Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola       (1)

 

 

Estávamos em Outubro de 1951

 

José teve a sorte de ter sido criada uma escola, num monte a um quilómetro do monte onde vivia, o que fez com que entrasse para a escola com seis anos.

No Lobato, alguém ofereceu uma casa com duas ou três divisões, para ali nascer uma escola

Três ou quatro professoras foram ver o local, para onde iriam trabalhar, mas só a última aceitou criar uma Escola, numa casa particular, com quatro paredes, seis ou sete cadeiras, uma ou duas mesas, nada mais!

A professora era uma jovem muito determinada e apostada em tirar as crianças dos trabalhos no campo, para que aprendessem a ler e escrever.

Eram pouco mais de meia dúzia, de varias idades, entre os seis e os onze anos.

Poucos pais tinham a perceção de que mandar os filhos à escola era o melhor para o seu futuro. Eles não tinham ido à escola e conseguiam governar a vida. Portanto, ainda não se tinham apercebido de quanto era importante saber ler e escrever.

Passado um ou dois meses, a professora vendo que não apareciam mais alunos, decidiu ir com eles até ao Monte Santana, para informar os pais, de que era obrigatório mandar os filhos à Escola.

Foi uma manhã diferente: a professora à frente, os alunos atrás dela, por um caminho, que ligava as duas povoações. A imagem era a de uma galinha com uma ninhada de pintos a tentarem aninharem-se debaixo das suas asas.

A meio caminho encontraram um homem e o filho a trabalharem numa horta. Pararam, cumprimentaram-nos, e a professora questionou o senhor, perguntando-lhe se sabia que era obrigatório mandar o filho à Escola? O pai do rapaz disse: “ se a senhora lhe der de comer”

Sem trocarem mais palavras, seguiram para o Monte Santana, onde a professora tentou, junto de mães e país, sensibilizá-los para a importância de mandarem os filhos à Escola.

Os primeiros dias de aulas foram para aprender a escrever as vogais e os algarismos. Mas, José não encarreirava com o número nove: a professora dizia-lhe que era uma bolinha com um pauzinho do lado direito, e ele colocava-o do lado esquerdo, fruto de lhe terem, em bebé, atado o braço esquerdo ao pescoço, para que não fosse canhoto? A professora resolveu o problema dando-lhe uma palmada, o que fez com que não voltasse a colocar o pauzinho do lado direito, mas o sentido de orientação não teve conserto, ficou baralhado, para o resto da vida!

Tudo corria normalmente, até que numa manhã, por volta das dez horas, uma rapariga pediu à professora para ir lá fora, o que significava ir fazer as necessidades. Mas, a professora não a autorizou porque estava quase na hora do intervalo, pouco depois a rapariga abriu as pernas e regou a sala de aulas. De seguida a professora mandou todos para o recreio, sem qualquer referência ao sucedido. Nem os rapazes, nem as raparigas usavam cuecas: elas usavam vestidos e eles calças ou calções!      (continua)

 

 

José Silva Costa

 

 

publicado por cheia às 20:46
link do post | comentar | favorito (1)
14 comentários:
De HD a 22 de Janeiro de 2018 às 21:12
Tempos antigos, que boas descrições :-)


De cheia a 23 de Janeiro de 2018 às 19:21
Senão conhecermos o passado, não valorizamos o futuro!


De Robinson Kanes a 22 de Janeiro de 2018 às 21:38
A seguir com atenção...


De cheia a 23 de Janeiro de 2018 às 19:26
Agradeço a atenção.


De Carlos a 22 de Janeiro de 2018 às 23:17
Aguardo o resto...
Detalhes de um ensino antigo com mais conteúdo do que aquele que hoje em dia os nossos miúdos estão habituados!
Grande abraço.


De cheia a 23 de Janeiro de 2018 às 19:29
Muito obrigado pelo teu interesse.


Um grande abraço


De O ultimo fecha a porta a 22 de Janeiro de 2018 às 23:29
Aguardo a 2ª parte


De cheia a 23 de Janeiro de 2018 às 19:38
Estou muito grato pelo incentivo para continuar.


De jabeiteslp a 23 de Janeiro de 2018 às 08:00
Tempos do arco da Velha José

Boa Semana


De cheia a 23 de Janeiro de 2018 às 19:41
Não! Era tudo bem novo.

Uma boa semana


De omeumaiorsonho a 24 de Janeiro de 2018 às 14:53
É uma história real certo?


De cheia a 24 de Janeiro de 2018 às 20:34
Sim. É a descrição do nascimento da minha Escola Primária.


De Alfacinha a 25 de Janeiro de 2018 às 09:56
Embora já passasse no século passado Reconheço bem esta situação. Não usávamos cuecas


De cheia a 25 de Janeiro de 2018 às 21:25
Sim. Foram anos muito difíceis, principalmente devido à segunda Guerra Mundial.
Muito obrigado pelo seu comentário.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
13
14

15
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.posts recentes

. Abril

. Prémio indesejado

. Avós

. O centenário

. Individualismo

. Primavera

. Fabricantes de impostos!

. O Dia!

. Solidariedade

. A ver o mar

.arquivos

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. todas as tags

.favorito

. As histórias do National ...

. Quem disse?

. One Smile a Day com.. a M...

. E se eu casasse com algué...

. Entre Flores Primaveris d...

. Palhaço

. 006, Licença para Gastar!

. Apoio à natalidade: Crech...

. No Reino do porreiro pá.

. No Reino do porreiro pá -...

blogs SAPO

.subscrever feeds