Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

cheia

cheia

08
Jan26

O Império

cheia

O Império    -     As teias que o Império teceu

147

Beijou-os a todos, como se tivesse crescido ao lado deles, e isso fez com que tenham ficado muito contentes com a escolha do Asdrubal. A mãe foi a que mais tempo a apertou nos braços, parecia que lhe estava a dizer que estava muito feliz, por ela a ter substituído, nos cuidados com o seu menino

Não ficaram muitos dias, as obrigações chamavam-nos, o Asdrubal não se importava de ficar mais uns dias ou para sempre, junto dos familiares. Mas, a bonita Francisca trocou-lhe as voltas e fez com que deixasse tudo, para estar junto dela

Ele tinha de continuar a dar assistência às suas plantações, que necessitam de muitos cuidados, para que obtenham boas colheitas

Ela tinha de continuar a trabalhar na Cooperativa e nas horas vagas ajudar o namorado, tanto na construção da cubata como nas lavras, para quanto antes terem condições, para se casarem e irem viver no doce lar, que ambos estão a construir

Quando o Governador de Angola esperava uma carta de agradecimento do Rei de Portugal, por ter conseguido a paz com o Rei do Congo e a integração do seu Reino no de Portugal, recebeu a notícia da sua substituição, pelo substituto, vindo da Metrópole, numa das  caravelas com destino à Índia, o general Xavier

Mal o general desembarcou, acompanhado pelo comandante das caravelas, Já no cais corria a notícia de que o general iria substituir o Governador de Angola

Ambos foram recebidos pelo Miguel, que lhes deu as boas-vindas, O Xavier informou-o de que tinha sido enviado pelo Rei, para o substituir, pedindo-lhe para que o ajudasse a cumprir tão grandiosa missão, tendo o Miguel respondido que podia contar com ele, para tudo o que fosse para engrandecer a colónia de Angola e o Reino de Portugal

De seguida mostrou-lhe o Palácio e colocou-se à sua disposição, para o pôr ao corrente de todos os assuntos sobre a governação da Colónia

O Xavier agradeceu-lhe, pela sua disponibilidade, para o ajudar, mas pediu-lhe, caso não se importasse, ficaria para mais tarde, porque estava muito cansado e queria descansar, para poder estar em melhores condições, aquando da passagem do poder

O Miguel respondeu-lhe que estaria sempre às suas ordens e que lhe desejava bom descanso.

Continua 

 

01
Jan26

O Império

cheia

O Império    -    As teias que o Império teceu

146

Com terrenos para fazerem a lavra e para construírem o ninho, não lhes faltava que fazer. O Asdrubal passava os dias a desmatar o terreno, para depois o preparar para as sementeiras, que dão muito trabalho e que são precisos alguns meses, para se conseguir retirar da terra o sustento, caso tudo corra bem, caso contrário, tudo pode ter sido em vão

É por isso, que a maioria prefere ter um emprego, saber quanto vai receber ao fim do mês, muito ou pouco é certo. Trabalhar na agricultura, a não ser que tenha alguma dimensão, é viver na incerteza de um clima, cada vez, mais incerto, com a certeza de que o trabalho será, sempre, certo

Ao Asdrubal não lhe restava escolha, tinha de tentar arrancar da terra o seu sustento. Felizmente, não estava só, tinha na Cooperativa, como que um seguro de vida, sabendo que lhe compravam toda a produção, e que em anos de calamidade seria ajudado, para que nos de boas colheitas, equilibrasse as contas

Uma Cooperativa, é como o próprio nome indica uma instituição onde todos os sócios cooperam, ajudando-se uns aos outros, para que nenhum se sinta sozinho, abandonado à sua sorte

Para além do apoio de toda aquela comunidade, que o recebera de braços abertos, não lhe faltava o amor da Francisca, que tanto o apoiava emocionalmente, estando sempre a seu lado, tentando ajudá-lo na concretização dos seus sonhos

