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31
Jan22

Pais (7)

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Pais (7)

Acabado o mês de agosto, voltam à rotina: os pais regressam aos seus trabalhos e os filhos aos seus estudos

Os bailaricos e os namoricos ficavam para o próximo ano. Mas os amigos, da Inês e do Pedro, sabendo que eles tinham sido adotados, questionaram-nos se sabiam alguma coisa da sua família biológica

Responderam que os seus pais tinham morrido num acidente de viação, quanto ao resto da família não sabiam de nada

Poucos dias depois de regressarem de férias, disseram aos pais que gostavam de saber que família é que tinham dos pais biológicos

A Ana e o Francisco disseram-lhes que faziam muito bem em se interessarem pela família biológica, e assim que pudessem, iriam à terra da mãe e do pai, para saberem que familiares é que tinham

Quando tiveram o primeiro fim-de-semana livre, rumaram ao Norte, para a aldeia dos pais biológicos

Tinham dois tios por parte da mãe e uma tia e um tio por parte do pai   

Trabalhavam nas terras herdadas dos pais, em conjunto com os irmãos, ainda não tinham feito as partilhas, tanto uns como os outros viviam das terras herdadas

No sábado, quando chegaram à aldeia, ainda os tios e primos andavam a trabalhar no campo

Esperaram que regressassem a casa, os vizinhos já os tinham informado, onde viviam os tios e a tia

Os primeiros a chegarem foram os irmãos da mãe, um tinha dois rapazes e o outro uma rapariga e um rapaz

Ficaram muito contentes por voltarem a ver os sobrinhos e conhecerem os pais adotivos, não os tinham voltado a ver desde o acidente, justificando que não tinham tido oportunidade de ir a Lisboa, para onde os tinham levado, por todos os dias terem de tomar conta dos animais e trabalharem as terras

Apresentaram-lhes, as esposas, os primos, a prima, que eram pouco mais velhos, que a Inês e o Pedro

de um minuto para o outro ganharam mais oito familiares: dois tios, duas tias, três primos e uma prima, por parte da mãe

como já era tarde, a visita à tia e ao tio, por parte do pai,  ficou para o dia seguinte: domingo, o único dia de descanso, e era aproveitado para irem à missa

No domingo, depois da missa, dirigiram-se, primeiro à casa da tia, que também ficou muito contente por voltar a ver os sobrinhos e conhecer os pais, apresentou-lhes os dois filhos e o marido, convidou-os para almoçarem, mas eles disseram que não podiam aceitar, porque ainda tinham de ir visitar o irmão dela, tendo de seguida voltar para Lisboa, que era uma viagem muito longa. De seguida foram visitar o irmão do pai, que lhes apresentou a esposa e as duas filhas.

Ficou, também, muito feliz por voltar a ver os sobrinhos e conhecer os seus pais.

Também os convidou para almoçar, mas eles voltaram a recusar, porque tinham de voltar para casa.

Continua

 

 

27
Jan22

Pais (6)

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Pais (6)

Ao longo dos anos foram experimentando o que pensavam ser do seu agrado, mas como em tudo, só depois de se experimentar é que se sabe do que se gosta

A Inês acabou por escolher a natação e o Pedro o futebol. Mas o que os pais queriam era tirá-los dos ecrãs, sem ser à força, porque os computadores e os telemóveis vão ser os responsáveis por muitas miopias, uma doença irreversível, que vai atacar muitos dos jovens, que passam os dias sem verem o sol

O melhor estratagema, para os tirar dos computadores, é proporcionar-lhes uma atividade, que os entusiasme tanto ou mais que estar on-line

Faziam uma grande ginástica para acompanharem os filhos nos tempos livres, quando não dava para irem os quatro juntos, ia um par para cada lado, a Ana gostava de acompanhar o filho ao futebol

Desde o primeiro dia que tinha ficado horrorizada com o comportamento dos pais de miúdos de 10 ou 11anos, incentivando-os, sonhando com grandes craques, que fossem famosos e ganhassem milhões

