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04
Fev21

Vidas (8)

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Continuação (8)

A terceira classe, terceira professora, três professoras em três anos! Na terceira classe havia exame para passar para a quarta classe. No seguimento das anteriores, esta professora, também queria que os seus alunos fizessem boa figura.

Numa tarde, depois de entrarem, após o intervalo para o almoço, a professora apercebeu-se que estava a cair neve, foi à rua certificar-se do que estava a ver, correu para a sala de aulas, dizendo : “agarrem nas vossas coisas e corram para casa. Não se entretenham a brincar com a neve, porque está a nevar muito, o que pode provocar muita dificuldade para chegarem a casa”

No dia seguinte estava tudo branquinho: telhados, campos, o que fez com que Francisco tivesse de ir cortar uns ramos de oliveira, para a cabra comer. Estávamos em 1954, o ano em o país ficou pintado de branco de alto-a-baixo  

Pouco antes do ano escolar acabar, a professora foi incumbida de fazer uma lista dos alunos mais pobres, para irem uma semana de férias, para a beira-mar, junto a uma praia

A professora disse-lhe que o nome dele fazia parte da lista. Dias depois, informou-o de que o seu nome tinha sido riscado, pelo Regedor, por o pai não apoiar o Salazar

José ficou muito revoltado, já sonhava com o mar, as brincadeiras com os colegas e com a praia. Parece que para os pais não foi grande surpresa, mas não deixaram de mostrar a sua indignação!

Francisco, não falava de política! Mas, ao contrário de outros pais, não tirava o filho da escola, para ir guardar as bestas, dos Senhores, quando começava aceifa

Dizia que ali ninguém passava da cepa torta. Por isso, tudo faria para que os seus filhos fossem para lisboa

Quando o ano escolar estava a terminar, foram a São Miguel do Pinheiro, para fazerem o exame da passagem para a quarta classe. Acabaram o exame e saíram, uma rapariga mais velha que ele, de quem gostava muito, e ela dele, correu para ele, dizendo que não tinha feito os problemas, estava tão nervosa que se esqueceu de tudo. Ele tentava acalmá-la, quando surgiu o pai dela 

Leu-o lhe a sentença:” não voltas para a Escola, estás uma mulher, vais trabalhar.” Ela, lavada em lágrimas, pediu-lhe que a deixasse ir mais um ano, queria, pelo menos, fazer a terceira classe, mas ele estava irredutível, agarrou-lhe na mão e seguiram para casa, nem tiveram tempo de se despedirem! José ficou com os olhos pregados nela, até deixar de os ver, nunca mais se viram!

Agradeceu ao pai, mentalmente, por ele ser diferente e dizer sempre que os estudos eram o mais importante para os seus filhos

No início do último ano escolar, regressou a professora do segundo ano, a Senhora da telefonia sem fios. Já a conheciam, sabiam que iria ser muito exigente com os três, que chegaram à quarta classe: dois rapazes e uma rapariga. Dos que entraram no início da Escola, só dois chegaram à quarta classe. A rapariga viera de outra Escola, depois de ter feito os dois primeiros anos

Nos dois últimos meses, a professora deu-lhes aulas aos sábados e domingos, queria que estivessem bem preparados para o exame a realizar na sua Vila, onde todos a conheciam

 Num sábado, deixou-os na sala de aulas e saiu. Eles fizeram trinta por uma linha: escreveram no quadro, saltaram por cima das carteiras, partiram um tinteiro. Quando regressou e viu a sala de aulas naquele estado, deu-lhes doze palmadas em cada mão e mandou-os sair

José, que morava ao lado da Escola, entrou em casa a esfregar as mãos, sentou-se à mesa, mas não pegava no garfo, fazendo com que a mãe preguntasse o que tinha acontecido. Mas o José continuava sem querer dizer o que tinham feito.

Continua  

 

 

 

 

  

 

 

   

 

 

   

  

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

04
Ago20

As crianças!

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Colónias de férias

 

Onde estão as crianças, que enchiam as praias?

Esvoaçando como as gaivotas

Este ano sinto falta dos seus sorrisos, do seu barulho

Do momento tão esperado

Quando os banheiros autorizavam a sua entrada no mar

Pareciam um cardume a saltitar

Sempre muito atentos, não fosse alguma perder o ar

Na areia, não se cansavam de brincar

Era uma alegria vê-las a construírem os castelos dos sonhos

Para elas não havia impossíveis

Tudo era realizável

Até nos dias em que não se via o sol

As correrias aqueciam e davam asas à liberdade

Eram umas férias de verdade

Que marcam, para sempre, a idade

Por onde andarão, este ano, as gaivotas que me faziam lembrar a mocidade!

Este vírus cortou-lhes as asas, não podem voar em bandos

Era ver os autocarros, uns atrás do outros, a despejarem flores na praia

Eram salpicos de perfume e sorrisos para todos.

 

José Silva  Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

24
Jun18

O envelhecimento!

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Verão

 

Verão: calor, mais horas de sol, praia, mar

Férias, amigos, descompressão, amar

Viagens, convívio, matar saudades, sonhar

Reencontros, festivais, namoros, folia

Uma estação de muita acalmia

Com a natureza numa grande bonomia

Com as noites a fazerem de dia

Com os relógios, também, a fazerem férias

A redimirem-se dos onze meses, que nos atormentam

Não nos deixando acabar o sono

Sempre a lembrarem-nos que as vinte e quatro horas diárias

Não chegam para nada, a não ser para nos cansarem

São elas que nos envelhecem!

Sempre a pressionarem-nos, não nos deixando fazer o que gostamos

Sempre a lembrarem-nos que temos compromissos

Que temos e devemos ser pontuais

Porque quem nos espera não pode esperar mais.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

08
Out17

Outono

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Outono

08/10/17

Continuam os dias, radiosos, de sol

As praias não foram de férias!

Muita gente continua a procurá-las

Para se refrescar das temperaturas

Acima do normal, para esta época

Também, os incêndios, voltaram em força

O centro do país mudou de cor

O verde deu lugar ao preto

Todos estamos de luto!

Quem olhar com atenção

Verá que não há brilho na vegetação

A que escapou aos incendiários

Está morta de sede, tão triste!

Fugiu do longo e interminável inferno do fogo

Mas, à falta de água, não resiste

O sol insiste em brilhar

Enquanto a chuva prolongou as férias

Esquecendo-se de que a sua ausência está a provocar misérias

Que aconteceria se todos decidíssemos prolongar, indefinidamente, as férias?

Não o devemos, nem o podemos fazer!

Dependemos uns dos outros

Como seria, ainda melhor, esta nossa casa universal!

Se nos respeitássemos uns aos outros

Se não provocássemos acidentes evitáveis

Que, tanto sofrimento e morte, provocam

A Natureza tenta cumprir a sua parte:

O sol, apesar de estar quente, está a encolher

As noites e as madrugadas estão frias

As árvores começam a despir-se

O frio já me disse

Que, quando voltar, vai ser muito.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

21
Jun17

Verão

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Verão

 

Chegou o verão

Nunca é demais a atenção

A água também pode ser caixão

O mar é o comilão

Os rios, as barragens e as piscinas dão uma mão

Não se pode, nem por um segundo

Deixar as crianças saírem da nossa visão

E na condução!

Vale mais parar para descansar

Do que seguir em contramão

Para todos, boas férias, neste Verão.

 

José Silva Costa

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