O Império
O Império - As teias que o Império teceu
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A assembleia geral da cooperativa foi mais do que um dia de eleições, para o cargo da presidência, tornou-se numa grande confraternização, entre todos os cooperantes
Os trabalhos do campo não permitem muitos dias de descanso, todos os dias é preciso vigiar as plantações, ver se têm sede, ou se precisam de outros cuidados, para que não morram
Chegada a hora da votação, foi pedido que levantasse o braço, quem queria votar na Filó, só os sócios mais velhos o fizeram, os jovens, que estavam em maioria, ficaram à espera que fossem chamados a votarem no Zico
O Zico, que já esperava ganhar, foi falar com a Filó, pedindo-lhe que o ajudasse a cumprir a pesada missão, para a qual não estava preparado, mas que queria muito aprender com todos
Ela assegurou-lhe que poderia contar com ela, em tudo o que estivesse ao seu alcance
Depois, foi a vez da Leopoldina dizer que estava muito contente por ser substituída por um jovem, a quem dava os parabéns e agradecia por se interessar por uma instituição tão importante, para todos
Continuou, dizendo que não se podia criticar os jovens por não se interessarem pelos assuntos comunitários, e quando eles assumiam as suas responsabilidades, não lhes agradecer, não os apoiar, dizendo que ainda são muito jovens, para cargos tão importantes
Como era de esperar os mais velhos ficaram desiludidos com a escolha, em quanto os mais novos festejaram a vitória do Zico
Por fim, a multidão foi dispersando, apenas o Rogério, um dos primeiros alunos do Roberto, ficou à conversa com a Filó, já se conheciam, já tinham trocado ideias, várias vezes, perguntou-lhe se estava triste por não ter sido eleita
Esta respondeu-lhe que perder e ganhar faz parte da vida, e que tinha ficado muito contente por o Zico ter ido falar com ela, pedindo que o ajudasse a cumprir a sua nova tarefa
O Rogério disse-lhe que talvez tivesse sido melhor assim, caso ela quisesse namorar com ele, porque tinham mais tempo um para ou outro
Fez um pouco de suspense, e disse: “então não aceito! Há muito que os nossos corpos sorriem um para o outro, mas o receio de um não fez com que as nossas bocas se tenham mantido caladas”.
Ambos, iluminados de alegria, seguiram em direção à casa da Filó, onde vivia com o pai e as outras irmãs solteiras, que esperavam saber o motivo de tanta conversa, mas como os pombinhos nunca mais se separavam, foram dormir sem saberem as novidades
Para a Filó, o que poderia ter sido uma noite para esquecer, tornou-se na mais bonita noite, que já vivera.
Continua
