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cheia

cheia

13
Abr20

Os tempos

cheia

Os tempos

 

O silêncio sufoca-me o presente

Falta-me o barulho dos carros, em andamento

As cidades, as vilas, as aldeias estão em confinamento

Tudo tão calmo, tão parado, tão puro, o ar

Hoje, nem o vento apareceu!

Mas, não consigo sossegar

Penso no movimento intenso

Não fosse o inimigo invisível

Cortar-nos o ar, roubar-nos o dia

Afinal, tudo tem um dia: do começo e do fim

E, nós esquecemo-nos de quão bela é a alegria

Foi preciso o tempo dar-nos tempo, para voltarmos ao pensamento

Sem tempo, nunca nos aperceberíamos da importância do silêncio

Quando não temos tempo, para aproveitar o tempo

Como seria tão bom, beneficiarmos de tanto tempo, sem confinamento

Sem ele, não nos aperceberíamos da qualidade do tempo

Tanto ambicionámos ter tempo, agora não sabemos o que fazer com o tempo

Nunca tínhamos saboreado o silêncio, o perfume do vento, o cheiro do asfalto e do cimento

O que me assusta, foi termos parado, quase todos, ao mesmo tempo

Resta-nos a dolorosa fatura, deste descanso, que estamos a pagar e pagaremos durante muito tempo.

Para não falar dos que se foram antes do tempo.

 

José Silva Costa

25
Fev20

Terça-feira

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Terça-feira de Carnaval

25/02/2020

 

Um Carnaval com muitas máscaras

Mas, muito diferentes das dos outros anos

Máscaras contra o convid-19

O vírus que, o mundo, está a assustar

Um Carnaval, como o carnaval de Veneza, suspenso

Cidades fechadas, populações, a ficarem em casa, aconselhadas

Todas as atividades suspensas

Jogos de futebol à porta fechada

A correria aos supermercados

Todos estão tão assustados

Ninguém quer apertar a mão

Nem multidão

Todos têm medo da contaminação

Os contaminados não param de aumentar

Os mortos também não

Que Carnaval mais triste!

Em que as pessoas têm medo de sorrir

Nem dá para fingir

Até quem gosta de brincar ao Carnaval, desiste!

Uma época de alegria, folia, muita comunicação

Tornou-se numa prisão

Este Mundo está sempre em construção

Quando pensamos que o temos na mão

Aparece qualquer coisa a dizer-nos que não.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

12
Nov19

A branca escuma

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Atlântico

Atlântico, onde, com os peixes, descanso

Nesse vai e vem, manso

Nos teus braços me deito, sonho e avanço

Uma estrada sem fim, onde em qualquer lugar danço

Sonho com todos os locais, que banhas, e não me canso

Viajar, correr o mundo, utilizando o baloiçar das ondas

Essa estrada secular, onde, portagens, não é preciso, pagar

Contigo e com os teus irmãos, a todo lado podia chegar

Mas o sonho morreu antes de começar

Fiquei em terra, não consegui abalar

Mas, não me canso de te escutar

Noite e dia oiço o teu sussurrar

E, quando posso, descanso, nos teus lençóis, o olhar

Nunca me canso de te contemplar

Mesmo em terra, contigo ando sempre a viajar

Não penses, que para isso, é preciso embarcar

Basta imaginar, e isso, ninguém me pode tirar

Assim, vou continuar, todos os dias, a namorar contigo.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

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