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07
Ago25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

125

No dia seguinte a Jesuína e a Francisca estavam em pulgas para saberem o que se tinha passado, mal podiam esperar que a irmã acordasse, para porem tudo em pratos limpos

Quando ela se sentou, à mesa, para tomarem, juntas, o pequeno-almoço, notaram que a Filó estava muito alegre, para quem tinha perdido a eleição, para presidente da cooperativa

A Filó informou as irmãs de que tinha tido uma longa conversa com o Rogério, que elas também conheciam. Disse-lhe que as aulas do Roberto tinham mudado a sua vida, que muitas pessoas não conseguiam ver quanto felizes eram aqueles, que o escutavam e seguiam

A imagem mais bonita, que ele tinha daqueles tempos, era a de um bando de pessoas de todas as idades, naquele terreiro, todos os dias, a semearem ideias, que produziam alegria

Foram essas trocas de ideias, onde se falava de tudo, que fizeram com que se dedicasse à agricultura, uma atividade indispensável à vida. Ainda, por cima, com tanta terra à espera de ser cultivada

Mas, as irmãs continuavam a achar que aquela conversa não era motivo para tanta alegria,

Pediram-lhe que se deixasse de rodeios e revelasse a razão de tanta felicidade

Vendo que o seu corpo e as suas palavras não conseguiam esconder a verdade, acabou por revelar que o Rogério lhe tinha pedido namoro, e que ela tinha aceitado

As irmãs felicitaram-na, beijaram-na, ficando tão felizes e alegres, como se também elas tivessem encontrado o seu príncipe encantado

É uma sensação indiscritível, disse a Filó às irmãs, quando o amor nos invade, todo o nosso corpo vibra, e aquele ou aquela, que amamos é a pessoa mais bonita, mais amiga, portadora de tudo quanto há de bom, é como se trocássemos de preocupações, a pessoa amada entra no sosso coração e absorve toda a nossa atenção

As irmãs sentiram-se, também, invadidas pela felicidade, que a Filó sentia, as três estavam em sintonia, foi o início de um tempo diferente, em que em todas renasceu a esperança, já um pouco perdida, de encontrarem alguém que as amasse e as fizesse muito felizes, que é o que todos queremos e procuramos.

Continua

 

   

 

 

  

 

 

 

17
Abr25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

109

O novo governador, o Miguel, passou a ir, quase todos os dias, à cooperativa, cumprimentava todos, e por fim, demorava-se a falar com a Zulmira

Ao fim de alguns dias, já todos tinham percebido que a andava a catrapiscar

Passadas uma semanas pediu-lhe namoro, como fazem, quase sempre, as mulheres, mesmo que estejam desejando dizer sim, disse-lhe que ia pensar no assunto, porque não ficava bem aceitar imediatamente

Sabia que o assunto já andava na boca de todos, porque os olhares comprometedores entre ambos não deixavam dúvidas. Assim, para que acabassem as conversas à boca fechada, informou o pai e as irmãs de que o Miguel lhe tinha pedido namoro

Todos queriam saber a sua decisão, informou-os de que ainda não tinha aceitado, tendo pedido algum tempo, para decidir

A nova organização da cooperativa estava a agradar aos cooperantes, todos esperavam que, em breve, se começassem a ver os resultados da dedicação de todos

O Manuel, que muito admirava o Miguel, não cabia em si de felicidade, ao saber que o poderia ter como genro. A Zulmira bem leu, nos olhos dele, a alegria, que lhe causou a notícia do seu futuro namorado

Metade das filhas tinham encontrado companheiro, para outra metade, não faltariam pretendentes, tinham deixado o palácio, que era quase como que um convento, para irem para a montra da cooperativa, dando-lhes mais notoriedade

A Zulmira, depois da emoção do pedido de namoro, que lhe encheu o coração de esperança de um dia ter uma bonita família, começou a interrogar o futuro, caso viessem a casar

Começou, mentalmente, a formular as perguntas, que teria de lhe fazer, antes de aceitar o seu pedido, uma das coisas que queria saber era se ele respeitaria a sua liberdade, as suas escolhas, ou se, pelo contrário, lhe imporia que fizesse o que ele queria

Não queria deixar de fazer o que tanto a realizava, continuar a fazer a contabilidade da cooperativa, colaborar com todos os cooperantes, para que todos tivessem uma vida melhor

Nesse sentido, poderia ser um grande aliado, se estivesse verdadeiramente interessado em melhorar a vida dos povos de Angola

O que não admitia era ser um adorno, ficar encafuada, de novo, no palácio do Governador, esse castigo já ela tinha cumprido

O Miguel tinha de dizer se aceitava ou não as suas condições, para iniciarem um namoro, que fosse esclarecedor das posições de ambos, para que a união pudesse dar certo.