Ao fim de alguns meses, quando a casa estava quase pronta e o tempo das colheitas se aproximava, o Asdrubal começou a andar triste, a Francisca não via motivo para isso, tudo estava a correr tão bem, não suportando mais vê-lo assim, decidiu perguntar-lhe o motivo, respondeu-lhe que estava com muitas saudades dos pais, das irmãs e irmãos, tinha de os ir ver e que gostava que ela fosse com ele, mas tinha receio que não aguentasse a caminhada

A Francisca ficou radiante, por ele a querer apresentar à sua família, antes de lhe dar a resposta beijou-o, dizendo que há muito esperava pelo convite, que faria muito gosto em acompanhá-lo, não só para conhecer a família dele, mas também ver onde tinha nascido, quanto à caminhada, que não se preocupasse, porque já tinha feito muitas e longas caminhadas, e ao lado dele percorreria o mundo inteiro

Acabara-se a tristeza, abraçaram-se e beijaram-se, dizendo que assim que fosse possível concretizariam a aventura.

Foi uma grande surpresa, para a família do Asdrubal, quando o viram acompanhado da bonita Francisca, todos ficaram rendidos à sua graciosidade, simpatia e simplicidade.

Continua.

 

 Feliz e Próspero 2026!

 

 

 

 

    

   

 

25
Dez25

O Império

cheia

O Império    -     As teias que o Império teceu

145

A Cooperativa tornou-se num local, que não era só um centro de negócios, mas também de amizades, troca de ideias e de confraternização, onde todos tinham lugar e podiam manifestar a suas ideias

Nela, todos tinham lugar, e muitos gostavam de colaborar em todas as suas atividades, entre   elas, as discussões sobre a governação da Colónia e o seu futuro

O Rei de Portugal, quando leu a carta do Governador de Angola, onde lhe transmitia o pedido do Rei do Congo, para integrar o Reino de Portugal, ao contrário do que alguns pensavam, não ficou nada entusiasmado, desconfiando que fosse uma maneira de se apoderar de toda a Colónia

Reuniu-se com os seus conselheiros, pedindo que o ajudassem a tomar uma decisão sobre um pedido de união, que ele julgava ser muito perigoso

Os conselheiros disseram-lhe que era difícil saber quais eram as intenções do Rei do Congo. Era bom que fossem boas, porque ter a Colónia em paz e unida, permitiria que se avançasse para o interior, ocupando-a, para tentar afastar as pretensões de ocupação por outros Impérios

O Rei, antes de se despedir dos seus conselheiros, disse-lhes que iria substituir o Governador de Angola, por um General, com amissão de tentar saber se o Rei do Congo estava determinado a acabar com o seu Reino, integrando-o na Colónia de Angola, sob a soberania do Reino de Portugal

O Tico foi indicar ao Asdrubal a lavra de onde tiraria o seu sustento, até lá, tinha todo o apoio da Cooperativa, para o seu sustento e acomodação

Os pombinhos estavam muito gratos, a todos, pela ajuda, para que estivessem juntos, foi o que foram transmitir a todos os que trabalhavam na Cooperativa, O seu presidente, aproveitou para lhes pedir que o acompanhassem, para escolherem onde iriam construir o seu ninho: a sua cubata.

Continua

                                                                                 Feliz Natal!

 

18
Dez25

O Império

cheia

O Império    -      As teias que o Império teceu-

144

O Miguel, governador de Angola, enviou uma carta, ao Rei de Portugal, informando-o de que o Rei do Congo, com quem antes tinha selado a paz, com um aperto de mão, queria a integração do seu Reino no Reino de Portugal, com o pretexto de que era o Reino mais poderoso do mundo e que Angola seria a sua maior Colónia

O Asdrubal voltou para casa, quando se despediu da Francisca, garantiu-lhe que em breve voltaria, mas para ficar, de vez, junto dela. Nos olhos podia ver-se um mar de alegria, que tanto encantou o namorado, na hora da despedida

As mães, que conhecem os filhos, melhor que ninguém, sabem ler nos olhos ou na voz, se estão felizes, preocupados, angustiados……., dificilmente eles as conseguem enganar

Quando o Asdrubal beijou a mãe, ela sentiu que já tinha sido substituída por outra mulher, não ficou triste, pelo contrário, ficou orgulhosa por o filho estar a construir o seu ninho, já tinha acontecido com ela, com a mãe dela, era o que ela e o marido desejavam e esperavam dos filhos, não era, como muitas mulheres, que têm ciúmes das futuras noras

