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cheia

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01
Mar21

Vidas (17)

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Vidas

Continuação (17)

 

Aproveitou um dia em que foi levar as compras à freguesa, que morava no Largo de Camões. Telefonou-lhe duma cabine telefónica, para lhe dizer que aceitava as condições, e combinaram que começaria a trabalhar mo início do mês seguinte

Estava com pena de deixar aquela família, com quem conviveu quatro anos, e daquele trabalho, que muito gostava, com exceção do horário de trabalho. Mas, não podia perder a oportunidade de ter um trabalho, que lhe permitisse continuar estudar

Tinha receio do salto para o desconhecido. Seria um trabalho diferente, com menos contacto com os clientes, ainda que o futuro patrão lhe tenha dito que iria entregar os tapetes aos stands e também depositar os cheques nos Bancos. E, como seria a aprendizagem para fazer os tapetes?

Não sabia como dizer ao patrão que se ia embora, como seria a sua reação. Assim, foi pensando no que diria. Quando entrou no estabelecimento, só conseguiu dizer, que no fim do mês se ia embora

O patrão, apanhado de surpresa, voltou à velha conversa, que agora é que ia abrir um estabelecimento, para ele tomar conta. O José disse-lhe que sairia no fim do mês, que ia ganhar mais, teria um horário de 48 semanais, permitindo-lhe que estudasse

Aquele mês nunca mais acabava. Mesmo que não tenha sentido qualquer hostilidade, já não se sentia com o mesmo à vontade, porque em breve ia deixa-los, não sabendo o que pensariam da sua partida

No dia seguinte começou a informar as criadas, com quem mantinha uma cordial convivência. Quase todas compreenderam a sua decisão, desejando-lhe boa sorte. Mas houve uma que ficou muito triste, era dos arredores de Mangualde, porque gostava dele, mesmo sendo um ano mais velha

O Senhor, que tinha estado no Brasil, é que não gostou nada da sua decisão. Numa tarde em que estavam sozinhos, chamou-lhe à atenção, que por causa de atitudes como a dele, é que o país nunca progrediria, porque tinha passado quatro anos a aprender a ser caixeiro e, agora, ia aprender outro ofício, e assim continuamente, sem nunca produzir o que devia, por andar sempre a saltitar deu lado para o outro

Todos faziam, o mesmo, quando estavam aptos a desempenhar a função, para a qual tinham passado vários anos a aprender, abandonavam o posto de trabalho sem, das consequências, querem saber

Era por isso que o país não conseguia alimentar todos os seus filhos, fazendo com que tivessem de ir a salto, para os outros países, como estava acontecer com os que todos os dias pagavam fortunas aos passadores, para abandonarem o país

O José ainda tentou justificar-se, dizendo que queria estudar. Mas, ele não aceitou a justificação, dizendo-lhe que para ser caixeiro não precisava de estudar mais, e que ainda-por-cima tinha a sorte de fazer o que gostava. Por que razão deixava um futuro, que poderia ser brilhante, para ir aprender outra coisa, que se calhar nem futuro tinha?

Entretanto, o tão desejado fim do mês chegou, e o José mudou-se para a Rua da Paz, para um primeiro andar com vista para a Rua dos Poiais de São Bento 

Começou a aprender a fazer os tapetes para os automóveis. Entregaram-lhe uma tesoura grande e uma agulha com um cabo de madeira. Havia moldes, em papel, para as diversas marcas e modelos, que colocavam no verso da peça de cairo, para marcar por onde tinham de cortar, para que os pedais do travão, da embraiagem e acelerador ficassem livres, a funcionar

Antes de procederem ao corte, tinham de coser por onde iriam cortar, para que a peça não se desfizesse. Era fácil de aprender, o mais difícil era tirar o molde, no carro, trabalho de que se encarregava o patrão

 O José, ao fim de dois anos de estar nos tapetes, foi a uma oficina, em Setúbal, tirar o molde a um carro, raro. Estava com receio que não ficasse perfeito. Mas felizmente, não houve reclamação  

Era um prédio muito antigo, originalmente não tinha casas de banho, tinha uma pia ao lado do-lava loiça. Quando o patrão do José, e a prima dele foram para lá viver, ele no primeiro andar, e ela no quarto andar, já tinha casas de banho. Aquele primeiro andar estava cheio de peças de cairo, a exceção era a casa de banho. José e o irmão mais velho do patrão dormiam na sala, no local onde trabalhavam. À noite arrumavam as mesas onde trabalhavam, estendiam um bocado duma peça, no chão, a servir de colchão, e estava a cama feita

No princípio, o patrão passava a maior parte do tempo a viajar pelo país, visitando stands, angariando clientes. Conheceu uma senhora em Tondela, que como tantas outras, “presas” no interior do país, sonhava com o príncipe, que a tirasse daquela vida sem futuro, sem uma profissão, na dependência dos pais, em que a única tábua de salvação era arranjar um marido, para concretizar o sonho de ter filhos: uma família

Continua

 

 

08
Dez19

Balanço

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Natal

Aproxima se mais um Natal, fim-de-ano, balanços, retrospetivas de mais um ano

Uma época muito especial, em que todos querem reunir as famílias

Mais nenhuma data é tão forte, que provoque tão grande movimentação

Uma rotação anual, para as distâncias encurtar, graças ao poder voar

Como é que há quem questione se avançámos, assim tanto!