Continua

 

24
Out24

O Império

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Império  -  As teias que o Império teceu

84

 

O exército de Gungunhana continuou a resistir à autoridade colonial, sob a liderança de Maguiguane Cossa, que só foi derrotado a 21 de Julho de 1897, em Macontene (a 10 km do Chibuto). Com esta vitória, a autoridade colonial foi finalmente estabelecida no sul de Moçambique.

Companhia do Niassa e a ocupação de Cabo Delgado e Niassa

Companhia do Niassa foi formada por alvará régio de 1890, com poderes para administrar as actuais províncias de Cabo Delgado e Niassa, desde o rio Rovuma ao rio Lúrio e do Oceano Índico ao Lago Niassa, numa extensão de mais de 160 mil km². Com o apoio dum pequeno exército fornecido pela administração colonial, formado por 300 "soldados regulares" (leia-se portugueses) e 2800 "sipaios" (indígenas recrutados noutras regiões de Moçambique), a Companhia tentou ocupar militarmente o território a partir de 1899. Teve imediato êxito na conquista das terras do Chefe Mataca (ver Os Estados Ajaua, acima), que tinha abandonado a sua sede, e assegurar uma posição militar em Metarica, no Niassa. Em 1900 e 1902, tomou Messumba e Metangula, nas margens do Lago Niassa.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o território da Companhia foi palco de várias operações de resistência por parte dos chefes locais e invadido pelos alemães (ver Triângulo de Quionga). Para resistir a essa invasão, foi aberta uma estrada de mais de 300 km, entre Mocímboa do Rovuma e Porto Amélia (actual Pemba), o que significou a ocupação efectiva do planalto de Mueda; no entanto, só em 1920 a Companhia conseguiu assegurar essa ocupação, depois de várias operações militares contra os macondes, fortemente armados. Como se verá mais tarde, esta tribo foi um dos primeiros e principais suportes da Luta Armada de Libertação Nacional.

Em 1929 extingue-se a Companhia do Niassa, passando o território para a administração directa do governo colonial. No entanto, as estruturas administrativas, na forma de circunscrições e regulados, asseguradas por agentes do Estado, já tinham sido implantadas em grande parte do território.

Em Angola, o Governador vivia dias de felicidade, desde que a filha mais velha se juntara ao Leopoldo, que esperava que lhe dessem uma neta ou neto

Poucos meses depois, o jovem casal anunciou que a Mité estava gravida, o que fez com que o Governador transborda-se de felicidade. Agora sim, as filhas estavam no bom caminho, tinham deixado de se considerarem muito importantes, aceitando os pretendentes, que juravam amá-las, mesmo que não fossem os príncipes encantados que elas tinham imaginado

Ainda faltavam as outras quatro, mas se um terço já tinha companhia, os outros dois terços, mais tarde ou mais cedo, também a arranjaria, essa era a sua grande esperança, para que um dia tivesse a casa cheia de netas e netos, repleta de alegria

O luto pela mulher, que tanto amava e que lhe deixou seis bonitas flores, a dor da sua partida, na flor da idade, no parto da última filha, para ele era para sempre, mas tinha de transmitir às filhas, que a vida também tinha dias de alegria.

Continua

 

17
Out24

O Império

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O Império  -  As teias que o Império teceu

83

Ela não aceitou, dizendo que o trabalho não era demasiado, e o que pedia, era que se licenciassem e aplicassem a sua sabedoria e tenacidade no desenvolvimento da terra deles, no sentido de melhorar a vida dos seus povos

O Roberto agradeceu-lhe muito, a Marina também, e ambos prometeram tudo fazerem, para cumprirem o seu pedido

Ficaram mais tranquilos, deixaram de se culpabilizar pelo muito trabalho da Anastácia, sentiram que ela os ajudava por amor e que isso a fazia feliz

