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cheia

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30
Mar20

Ruas e casas

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30/03/2020

Ruas e casas

Um silêncio profundo

Por todo o Mundo

Ruas desertas

Como nunca se viu

A procurarem a razão

Do desvio

A chorarem, devido à maldição

Que tanto as puniu

Sem pessoas, nem animais

Quando a Primavera floriu

Nos jardins, só se ouvem os pardais

As crianças não voltaram mais

O cheiro dos tubos de escapes acabou

O borborinho, que acordava as cidades, não voltou

Tudo parou!

As casas sentem-se incomodadas

Noite e dia, nunca são abandonadas

Nem se quer para serem arejadas

Estão desesperadas

Não sabem o que aconteceu

Para que as pessoas tenham de estar resguardas

As poucas que saem à rua

Quando se cruzam na entrada ou nas escadas

Vê-se que estão desconfiadas

Fogem umas das outras, como se tivessem sido mal tratadas

Tempos difíceis para todos

Que ninguém imaginou vir a presenciar

Esperarmos ver, como vai acabar.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

29
Nov19

Nódoas

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Humanistas e economicistas

Orgulhamo-nos de sermos um povo solidário, e com razão!

Pelas muitas provas dadas

Mesmo que alguns donativos caiam em bolsos errados

Os nossos, bons, gestores também têm sido condecorados

Ainda que tenham levado muitas empresas à falência

E, outros tenham utilizado o dinheiro dos depositantes

Para comprarem amigos e muitas outras coisas mais

Já lá vai há mais de uma década, e nada!

Primeiro deram-lhes uns anos para esconderem o que tinham desviado

Alguns já foram julgados e condenados

Mas, os recursos são muito demorados

Ainda prescrevem, primeiro que transitem em julgado!

Os nossos mais ilustres, sempre tão solidários

Contratam sociedades de advogados

Para não pagarem os impostos

Como recompensa, são condecorados

Quando os escândalos rebentam, de medalhas continuam, carregados

Este final de ano prometia ser de paz e alegria

Toda a gente a contribuir para melhorar o ambiente

A acender luzinhas e a oferecer brinquedos de plástico

A distribuírem beijinhos e votos de felicidades

A interromperem programas de televisão

Para não ferirem suscetibilidades

Veio a Entidade Reguladora da Saúde, um relatório, publicar

Para todo o ambiente azedar

Os jornalistas pegaram em duas pérolas do relatório

A uma criança de dois anos, com sintomas de meningite, foi lhe negada assistência, por ser estrangeira

A quem uma fatura devia, que se esqueceu, não quis ou não podia pagar, foram-lhe negados exames

Felizmente, temos um Serviço Nacional de Saúde Universal!

Como o povo diz : “ no melhor pano cai a nódoa”.

 

José Silva Costa

 

 

 

,

 

 

26
Mai19

Domingo de Maio

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O último domingo de Maio

 

Fomos votar

À tardinha, pela fresquinha

Aproveitámos para caminhar

De onde votamos vê-se o mar

Depois, as pernas pediram para descansar

Estavam cansadas de décadas a andar

Sentámo-nos junto a um parque infantil

Para saborearmos o último Domingo de Maio

Onde as mulheres e homens de amanhã testavam a testar as aptidões

Ficámos a comtempla-los, e a ver o mar e o sol

O sol foi descendo devagarinho até se afogar, no mar

Mas antes lacrimejou como que a dizer-nos adeus

Prometendo voltar dentro de um quarto e meio do dia

No lado oposto, pujante e brilhante

Para ir subindo e aquecendo, ao longo do dia

Resta-nos menos de um mês para o vermos, mais uns minutos, aumentar

Depois vai diminuindo até o inverno chegar

Temos o privilégio de vê-lo nascer a esfregar os olhos, antes de aparecer na totalidade

E à tarde, com tempo para vestir o pijama, antes de se deitar, no mar

Enquanto, que no Equador nasce e põe-se instantaneamente.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

03
Nov18

Século XXI

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Século XXI

Dormimos descansados

Ao lado dos esfomeados

Dos que morreram de fome

Dos que deixaram tuto para trás

Quando na realidade não deixaram nada

A única coisa que tinham

Eram balas a zumbirem-lhes aos ouvidos

Agarraram-nos filhos e partiram

Na esperança de encontrarem segurança e pão

Mas, os que têm o poder na mão

Votam naqueles que lhes dizem não

Que num dia dizem que vão mandar os soldados atirar

No outro dia a opinião pública fá-los recuar

Nunca se sabe com o que se pode contar

Morrer, por morrer, vale mais enfrentá-los

Tudo, menos ver os filhos, de fome, morrer (Iémen)

Como podemos, na humanidade, crer!

Para onde quer que nos viremos

Só vemos mães e pais com os filhos nos braços

Sem saber o que fazer

Desesperados, atiram-se ao mar, aos rios, ao arame farpado

Mas, ainda há que durma descansado!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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