O Império
O Império - As teias que o Império teceu
O Miguel conferenciou com a Zulmira, para combinarem o que escreveriam ao Rei de Portugal, para lhe darem a boa nova de tão proveitoso acordo
Na carta, que iriam enviar ao Rei, quando houvesse portador, isto é, quando o barco da carreira da Índia atracasse ao porto de Luanda, sendo que a resposta poderia demorar muitos meses
Quem não perdeu tempo foi o Zico que aproveitou as boas relações, com os vizinhos do Norte, para lhes fazer uma visita, acompanhado de mais três sócios da cooperativa, no sentido de trocarem experiências sobre as culturas, os produtos cultivados e o possível intercâmbio entre a cooperativa e os agricultores do Reino a Norte de Luanda
Antes de regressarem a casa, ainda, foram recebidos pelo Rei, que lhes agradeceu a visita, acrescentado que estava muito contente pelo interesse demonstrado em ensinarem, aos seus agricultores, novas técnicas e a sementeira de novas culturas, o que muito contribuiria para mais produção de alimentos e a esperança de eliminar a fome
No dia seguinte, a Jesuína e o Aurélio voltaram a encontrar-se, ambos estavam muito felizes, já eram namorados, no dia anterior, antes de se despedirem, o Aurélio pediu-lhe namoro, e ela aceitou imediatamente, dizendo-lhe que, só, não foi ela a pedir-lhe namoro, porque ele poderia não achar graça e não aceitar
Respondeu-lhe que ela era muito engraçada e que estava encantado com a sua postura, parecia que tinham sido feitos um para o outro, que o amor era louco, os olhos é que o sabiam ver, e que os seus, mal a viram, incendiaram-lhe o corpo, com um fogo, que não parava de arder, ficando mais suave, quando estava junto dela
O Aurélio não ficou sem resposta, a Jesuína acusou-o de terem sido os olhos dele a encantarem-na, de tal maneira, que tinha sido ela a ter de ir falar com ele, porque aquela ótima radiação lhe estava a dizer que não podia continuar a fazer sofrer aquele coração
Foi uma feliz decisão, retorquiu o Aurélio. Assim, não só, não perdi o meu, como ganhei o teu, para poder oferecer-te, o meu
Ambos ganhámos: sorriu, beijou-o, acrescentando, agora, temos dois corações, estamos muito mais fortes, quando um se cansar, há outro para o ajudar, para o massajar até recuperar, fazê-lo de novo sorrir, para que nenhum dos nossos corações se volte, só, a sentir-se
Sem que dessem pelo tempo passar, o sol caiu no mar, tiveram de, a casa, regressar. Mas, a separação não estava a ser fácil, quanto mais se beijavam, mais tempo, juntos, queriam ficar, para os beijos continuarem a saborear, parecendo não se quererem apartar.
Continua
