juros, 14% dos impostos: a 3ª maior fatia, mais do que a educação!

Não conseguir um emprego é uma maldição

Com salários e pensões miseráveis, continuamos na cauda da Europa

Nem tudo é mau: temos muito mais e melhores vias de comunicação

Muito melhor educação e cuidados de saúde

Mas não conseguimos estancar o abandono do interior

Nem mesmo com avultados investimento em infraestruturas: água, luz, esgotos

Em localidades, que nunca teriam visto estes fatores de progresso

Se não tivesse acontecido a revolução

Mas, tudo foi em vão, porque muitas vão ficar sem nenhuma habitação

Num país tão pequeno, será assim tão difícil conseguir uma melhor distribuição!

Do dinheiro, para investimento, para conseguir fixar a população

Do talento, para fazer vibrar todo o território, e não só o litoral!

Pobre pais, que depois da revolução, já tiveste de chorar, três vezes, no ombro do FMI

Não conseguiste aproveitar os rios de dinheiro, que da europa, recebeste

Gasto em formação profissional, na qual ninguém aprendeu nada, por que o fim era o dinheiro conquistar

Em estufas, que se transformaram em carros de alta gama

Em aviários, que poucos anos duraram

Nos bolsos de alguns muito terá ficado!

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

14
Jul18

Sul, sem sol!

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Mulheres

 

Jovens, crianças, bebés

Filhas de reis, condes, viscondes

Sentenciadas à nascença

Deserdadas de bens imóveis

Enclausuradas em conventos

Dos quais nunca tinham ordem de sair

Enclausuradas em bebés, crianças, jovens

Contactos com o exterior, só através do parlatório

Casavam com Cristo, entregando o dote ao convento

Setenta e tal anos de isolamento (Mariana)

Foi uma eternidade de casamento (sozinha)

As mulheres têm toda a razão para se sentirem indignadas

A História tem-lhes pregado cada partida!

E têm de continuar a lutar

As mentalidades levam muitos séculos para mudar

As mulheres, o Mundo, continua a discriminar

No convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja

Formaram-se como que dois clubes

Umas veneravam um Santo, outras, outro

A rivalidade, por vezes, levava-as a vias de facto

Aqueles longos corredores assistiram a muitas dores

Cada grupo concentrava todas as energias e dinheiro em embelezar o andor do seu Santo

Para que, aquando das procissões, lhes chegassem ecos, de qual o andor mais bonito

Era uma maneira de libertar tanta energia reprimida

A adolescência, a mocidade, a vida

Todos os sonhos, todas as ambições, todas as paixões

Presas naquelas paredes, grades e tenções

A verem abrir e fechar aqueles portões, sem poderem agarrar as ilusões

Sepultadas vivas, sem liberdade para serem mães!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

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