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05
Mar26

O Império

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 O Império   -    As teias que o Império teceu

155

O Xavier sabia como era difícil o acesso à Universidade, mas não podia dececionar toda aquela gente, que acorreu à assembleia geral, para reivindicarem melhor e mais educação para os seus filhos. Por isso, foi-lhes dizendo que ia fazer chegar ao Rei, todas as preocupações com a educação dos seus filhos, e que ele, certamente, as iria atender

A Marina não perdeu tempo e apresentou-lhe a candidata e o candidato a ingressarem na Universidade mais famosa do Reino: a Universidade de Coimbra

Tratava-se da Milay, filha da Mité e do Leopoldo, e do Afonso, seu primo, nascido em Coimbra, quando a Marina e Roberto, lá estudavam, na Universidade

O Governador deu-lhes os parabéns, por se terem preparado, para frequentarem a Universidade, e desejou-lhes boa sorte

Estavam todos expectantes sobre o que o Xavier conseguiria, para melhorar a vida dos povos angolanos

 

De tudo o que vira, o que mais o tinha impressionado tinham sido as aulas do Roberto, ainda não tinha conseguido perceber a razão que levava tanta gente a segui-lo, não era, certamente, apenas pelo seu saber, reconhecimento e prestígio de que gozavam, todos os que o seguiam

O Roberto tinha de ter alguma arte mágica, para conseguir, tanta gente cativar, pareciam estar todos embevecidos, quando o estavam a escutar, mostrando, mais tarde, que os seus conhecimentos tinham sido assimilados pelaa atenção com que todos conseguia prender

 

O Governador estava surpreendido com o que encontrara na Colónia: uma organização da Cooperativa, como nunca tinha visto. Um ex-Rei que tinha abdicado do seu título, para pertencer ao Reino de Portugal. Tinha de informar o Rei de tudo o que vira, sem esquecer as revindicações apresentadas pelos cooperantes sobre a educação dos seus filhos

A Francisca e o Asbrubal continuavam com a sua azáfama de acabarem a casa, fazerem as colheitas, prepararem tudo para o seu casamento, que o pai da noiva fazia questão que fosse uma grande festa

Tratava-se do momento, por ele, muito aguardado: ver as seis filhas casadas, aquilo que achava ter sido uma promessa feita à amada mulher, quando ela sentiu que ia morrer, devido a complicações, no último parto, e ele a sossegou, dizendo-lhe que tudo faria, para criar as filhas.

 

Continua

 

 

  

 

 

 

 

26
Fev26

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

154

O zico, depois de ouvir os cooperantes, marcou a assembleia geral, muito aguardada por todos, principalmente pelo novo Governador, que queria saber por que razão a Cooperativa parecia ter tanta força e era tão acarinhada por todos

O Xavier, cada vez, estava mais orgulhoso por ter sido escolhido, pelo Rei, para governar a colónia de Angola. A viagem ao Congo tinha-o deixado deslumbrado, não só pela recção, mas, também, pela riqueza da paisagem, que vira, durante toda aquela jornada

Queria relatar todos os pormenores ao Rei, para que ele sentisse, quão grande era a alegria de ser, de tal gente, Rei, como dizia o Ex-rei do Congo, que não se cansava de dizer, que o Império Português, para além de ser o maior, tinha uma gente diferente, capaz de se envolver com pessoas tão diferentes, fosse qual fosse o Continente

Chegado o dia da assembleia Geral da Cooperativa, as suas instalações foram insuficientes, para acolherem tanta gente, nada que atrapalhasse a multidão, que já sabia, que o terreiro, também, era a sua sala de visitas

O Zico abriu a sessão agradecendo ao Governador a sua presença, dizendo que todos lhe estavam muito gratos, pelo interesse demonstrado pelos povos de Angola e pelo seu progresso

Assim, queriam aproveitar a sua presença, para falarem de um assunto, que muito os preocupava: a educação dos seus filhos

Os tempos estavam a mudar, todos ambicionavam saber ler e escrever, ter acesso aos estudos liceais e universitários, sabiam que não eram para todos, mas era preciso, escolas começar a construir, para que um dia alguns conseguissem lá chegar

Continuou, dizendo que Luanda se tinha tornado muito diferente, para melhor, desde que o Roberto se dedicava a ensinar, o muito que sabia, a quem o quisesse acompanhar: os seus ensinamentos tinham contribuído para melhorar as habitações, a alimentação, as produções, a convivência: tudo

