Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola (2)

 

 

Professora, alunos e pais havia muito que esperavam o mobiliário e material didático

Todos ansiavam pela chegada do que lhes tinha sido prometido, no sentido de, pelo menos, no interior, aquele espaço se assemelhar a uma Escola, uma vez, que vista de fora, quem não soubesse, dificilmente diria que funcionava ali uma Escola!

Já o segundo período ia avançado quando, numa manhã de sol radioso, avistaram uma carroça, da Câmara Municipal de Mértola, puxada por um macho, conduzida por um funcionário da respetiva Câmara, carregada de material.

A professora mandou todos saírem, ninguém conseguiria, depois de avistarem a carroça e saberem que transportava o material tão aguardado e desejado, que voltassem a dar atenção ao que a professora lhes estava a ensinar.

Quando saíram já a carroça vinha a meio da descida, já tinha deixado para trás a estrada principal, sempre vigiada pelo gigante marco geodésico.

Todos quiseram participar, ajudando a descarregar a carroça, transportando as coisas mais leves, com a alegria de quem tem nas suas mãos uma ferramenta, para construir o futuro

O funcionário começou por fixar, na parede norte, o quadro preto, do lado direito penduraram os mapas, por cima do quadro, a meio, colocaram o crucifixo, do lado esquerdo a cadeira e a secretária da professora, no resto da sala as carteiras dos alunos, com os tinteiros brancos incrustados.

Também receberam uma caixa de giz, um globo e umas canetas de madeira com um aparo metálico.

Foi mais um dia inesquecível, no ano do nascimento da Escola

Passados uns dias, começaram a frequentar a Escola, dois irmãos gémeos, vieram de outra Escola, deviam ter dez ou mais anos.

Decorreram poucos meses, até que um dia os rapazes fizeram qualquer coisa de que a professora não gostou, castigou-os com varias reguadas.Como o dia estava quente, as duas janelas da sala de aula estavam abertas, os dois rapazes correram para as janelas, saltaram para a rua, aos gritos: “ vou dizer à minha mãe”, e a correrem pela rua acima em direção à estrada principal.

Nunca mais voltaram para aquela Escola!

Entretanto aproximava-se o fim do ano letivo, os alunos da primeira e segunda classes foram a São Pedro de Solis, onde lecionava uma professora oficial, prestar provas.   

Passaram todos, estava terminada a primeira etapa.  (continua)

 

 

José Silva Costa

  

 

 

 

 

publicado por cheia às 19:50
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8 comentários:
De HD a 29 de Janeiro de 2018 às 20:39
Como se dava valor a todas as pequenas coisas... *_*


De cheia a 29 de Janeiro de 2018 às 22:00
Foi uma grande revolução, mesmo com todos os seus defeitos, a criação do ensino obrigatório foi uma grande luz, fazendo com que as pessoas aprendessem a ler!


De omeumaiorsonho a 29 de Janeiro de 2018 às 21:11
É tão bom recordar ;)


De cheia a 29 de Janeiro de 2018 às 22:05
Recordar e dar a conhecer como algumas coisas nasceram.


De Carlos a 29 de Janeiro de 2018 às 21:20
São memórias fortes de quando tudo era tão diferente!
Abraço.


De cheia a 29 de Janeiro de 2018 às 22:18
Acho que nunca houve uma aceleração tão grande, como a que temos visto! Tudo mudou muito em pouco tempo!

Um boa semana
Aquele abraço


De O ultimo fecha a porta a 30 de Janeiro de 2018 às 22:40
Agora já não há reguadas. Bom? Mau? O problema é quando se passa para o outro extremo da insolência.


De cheia a 31 de Janeiro de 2018 às 22:45
Nem oito, nem oitenta. O difícil é educar com autoridade e liberdade.


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