Depois de cumprimentar os pais, o Asdrubal, que tinha passado todo o caminho à procura da melhor maneira de dar a notícia aos pais, não a tendo encontrado, acabou por lhes dizer que tinha uma namorada em Luanda e que iria mudar-se para lá, para estar junto dela

Os pais não foram apanhados de surpresa, porque já tinham percebido, como tinha ficado feliz, quando o Rei o convidou, para o acompanhar a Luanda. A mãe disse-lhe que conforme fizesse a cama, assim se deitaria, desejando que fossem muito felizes

Passava os dias a pensar na Francisca, não podia protelar mais a partida, já nada o prendia aquela terra, aquela casa, nem mesmo custar-lhe a separação dos pais, o prendiam, os braços da Francisca eram o seu novo porto de abrigo

A felicidade do Asdrubal era contagiante, não se cansava de dizer, que o acordo de paz entre a sua República com Angola, tinha sido a sua estrela da sorte, sem ela não teria encontrado a Francisca, uma mulher que não sabia descrever, nela tudo era brilho, luz, fogo, harmonia

Interrogava-se, dizendo, se valeria a pena os povos guerrear-se, quando a paz era tão bela, fazendo com que todos se sentissem em segurança, alegres, felizes, como se fossemos todos irmãos?

Continua

 

 

  

 

 

   

 

   

 

 

11
Dez25

O Império

cheia

O Império    -    As teias que o Império teceu

143

O Asdrubal dirigiu-se imediatamente  para o palácio do Governador, não queria chegar atrasado, para mais um jantar no palácio do Governador

Durante todo o caminho foi saboreando os beijos e o perfume da Francisca, estava de tal  maneira inebriado, que todos o notaram no brilho e alegria dos seus olhos

No fim do jantar, o Governador convidou-os a ficarem mais um dia em Luanda, para a conhecerem melhor e poderem apreciar a sua linda baía

Aceitaram o convite, o Rei agradeceu ao Governador e a todos os Luandenses a hospitalidade com que tinham sido recebidos, por todos

No dia seguinte, o Asdrubal, voltou a pedir ao Rei, que o dispensasse de o acompanhar, porque queria voltar a encontrar-se com a Francisca

O Rei disse-lhe que sim, que sabia muito bem o que era estar apaixonado, e aproveitou para lhe perguntar como fariam dali em diante. O Asbrubal respondeu-lhe que era isso que iam tentar combinar

Foi uma noite mal dormida, passou-a a arranjar maneira de ficar perto da Francisca, para sempre. Levantou-se cedo e foi para a porta da Cooperativa, quando ela chegou já ele estava à sua espera

Ficou radiante, estava encantadora, aos olhos do namorado estava, cada vez, mais bonita, não esperava por ele tão cedo, o que queria dizer, que já não podia passar sem ela

Beijaram-se, e ela perguntou-lhe se já estava ali há muito tempo, respondeu-lhe que não tinha conseguido dormir, porque passara a noite inteira a tentar encontrar uma maneira de ficar junto dela. Beijaram-se mais uma vez, e ela segredou-lhe, que a ela também lhe tinha acontecido o mesmo

Foi, então, que lhe revelou a sua decisão, viria para Luanda, para estar sempre junto dela, só faltava pedir ao Zico, se lhe arranjava uma lavra, para poder governar a vida   

Com aquela revelação, toda ela floresceu, sabendo que o Zico não só não lhe negaria ajuda, como mobilizaria toda a Cooperativa, para o ajudar, fazendo com que ele se pudesse mudar para Lunada, para puderem estar perto um do outro

Ambos estavam muito felizes, por saberem que tinham a ajuda de todos, para que estivessem perto um do outro e fossem muito felizes

Ao Asdrubal toldava-lhe a alegria, não saber como reagiriam os pais, mas esperava que compreendessem a sua decisão, mais tarde ou mais cedo deixaria o “ninho”.