Como se no último século não tivéssemos feito, quase tudo

Menos o essencial: acabar com as guerras, com a fome, com as desigualdades, com a poluição, que nos consome

Foi e será sempre assim, a ambição de alguns não se condoe com o bem de todos

Por isso, uns tanto avançam, enquanto outros ficam parados no tempo

Outros tentam travar e parar a revolução dos que querem que o ar continue respirável

Aproveitemos esta reunião familiar, para o futuro saborear, sem os problemas descorar

Porque não é enterrando a cabeça na areia, que vamos lá chegar!

Está nas nossas mãos, o fumo dos carros reduzir, sem fanatismos, racionalmente

Ou queremos que a sua comodidade, lentamente, nos vá matando!

Quem é que está do lado certo, do lado errado, sem falar dos que não estão em nenhum lado!

Este século já nos mostrou que tudo é possível!

Problemas de séculos parecem estar em vias de resolução, redução

Respeitar as mulheres, nas diversas dimensões: igualdade no local de trabalho, ser respeitada no local de trabalho, no lar, na via pública

São séculos de subalternização, que não vão desaparecer de um dia para o outro!

Mas, estas duas décadas, do século XXI, fizeram mais que todos os outros!

Estou esperançado de que este é o século das luzes, da humanização, de que duma vez por todas compreendermos que somos todos irmãos, que temos direito a uma vida digna, sem exploração.

José Silva Costa

 

 

 

 

02
Jun19

A vingança

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A vingança

A Internet, de que sou grande admirador

Por nos proporcionar contatar com todo mundo

Como aconteceu, na participação do maior poema escrito em língua portuguesa

O Fulgor da Língua e o estado do Mundo, integrado na programação de Coimbra, Capital Nacional da Cultura

Com 1.715 versos, cerca de 25% dos 6.902 recolhidos, escritos por 114 autores

Poder ler, comentar, escrever no Sapo Blogs, confraternizando e aprendendo

Com tantas amigas e amigos, que certamente, nunca virei a conhecer pessoalmente

Com os 113 autores do poema, aconteceu o mesmo: muita interação, debates, à distância

Mas, a Internet, infelizmente não tem só coisas boas!

Uma rapariga de 27 anos, que namorava com um colega, enviou uns vídeos por Whatsapp, onde aparecia sozinha, a auto satisfazer-se, sem imaginar que esses vídeos viriam a ser a causa da sua morte!

Trabalhava numa fábrica de camiões, onde trabalha, também a cunhada

Mais tarde casou e teve dois filhos. Agora com quatro anos e nove meses

Alguém, por vingança, segundo os jornais, publicou um vídeo no Whatsapp e nas redes sociais, onde 2.500 partilharam as imagens

Desapontada, por ser, constantemente, pelos colegas, apontada, como a rapariga dos vídeos

Pediu ajuda à empresa, a qua la aconselhou a fazer queixa à polícia

Mas, tudo o que ela queria era não dizer nada a ninguém!

Ter o poder de apagar todas aquelas cópias e voltar a ter paz

O digital, depois de começar a circular, ninguém o consegue parar

Há sempre uma cópia, escondida, pronta a disparar

O papel, podia-se rasgar, queimar, ou mesmo comer, como aconteceu com um Autarca, no Algarve!

No dia em que soube que a cunhada – cunhadas são unhadas – tinha enviado uma cópia ao irmão, teve um ataque de pânico,

Teve de abandonar o local de trabalho, tendo sido acompanhada, a casa, por um amigo.

O desespero foi tanto que se esqueceu que tinha dois filhos para criar

Pôs termo à vida!

Assim se desfez uma família, se provocou um suicídio e duas crianças ficaram órfãos de mãe

A polícia quer levar a julgamento 2.500

A notícia continua a provocar ondas de choque, não faltando carros virados

Este caso já foi comparado à “manada”

Quem é que disse que uma imagem vale mais que mil palavras?

Por que razão humilhamos os nossos irmãos?

Quando disparamos as armas: publicar ou reenviar

Nem nos apercebemos os danos que podemos causar.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02
Dez16

Dezembro

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Chegou Dezembro

Um mês diferente

Como gostava que fosse sempre assim!

Um mês com magia

Não na meteorologia

Mas na solidariedade, no encantamento

Na alegria

Bastava o Natal

Para fazer dele, um mês especial

Sem precisar do fim do ano

Um mês para a família

Quantos encontros a pretexto desse dia?

Um dia com tanta simbologia

O nascimento

Princípio, com sonho de conclusão

E o fim do ano

Balanço de mais um, ou de menos um

Depende de como queiramos fazer a contabilidade

O mesmo, não poderemos fazer com a idade

São sempre a somar

E ainda bem que um dia têm de acabar

Porque acabavam por cansar

E ninguém suportaria, saber que não aconteceria.

 

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