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05
Fev26

O Império

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Novas moradas: 

https://sociedadeperfeita-cheia.blogspot.com/

https://osdesgovernados.blogspot.com/

 

O Império   -     As teias que o Império teceu

151

O Xavier (novo Governador) ficara impressionado com a comitiva, que lhe foi apresentada pelo seu assessor (o Miguel – ex-Governador) que só aceitou o cargo, porque faria tudo, para que Angola progredisse, oriunda da Cooperativa

Depois de ter ficado surpreendido com a aula do Roberto, decidiu ir no dia seguinte visitar a Cooperativa. Foi sozinho, de surpresa, queria saber como funcionava, já tinha sido convidado, pelo Zico, para a visitar quando quisesse

Foi recebido, pela Leopoldina, que foi quem primeiro o viu, e como o Tico não estava, tinha ido às lavras, inteirar-se sobre como estavam as sementeiras, foi ela que fez de cicerone, durante toda a visita

Começou por lhe mostrar o posto médico, onde ela e a Alicia, a sua ajudante de enfermagem, ajudavam a população no que podiam

Disse-lhe, que sonhavam, um dia, terem um hospital, mas até lá, continuariam empenhadas em fazerem tudo o que fosse possível, para aliviarem o sofrimento das pessoas

De seguida, dirigiram-se para a creche, que não era mais que um espaço ao ar livre, onde as crianças brincavam em segurança

O Governador ficou durante algum tempo a observar as suas brincadeiras, depois perguntou à Leopoldina, como é que se tinham lembrado de criar aquele espaço, respondeu-lhe que tinham sido as mães, para não andarem a trabalhar nas lavras, com os filhos atados às costas

Continuaram a visita pelo resto das secções da Cooperativa. O General mostrava-se espantado e admirado com o que via, e ia dizendo à Leopoldina, que nunca imaginara que tivessem uma Cooperativa tão bem organizada

Agradeceu-lhe tê-lo acompanhado e informado sobre a boa obra, que tinham construído, deu-lhe os parabéns, extensivos a todos os que criaram tão valorosa obra  

Antes de se despedir, o Xavier disse-lhe que gostava de assistir a uma assembleia geral, ela respondeu-lhe que ia informar o Zico que, certamente, todos os cooperantes teriam muito gosto em que participasse na assembleia geral.

Continua.

 

 

 

 

 

 

 

29
Jan26

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

150

Antes de se despedirem, o Governador disse-lhes que em breve os convocaria para, em conjunto, escolherem o dia em que iriam visitar o ex-rei do Congo

O Zico aproveitou para o convidar a visitar a Cooperativa, tendo o Xavier lhe agradecido o convite e que a visitaria, assim que lhe fosse possível

O Xavier ficou impressionado com aquela comitiva, não esperava que a Colónia tivesse pessoas tão instruídas, e até licenciadas na mais famosa Universidade do Reino, se quase todos faziam parte da Cooperativa, como é que seria essa Cooperativa, foi a pergunta que fez a si mesmo, fazendo-o ficar com a pulga atrás da orelha

A Francisca e o Asdrubal foram os que saíram, da reunião com o Governador, mais eufóricos. Ele, por voltar à sua terra, integrado numa missão do Governador de Angola, para agradecerem e entregarem uma condecoração ao seu ex-rei, por ter escolhido fazer parte do maior Reino do mundo, como lhes tinha revelado o Xavier, para além de ter oportunidade de ver os seus familiares

Ela, por se sentir orgulhosa de fazer parte de uma missão tão importante, ter mais uma oportunidade de ver a família do namorado e todos os seus amigos, mostrando ser uma rapariga, não só muito bonita, mas, também, influente na sua cidade, ao ponto de ser convidada, juntamente com o namorado, a acompanharem o Governador

Ao novo Governador já tinha chegado a admiração, que todos tinham, pelo Roberto. Assim, queria assistir às aulas, e visitar a Cooperativa, antes de marcar a ida ao Congo

Queria observar as aulas do Roberto, mas queria fazê-lo à distância, sem ser notado, para averiguar se era como todos diziam, que arrastava multidões de todas as idades, aulas em qualquer lugar, muitas a observar a natureza, as lavras, tudo era discutido por todos