Viam que ela transpirava de felicidade por tomar conta do Afonso, fazer o jantar, para todos, tomar o pequeno-almoço com eles e o Elisiário, que viera completar o seu sonho: ter uma família, uma casa viva, cheia, sentir-se útil e muito amada, por todos, sem esquecer o Afonso, que cada vez que lhe chamava avó a floria de alegria, bem como ao Elisiário, a quem chamava avô

Dias de muito trabalho e também de muita felicidade, para todos, dava gosto ver como aquelas pessoas se amavam e se ajudavam, pareciam uma orquestra, bem afinada, em que cada um fazia o que houvesse, para fazer, sabendo que quanto mais depressa arrumassem a casa, mais tempo teriam para jogarem uma partida de cartas ou outras atividades, para descontraírem do longo e duro dia de trabalho

Precisamos de férias, de fins-de-semana, nem que sejam pequenos momentos, todos os dias, de descontração, que nos ajudem na arte de viver

 Em 1891, Gungunhana assinou com Cecil Rhodes um acordo relativo a direitos sobre a exploração de minério nas suas terras, a favor da Companhia Britânica Sul-Africana, a troco dum pagamento anual de cerca de 500 libras. Tornava-se claro para os portugueses que só uma acção militar poderia forçar o estabelecimento da autoridade colonial na região. Esta acção, conhecida na altura como "Campanha de Pacificação", foi despoletada pela recusa de Mahazula Magaia, um chefe tradicional da região de Marracuene, em aceitar a decisão do Comissário Residente sobre uma disputa de terras. A questão chegou a vias de facto, quando a guarnição militar portuguesa foi forçada a fugir para Lourenço Marques, perseguida pelos exércitos de Magaia, Zihlahla e Moamba, que cercaram a cidade entre Outubro e Novembro de 1894.

António Enes organizou as suas tropas e, no dia 2 de Fevereiro de 1895, perseguiu e derrotou (embora com dificuldade e pesadas baixas) os atacantes em Marracuene. Este dia continua a ser celebrado naquela vila com uma cerimónia chamada "Gwaza Muthine". Os chefes rebeldes refugiaram-se em Gaza, sob a protecção de Gungunhana. Depois de várias tentativas de negociações com o rei de Gaza, pedindo a extradição daqueles chefes, os portugueses resolveram atacar de novo. A 8 de Setembro, travou-se a batalha de Magul, onde se encontrava Zihlahla e, a 7 de Novembro, uma outra coluna proveniente de Inhambane defrontou-se com o exército de Gungunhana em Coolela, perto da sua capital. Em Dezembro, Mouzinho de Albuquerque cercou Chaimite e prendeu o imperador, que ali se tinha refugiado, mandando-o depois para os Açores, onde veio a morrer.

Continua

 

 

05
Set24

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

77

O Governador não a deixou ir sozinha, acompanhou-a à cooperativa, onde ambos foram recebidos com muita alegria, mas mais alegria houve, quando a Rosinha anunciou que tinha recebido uma carta do Roberto, dizendo que a Marina tinha tido um menino, e que se chama Afonso, por isso estavam muito felizes

Todos foram contagiados pela alegria da avó e do avô, beijaram-se e abraçaram-se, desejando muitas felicidades para os jovens pais e herdeiro, pedindo que o tempo passasse depressa para conhecerem o Afonso e voltarem a ver a Marina e o Roberto

Os avós também fizeram o mesmo pedido, a Rosinha acrescentou que era pena, o   Januário,não estar cá, para participar numa festa tão alegre e bonita

No regresso, enquanto acompanhava a Rosinha a casa, o Governador, que não cabia em si de contentamento, desabafou, dizendo: “ tenho 6 filhas, e foi a mais nova que me deu o primeiro neto, as outras, não compreendo o que querem, continuam a rejeitar os pretendentes, dizem-me que ainda não encontraram os príncipes, que as encantem, deve-lhes ter subido à cabeça o facto de serem filhas do Governador, o que não as torna diferentes das outras

A Marina apaixonou-se pelo seu filho, e como vemos, são um casal muito feliz, e seremos todos muito mais felizes, quando eles regressarem com o nosso Afonso”

Despediu-se da Rosinha, beijando-a e abraçando-a, dizendo que estava muito atrasado, que tinha muitos assuntos para tratar, mas que estava muito feliz, tinha sido um dos dias mais felizes da sua vida, e que, em breve, esperava trazer-lhe mais e boas notícias

