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14
Jan18

As meias de vidro

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As meias de vidro

 Estávamos em Julho de 1955

 Chegara a altura dos exames da Quarta Classe

 À Vila de Mértola tinham acorrido os alunos e familiares, de todas as escolas do Concelho, para prestarem provas.

José, pela primeira vez, na vila, estava encantado com o rio e o gasolina, o barco, que não sei quantas vezes, por semana, fazia a ligação entre Mértola e Vila Real de Santo António, descendo e subindo o Guadiana

José, assim que podia corria para o Mercado Municipal, que tem uma vista espetacular para o rio, a moagem que existia no outro lado do rio e as fundações, para a construção da ponte, que estavam a começar

Alice com vinte e oito anos, já com três filhos, acompanhou o mais velho, para a prestação das provas.

Deixou os dois mais novos com o marido; tinham de passar, pelo menos, uma semana, na Vila

Sem meios para pagar uma pensão, um senhor da GNR emprestou-lhes uma casa que estava desabitada.

Pela primeira vez tinham de fazer as necessidades dentro de casa, para um balde, que um funcionário da Câmara Municipal, todos os dias, vazava para uma carroça metálica.

No primeiro dia da prova escrita, muito borborinho e nervosismo, professoras regentes e oficiais davam nas vistas, com as suas meias de vidro a contrastarem com as meias das mães dos alunos, quase todas com meias opacas, muitas e muitos nunca tinham visto tais meias!

Dias depois, foi a prova oral, José foi o primeiro a ser chamado ao quadro, professores e professoras ainda estavam a trocar impressões, não sei se sobre os exames!

José não chegava ao quadro, ficou à espera que alguém reparasse que não podia iniciar a resolução dos problemas, passaram uns intermináveis minutos, até que um professor reparou no que se passava e disse: “ oh rapaz, não chegas ao quadro, vamos já colocar um banco!”

Passada uma longa manhã, já muito para lá das treze horas, finalmente, a afixação das pautas com os resultados, todos se dirigiram para a vitrina, nem todas e todos tiveram a mesma sorte

A palavra “aprovado”, nunca mais se esquece.

José Silva Costa

 

 

 

 

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