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06
Nov25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

138

Nunca se tinha visto um namoro tão intenso, como o da Jesuína e o Aurélio, enquanto ela fazia o seu trabalho, na Cooperativa, ele ajudava-a, para que depois, fosse ela a ajudá-lo no trabalho das lavras. Já todos diziam que os pombinhos andavam a construir o ninho

O que é certo, é que, o facto de passarem muito tempo juntos, ajudava a que fossem cimentando uma amizade baseada no conhecimento mútuo sobre como cada um encarava o futuro, juntos

A Jesuína estava muito marcada por mal ter conhecido a mãe, que morrera quando ainda era muito pequena, admirava o pai, por ter conseguido criar seis filhas, sozinho. Mas, continuava convencida de que tinha sido uma grande perda, para todos, fazendo com que as suas vidas tenham sido muito prejudicadas, por não terem sido acompanhadas pelos dois progenitores, sendo que o pai foi o mais prejudicado, por ter desistido da sua vida, dedicando-se inteiramente às filhas

Por isso, queria saber se o namorado partilhava da opinião de que para criar uma criança, o ideal é que seja um casal que, por vezes, ainda têm de pedir ajuda aos avôs, se forem vivos

O Aurélio disse-lhe que estava totalmente de acordo e que estaria sempre ao lado dela e dos filhos, não faria como alguns homens, que tinham tantas mulheres e filhos, que nem os conheciam

As palavras do namorado deixaram-na tranquila, cada vez estava mais contente e feliz por ter feito a escolha certa, desejando que em breve casassem, para estar sempre ao lado do homem, que amava

O pai parecendo-lhe que estavam a andar depressa de mais, perguntou-lhe quando pensavam casar, a filha respondeu-lhe que seria o mais rápido possível, porque já não tinham idade para andarem a perder tempo em anos de namoro, queriam ter filhos e o tempo não esperava

Disse-lhe que a compreendia e que ela sabia quanto ele gostava de ter muitos netos, e que tudo faria, para que todas as filhas fossem muito felizes, como o tinha feito, sempre, desde que a esposa tinha morrido devido ao parto do nascimento da filha mais nova

Tudo se conjugava, para que em breve houvesse mais um casamento, um acontecimento, que muito contribuiria para um grande convívio e muita alegria, como tinha acontecido com todos os casamentos das irmãs

Também, na Cooperativa, se vivia um momento de euforia, todos conheciam e tinham muito carinho pelos noivos, desejando que fosse uma bonita cerimónia e que os noivos fossem muito felizes.

Continua

 

21
Mar24

O Império

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Império - As teias que o Império teceu

 

52   

 

A exportação de mão-de-obra escrava pelo porto de Luanda terá sido alvo de competição, no século XVII, entre portugueses e holandeses

A disputa entre os colonizadores, cujo vencedor foi o Reino de Portugal, originou a captura direta de escravos, nas chamadas Guerras Angolanas, no seio de certas tribos, que tinham lutado contra os portugueses

Tornando-se, Angola, num centro, importante de fornecimento de mão- de-obra escrava, para o Brasil, onde crescia não apenas a produção de cana-de-açúcar, no Nordeste, mas também a exploração de ouro na região central

Os navios, com mercadorias de Goa, faziam escala em Luanda, para deixarem panos, as chamadas “fazendas de negros”. Dali, seguiam para Salvador, na Bahia, carregados de escravos e de outras mercadorias provenientes da Índia (como louças e tecidos)

Salvador tornou-se um centro difusor de mercadorias, vindas da Índia, para América do Sul

Os negócios foram estruturados aos poucos. Num primeiro momento, os Governadores da colónia tinham o poder de determinar o preço dos escravos. O pagamento era feito com ouro proveniente de Minas Gerais, no Brasil

Mais tarde, em 1715, a coroa portuguesa proibiu os governadores de se envolverem no tráfico de escravos

Os negociantes provenientes do Brasil (principalmente do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco) assumiram as rédeas do comércio, que teve um grande incremento

A principal feira fornecedora de escravos, para o porto de Luanda, era a feira de Cassanje

 A cachaça brasileira (jeribita) passou a ter um papel de destaque nas trocas, sendo valorizada tanto em Angola, quanto no Brasil. Figurava, ao lado da seda chinesa e as armas europeias, como uma das principais moedas de troca

Era, na verdade, a moeda mais corrente, já que o comércio de armas era controlado e a seda chinesa só chegava a África, depois de passar por Lisboa, o que elevava o preço e reduzia a sua liquidez

Outro produto brasileiro, muito valorizado, em África, era o fumo de corda de Salvador

A Rosinha e o Januário, aliviados das responsabilidades dos destinos da cooperativa, ajudavam na construção da creche, eram da opinião de que os idosos devem acabar os seus dias na companhia das crianças

Podiam muito bem acompanhá-las no recreio, nas suas brincadeiras, nas refeições, fazendo com que aqueles, que não têm avôs, sintam, também, o amor e a compreensão de quem já tantos anos passou, que mais tolerantes os tornou.

Continua

 

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