A Rosinha agradeceu-lhe por tudo: pelas excelentes notícias e pela companhia, e acrescentou que só queria viver até a Marina e o Roberto regressarem a Luanda, acompanhados do Afonso

O Elisiário, no dia seguinte, não perdeu a oportunidade de ir ver o afilhado e a Anastácia, já não conseguia passar sem os ver todos os dias

Quando a Anastácia lhe abriu a porta, recebeu-o com um sorriso diferente, como que a anunciar que lhe iria dizer que aceitava o seu pedido de casamento

Dirigiram-se para o quarto do Afonso, onde o jovem casal contemplava o fruto do seu amor

Depois de se cumprimentarem e o Elisiário ter observado o afilhado, fez-se um minuto de silêncio, que a Anastácia aproveitou para lhes dizer que, uma vez que a família estava reunida, queria dizer ao Elisiário que, depois de ponderar sobre seu pedido, o aceitava como prova de amor reciproco

Foi um grande momento de alegria e felicidade: beijaram-se, abraçaram-se, todos queriam  que aquela felicidade e alegria se prolongassem para sempre

E, para que tudo ficasse esclarecido, a Anastácia disse ao Elisiário que se podia mudar, lá para casa, assim que quisesse e, se estivesse de acordo, não seriam precisas formalidades

O Elisiário disse que estava completamente de acordo, que no dia seguinte se mudaria lá para casa, e iria trazendo os seus poucos pertences até entregar a chave do quarto ao senhorio

Tirou do bolso do casaco, uma caixinha com um bonito anel, que entregou à Anastácia, esta ficou encantada com o bonito anel, beijaram-se mais uma vez, agradeceu-lhe muito a bonita prenda, pediu-lhe que lho enfiasse no dedo, e que dali em diante seriam mulher e marido.

 

Continua

 

 

 

26
Out23

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

 

32

Um interminável dia acabaria por ser o mais bonito, para a Miquelina e o Ezequiel

Quando ele entrou e a beijou, ela agarrou-se a ele, com as mãos na sua cintura, beijou-o durante tempo sem fim, apertando-o contra o seu corpo, para que sentisse como o seu corpo vibrava de alegria

Ezequiel não sabia o que se passava, para ela não deixar de o beijar, nem deixar de se colar ao seu corpo. Mas ela não parava, nem dizia o que se passava, queria que aquele momento não tivesse fim

Vendo que o Ezequiel estava quase a desesperar, disse-lhe que estava grávida, viu, nos olhos dele, o sorriso mais bonito e brilhante, que só uma grande felicidade conseguem transmitir

Continuaram agarrados um ao outro, agora era o Ezequiel que não parava de a beijar e de a abraçar, foram momentos inesquecíveis e indiscritíveis

Depois de tão grande azar, Salvador de Sá rumou para Luanda, na foz do rio Massangano, uma pequena comitiva desembarcou para avisar o Comandante do Forte de Massangano da chegada de reforços, mas os brasileiros foram aprisionados por nativos aliados dos inimigos, levaram-nos para um posto holandês, no Forte Mols, na foz do rio Cuanza

Sem saber se a comitiva tinha cumprido a sua missão, Salvador de Sá dirigiu-se para Luanda, onde chegou no dia 12 de agosto de 1648

Só dois navios guardavam o porto, o Noort-Holland e o Ouden Eendracht, que fugiram para o alto-mar

Dois pescadores negros, capturados no porto, contaram que a tropa, comandada pelo holndês Synon Pieterzoon, estava com os jagas a combater os portugueses em Massangano, o que ajudou a entrada, de Salvador de Sá, em Luanda, desguarnecida, com apenas 250 holandeses a vigiarem o Forte do Morro e o Forte da Guia  

Também a Rosinha e o Januário, bem como a filha e o filho ficaram muito contentes por saberem que a Miquelina estava grávida, mesmo que as condições, no Forte, não fossem as melhores para nascerem bebés

Isso não impedira que já tivessem nascido muitos, durante os longos anos, que já tinham passado, desde a chegada dos refugiados de Luanda, e muitos mais iriam nascer, porque é a única maneira de preservar a espécie, e naquele tempo não havia nada que ajudasse a combater o natural aumento dos membros das famílias.