A seguir foi a vez da Marina, usar da palavra, para dizer quanto estava agradecida por ter tido oportunidade de conhecer a Metrópole, acompanhada do Roberto, o seu marido, ter tido o privilégio de estudar em Coimbra, assim como ele, onde tinham aprendido o que procuravam colocar ao serviço de todos os angolanos

Por todos verem que o conhecimento contribui para melhorar as suas vidas, é que os cooperantes tinham decidido convocar aquela assembleia geral, no sentido de pedirem ajuda ao Governador, que intercedesse junto do Rei, para que a Colónia pudesse mandar dois jovens, para a Metrópole, para estudarem em Coimbra.

Continua.

 

 

    

  

 

 

15
Jan26

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

148

O ex- Governador dirigiu-se para a Cooperativa, para dar a notícia aos familiares e amigos. Mas, quando chegou, já todos sabiam que ele tinha sido substituído pelo general Xavier

A notícia correu rápida, toda a cidade já sabia da triste notícia da substituição do Governador, todos apoiavam o seu Governador, não compreendiam a decisão do Rei

Na Cooperativa, todos estavam revoltados com a decisão do Rei, queriam mostrar ao novo Governador o seu descontentamento, perguntavam por que razão o Rei tinha substituído o Miguel

O Miguel agradeceu-lhes o apoio, mas pediu que todos colaborassem com o novo Governador, como ele já tinha feito, disponibilizando-se para colaborar com ele, no sentido de tornar a Colónia mais próspera

Continuou, dizendo-lhes que era normal a mudança de Governador, como aconteceu, quando ele substituiu o Miguel, que lhe deu apoio, durante todo o seu mandato, como conselheiro

O Tico aproveitou para informar o Miguel, que a Cooperativa, como a instituição civil mais importante da cidade, estava a preparar uma petição, para apresentarem ao novo Governador, com a participação dos cooperantes, esperando que ele também contribuísse, para que a Colónia conseguisse, que o Rei autorizasse a criação de uma Universidade, em Luanda, ou permitisse que alguns jovens angolanos fossem estudar, para a Metrópole

O Miguel agradeceu-lhe a iniciativa e que contasse com a sua participação, porque todos deveriam participar nas discussões sobre os problemas da Colónia, e era isso que ele ia transmitir ao Xavier, na reunião que iam ter, para o informar do que os angolanos queriam que ele intercedesse junto do Rei, para a resolução dos entraves, que não permitiam a Angola um maior desenvolvimento, sempre reclamado pelos anteriores Governadores, que a Coroa nunca atendeu

O mundo estava a mudar, como todos os dias está, mas há acontecimentos, que nos levam a ter a perceção, que mudou a aceleração. O Miguel sabia que a África, mais tarde ou mais cedo, deixaria de ser uma Colónia da Europa, por isso, era preciso começar a lançar os alicerces da sua independência

Liberto das funções de Governador, queria, com outros, contribuir para a melhoria de vida dos povos de Angola. Para isso, contava com a colaboração, também, do novo Governador

Para ele, o primeiro passo era mandar para a Universidade de Coimbra uma meia dúzia de rapazes, seguidores do Roberto, aptos para obterem conhecimentos, que pudessem ajudar a desenvolver Angola, bem como criar estudos universitários, na Colónia. Mas, tudo teria de ser feito com muito tato, porque a Coroa ainda não estava madura, para admitir a independência das Colónias, o que só aconteceria, com o passar do tempo.

Continua

     

12
Dez24

O Império

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O Império  -   as teias que o Império teceu

91

Ficaram tristes por ainda faltarem tantos meses para a saída das naus, tinham tempo para percorrerem toda a Lisboa, ver as suas ruas e becos, sentir o pulsar de uma cidade muito diferente de Coimbra

Todos os dias calcorreavam uma parte da cidade, descansavam nos miradouros a observar o frenesi da cidade, não podiam fazer grandes caminhadas, como quando não tinham o Afonso, depois do almoço passavam umas horas, na pensão onde estavam hospedados, para ele dormir, descansar

O Afonso não se esquecia da Anastácia e do Elisiário, queria ir vê-los, os pais iam-lhe dizendo que em breve os iriam ver, sabendo que tão cedo não os iria esquecer

À tardinha, iam para a beira do rio, ver a chegada e partida dos barcos: canoas, varinos, fragatas, que transportavam muitos dos víveres que alimentavam os habitantes de Lisboa

