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02
Fev21

Vidas (7)

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Continuação  (7)

O segundo ano letivo começou noutro Monte, noutro edifício, com outra professora, que lhes lecionou a segunda e quarta classes. O José ficou com mais tempo para ajudar os pais, nos trabalhos do campo. Tinha um balde de cinco litros, para ir regar as batatas, que o pai semeava junto ao ribeiro que ladeava a courela

João, ao contrário de outros pais, sempre disse que a Escola era o mais importante para os seus filhos, nunca tiraria os filhos da Escola para os ajustar aos latifundiários, para guardarem as bestas ou fazer quaisquer outros trabalhos, queria era que os seus filhos continuassem a estudar para além da quarta classe

Quando o filho ficou aprovado no exame da terceira classe, perguntou-lhe se gostava de ir para padre. José, que nunca o contrariava: ”disse-lhe que gostava”

De tempo a tempo repetia a mesma pergunta e a resposta era sempre a mesma. Decidiu contatar o Seminário para saber as condições de ingresso. Responderam-lhe que teria de pagar quatro mil escudos para o enxoval, o que fez com que essa hipótese não fosse viável. Mas, João nunca desistiu de procurar outras oportunidades para que os seus filhos pudessem continuar a estudar

A nova professora também estava determinada a fazer tudo o que pudesse, para que os seus alunos não ficassem atrás dos da professora oficial

Ao contrário da primeira professora, que nunca pediu aos alunos para lhe irem fazer as compras, pedia a dois alunos, de vez em quando, para irem, a São Pedro de Solis, comprar bacalhau e outros produtos. Pedia aos que moravam perto da Escola, uma vez que estes recados eram feitos depois das aulas, e os dos outros Montes ainda tinham de andar alguns quilómetros para chegarem a casa

Como nunca tinham comido bacalhau, de uma das vezes, o papel pardo, que o embrulhava, estava rasgado, aproveitaram para tirar uns bocadinhos, com muito cuidado, para que não se percebesse que tinha sido mexido, para provarem

Quando regressou das férias da Páscoa, a professora trouxe uma telefonia sem fios (TSF). Mostrou-a e ligou-a pouco antes das 13 horas, no intervalo para almoço, e disse que podiam ficar um pouco a ouvir. Estava sintonizado na Rádio Clube Português, que às 13 horas transmitia o programa dos Parodiantes de Lisboa, José fixou a piada de abertura e repetiu-a em casa, a mãe disse-lhe que se calasse, porque aquelas coisas não se diziam. Mas, o que o intrigava era de onde é que vinham aquelas vozes, se as pessoas não cabiam dentro da telefonia!

Mais tarde a professora explicou que as vozes eram transmitidas por ondas, que a antena do rádio captava. A explicação não os conseguiu convencer totalmente. Já era difícil acreditar, que por aqueles arames, presos às canecas de porcelana, que os homens andavam a esticar naqueles postos altos à beira das estradas, se pudesse falar, com outras pessoa, a que chamavam falar ao telefone, quanto mais uma caixa sem fios

Num dia de muita chuva, uma rapariga, que morava mesmo defronte da Escola, esteve toda atarde a namorar, quando entraram depois do intervalo do almoço, já eles estavam do lado de dentro da porta, mas com esta, toda aberta, para que quem passasse visse o que estavam a fazer. Quando não estava a chover, o rapaz ficava da banda de fora da porta

Quando estava quase a anoitecer, o rapaz saiu para avaliar o tempo, tinha deixado de chover, o Francisco acabava de chegar dos lados da ribeira do Vascão, que o rapaz tinha de atravessar para ir para casa, aproveitou para lhe perguntar se sabia como ia a ribeira. O Francisco disse-lhe para não se meter ao caminho, porque a ribeira leva um metro de água por cima das passadeiras

O rapaz mostrou-se preocupado, não podia dormir na casa da namorada. O Francisco ao aperceber-se da situação do rapar, disse-lhe para não se preocupar, jantava em casa dele, e tinha um palheiro onde ficar. Assim foi, no outro dia o rapaz meteu-se ao caminho

Já naquele tempo os jovens não queriam ficar nas suas terras, por não terem futuro. As raparigas estavam ali “presas” à espera que aparecesse um príncipe que as desencantasse e levasse para Lisboa, para França, Luxemburgo, Suíça, o que acontecia, quando saíam da tropa.

 

Continua

 

 

 

 

 

 

    

 

 

 

 

  

  

 

 

   

 

 

   

  

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

01
Dez19

Ambiente!

