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05
Jan23

A sedutora

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Lisboa! A sedutora

 

11

A despedida foi muito triste, todas as separações são muito emotivas

Já uns dias antes, um Senhor, que passava muitas tardes no estabelecimento, a quem alcunháram de brasileiro, por ter estado muito tempo emigrado no Brasil, se indignou quando o informou de que se ia embora, para outro trabalho

“ É por isso que este país nunca progredirá, estará, sempre, na cauda da Europa, agora que estavas preparado para tomar conta de um estabelecimento, vais aprender outra coisa, foram quatro anos perdidos”

Um trabalho diferente: fazer tapetes para automóveis, o automóvel era um investimento muito caro, por isso era preciso protege-lo para que durasse o mais possível

Subiu um andar, passou dos rés-do-chão para um primeiro andar, na rua da Paz, com vista para a rua dos Poiais de São Bento, onde passa o famoso elétrico nº28, da Carris

Um conterrâneo, que trabalhou numa fábrica de tapetes para automóveis, decidiu arriscar e começou a trabalhar por conta própria

Alugou umas águas furtadas, de dia visitava os standes de automóveis à procura de encomendas, de noite executava-as, no dia seguinte ia entrega-las e angariar mais encomendas

Começou com duas peças de tapetes de cairo, uma para fazer os tapetes da frente e outra para os detrás, cuja fábrica era em Cortegaça

Para concorrer com o antigo patrão, encomendou peças com menos cinco centímetros de largura

Como o negócio começou por correr bem, alugou um primeiro andar, na Rua da Paz, contratou o irmão mais velho, que cumpriu o serviço militar como maqueiro, tendo-se voluntariado para ir para Macau, com a intenção de, quando passasse à disponibilidade, ficar lá a viver

Mas chegou à conclusão de que não podia concorrer com os chineses, que se alimentavam com um punhado de arroz, por dia

Passou à disponibilidade em Lisboa, onde ficou a trabalhar nas obras

O irmão não só o contratou, como lhe pediu, emprestadas, as poupanças

Não é nada fácil passar de operário para patrão, quando não se tem capital para comprar o essencial, mas há quem arrisque e com a ajuda de um e outro consiga criar bons negócios

Deixou o bairro chique de São Mamede e foi para a freguesia das Mercês, casas pequenas, muito antigas, com escadas estreitas, com a Assembleia Nacional a olhar para elas, cheia de deputados engravatados, como que nomeados para oprimir o povo

Calçada do Combro, Rua do Poço dos Negros, Rua dos Mastros, Largo Conde de Barão, como que a fechar a Rua de São Bento.

Continua

 

 

12
Mai22

A incerteza (5)

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A incerteza (5)

Com a vitória dos nacionalistas, nas eleições legislativas, a Irlanda do Norte quer fazer um referendo para sair do Reino Unido e juntar-se à República da Irlanda

A nossa Europa está em ebulição e os tempos de e incerteza continuarão 

Vamos ver como é que o Reino Unido vai descalçar esta bota. A saída do Reino unido da UE continua a provocar ondas de choque

Portugal, sempre, de mão estendida, recebeu, no dia da Europa, mais um cheque do Plano de Recuperação e Resiliência, no valor de 1,170 milhões de Euros

Dinheiro não nos falta, se for bem aplicado, pode ser que faça com que nos tornemos num país desenvolvido, sem precisarmos de andar de mão estendida

Muito se especulou sobre o que Putin diria no dia da Europa, mas ele continua com o disco riscado de que a NATO queria invadir o seu chão sagrado

Infelizmente, vamos continuar a ver a destruição da Ucrânia, que é o que alguns querem, para que Putin enfraqueça e se aborreça, ou que alguém lhe abra a cabeça

Por enquanto, parece ter o apoio do seu povo, ou dos que estão confusos com a sua propaganda, dizendo-lhes que quase todo o mundo está contra eles, e que ele é o salvador da pátria, como fazem todos os ditadores

Começam por agitar bandeiras, rufar tambores, apelar ao nacionalismo, vomitam ódio contra os outros, mostrando-se muito preocupados com os símbolos, com as fronteiras, com a soberania, com tudo o que lhes provoque uma forte azia, para enfurecer a multidão

Como é que pais e mães ficam tão orgulhosos, nos desfiles do arsenal bélico, sabendo que todo aquele material bélico saiu do trabalho das suas mãos, e que será usado para matar os seus filhos?