Foram meses a percorrer os becos, ruas e ruelas de Lisboa, tudo foi passado a pente fino, a Marina aproveitou para observar o que havia à venda de utensílios de medicina, comprou alguns para levar para Luanda

Tencionava abrir um posto médico, aberto a toda a população, formar enfermeiros e enfermeiras para a poderem ajudar e atenderem os utentes com casos menos complicados, enquanto ela estivesse a tratar de doentes com exigências de mais conhecimentos

Em Luanda desesperava-se por notícias, já sabiam que raramente tinham notícias, da Metrópole, mais de uma vez por ano, quando as naus, com destino à Índia, aportavam em Luanda, para deixarem e apanharem passageiros, entregarem o correio, mercadorias, fazerem pequenas reparações, reabastecer as naus, para continuarem a viagem

A Rosinha esteve muito doente, receou não conseguir resistir até o neto chegar, queria tanto conhecê-lo, voltar a ver a Marina e o Roberto, não queria morrer sem os ver em Luanda, felizmente melhorara, encheu-se de coragem e foi visitar o compadre, queria saber se tinha notícias, para quando é que ele previa a chegada dos barcos vindos da Metrópole

Ele, para a animar disse-lhe que o tempo passava depressa, que em breve teriam os filhos e o neto com eles, seria um dia muito feliz, para toda a família, todos ficariam encantados com o Afonso

Até ela ficou como que rejuvenescida, o compadre tinha conseguido convencê-la de que ainda ia viver muito tempo, que iria ver crescer os netos, o que fez com que ela voltasse para casa muito feliz e confiante na sua longevidade

No dia seguinte, quando chegou à cooperativa, todos notaram que estava diferente, tentaram saber a razão, disse-lhes que tinha feito uma visita ao compadre e que tinha gostado do que ele lhe tinha dito.

Continua

 

28
Nov24

O Império

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O Império  -   As teias que o Império teceu

89

A Marina e o Roberto terminaram os estudos na Universidade de Coimbra, o facto de ser o primeiro casal a licenciar-se, na única Universidade do país, foi muito comemorado por todas as faculdades, com o desejo de um bom regresso a casa e de muitas felicidades

Em casa, a Anastácia fez um almoço especial, para comemorarem o acontecimento, que tinha tanto de alegria como de tristeza, devido à separação dos dois casais

Mas, primeiro era preciso festejar a alegria e a felicidade da Marina e do Roberto, por terem conseguido concretizar o seu sonho, e não menos alegria e felicidade de quem os ajudou a concretizá-lo: a Anastácia e o Elisiário

Assim que terminaram as licenciaturas, a Marina e o Roberto começaram a preparar o regresso a Luanda, se quando vieram para Coimbra, a viagem, entre Lisboa e Coimbra, tinha sido o cabo dos trabalhos, como seria com uma criança de quatro anos?

Valeu-lhes, o facto do Elisiário conhecer um Conde, que todos os anos se  deslocava a Lisboa, para tratar de vários assuntos, junto da Corte, a quem o  Elisiário pediu se podia dar boleia a um casal de Luanda, que se tinha acabado de formar na Universidade, e que queria voltar à sua terra natal, com o filho de quatro anos

O Conde disse que não só lhes dava boleia, como lhes ficava muito agradecido, por contribuírem para o engrandecimento do Império, esperando que mais jovens seguissem o exemplo deles, para que as colónias fossem mais desenvolvidas e prósperas

Assegurado o transporte para Lisboa, de onde esperavam embarcar para Luanda, era preciso pensar nas despedidas, que para o Afonso poderiam ser  muito traumatizantes

Havia quem defendesse que a despedida devia ser quando ele estivesse a dormir, mas a Anastácia não estava de acordo, porque era importante que se despedisse dos “avós”

Assim, explicar-lhe-iam que iria conhecer os avós de Luanda, e que os “avós” de Coimbra os iriam, quando pudessem, visitar, para conhecerem toda a família.

Continua.

 

21
Nov24

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

88

Chegou o grande dia da festa do nascimento da Milay, o palácio foi pequeno, para tanta gente, valeu-lhes o jardim, que acomodou os que não conseguiram entrar no palácio

Gente de todas as idades compareceram, para participarem no grande acontecimento, a cidade desaguou no palácio do Governador

Estava tudo muito bem organizado, as tias da Milay e os criados esmeram-se para que tudo corresse muito bem, e foi o que aconteceu, todos lhes deram os parabéns, e até o avô ficou surpreendido com o bom trabalho, para homenagear a primeira neta.