Continua

 

   

25
Set25

O Império

cheia

O Império    -    As teias que o Império teceu

132

No dia aprazado, muito cedo, duas dezenas e meia de homens, incluindo o Governador, meteram pés ao caminho, para uma missão muito difícil e perigosa

Nunca, os portugueses tinham conseguido entrar naquele território, tendo sido, sempre, repelidos com grande ferocidade

O que a maior parte daqueles homens não sabiam é que o Governador e um dos sobas tinham um segredo, que ambos se tinham comprometido a não revelar a ninguém, nem às esposas, daí o Governador ter avançado para uma missão, por muitos, considerada impossível

Nem sonhavam, nem lhes passava pela cabeça que aquele encontro tinha sido preparado por um dos Sobas, a pedido do Governador, quando num encontro este lhe revelou que era muito amigo do Rei, com o qual o Governador queria fazer um pacto de amizade

O Soba, que não sabia que o Governador estava interessado em encontrar-se com o Rei, seu amigo, foi surpreendido com o pedido de conseguir agendar um encontro entre os dois governantes. O governador aproveitou a oportunidade e o Soba ficou um pouco atrapalhado

Disse que apesar de serem amigos, nunca tinham discutido o assunto, não sabia qual seria a reação dele, que sempre defendeu a saída dos portugueses de todos os territórios ocupados pela força. Mas, que iria falar com ele, desde que tivesse propostas concretas, para lhe apresentar, no sentido de o fazer mudar de ideias, sendo que uma das condições era que o assunto ficasse só entre os dois, até à concretização do encontro, ninguém poderia saber do mesmo, para além deles

Ambos concordaram, o Soba disse que ia encontrar-se com o amigo, para saber se ele aceitava o encontro, para um acordo de paz, e assim que obtivesse uma resposta, transmitir-lha-ia. Passaram-se meses, o Governador já estava a duvidar da promessa, mas não podia comentar com ninguém, o assunto, que prometera manter em segredo

Quando já não esperava que a promessa fosse cumprida, nunca mais tinha visto o Soba, desde o dia do pedido. Não sabia se estava morto ou vivo, já se tinha deslocado ao seu povoado, para perguntar se sabiam o motivo da sua ausência, mas ninguém sabia nada dele, o que fazia com que todos estivessem muito tristes, o emissário apareceu e com boas notícias

Confidenciou ao Governador que, quando estava na casa do amigo, ficou muito doente, por isso é que tinha estado tanto tempo ausente

Quando o Miguel disse à Zulmira que se ia encontrar com aquele Rei, já sabia o dia, mas nada lhe poderia revelar.

Continua

 

28
Ago25

O Império

cheia

O Império   -   As teias que o Império teceu

128 

O Rei mandou convocar todos os seus conselheiros, para uma reunião sobre a Colónia de Angola, queria saber as suas opiniões, como agir, no tempo em que todos queriam um quinhão em África

Todos os conselheiros concordaram com o trabalho, que o Governador de Angola estava a fazer, no sentido de ter todos mobilizados, para a defesa da integridade da Colónia

Agradeceu-lhes terem-no ajudado, na escolha da melhor decisão, em tempos tão conturbados, em que todos os prós e contras tinham de ser bem pesados, para manter intato o Império Português

O Rei informou-os de que seguiria os seus conselhos, agradecendo ao Governador de Angola, todos os esforços, para que a tornasse na mais próspera Colónia do Reino

Os longos meses de espera, pela resposta do Rei, foram de ansiedade, o Miguel perdera a alegria de viver, não conseguia prever qual seria a resposta do Rei. Mas, a Zulmira sempre acreditou que seria uma resposta a gradecer-lhe o muito trabalho, que o marido tinha desenvolvido, desde que tinha assumido o pesado fardo de fomentar o progresso de Angola

Foi ela, que ajudou o Miguel a ultrapassar os longos meses de tristeza, enquanto não chegou a resposta à sua carta, tentando fazê-lo acreditar, que iria receber um grande elogio, pelo seu muito trabalho

Depois de uma longa espera, finalmente, chegou a resposta de Lisboa, 

 Na carta, o Rei elogiava o Miguel, não só pelo muito trabalho, para tornar a Colónia mais rica, mas também pela mobilização de todos os homens, no sentido de a defenderem de todos os ataques dos que a cobiçavam

