O Império
O Império - As teias que o Império teceu
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O zico, depois de ouvir os cooperantes, marcou a assembleia geral, muito aguardada por todos, principalmente pelo novo Governador, que queria saber por que razão a Cooperativa parecia ter tanta força e era tão acarinhada por todos
O Xavier, cada vez, estava mais orgulhoso por ter sido escolhido, pelo Rei, para governar a colónia de Angola. A viagem ao Congo tinha-o deixado deslumbrado, não só pela recção, mas, também, pela riqueza da paisagem, que vira, durante toda aquela jornada
Queria relatar todos os pormenores ao Rei, para que ele sentisse, quão grande era a alegria de ser, de tal gente, Rei, como dizia o Ex-rei do Congo, que não se cansava de dizer, que o Império Português, para além de ser o maior, tinha uma gente diferente, capaz de se envolver com pessoas tão diferentes, fosse qual fosse o Continente
Chegado o dia da assembleia Geral da Cooperativa, as suas instalações foram insuficientes, para acolherem tanta gente, nada que atrapalhasse a multidão, que já sabia, que o terreiro, também, era a sua sala de visitas
O Zico abriu a sessão agradecendo ao Governador a sua presença, dizendo que todos lhe estavam muito gratos, pelo interesse demonstrado pelos povos de Angola e pelo seu progresso
Assim, queriam aproveitar a sua presença, para falarem de um assunto, que muito os preocupava: a educação dos seus filhos
Os tempos estavam a mudar, todos ambicionavam saber ler e escrever, ter acesso aos estudos liceais e universitários, sabiam que não eram para todos, mas era preciso, escolas começar a construir, para que um dia alguns conseguissem lá chegar
Continuou, dizendo que Luanda se tinha tornado muito diferente, para melhor, desde que o Roberto se dedicava a ensinar, o muito que sabia, a quem o quisesse acompanhar: os seus ensinamentos tinham contribuído para melhorar as habitações, a alimentação, as produções, a convivência: tudo
A seguir foi a vez da Marina, usar da palavra, para dizer quanto estava agradecida por ter tido oportunidade de conhecer a Metrópole, acompanhada do Roberto, o seu marido, ter tido o privilégio de estudar em Coimbra, assim como ele, onde tinham aprendido o que procuravam colocar ao serviço de todos os angolanos
Por todos verem que o conhecimento contribui para melhorar as suas vidas, é que os cooperantes tinham decidido convocar aquela assembleia geral, no sentido de pedirem ajuda ao Governador, que intercedesse junto do Rei, para que a Colónia pudesse mandar dois jovens, para a Metrópole, para estudarem em Coimbra.
Continua.