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Dezembro

Dezembro! Chegaste com frio, neve, chuva e vento

O costume, para um inverno atento

Um mês cheio de sorrisos, abraços, festejos, e, do ano, o último evento

Em vinte e cinco de Dezembro o mais importante ajuntamento

Para a família comemorar, de Cristo, o nascimento

É, sem dúvida, de todo o ano o, mais esperado, dia

Num ano em que todas as atenções vão para o ambiente

A o2/12/2019, o Mundo reúne-se em Madrid

Para mais uma cimeira, para proteger o ambiente

Jovens, de todo o Mundo, manifestam-se ruidosamente

Para pressionarem os políticos, porque o assunto é urgente

Há quem os jovens, descredibilizar, tente

Mas, eles estão determinados a seguir em frente

O Mundo nunca mais será o mesmo, depois do esforço desta gente!

Vamos ter de mudar de hábitos

Para que não se perca a esperança

De que os séculos vão continuar a viver

Para que todos tenham uma vida melhor!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

28
Set19

O Cosmos

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O ambiente

Se não lutarmos pelos nossos sonhos, quando somos jovens, quando o faremos?

Quem é que, na juventude, não teve ilusões de que tinha uma missão a cumprir?

Enquanto não estamos enquadrados é que podemos desafiar o Munto

Podemos manifestar-nos, desafiar as autoridades, até arriscar a vida

Porque, quando voltamos para casa, temos mesa assegurada, pelos nossos pais

Que, mesmo que o não digam, ficam sempre um pouco orgulhosos da nossa irreverência

Não foram os professores da Universidade de Coimbra, que em 1969 romperam com o amem à ditadura, aquando da visita do Presidente da República, Américo Tomás, mas os estudantes!

Não foram os Generais, que fizeram o 25 de abril, foram os Capitães

Quando o Mundo pula e avança, são, quase sempre, os jovens, que forçam a mudança

Diogo Quintela, dos gatos fedorentos, escreveu um texto enorme, a dizer cobras e lagartos da Greta Thunberg e de todos os que a seguem, como se a rapariga estivesse a lançar bombas atómicas, como as que os americanos lançaram no Japão, no final da segunda guerra Mundial

Há quem não consiga suportar, que uma pirralha, os questione e os acuse de estarem a dar cabo do Cosmos

Acusam-na, entre outras coisas, de ter ido de barco, para a América, ainda, por cima, de um milionário

Muitas vezes, para que as coisas surtam efeito, é preciso dar murros nos estômagos das pessoas!

Foi o que fez, a Universidade de Coimbra, ao proibir a carne de vaca, porque se, simplesmente, tivesse reduzido a quantidade, ninguém teria dado por nada

Assim, todo o país ficou em polvorosa e o assunto foi amplamente debatido

O mesmo está a acontecer com a Greta Thunberg, que já fez com que em 170 países, os jovens se mobilizassem, na defesa do ambiente

Portanto, deixem a rapariga em paz, deixem-na sonhar e tentar realizar os sonhos, enquanto não for capturada, pelos interesses instalados

Ela, ainda não proibiu ninguém de comer carne de vaca, nem de andar de avião!

Mas, os jovens que aderiram à sua causa, depois de terem sido arrastados pela polícia, para desbloquearem a avenida, talvez pensem no que andam a fazer de errado: acelerar nas autoestradas, provocando mais poluição, consumindo mais do que o necessário, provocando o esgotamento dos recursos

Não vamos mudar de hábitos de um dia para o outro, mas, com o tempo vamos mudando os nossos comportamentos, como aconteceu com as centrais nucleares e as centrais a carvão, que, felizmente, já poucos defendem.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21
Jul19

Topo

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A Corrupção

Até que, enfim! A corrupção chegou ao topo

Numa sondagem, os portugueses mencionaram a corrupção, como segunda preocupação

Logo a seguir à saúde!

Os políticos estão, sempre, a desvalorizá-la

Mas, agora, têm de ir a reboque da opinião pública

Na próxima campanha eleitoral, o seu combate vai ser bandeira de todos os partidos

Mesmo que seja, só, mais um promessa eleitoral

Nos últimos anos, é que alguns se aperceberam da sua dimensão

Quando viram, todos os dias, pessoas detidas, para interrogação

Os relatórios dos organismos internacionais não se cansam de a divulgar!

As pressões do Governo não têm sido suficientes, para os apagar

A corrupção, em Portugal, chegou a ser a normalidade!

Quem não colaborasse era olhado com desprezo

Há outra bandeira inquestionável, nas próximas eleições

As alterações climáticas

Esta, imposta pelos jovens, que já perceberam que têm de lutar pelo seu futuro

Porque os políticos falam, falam, mas nada de ações

Presos no seu conforto, têm medo de afrontar os poderosos

Vão gerindo o presente

Fazendo com que o futuro fique descontente.

 

José Silva Costa

 

 

 

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