Intrigava-o, dizer-se que não impunha a sua opinião, como faziam os outros professores. Ele suscitava as questões, como o poderiam fazer, todo os seus alunos, assim como todos podiam apresentar soluções, dava a sua opinião, dizendo que poderia estar errada, tudo precisava de ser aprofundado e demonstrado, o que hoje parecia certo, amanhã poderia estar errado, e era isso que fazia com que todos se empenhassem na descoberta da solução

Ficou a ver aquela movimentação, à distancia, percebia-se que todos participavam, que eram ouvidos com atenção, que havia liberdade, mas, também muita admiração, pelo Mestre

Quando se apercebeu que a aula estava a acabar, aproximou-se, cumprimentou todos, disse-lhes, que os tinha estado a observar e que tinha gostado. Não sabiam quem era, foi então, que o Roberto lhes disse, que era o novo Senhor Governador de Angola.

Continua  

 

 

 

 

 

 

01
Jan26

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

146

Com terrenos para fazerem a lavra e para construírem o ninho, não lhes faltava que fazer. O Asdrubal passava os dias a desmatar o terreno, para depois o preparar para as sementeiras, que dão muito trabalho e que são precisos alguns meses, para se conseguir retirar da terra o sustento, caso tudo corra bem, caso contrário, tudo pode ter sido em vão

É por isso, que a maioria prefere ter um emprego, saber quanto vai receber ao fim do mês, muito ou pouco é certo. Trabalhar na agricultura, a não ser que tenha alguma dimensão, é viver na incerteza de um clima, cada vez, mais incerto, com a certeza de que o trabalho será, sempre, certo

Ao Asdrubal não lhe restava escolha, tinha de tentar arrancar da terra o seu sustento. Felizmente, não estava só, tinha na Cooperativa, como que um seguro de vida, sabendo que lhe compravam toda a produção, e que em anos de calamidade seria ajudado, para que nos de boas colheitas, equilibrasse as contas

Uma Cooperativa, é como o próprio nome indica uma instituição onde todos os sócios cooperam, ajudando-se uns aos outros, para que nenhum se sinta sozinho, abandonado à sua sorte

Para além do apoio de toda aquela comunidade, que o recebera de braços abertos, não lhe faltava o amor da Francisca, que tanto o apoiava emocionalmente, estando sempre a seu lado, tentando ajudá-lo na concretização dos seus sonhos

Ao fim de alguns meses, quando a casa estava quase pronta e o tempo das colheitas se aproximava, o Asdrubal começou a andar triste, a Francisca não via motivo para isso, tudo estava a correr tão bem, não suportando mais vê-lo assim, decidiu perguntar-lhe o motivo, respondeu-lhe que estava com muitas saudades dos pais, das irmãs e irmãos, tinha de os ir ver e que gostava que ela fosse com ele, mas tinha receio que não aguentasse a caminhada

A Francisca ficou radiante, por ele a querer apresentar à sua família, antes de lhe dar a resposta beijou-o, dizendo que há muito esperava pelo convite, que faria muito gosto em acompanhá-lo, não só para conhecer a família dele, mas também ver onde tinha nascido, quanto à caminhada, que não se preocupasse, porque já tinha feito muitas e longas caminhadas, e ao lado dele percorreria o mundo inteiro

Acabara-se a tristeza, abraçaram-se e beijaram-se, dizendo que assim que fosse possível concretizariam a aventura.

Foi uma grande surpresa, para a família do Asdrubal, quando o viram acompanhado da bonita Francisca, todos ficaram rendidos à sua graciosidade, simpatia e simplicidade.

Continua.

 

 Feliz e Próspero 2026!