Toda a família se mostrou muito agradecida para com todos os convidados, por terem aceitado abrilhantar a festa com as suas presenças. Mas, as quatro tias foram as que se mantiveram, toda a festa, numa roda-viva cumprimentando todos e mostrando-se a todos

Não queriam perder a oportunidade de criarem amizades, que as pudessem levar ao conhecimento de toda a cidade, principalmente aos rapazes das suas idades, seduzi-los, mostrar que eram solteiras e procuravam companheiros

Uma vez que a mais velha e mais nova já estavam casadas e tinham cada uma o seu bebé, esperavam que tivesse chegado a vez delas, também queriam contribuir para que o pai tivesse muitas alegrias, com a chegada de mais netas e netos

Se não fosse nesta festa, outra se seguiria, aquando do regresso da Marina e do Roberto, acompanhados do Afonso, o que lhes dava a esperança de encontrarem companheiros, para também virem a ser mamãs

A Rosinha, como convidada de honra, passou quase toda a festa à conversa com o seu compadre, falando da próxima festa, uma vez que os filhos estavam a terminar os seus cursos, em Coimbra

Esperavam que o próximo barco, vindo de Lisboa, lhes trouxesse notícias, não sabiam quando. Mas, só de pensarem que as próximas notícias poderiam ser a  chegada  deles,  enchia-lhes os corações de alegria

Não conseguiam imaginar como estariam os filhos, e muito menos o neto, que nunca tinham visto, seria um emocionante encontro, há muito tempo aguardado, pela primeira vez dois licenciados entravam em Angola, regressavam à sua terra, depois de terem estudado em Coimbra, uma das mais antigas e melhores Universidades da Europa

Os dois Continentes, depois da chegada dos portugueses, ficariam para sempre ligados por laços de amizade, como era o caso das famílias dos jovens, que tiveram o privilégio de estudarem na Europa.

“Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, a única instituição com esse nome no país até então: Domitila de Carvalho, licenciada em Matemática (1894), em Filosofia (1895) e em Medicina (1904) pela Universidade de Coimbra, na qual ingressou no ano letivo de 1890/1891” (Wikipédia)

Continua.

 

14
Nov24

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

87

Esperava-se a toda a hora, o nascimento do bebé da Mité e do Leopoldo

O Governador estava mais nervoso que os futuros pais, não conseguia esquecer-se dos últimos momentos de vida da mulher, em que fez de tudo o que sabia, para a salvar, mas que, infelizmente, não foi suficiente

Só pedia que o parto da Mité corresse tão bem como o da irmã, a Marina, que lhe escreveu, dizendo que tudo tinha corrido bem, muito bem assistida, pela Anastácia  

Nasceu a Milay, a filha da Mité e do Leopoldo, tudo correu bem, todos estavam muito felizes, mas ninguém estava tão eufórico como o avô que, quando lhe colocaram a neta nos braços, não conseguia estar parado, não parava de chorar, até que tiveram de o ajudar a sentar-se, acalmá-lo, com receio que ele deixasse cair a bebé

As tias não podiam estar mais embevecidas com a chegada da Milay, a residência do Governador nunca mais seria a mesma, dali em diante estaria aberta a toda a cidade

Como lhes tinha sido pedido, pelo pai, iriam anunciar que tinha nascido a neta do Governador, a Milay, e convidar centenas de pessoas, para participarem na festa do nascimento da menina

Entre elas discutiam quem convidar, missão que lhes tinha sido incumbida, pelo pai, podendo convidar quem quisessem

A Mité e o Leopoldo também lhe disseram que podiam convidar quem quisessem, o que queriam é que fosse uma bonita festa, para celebrar a chegada da sua filha

As tias convidaram meio mundo, toda a cidade ficou a saber que tinha nascido a Milay, o que fez com que tenham ficado muito contentes e com a esperança de que seria uma grande festa

O Afonso tinha ficado muito triste com a conversa da Anastácia, não se queria separar dela, nem do Elisiário, pediu-lhes que fossem também para Luanda, para conhecerem os outros avós, as tias, os primos

Quando os pais chegaram a casa, correu para eles, dizendo-lhes que tinham de levar os avós para Luanda, para não ficarem sozinhos m Coimbra

Os pais, para o acalmarem, disseram-lhe que iam falar com eles e que ainda faltava muito tempo para irem para a terra deles

Adivinhava-se uma separação muito triste e dolorosa, tinham de escolher a melhor maneira de a fazerem.  