Pais e mães gritavam de fora do campo: “ vai para cima dele, dá-lhe uma canelada, uma cotovelada, corre, remata, rasteira-o”

A Ana não queria acreditar no que via e ouvia, tinha de fazer alguma coisa, mas sentia-se um soldado contra um exército

Disse ao filho para nunca magoar, intencionalmente, os colegas ou os adversários, porque seria o suficiente para o tirarem do futebol

Quando contou, ao Francisco, o que se passava, este ficou curioso e disse que também queria ver o horrível espetáculo, porque nos poucos dias em que acompanhou o filho ao futebol, ou não houve, ou estava tão embevecido a ver o filho, que não deu por nada

Não sabiam o que fazer, mas não queriam enfrentar meia centena de pais enfurecidos a incentivarem os seus rebentos para serem grandes craques da bola

O melhor seria falarem com o presidente do clube e o treinador

Entretanto chegaram as férias grandes, e a Inês e o Pedro foram para casa dos avós, que cada vez estavam mais orgulhosos dos netos

Os netos são as flores dos avós, e este gostavam de apresentarem as suas lindas flores a todos os que regressavam de férias, vindos dos diversos países, onde estão emigrados, e enchiam a aldeia, de nova vida

Já não passavam sem o mês de férias dos netos. Quando as férias acabavam, sentiam que a casa ficava sem vida, e sonhavam com as férias do próximo ano

Também os netos não se importavam que as férias continuassem, o convívio com os filhos dos emigrantes tinha-se intensificado nos bailaricos e nos namoricos, fazendo com que as despedidas fossem dramáticas, porque os namoros na adolescência são, sempre, platónicos

O mês de Agosto é um mês de férias, um mês de sonhos, o mês, por todos, mais desejado.

Continua

 

24
Jan22

Pais (5)

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Pais (5)

O amor vence tudo!

O Francisco conseguiu, nos dias em que ela não podia, tomar conta dos filhos, para que ela descansasse

Foram dias de menos encantamento e de muito trabalho, até por que os miúdos começaram com birras, que são naturais, mas que os pais não desejam

As férias escolares traziam-lhes, sempre, muitos problemas, como acontece a todas as famílias que não têm apoios familiares

Não tinham nenhuns familiares em Lisboa, tinham vindo da província, para estudarem

Bem gostavam que os pais estivessem mais perto, para que se familiarizassem com os netos, e os ajudassem a criá-los

Assim que adotaram os filhos, foram visitar os pais, para que a Inês e o Pedro conhecessem os avós, tanto do lado da mãe como do pai

Foi um fim-de-semana em casa dos avós maternos e outro em casa dos avós paternos, não foi o suficiente para criar a intimidade, que os pais desejavam que houvesse entre avós e netos

Queriam evitar o que, infelizmente, acontece com tantos avós e netos, que mal se conhecem, ou nem se conhecem!

Sabiam que não era fácil, porque não era com três ou quatro visitas por ano, que iriam ter a intimidade, como se lhe tivessem mudado a fralda ou dado o biberão

Estes netos, ainda-por-cima, tinham aparecido já crescidinhos, com três anos, e não eram filhos dos filhos

Para que os filhos passassem mais tempo com os avós, a Ana e o Francisco queriam aproveitar as férias de verão, para passarem mais tem com os seus pais

Tanto os pais da Ana como os do Francisco viviam no campo, tinham as terras para amanhar e os animais para tratar, mesmo assim tentavam receber o melhor possível os filhos e os netos

Não tinham muito tempo para lhes dar atenção, tentavam ser simpáticos, mas não eram aqueles os netos que esperavam

Com o passar dos anos, foram afeiçoando-se aos miúdos, que gostavam muito de ir passar as férias grandes com os avós, correr por os campos, em liberdade, e dizerem que queriam ajudar os avós

A Ana e o Francisco não podiam estar mais contentes, por os filhos e os avós se entenderem tão bem, passavam um mês em casa dos avós maternos e outro na dos avós paternos

Para os pais era muito importante que convivessem com os avós, que se apercebessem das diferenças entre a vida no campo e na cidade, que tivessem atividades extra curriculares

Mas não são daqueles pais, que acham que os filhos devem passar os tempos livres a correrem, de um lado para o outro: do balé, para esgrima, para a natação, para o judo, para o futebol……sem tempo para brincarem e fazerem o que realmente gostam. 