 

 

 

 

    

   

 

25
Dez25

O Império

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O Império    -     As teias que o Império teceu

145

A Cooperativa tornou-se num local, que não era só um centro de negócios, mas também de amizades, troca de ideias e de confraternização, onde todos tinham lugar e podiam manifestar a suas ideias

Nela, todos tinham lugar, e muitos gostavam de colaborar em todas as suas atividades, entre   elas, as discussões sobre a governação da Colónia e o seu futuro

O Rei de Portugal, quando leu a carta do Governador de Angola, onde lhe transmitia o pedido do Rei do Congo, para integrar o Reino de Portugal, ao contrário do que alguns pensavam, não ficou nada entusiasmado, desconfiando que fosse uma maneira de se apoderar de toda a Colónia

Reuniu-se com os seus conselheiros, pedindo que o ajudassem a tomar uma decisão sobre um pedido de união, que ele julgava ser muito perigoso

Os conselheiros disseram-lhe que era difícil saber quais eram as intenções do Rei do Congo. Era bom que fossem boas, porque ter a Colónia em paz e unida, permitiria que se avançasse para o interior, ocupando-a, para tentar afastar as pretensões de ocupação por outros Impérios

O Rei, antes de se despedir dos seus conselheiros, disse-lhes que iria substituir o Governador de Angola, por um General, com amissão de tentar saber se o Rei do Congo estava determinado a acabar com o seu Reino, integrando-o na Colónia de Angola, sob a soberania do Reino de Portugal

O Tico foi indicar ao Asdrubal a lavra de onde tiraria o seu sustento, até lá, tinha todo o apoio da Cooperativa, para o seu sustento e acomodação

Os pombinhos estavam muito gratos, a todos, pela ajuda, para que estivessem juntos, foi o que foram transmitir a todos os que trabalhavam na Cooperativa, O seu presidente, aproveitou para lhes pedir que o acompanhassem, para escolherem onde iriam construir o seu ninho: a sua cubata.

Continua

                                                                                 Feliz Natal!

 

04
Dez25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

142

Terminada a visita, deram os parabéns ao Zico pela grandiosa obra, que os cooperantes tinham construído, para bem de todos

O Zico, pela sua parte agradeceu a visita, dizendo-lhes que voltassem sempre que quisessem, ficou à fala com o Asdrubal, mas por pouco tempo, porque sabia que com quem ele queria falar era a Francisca

Assim, acompanhou-o ao seu departamento e ausentou-se, para que eles pudessem falar à vontade. O Asdrubal começou por lhe dizer que ela era muito bonita, e desde que a vira nunca mais deixou de pensar nela. Também não se fez rogada, dizendo-lhe que lhe acontecera o mesmo, receando que nunca mais o visse

Disse-lhe que estava muito feliz por voltar a vê-la, e que, também, ele teve esse receio. Mas, felizmente, que a paz entre os dois reinos tinha feito com que se pudessem visitar, o que para todos tinha sido muito bom,m para eles tinha sido excelente, por já não puderem passar um sem o outro

Ficaram à conversa, falaram de tudo e de nada, uma maneira de apresentação de um ao outro, tentando descobrir se à atração física também correspondiam os princípios e os sentimentos

Era tal o embeiçamento, que se esqueceram do pôr-do-sol, no breu da noite, caminharam até à casa dela, queria apresenta-lo ao pai, fazer-lhe uma surpresa, para que fosse o primeiro a saber do seu namoro

O Manuel, quando viu a filha entrar em casa, acompanhada de um rapaz, que desconhecia, ficou um pouco atrapalhado, sem saber o que dizer. Mas, a filha, sem rodeios, apresentou-o, dizendo que era o Asdrubal, o seu namorado

O pai deu-lhe as boas-vindas, dizendo que estivesse à vontade, como se a casa fosse sua, e acrescentou que já tinha ouvido falar muito bem dele, mas já não se lembrava se teria sido o Zico ou o Governador, fosse quem quer que fosse, a filha estava de parabéns, por ter escolhido um bom rapaz, o Asdrubal aproveitou para lhe dizer que também ele estava de parabéns por ter umas filhas muito bonitas

De seguida, pediu-lhe para se ausentar, porque não queria chegar atrasado ao jantar, no palácio do Governador, com o Rei e a restante comitiva

A Francisca acompanhou-o à porta, combinaram encontrar-se no dia seguinte, caso fosse possível, não sabia o que é que o Rei tinha decido fazer, mas certamente iria vê-la, o que fez sorri-la. Na despedida, beijaram-se pela primeira vez.