 

Continua

 

 

31
Ago23

O Império

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O Império- As teias que o Império teceu

24

Os irmãos continuavam a pôr a conversa em dia. O Ezequiel não queria ser ele, a acabar com a alegria do reencontro, esperou que fosse o irmão a perguntar-lhe pela mãe

Quando o Januário perguntou pela mãe, o Irmão disse-lhe que, infelizmente, a mãe já tinha falecido há seis meses

Januário chorou um pouco, dizendo que tinha tanta pena de que a mãe não tivesse conhecido a Rosinha, a Leopoldina e o Roberto, e foi assim que o Ezequiel soube os nomes da cunhada,  da sobrinha e do sobrinho

Todos tiveram de ficar, mais uma noite, na casa do casal, que acolheu o Ezequiel e a Miquelina, uma vez que a casa do Januário, nos arredores de Luanda, ainda ficava a uns quilómetros

O Januário lamentou o facto de a sua nova casa, em Luanda, ainda não estivesse acabada

Os anfitriões disseram-lhes que podiam ficar o tempo que quisessem, que estavam muito felizes por os terem conhecido e terem tido a oportunidade de os acolher

No dia seguinte, levantaram-se cedo, agradeceram muito o acolhimento, que tinham tido

Prometeram que, quando estivessem a viver em Luanda, voltariam para saberem como tinham passado, desejando-lhes muita felicidades

Os três fizeram-se ao caminho, que era longo. Chegaram, quase ao pôr-do-sol, ainda a tempo de verem a Rosinha, a filha, o filho, a sua mãe e as irmãs com a luz do sol

No dia seguinte, depois de terem tomado o pequeno-almoço, todos juntos, os irmãos  continuaram a pôr a conversa em dia, enquanto as cunhadas, também, tentavam conhecer-se e saber o que ambas pensavam, no futuro, fazer

O Januário falou ao irmão sobre o bom negócio da compra e venda de escravos, o que entusiasmou o Ezequiel

A Rosinha continuava contra o negócio da compra e venda de seres humanos, defendendo que deviam procurar outro meio de sobrevivência

A Miquelina, também, disse que não tinha ficado em Luanda, para viver à custa do sofrimento Humano

O Januário continuava a dizer, que só o fazia para tentar libertar o sogro e os cunhados

Elas disseram-lhes que não aceitariam, por muito tempo, esse comportamento, porque não podiam permitir, que os filhos, gerados nos seus úteros, fossem mercadorias, que pudessem ser vendidas e compradas, como se fossem um qualquer produto vendável

Comprometeram-se a tentar arranjar uma alternativa, mas não sabiam como

Interrogando-se, por que razão é tao difícil ganhar a vida honestamente?

Continua

 

 

 

 

 

    

18
Mai23

O Império

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O Império – As teias que o Império teceu

9

O Casalinho estava cada vez mais feliz, a Rosinha já beijava e abraçava o Januário, com alegria, sem qualquer receio, o que fazia com que ele se sentisse muito feliz

Mas, o facto de nem sempre conseguirem entender-se dificultava uma convivência normal, a língua era o seu maior problema. Mas ela iria continuar a tentar que ele percebesse que era essencial dar as boas notícias à sua família

Por outro lado, o Januário queria dar outro rumo às suas vidas, mais tarde ou mais cedo a sua Rosinha ficaria grávida, e era preciso encontrar maneira de dar aos seus filhos as melhores condições de vida  

Depois de uns meses de lua-de-mel, a barriga da Rosinha começou a crescer, ambos ficaram muito felizes em breve, seriam pais

Foi graças à sua gravidez, que a Rosinha conseguiu convencer o Januário a procurarem a sua família, porque era preciso que na altura do parto, pudesse ter a seu lado, alguém que já    tivesse  passado por essa experiência, para a ajudar

A seguir à alegria, seguiram-se as preocupações, não sabia como seria o futuro, já não se tratava só das vidas deles, mas do bebé, que estava para nascer

Passados alguns dias conseguiram entender-se e foram procurar a família dela, que não vivia muito longe

Tinha um grande terreno, fora da cidade, no lado oposto ao que eles escolheram para passarem os primeiros meses de união, com três cubatas

A mãe e as três irmãs ficaram muito contentes, já a tinham dado como morta, correram para ela, beijaram-na e apertaram-na contra elas, a mãe passou-lhe a mão pela barriga e sorriu, parecendo dizer-lhe que estava muito feliz por estar prestes a ser avó