Continua

20
Jan22

Pais (4)

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Pais (4)

 

 

Tanto a Maria como o Francisco, com o passar dos anos, progrediram nas suas carreiras, assumindo cargos, que lhes exigiam mais disponibilidade e mais tempo, o que fazia com que não pudessem dar aos filhos a atenção que eles mereciam e que eles lhes queriam dar

Ainda pensaram contratar uma empregada para tomar conta deles, enquanto não chegavam do trabalho, mas resolveram não o fazer, porque no seu entender as instituições têm de dar possibilidades aos pais de serem pais

Enquanto for necessário leva-los à cresce ou à escola, um ou os dois devem poder fazê-lo, bem como jantar e tomar o pequeno-almoço com eles, deitá-los e acordá-los, porque ser pai e mãe é estar presente no dia-a-dia dos filhos, educando-os e vendo-os crescer

Educar os filhos é muito difícil, o que faz com que os filhos só compreendam, algumas exigências dos pais, quando são pais

A Maria e o Francisco já tinham definido o que fariam para educarem os filhos: não mentir, dar o exemplo, tentar ser parcial para evitar os ciúmes, confirmar o que cada um decidisse, nunca dar a ideia de que os pais se podem portar como os amigos, porque os pais nunca podem deixar de ser pais para rivalizarem com os amigos dos filhos

Um grande problema dos pais adotivos é dizerem a verdade sobre a origem dos filhos, mostrando-se inseguros, mentindo-lhes, com receio que descubram quem são os pais biológicos, fazendo com que se vierem a saber a verdade se revoltem, por lhes terem mentido

A Maria e o Francisco, assim que acharam que era altura dos filhos saberem quem eram os pais biológicos, contaram-lhes o que tinha acontecido

Num desastre de automóvel, onde seguiam os quatro, os pais falecerem e eles saíram ilesos, como já não tinham avós e as tias e os tios não tinham possibilidades de ficarem com eles, foram para uma instituição, que tomou conta deles até os terem adotado como filhos

Mas caso os pais fossem vivos, dir-lhe-iam, e caso quisessem conviver com eles, podiam

 Faze-lo

Os filhos não são propriedades dos pais, a estes cabe o papel de os criar e educar, o futuro é deles

Depois do encantamento de ser mãe e de fazer tudo o que podia, a Maria começou a dar sinais de cansaço

Muito trabalho, e nos dias em que estava de serviço nas urgências, chegava a casa sem paciência para tomar conta dos filhos

Custava-lhe não puder dar-lhes banho, acompanhar as refeições, deitá-los e acordá-los

Mas o seu corpo não o consentia, e devido à exigência da sua profissão, tinha de descansar, para continuar a desempenhar o seu trabalho com a exigência que lhe era reconhecida.

Continua

 

17
Jan22

Pais (3)

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Continuação (3)

 

Para a Maria e para o Francisco tinha chegado o dia mais aguardado

Iam buscar a Inês e o Pedro, que já os reconheciam e ficavam muito sorridentes, correndo para os seus braços, fazendo com que os futuros pais ficassem tão felizes, esquecendo-se do muito trabalho que iriam ter com eles

Estavam de férias, tinham um mês para se adaptarem à rotina de tratarem de duas crianças  

Mal entraram na sala onde eles estavam com a educadora e os outros meninos e meninas, a Inês e o Pedro correram para a Maria e para o Francisco, a educadora sorriu, estava muito feliz, por saber que ia entregar, os seus meninos, a um casal de quem eles gostavam

As funcionárias e os funcionários das Instituições, que substituem os pais, tomando conta das crianças, vinte e quatro horas por dia, quando as entregam aos adotantes, desejam que tudo corra bem, que sejam amados por os que os escolheram para seus filhos