Continua

 

  

  

13
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

139

O Manuel, pai da noiva, queria que a festa fosse realizada no palácio do Governador, como acontecera com as das irmãs, até já tinha a autorização do seu sucessor, seu genro. Mas, os noivos não aceitaram, dizendo que preferiam que fosse na Cooperativa, onde se sentiam mais à vontade e o queriam era a confraternização de toda a cidade

Pela primeira vez, estaria presente uma representação do vizinho reino a Norte de Luanda, que foi convidada pelos noivos, por intermédio do Tico, Presidente da Cooperativa, para cimentarem a amizade conseguida entre os dois vizinhos, depois de os dois Governos terem firmado um acordo de paz, e na sequência da visita do Tico, para trocar ensinamentos, sobre a agricultura, com os seus colegas do reino a Norte de Luanda

O Rei do reino a Norte de Lunada ficou muito sensibilizado, pelo convite aos seus agricultores, para participarem no casamento da Jesuína e do Aurélio. Aproveitou esse contacto, entre os povos dos dois reinos, para enviar uma mensagem ao Governador de Angola, pedindo que se voltassem a encontrar, onde ele quisesse, tanto podia ser em Luanda, como no seu reino. Tinha uma proposta para lhe fazer, que muito agradaria aos dois povos

Os noivos, à semelhança do que tinha acontecido nos casamentos das irmãs da Jesuína, convidaram toda a cidade, para o seu casamento. Estavam orgulhosos por serem os primeiros a ter convidados do reino vizinho, devido ao acordo de paz entre os dois reinos

Os convidados de fora, vieram na véspera do dia da boda, foram recebidos pelo Tico, que  foi o primeiro a apresenta-los ao Miguel, aquém transmitiram a mensagem de que tinham sido incumbidos pelo seu Rei. O Miguel agradeceu-lhes a mensagem e pediu-lhes para dizerem ao seu Rei, que estava convidado para vir a Lunda, quando quisesse, que seria muito bem recebido

De seguida, o anfitrião foi apresentá-los aos noivos, que lhes apresentaram, também, as boas-vindas e lhes agradeceram terem aceitado o convite, para estarem presentes no dia mais feliz das suas vidas

Pernoitaram nas instalações da Cooperativa, a convite do seu Presidente, que os tinha convidado, para o casamento, em nome dos noivos

No dia do casamento a cidade acordou alegre, airosa, formosa, como nunca se tinha visto, não tinha sido decorada, a sua beleza estava no sorriso de cada um dos seus habitantes

Todos estavam imbuídos de uma alegria contagiante, via-se que a cidade estava muito feliz por participar nas cerimónias do casamento de uns noivos muito queridos, por todos

Os olhares eram flores atiradas ao ar, com um brilho e perfume, que só a África tem. Tinha chovido, como diz o ditado: casamento abençoado. Toda aquela multidão estava envolvida no cheiro a terra molhada, quente.

Continua

 

06
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

138

Nunca se tinha visto um namoro tão intenso, como o da Jesuína e o Aurélio, enquanto ela fazia o seu trabalho, na Cooperativa, ele ajudava-a, para que depois, fosse ela a ajudá-lo no trabalho das lavras. Já todos diziam que os pombinhos andavam a construir o ninho

O que é certo, é que, o facto de passarem muito tempo juntos, ajudava a que fossem cimentando uma amizade baseada no conhecimento mútuo sobre como cada um encarava o futuro, juntos

A Jesuína estava muito marcada por mal ter conhecido a mãe, que morrera quando ainda era muito pequena, admirava o pai, por ter conseguido criar seis filhas, sozinho. Mas, continuava convencida de que tinha sido uma grande perda, para todos, fazendo com que as suas vidas tenham sido muito prejudicadas, por não terem sido acompanhadas pelos dois progenitores, sendo que o pai foi o mais prejudicado, por ter desistido da sua vida, dedicando-se inteiramente às filhas

Por isso, queria saber se o namorado partilhava da opinião de que para criar uma criança, o ideal é que seja um casal que, por vezes, ainda têm de pedir ajuda aos avôs, se forem vivos