O Januário esteve a apreciar o reencontro, sem saber qual seria a reação delas, até que a sua Rosinha o foi buscar e apresentou-o à sua família

Não percebia nada do que diziam, mas pelo seu semblante e pela maneira carinhosa com que o receberam, percebeu que não teria dificuldade em integrar-se naquela família

No entanto, não estava completamente tranquilo, tudo aquilo poderia não passar de uma armadilha para o eliminarem, cabia-lhe a ele, agora, sentir o que a Rosinha sentiu quando a raptou, com a diferença de que estava confiante na sua pistola para se defender

Nem a Rosinha sabia que ele tinha uma pistola, mas tinha medo que elas a descobrissem quando ele estivesse a dormir, e aproveitassem para o matar

Foram dias de muita ansiedade para o Januário, não conseguia dormir, a Rosinha percebeu que ele estava diferente, que não tinha a alegria de quando estiveram sozinhos

Tentou dar-lhe mais atenção, fazer o que faziam antes: passearem nas matas para colherem frutos para comerem e também o foi integrando no dia-a-dia da família, para que se sentisse membro de pleno direito.

Continua

 

 

25
Jul22

Água!

cheia

Água!

Mais um quente verão

Dizem que, cada vez, serão mais quentes

Queixam-se as sementes

Que com tão alto calor, não conseguem germinar

Queixam-se as pessoas, as árvores, os peixes, que estão a asfixiar

Sem água, como é que podem respirar e nadar!

Como é que vão fazer, para tanta gente alimentar?

Se a água continuar a escassear, vamos ter de nos adaptar

A muito menos água gastar e deixar de a desperdiçar

Caía do céu, com abundância!

Mas, começou a faltar, e se assim continuar

Temos de a ir buscar ao mar

Vai ficar muito mais cara

Que remédio, se o céu deixou de a dar!

Cansou-se de ver como a estragávamos

Agora, vamos ter de aprender como utilizá-la

Não há nada como a Natureza, para nos castigar e ensinar como a respeitar

Vamos ter de, a água, poupar

E de a valorizar, como se de ouro se tratasse

Água é fonte de vida!

Não podemos continuar a desperdiçá-la

Temos de reutilizá-la, armazená-la, não a deitando toda ao rio

Que vai ficando vazio, fazendo com que tudo, o que dele dependia esteja a morrer

Os espelhos de água são bonitos de se ver

Onde os pensamentos podemos esconder e sabedoria beber

Quando abrirem a torneira, admirem a alegria de a ver correr

Poupem-na, para que não deixem de a ver.

 

José Silva Costa

01
Dez21

Bem-vindo, Dezembro

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Bem-vindo, Dezembro

 

O mês mais aguardado

Por miúdos e graúdos

O mês dos encontros e reencontros

Da festa do Natal e ano Novo

Da troca de prendas, abraços e beijos

De votos de muitas felicidades e próspero Ano

Por todo o lado, anuncia-se o Natal

Montras enfeitadas com estrelas e pais natais

Luzes a brilharem nas ruas, nas montras, por toda a parte

É a melhor altura, para usar toda a arte

Para tudo vender e espalhar felicidade, que farte

Tudo o que seja para festejar o Natal e Ano Novo está esgotado

Estava tudo cansado, ansioso, desgostoso, esfomeado

Por há muito não termos um mês tão maravilhoso

Como é bom ver o nosso povo alegre e contente

Festejar com entusiasmo e esperança o Natal e o Ano Novo

Como se fosse começar um mundo novo

Aproveitemos esta euforia, para festejar, em cada manhã, um novo dia

Escutemos a última e mais bela melodia

De uma coisa temos a certeza, vamos ter um novo ano

E, isso é motivo para abrimos os braços de esperança

Como seria bom, que todos os meses fossem Dezembros!

Ver as crianças espalhar toda a sua alegria

Rezar ao Pai natal, que não se esqueça de os abençoar

E os adultos desejarem, uns aos outros, Feliz Natal e Bom Ano Novo

Não há mês, que te igual!

Fazer parar o Mundo inteiro

Para o Menino adorar

Numa ceia, toda a família e amigos, juntar

Não há magia nem alegria, como ver as crianças, as prendas, desembrulhar

José Silva Costa

 

 

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