Para a Maria e para o Francisco foram umas férias muito diferentes, nas primeiras noites quase não dormiram, tinham receio que lhes acontecesse alguma coisa

Mas com a passagem dos dias, começaram a acalmar, puderam desfrutar das brincadeiras com os filhos, saborear os seus beijos e os abraços

Foram trinta dias de férias de muito trabalho, mas foram, até aí, as mais belas férias das suas vidas, cheias de felicidade e alegria

Os últimos dias foram de nervosismo, porque tinham de os deixar no infantário, de se separar deles, não sabiam como iriam reagir, pois poderiam pensar que tinham sido, novamente, entregues a estranhos

Para minimizar a separação, deixaram-nos três dias seguidos, umas horas, no infantário, para se irem habituando à nova rotina

Mesmo sabendo que eles se tinham portado bem, durante as poucas horas, nos três dias de ambientação ao infantário, a Maria e o Francisco estavam tristes e nervosos por terem de se separar deles, depois de terem estado juntos durante um mês

Entregaram-nos no infantário, mas nos primeiros dias as despedidas são, sempre, difíceis, disseram-lhes que assim que saíssem do trabalho os iriam buscar

Aos seus locais de trabalho, Maria e Francisco regressaram felizes, de cada vez que falavam dos filhos, os seus olhos irradiavam alegria, mostravam as fotografias tiradas durante as férias, falavam das aventuras e peripécias, cada palavra era um hino de amor, aquelas crianças tinham dado sentido às suas vidas. Agora, viviam para eles, só pensavam no seu bem-estar, queriam proporcionar-lhes o melhor da vida.

Continua

 

13
Jan22

Pais! (2)

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Continuação   (2)

 

Ele continuou a beijá-la e a acaricia-la, dizendo-lhe que poderiam adotar uma criança, que havia muitas crianças institucionalizadas, à espera de um colo de pais

 por muito boas e bem organizadas que fossem as instituições, nunca lhes poderiam dar

A solução do Francisco aliviou-lhe um pouco o sofrimento, e o facto de não a ter culpabilizado,

foi a confirmação de que tinha escolhido o companheiro certo

Os meses passavam, mas a Maria não conseguia vencer a tristeza de não poder ser mãe

O Francisco achou que estava na altura de irem visitar uma instituição, para tentarem adotar uma criança

Foram visitar uma instituição onde mais de uma centena de crianças e jovens aguardavam por uma família

Encantou-os um casal de gémeos, de três anos, gostaram tanto dos bebés, que estavam prontos para adotarem os dois

Mas queriam ter a certeza de que aqueles bebés eram os que queriam para serem os seus filhos

Assim, pediram aos responsáveis pela instituição, se poderiam levar os bebés ao fim-de-semana, nas férias, para se irem afeiçoando aos novos membros da família

Sempre que tinha um dia livre, um fim-de-semana, férias iam buscar A Inês e o Pedro, passavam o tempo a mimá-los: beijinhos, colo, jogos, iam ao jardim para experimentarem todos os obstáculos, deliciavam-se a fazerem comida e a vê-los comerem

Nem davam pelo tempo passar. Cada vez custava-lhes mais terem dos irem levar à instituição

Queriam quanto antes pintar e mobilar o quarto deles. Nas paredes e no teto queriam pintar a lua, o sol, as estrelas, flores, pássaros

Andavam tão entusiasmados e felizes a construírem o ninho, para os filhos, que pareciam os pássaros, só que estes constroem o ninho antes de terem os filhos, e eles já tinham os filhos e ainda não tinham acabado o ninho

Já não podiam passar sem eles: a casa ficava vazia, as preocupações, se estariam bem, se teriam comido, dormido, não os deixava sossegados, mesmo contatando todos os dias a pessoa que tomava conta deles

Desde o início da adoção, tinham decidido que quem escolhessem, depois de lhes ser entreguem, seria o seu filho ou filha, como escolheram um casal, seriam os seus filhos, como se fossem biológicos

Não compreendiam que alguns casais devolvessem as crianças adotadas, porque chegavam à conclusão que não era o que queriam, um procedimento inadmissível, que muito traumatizava, os que já compreendiam que tinham sido recusados, não lhes bastando terem tido o azar de se encontrarem naquelas instituições, sem o carinho dos pais

As crianças adotadas não são coisas que adquirimos e possamos devolver, como também não o fazemos com os filhos biológicos, que temos de nos contentar com o que nos calhar.