  Continua.

 

07
Nov24

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

86

No regresso a casa, pensou no que a comadre lhe tinha acabado de dizer, se ela estivesse certa, se todas casassem, realizariam o seu sonho: ter uma enorme família

Apesar de estar contente por ver as filhas a constituírem família, a mágoa da perda da sua amada continuava a atormentá-lo, nunca a esqueceria, era o grande amor da sua vida

As seis bonitas filhas que deixou, na hora da partida, sem tempo para a despedida, foi como se o tivesse encarregado de fazer também o lugar dela, tomando conta delas, para sempre, e assim estar, também, presente. Cada uma representava uma faceta da mãe, ajudando a que nunca a esquecesse

Em Coimbra, a Anastácia, como era ela que mais tempo passava com o Afonso, mesmo custando-lhe muito, porque ia ficar sem ele, preparava-o para a sua grande aventura, a viagem para outro continente, muito diferente

Assim, ia-lhe dizendo que quando os pais voltassem para a terra deles, ele iria conhecer os verdadeiros avós: o pai da mãe e a mãe do pai, os primos, as primas, as tias, os tios, uma vez que a mãe da mãe e o pai do pai já tinham morrido

Por sua parte, o Afonso, como é compreensível não queria ficar sem a Anastácia e o Elisiário, que eram com quem ele tinha crescido

Infelizmente, adivinhava-se uma separação muito dolorosa, para todos, como acontece em todas as partidas, e esta era uma partida sem expectativas de retorno

Deixou de lhe falar no assunto, talvez fosse melhor, se calhar ainda era muito pequeno para compreender as teias que a vida tece, os motivos por que nasceu num continente, que se não fosse o facto de andarmos, sempre, de um lado para o outro, à procura de melhores condições de vida, não teria acontecido.

“ Política colonial entre 1900 e 1930

 

Com a derrota militar dos chefes locais, o governo da Província pode finalmente organizar a administração do território, com a instituição do Regulado. O governo recrutava membros da aristocracia indígena como Régulos, encarregados da colecta do imposto-de-palhota, do recrutamento de trabalhadores para a administração e da proibição da venda de quaisquer bebidas alcoólicas que não fossem provenientes da Metrópole.

Para além disso e, na impossibilidade de impedir a migração de trabalhadores para as minas sul-africanas, firmou um acordo, primeiro com a República Sul-Africana e, quando esta foi submetida pelos britânicos, com a respectiva autoridade, regulamentando o trabalho migratório e assegurando o tráfico através do porto de Lourenço Marques. No primeiro acordo, o governo da Província recebia uma taxa por cada trabalhador recrutado; mais tarde, o acordo incluía a retenção de metade do salário dos mineiros, que era pago à colónia em ouro, sendo o montante respectivo entregue aos mineiros no seu regresso, em moeda local.” (Vikipédia)

Continua.

31
Out24

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

85

Quando a Mité e o Leopoldo lhe disseram que ia ter mais outro neto ou uma neta, os olhos do Governador incendiaram-se de um brilho, que a filha nunca tinha visto, a tristeza que o perseguia tinha desaparecido, para ela tinha acabado de nascer uma nova era, e a confirmação veio pouco depois, quando o pai lhes disse que queria uma grande festa, para comemorar o nascimento do bebé deles

Quando as irmãs souberam das novidades ficaram muito contentes, saltaram, dizendo que já era tempo de acabar com o luto naquele palácio, sempre fechado, sem vida, e elas, quase como freiras, privadas de contatar com pessoas da idade delas, a não ser com as empregadas e os empregados

Começaram logo a engendrar planos: era preciso convidar gente de todas as idades, mas mais rapazes da idade delas, para ver se conseguiam arranjar pretendentes e continuar a dar muitas alegrias ao pai 

As quatro solteironas estavam muito agradecidas à Mité por ter conseguido abrir o palácio, quando se juntou ao Leopoldo, ao contrário do que aconteceu com Marina e Roberto, que foram para a Metrópole estudar, não causando nenhuma alteração no comportamento do pai, que continuava a cumprir um luto carregado, depois de tantos anos da morte da mãe delas

Com o nascimento do bebé da Mité e do Leopoldo tudo iria mudar, como se vira, aquando do anúncio da gravidez, que fez o pai dizer que queria uma grande festa, para comemorar o nascimento do novo membro da família