Infelizmente, por todo o mundo, há essa exaltação do poderio militar, para irmãos matar, para os recursos abocanhar, em detrimento do pão, da educação, da saúde, do progresso, do bem-estar

E aqueles a quem chamam antigos combatentes, como eu, que nunca me senti combatente, e ainda me queriam dar um crachá, para todos saberem que tinha estado na guerra, triste passado, de que nada me orgulho, desfilam, carregados de medalhas ensanguentadas, fazendo a triste figura de se orgulharem de muitos terem matado  

Enquanto houver multidões a admirar fanfarras e tambores, as guerras vão continuar, pois não são capazes de se interrogar por que razão vão matar o seu irmão

Depois de tantos séculos e de tantas camadas de verniz, continuamos a pensar e a agir, como se tivéssemos saído, agora, das cavernas, e tivéssemos de disputar uma peça de caça ou a raiz duma planta para nos alimentarmos.

 

Continua

 

03
Jun21

Amor & Guerra (29)

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Amor & guerra (29)

A Bárbara e a Sara tinham, finalmente, deixado Angola. Viajaram para Lisboa, na Europa

Compraram um andar, nas avenidas novas. Estavam a adaptar-se muito bem à nova vida, mas continuavam muito tristes, por terem perdido o Firmino

Assim que compraram o andar, escreveram aos pais do Firmino, dizendo-lhes que tinham feito boa viagem e que tinham muitas saudades deles

Se um dia necessitassem, teriam uma casa ao seu dispor, só precisavam de tomarem nota da morada

A 24 de Abril de 1975, um ano depois da revolução, realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, foram as mais concorridas de sempre

O golpe de 25 de novembro de 1975, onde se perderam quatro vidas, terá sido para mudar o rumo dos trabalhos dos deputados, na Assembleia da República, para que elaborassem uma Constituição mais à esquerda 

Um ano depois, a 2 de Abril de 1976, foi aprovada a Constituição, por todos o Partidos, com exceção do CDS.

A Bárbara e a Sara estavam encantadas com Lisboa, parecia que queriam descobrir todos os seus encantos, num dia

Deixaram Luanda, depois do ano letivo ter terminado. A Sara já se tinha matriculado na escola, que iria frequentar, em Lisboa

Como tinham uma boa situação económica, decidiram aproveitar as férias escolares, para descobrirem, juntas, Portugal

Começaram pelo Castelo de São Jorge, onde ficaram encantadas com a vista sobre Lisboa, de seguida apanharam um táxi para a Praça do Comércio, para além dos prédios antigos, não acharam que fosse nada de especial: estava repleta de carros estacionados

Com o mapa da cidade nas mãos, queriam percorre-la de lés-a-lés, seguiram junto ao rio, mas tiveram de deixa-lo, porque queriam subir o elevador da Bica, ver o Bairro Alto, descer o elevador da Glória, não faltava que ver!

O Carlos, devido ao seu bom desempenho, como telefonista, foi convidado para fazer um curso de formação, para rececionista, a fim de estar preparado para informar os clientes, onde se dirigirem para tratarem dos diversos assuntos

Ele e a Miquelina estavam muito orgulhosos do filho, que estava sempre no quadro de honra da escola, fazendo com que a mãe, que trabalhava na escola, estivesse constantemente a ser felicitada pelas suas colegas e pelos professores

Em Angola, à medida que a data da independência se aproximava, a luta pelo poder aumentava, dando origem a mais violência, fazendo com que muitos decidissem que não podiam continuar em Angola.

Os pais e o irmão do Firmino já estavam arrependidos de não terem aceitado o convite da Bárbara, para a acompanharem, quando decidiu ir com a filha, para Lisboa

Acabaram por decidir, à última hora, também deixar Angola. Deixaram para trás tudo o que tinham, foram para o aeroporto, onde estiveram três dias, antes que conseguissem um voo, para Lisboa

Foi precisa uma gigantesca operação para conseguir trazer para Portugal, todos os que não queriam continuar em Angola. Foi uma ponte aérea, que durou mais de 80 dias, a uma média de 4.000 pessoas por dia.  

 

Continua.

 

 

 

17
Ago20

Petições

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Deixem-nos trabalhar!

Dizem Rui Rio e António Costa

Rio diz, se quere uma petição arranjem 15.000 assinaturas

Costa contrapõe, isso é dar um passo maior que a perna

Passar de 4.000 para 15.000

Vamos fazer um desconto, cobramos só 10.000

Marcelo não aceitou

Disse que isso era dar um sinal errado

Queixarem-se da abstenção

E, depois dificultarem a participação do cidadão

Ao menos deixem-lhe a ilusão

De que contamos com a sua opinião

Já acabaram com a ida do Governo à Assembleia da República

Não querem dar explicações sobre a governação

Sobre os problemas da Europa, nem uma palavra

Logo agora, que estamos a 4 meses de a Presidir

Temos de fingir

Que não queremos que só utilizem as mãos para fazem cruzes, nas eleições

Neste momento, nem futebol lhes podemos dar!

É bom que tenham a perceção de que, é transparente, a Governação

Que foi com a sua apreciação

Que irão pagar a faturação

Da enorme receção

Desde que seja bem embrulhada em palavras cor-de-rosa

Não será tão dolorosa.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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