O Aurélio disse-lhe que estava totalmente de acordo e que estaria sempre ao lado dela e dos filhos, não faria como alguns homens, que tinham tantas mulheres e filhos, que nem os conheciam

As palavras do namorado deixaram-na tranquila, cada vez estava mais contente e feliz por ter feito a escolha certa, desejando que em breve casassem, para estar sempre ao lado do homem, que amava

O pai parecendo-lhe que estavam a andar depressa de mais, perguntou-lhe quando pensavam casar, a filha respondeu-lhe que seria o mais rápido possível, porque já não tinham idade para andarem a perder tempo em anos de namoro, queriam ter filhos e o tempo não esperava

Disse-lhe que a compreendia e que ela sabia quanto ele gostava de ter muitos netos, e que tudo faria, para que todas as filhas fossem muito felizes, como o tinha feito, sempre, desde que a esposa tinha morrido devido ao parto do nascimento da filha mais nova

Tudo se conjugava, para que em breve houvesse mais um casamento, um acontecimento, que muito contribuiria para um grande convívio e muita alegria, como tinha acontecido com todos os casamentos das irmãs

Também, na Cooperativa, se vivia um momento de euforia, todos conheciam e tinham muito carinho pelos noivos, desejando que fosse uma bonita cerimónia e que os noivos fossem muito felizes.

Continua

 

07
Ago25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

125

No dia seguinte a Jesuína e a Francisca estavam em pulgas para saberem o que se tinha passado, mal podiam esperar que a irmã acordasse, para porem tudo em pratos limpos

Quando ela se sentou, à mesa, para tomarem, juntas, o pequeno-almoço, notaram que a Filó estava muito alegre, para quem tinha perdido a eleição, para presidente da cooperativa

A Filó informou as irmãs de que tinha tido uma longa conversa com o Rogério, que elas também conheciam. Disse-lhe que as aulas do Roberto tinham mudado a sua vida, que muitas pessoas não conseguiam ver quanto felizes eram aqueles, que o escutavam e seguiam

A imagem mais bonita, que ele tinha daqueles tempos, era a de um bando de pessoas de todas as idades, naquele terreiro, todos os dias, a semearem ideias, que produziam alegria

Foram essas trocas de ideias, onde se falava de tudo, que fizeram com que se dedicasse à agricultura, uma atividade indispensável à vida. Ainda, por cima, com tanta terra à espera de ser cultivada

Mas, as irmãs continuavam a achar que aquela conversa não era motivo para tanta alegria,

Pediram-lhe que se deixasse de rodeios e revelasse a razão de tanta felicidade

Vendo que o seu corpo e as suas palavras não conseguiam esconder a verdade, acabou por revelar que o Rogério lhe tinha pedido namoro, e que ela tinha aceitado

As irmãs felicitaram-na, beijaram-na, ficando tão felizes e alegres, como se também elas tivessem encontrado o seu príncipe encantado

É uma sensação indiscritível, disse a Filó às irmãs, quando o amor nos invade, todo o nosso corpo vibra, e aquele ou aquela, que amamos é a pessoa mais bonita, mais amiga, portadora de tudo quanto há de bom, é como se trocássemos de preocupações, a pessoa amada entra no sosso coração e absorve toda a nossa atenção

As irmãs sentiram-se, também, invadidas pela felicidade, que a Filó sentia, as três estavam em sintonia, foi o início de um tempo diferente, em que em todas renasceu a esperança, já um pouco perdida, de encontrarem alguém que as amasse e as fizesse muito felizes, que é o que todos queremos e procuramos.

Continua

 

   

 

 

  

 

 

 

17
Jul25

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

122

 A assembleia geral da cooperativa foi muito participada, pela primeira vez os novos sócios, quase todos jovens, estavam em maioria. Os que estavam a par do fenómeno, em que se  tinham tornado as aulas do Roberto, sabiam do contentamento dos jovens sobre as aulas e a vontade de serem sócios da cooperativa

A escola do Roberto não tinha portas nem janelas, tanto podiam decorrer a uma sombra, como numa praia, ou numa lavra, o que todos procuravam era soluções, para as questões, que o Roberto lhes colocava

Responder às necessidades diárias, a começar pela alimentação, um abrigo para pernoitar, o resto só viria, quando estivesse assegurado o essencial