O Miguel e Zulmira ficaram muito contentes, por finalmente, virem o seu trabalho reconhecido, e como o trabalho não era só deles, mas de toda a comunidade, era preciso divulgar, os elogios do Rei, a todos. Assim, decidira que iriam convidar todos, para uma festa, no jardim do Palácio

Foram muitos os que responderam ao convite do Governador, foi um grande convívio, muito animado, como era costume. No fim, o Miguel aproveitou, para dizer a todos, que o Rei lhe tinha enviado uma carta, onde elogiava todos os habitantes da Colónia, pelo esforço que estavam a desenvolver, no sentido de a tornarem mais próspera e que muito agradecia, também a mobilização dos homens, para a defenderem de qualquer agressão à soberania portuguesa

Como os momentos de alegria são propícios para anunciar novos momentos de felicidade, o Manuel pediu ao Governador se poderia aproveitar a oportunidade, para convidar todos, para o casamento da sua filha Filó com o Rogério

Não só os noivos reagiram com muita alegria, por verem o seu casamento ser anunciado, num grande convívio, como todos os restantes presentes terem mostrado quanto os noivos eram admirados pela comunidade

O Governador, voltou a agradecer-lhes a presença, e que continuava a contar com todos, para juntos unirem esforços por uma Angola mais próspera.

Continua

 

21
Ago25

O Império

cheia

O Império  -  As teias que o Império teceu  

127

O Governador e a Zulmira continuavam a contatar várias pessoas, que os pudessem ajudar a cumprir a missão do Miguel. Já tinham falado com quase todos os que eles achavam serem os mais influentes, faltava-lhes falar com os Sobas

Como os Sobas tinham muita influência, a quem as populações obedeciam cegamente, a  Zulmira aconselhou-o a ter muito cuidado, para não perder a sua confiança, porque isso seria o pior que lhe poderia acontecer, para os seus planos de todos se unirem na defesa da Colónia, tão cobiçada por outras potências

Um dos objetivos era ter da parte deles o compromisso de mobilização de todos os homens, para combaterem as agressões estrangeiras

Mas, isso poderia ir contra o que o Roberto defendia, a ida de todos os homens para as lavras, para trabalharem ao lado das mulheres. Tinha receio de que os Sobas dissessem que os homens precisavam de estar livres desse trabalho, para poderem defender as suas localidades

A Zulmira acompanhava o marido nas conversas com os Sobas, o que, para estes, não era normal, nem bem visto. Mas, para o Miguel e para a Zulmira, era uma maneira de tentar mudar a submissão das mulheres, procurando que, com o passar do tempo, fossem vistas, como companheiras e não seres submissos, que tinham de fazer tudo o que os homens queriam

A bigamia permitia que os homens tivessem muitas mulheres, quanto mais mulheres tivessem, mais ricos eram, porque a sua riqueza provinha do trabalho delas

Eram elas que geriam a lida da casa e do campo, todas obedeciam à mais velha.

O Governador, depois de ter ouvido os Sobas dos arredores de Luanda, tendo obtido de todos o apoio à Coroa Portuguesa, resolveu enviar uma carta ao Rei, dizendo que ainda não tinha conseguido angariar fazenda, para enviar para Lisboa. Mas, tinha obtido dos Sobas o compromisso de defenderem a Colónia de todas as agressões estrangeiras, o que era muito importante, devido à cobiça, por parte de algumas nações, por Angola

Quando recebeu a carta, o Rei ficou furioso. Mas, resolveu não fazer nada, enquanto não ouvisse os seus conselheiros.

Continua

 

24
Jul25

O Império

cheia

O Império -  As teias que o Império teceu. 