 

Continua 

 

 

11
Jan22

Pais!

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Pais

 

Foram, sempre, colegas no jardim-de-infância, na primária e no secundário

Muito amigos, confidentes, faziam parte do grupo de amigos de ambos

Só se separaram quando foram para Universidade: a Maria escolheu Medicina, o Francisco foi para Direito 

Filhos de famílias da classe média. Mantiveram sempre o contato durante os anos da Universidade

Assim que acabou a licenciatura, o Francisco pediu namoro à Maria, que aceitou imediatamente

Pouco tempo depois passaram a viver juntos. Mas à Maria ainda faltavam alguns anos, para completar a formação

Ambos gostavam muito de crianças. À pressa do Francisco em ser pai, a Maria disse que só pensaria na maternidade, depois de acabar a especialidade em obstetrícia

O Francisco fez o estágio numa sociedade de Advogados, onde ficou a trabalhar

Eram um casal exemplar, muito amigos e compreensivos um com o outro, mesmo quando o trabalho os fatigava e separava

Mal acabou a especialidade, a Maria foi colocada na maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa

Com a vida estabilizada, o Francisco lembrou-lhe que estava na altura de serem pais, com o que ela concordou

Passavam os meses e nada de gravidez. Não podia adiar mais, tinha de ir fazer exames, para saber o que se passava

Quando recebeu os resultados e viu o que tinha nos ovários, ficou destroçada, nunca poderia ser mãe

Para além de ter ficado lavada em lágrimas, e de os colegas não a conseguirem animar, também a preocupava a reação do Francisco, de quem tanto gostava

Como não estava em condições de continuar a trabalhar, foi para casa, enfiou-se no sofá à espera da chegada do Francisco

O Francisco ficou muito preocupado quando a viu naquele estado, mas não lhe perguntou nada, beijou-a e abraçou-a, deixou-a chorar nos seus braços, continuou a apertá-la contra o seu peito

Passados uns bons minutos a Maria encheu-se de coragem e disse, ao Francisco, que não podia ser mãe.

 

Continua

06
Jan22

Flores!

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As flores

 

Bonitas flores celestes!

Tão doces como os beijos que me deste

São perfumadas, são agrestes

Colhi-as no campo, onde crescem, livres

Para te oferecer com tanto gosto

Brilham tanto como o teu rosto!

Como se fossem o sol em Agosto

É tão bonito de ver, o teu rosto!

É como um campo florido

Lindo, perfumado, amoroso, saboroso

Onde os lábios sobressaem

Como se fossem carnudas cerejas, gostosas

Que saboreio ao longo do tempo

Perdendo a conta às horas

Têm o perfume das rosas.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

02
Jan22

O fim e o princípio

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O fim e o princípio

 

 

Um fim de ano diferente

Em filas de testagem

Longas filas intermináveis

Foi assim nas praças das cidades

Nos aeroportos, a ver os aviões levantar

Dez horas para fazer um teste!

Para obter um salvo-conduto, que permita sair do país

Foi a maneira, que o Governo encontrou

Para controlar os arraiais

Dias inteiros no meio das multidões

Alguns perderam voos e ligações

Portugal bateu mais um recorde!

Foi o país onde se fizeram mais testes

Mesmo assim alguns ficaram em terra

 Foi o fim de um ano e o princípio de outro, para esquecer

Para aqueles que se queriam juntar aos familiares ou amigos

O vírus a impor os seus castigos!

 

Um Bom Ano Novo para todos!

José Silva Costa

 

 

 

 

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