Alguns idosos não compreendiam toda aquela excitação dos jovens, já diziam que o Roberto tinha poderes de feiticeiro

Fosse como fosse, com ou sem poderes de feiticeiro, o que estava à vista de todos, é que ele estava a fazer com que os jovens, principalmente os rapazes, cortassem com os hábitos antigos, o que não agradava aos Sobas

Os que seguiam o Roberto sentiam-se valorizados, aprendiam a fazer coisas úteis, essenciais à vida, o que fazia com que a sociedade os apoiasse e admirasse

Naquela escola não se obtinham provas de conhecimento, cada um tinha de demonstrar o que sabia, pondo-o em prática

O Roberto não lhes ensinava soluções, apenas lhes apresentava questões que, muitas vezes,  eram resolvidas com muita colaboração, muito tempo, muitas experiências, até conseguirem encontrar um resultado positivo, isto é  produtivo

Como o principal objetivo era a produção de alimentos, conseguir que todos tivessem qualquer coisa, para comerem, todos os dias, quase todos queriam participar e tentar inovar, deixar uma marca, daí o grande empenho em todas as experiências

Tanto o Roberto, como os mais idosos tentavam travar o entusiasmo dos jovens de que todas as sementeiras corriam bem, lembrando-lhes de que a agricultura é influenciada por muitos fatores: a qualidade do terreno: se é apropriado para  aquela cultura, as condições atmosféricas, as pragas de insetos, que devoram as culturas em pouco tempo, os animais, que também podem estragar tudo em menos de um fósforo

Os jovens diziam-se cientes das dificuldades na agricultura, mas muito contentes por conseguirem produzir alimentos, vendo as sementes germinarem, crescerem, sendo as colheitas a maior magia, principalmente nos produtos, que crescem debaixo da terra, cujo resultado só se vê, quando se destapam e colhem.

Continua

 

 

 

 

22
Mai25

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

114

Finalmente chegara o dia do tão esperado casamento, todos estavam contentes por não serem obrigados a irem trabalhar, a não ser os que estavam envolvidos na preparação da cerimónia, por terem oportunidade de entrar no palácio, ou pelo menos no jardim, onde seriam servidas refeições a quem não conseguisse lugar, no palácio

Os noivos estavam mito felizes, por verem que muitos tinham querido participar, na festa do seu casamento

Ambos gostavam do contacto com o povo, para eles era muito importante saberem como vivia, a fim de tentarem melhorar as suas condições de vida

Foi uma cerimónia muito simples, praticamente um almoço convívio, para além dos cumprimentos de felicidades aos noivos

O Roberto e a sua turma, uma turma, que incluía elementos de todas as idades, já não ambicionava só aprender a ler e escrever. Desde que tinha passado a dedicar um dia, por semana, a aulas no campo, que novos e velhos se empenhavam em discutir ideias, para uma melhor agricultura, com mais produção e melhores produtos

Muitos apresentavam ideias, que provocavam grandes discussões entre mais novos e mais velhos, como quase, sempre, acontece, cada um a defender as suas ideias

A cooperativa bem como o Governador estavam muito contentes com a movimentação por uma agricultura diferente, com novos utensílios, mais e melhores sementes, porque isso era a garantia de melhor e mais alimento, o que o era muito bom para quem governava a Província

Uma vez casados, falou à esposa da sua ideia sobre um imposto, para criar uma força, que defendesse Angola dos ataques das outras potências. Mas, a Zulmira disse-lhe que não concordava com impostos, uma vez que as pessoas viviam miseravelmente, com o conseguiam arrancar da terra, dos rios e do mar

Aconselhou-o a falar com os Sobas, que eram eles os representantes do povo, a quem todos obedeciam

O Miguel agradeceu-lhe, dizendo que ia seguir os seus conselhos, tentaria governar de maneira a que todos conseguissem uma vida melhor

Ela ficou contente, por ele ter em consideração os seus conselhos, mostrou-se pronta, para o ajudar na sua difícil missão. Mas, no seu entender, o governo do Reino é que tinha de fornecer os meios necessários, para defender a soberania da Colónia.

Continua

 

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