Ainda faltavam uns meses, e isso é que seria mais difícil de suportar, quando não estamos à espera do acontecimento não medimos o tempo, mas se queremos muito que o acontecimento, esperado, chegue, as horas, os dias, os meses passam mais devagar, e essa espera, por vezes, desespera

O Governador foi dar a boa nova à comadre, a Rosinha, encontrou-a na cooperativa, onde passava a maior parte do seu tempo, transmitindo os seus conhecimentos aos mais novos

Quando o viu entrar, ficou muito contente, eram bons amigos, sempre que a visitava, era para lhe trazer notícias do filho, da nora e do neto

Mas, desta vez não havia notícias de Coimbra, mas não deixaram de se interrogar como estariam a Marina, o Roberto e o Afonso, sem resposta, confortava-os o facto de, pelas contas deles, já não faltar muito para os verem

Sem conseguir guardar por mais tempo o motivo da visita, disse-lhe que a filha mais velha estava grávida, a comadre ficou muito contente e deu-lhe os parabéns, acrescentando que quando as outras quatro casassem, ficaria com a casa cheia de netas e netos.

Continua

 

 

26
Set24

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

 

80

A chegada do Afonso veio mostrar aos jovens pais, que criar uma criança exige muito de quem a cria, porque tem de estar disponíveis vinte e quatro horas por dia, durante muitos anos, até que aquele pequeno ser seja capaz de ser independente

Valeu-lhes terem conhecido a Anastácia, que muito os tem ajudado, permitindo que tenham podido voltar às aulas, deixando o filho em boas mãos que, muito carinho tinham para, a todos, dar

Na Universidade de Coimbra, a mais famosa do país, nunca se tinha visto nada parecido:  um casal, com um filho, a estudar. Exemplar, tanto nos estudos,

 como pais, vindo de África, da colónia de Angola

Angariou a amizade de uma residente, na cidade dos estudantes, que muito o ajudava, beneficiava, também, da ajuda de um professor, da jovem mãe, que se apaixonou pela senhora, que o levou para a sua casa e o mimava, como se fossem seus filhos      

Na academia e na cidade não se falava de outra coisa, todos queriam conhecer o casal, que tinha vindo de tão longe

Com o começo das aulas, a Anastácia ficou muito sobrecarregada de trabalho: fazer o comer, tomar conta do Afonso e tratar da casa, faziam-na passar o dia em grandes correrias

Tanto o jovem casal, como o marido da Anastácia estavam preocupados com o esforço dela que, por vezes, ia além do que era razoável, porque queria mostrar que era muito forte e que conseguia fazer tudo

Por isso, pediram-lhe para que descansasse quando eles estivessem em casa, que era muito pouco tempo, tirando o que estavam a dormir, para poder tomar conta do Afonso, durante o muito tempo, que eles passavam na Universidade

Mesmo custando-lhe, compreendeu que era melhor para todos, por que se ficasse doente, alguém teria de ficar em casa, para tomar conta do Afonso e dela

 

Um dez anos depois de mudar a capital para Lourenço Marques, o governo colonial viu-se obrigado a transformar Moçambique de uma colónia para extração de recursos naturais, num território que devia produzir bens para o seu consumo e para exportação para a “metrópole”

Essa foi a motivação principal para o estabelecimento de uma administração efetiva, embora também pesassem as pressões internacionais decorrentes da Conferência de Berlim e das pretensões territoriais dos britânicos e holandeses.  (Wikipédia)

 

Quando o Governador regressou ao palácio e disse às filhas que a Marina tinha tido um menino, estas ficaram, também, muito felizes e queriam saber mais pormenores

O pai disse-lhes que se chamava Afonso, que tinha corrido tudo bem, o Roberto é que tinha dado a notícia, numa carta, que enviara para a mãe

Confessou às filhas que estava alegre e triste: muito alegre por ter um neto, mas triste por ele estar muito longe e temer que morresse antes de ele ir para Luanda

As filhas tentaram animá-lo, dizendo que os anos passam depressa e que em breve todos estariam juntos

A filha mais velha: a Mité,  aproveitou para informá-lo que namorava com o Leopoldo, que Leopoldo? Perguntou o pai, o que trabalha aqui no palácio, respondeu a filha, o pai não se mostrou muito entusiasmado com a notícia, mas acabou por lhe dizer que desejava que fossem muito felizes.

 

Continua

 

 

 

 

 

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