123

O Governador continuava descontente e preocupado por não conseguir arranjar dinheiro, para enviar para a Coroa, como se tinha comprometido com o Rei

Em Lisboa havia a convicção de que Angola era muito rica, devido ao negócio da escravatura. Mas, essa fonte de receita tinha acabado ou em vias de extinção, porque a escravatura já tinha sido abolida

Mesmo sendo de melhor qualidade que os dos Brasil, não era alternativa à escravatura, porque os do Brasil tinham inundado a Europa, fazendo com que a exploração de diamantes não fosse rentável

A Zulmira bem o queria ajudar, para ver se encontravam, entre os muitos minerais, que existem em Angola, algum que fosse muito rentável e de fácil exploração. Mas, de tudo o que diziam existir, não encontraram nada que os ajudasse a sair da difícil situação do incumprimento perante o Rei

Receavam que, mais tarde ou mais cedo, o Rei nomeasse um novo Governador, para substituir o Miguel, ainda que dissesse que isso não era o mais importante, porque o que o preocupava era não ter sido capaz de realizar o que se tinha proposto fazer

Nunca uma assembleia geral da cooperativa tinha tido tanta afluência, pela primeira vez, os jovens estavam em maioria

Alguns sócios, mais velhos, estavam admirados com tanta participação na eleição para a presidência da cooperativa, e ainda, por cima, eram jovens

Havia duas candidaturas: a Filó, responsável pela secção da produção, e o Zica, um dos primeiros alunos do Roberto, que ganhou o gosto pela agricultura, depois das aulas dadas nas lavras, ao ponto de deixar a turma e dedicar-se só à agricultura

Todos os dias ia para as lavras, falava com as muitas mulheres, que se dedicavam a tirar da terra o sustento da família. Ajudava-as, pedia-lhes que o ensinassem, porque também queria  fazer uma lavra, para ajudar a alimentar a mãe, que já não ia para as lavras, devido à idade e à doença

Diziam que ele era um filho exemplar, era o primeiro rapaz a querer ter uma lavra, e isso fazia com que fosse, para umas um exemplo, mas, para outras era um intruso nos trabalhos das mulheres, deixando-as sem saberem o que dizer.

Continua

 

 

 

 

 

03
Jul25

O Império

cheia

 O Império   -   As teias que o Império teceu

120  

 Perdemos a batalha, pelo Mapa Cor-de-Rosa, com o Ultimato Inglês de 11 de Janeiro de 1890, que fez aumentar o nacionalismo e a contestação à Monarquia

Já tínhamos tido outro duelo, com os nossos mais antigos aliados, que ficou conhecido como a questão de Bolama

Um grupo de britânicos adquiriu a ilha, no ano de 1792, com o objetivo de nela fundar uma colónia modelo, que terminou ao fim de um ano

Esta questão criou um conflito militar e diplomático, que se arrastou por 35anos (1834-1869)

A questão esteve alguns anos adormecida, mas de 1834 a 1869 aconteceram varias escaramuças em que portugueses e britânicos trocaram as bandeiras

Cansados de arrear  a bandeira inglesa e içar a bandeira portuguesa, propuseram aos ingleses que escolhessem um árbitro, para por fim à disputa da Ilha

Escolheram o Presidente dos Estados Unidos da América, Ulysses S. Grant, que deu razão a Portugal, na sentença arbitral de 21 de Abril de 1870, que lhe valeu uma estátua em bronze, desaparecida, substituída por uma em cimento. 

O Governador, de Angola, preocupado com os ataques, por outras potências, à rica Colónia de Angola, queria os Sobas mobilizados, para defenderem a soberania portuguesa. Por isso, fazia-lhes várias visitas, falavam de tudo e mais alguma coisa, tentava ganhar a sua amizade, como se fossem velhos amigos, para que lhe dissessem como classificavam a governação, mas não era fácil

Poucos falavam português, a Zulmira tentava ajudar, com o pouco que sabia da língua nativa da região de Luanda

Os Sobas fizeram saber que não estavam a gostar que os rapazes fossem trabalhar, para as lavras, porque era preciso manter as tradições, e eles eram a autoridade nos seus quimbos

O Governador aproveitou para lhes pedir que utilizassem a sua autoridade, para mobilizarem toda a população para o combate a todos os que fossem contra a soberania portuguesa

Por fim, disse-lhes que era bom que todos participassem na renovação da agricultura, para que todos tivessem uma melhor alimentação.

Continua.

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2009
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2008
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2007
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub