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cheia

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28
Set20

As Cores

cheia

As cores

 

As cores

Pintam as  flores

Que bonitas cores!

Vestem as árvores

No outono

Antes de perderem as folhas

Para atapetarem as alamedas

São as cores dos amores

Quentes e brilhantes

São as preferidas dos amantes

Nas noites radiantes

Quando se cruzam nos horizontes

Dos beijos sonantes

Que os unem aos sonhos das cores

Quando dormem como flores

Na cama perfumada da lua-de-mel.

 

José Silva Costa

 

 

 

26
Set20

55 anos

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55 anos

 

Hoje, fazemos 55 anos de casados

Tínhamos vinte anos

Tivemos de pedir autorização aos nossos pais

O tempo já passado, lado a lado

Evaporou-se como fogo ateado

As filhas e o filho

As netas e o neto

São os frutos do nosso amor.

 

José Silva Costa

 

21
Set20

Bem-vindo!

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outono

O tempo vai suavemente mudando

A chuva, apesar de tardia, chegou

Há muito que a desejávamos

Nem todos! Porque ela não é tão agradável como o sol

Mas, tal como ele, faz muita falta

Vem ai o outono, com mais horas para o sono

Com menos horas de sol, venho mais cedo para dentro de casa

E, o trabalho não se vai azedar

Se há reformados que não têm que fazer

Todos os dias tenho de escolher, entre o muito que tenho para fazer

Por mim, ficava aqui todo o dia a ler e escrever

Mas não pode ser

Tenho o quintal para me entreter e as roseiras, que são a paixão da minha mulher, para admirar

Quando chove tenho água para engarrafar, para no verão regar

Não utilizo água tratada, para regar

Porque isso era, água, desperdiçar

Às vezes fico a pensar

Como é que há pessoas que se queixam que não sabem o que fazer!

Quando tenho tanta coisa para me entreter

Ficar aqui todo o dia a falar com vocês é que era

 Se calhar não iam gostar da ideia

Mas as plantas fariam uma gritaria, pedindo a minha presença

Porque elas dão me uma grande recompensa

A minha alimentação conta com a sua bênção

Semear, plantar, ver crescer, tratar, colher é um grande prazer

Falar convosco  também, mas tem de ficar para o entardecer

Para todos, um feliz outono.

José Silva Costa

18
Set20

Santa Cruz dos Dembos

cheia

Mazelas da guerra

Fazenda Santa Cruz dos Dembos

                                                                             Continuação

Um procedimento, que me chamou à atenção, foi o de que, quando caminhavam, nas picadas, e avistavam as nossas viaturas, as pessoas afastavam-se das bermas uns 10 a 20 metros

 Não consegui saber a razão, mas suponho que deve ter a ver com procedimentos menos corretos, no início da guerra

Para quem não saiba, quando a guerra começou, em 1961, no Norte de Angola, houve muita violência de parte a parte

Por isso, talvez, ainda, se lembrassem dos tempos negros do início da guerra

Durante os 9 meses que estivemos no Norte de Angola, acho que nenhum militar da minha companhia teve relações sexuais com as mulheres das povoações, ao contrário do que aconteceu, quando fomos para a zona de Nova Lisboa

Dizia-se que o avião que levava o pré, para Maquela do Zombo, também transportava as prostitutas

Durante os 9 meses que estivemos naquele acampamento, nunca lá vi nenhum civil, evitavam a nossa companhia

Mesmo assim tínhamos, todos os dias de içar e arriar a Bandeira Nacional, às 6 e 18 horas, para que aprendessem as suas cores, coisa que não fomos capazes de fazer em cinco séculos, tal como não lhes conseguimos ensinar a nossa língua

 

Antes do Natal de 1969, ainda estivemos 2 meses destacados na Fazenda Santa Cruz dos Dembos, uma fazenda de café, cuja variedade de cafeeiros tinha de ter sombra

Uma mata tão densa, que quase não se via o sol, desbastavam-na, deixando algumas árvores muito altas, para fazerem sombra aos cafeeiros

Na fazenda trabalhavam cerca de 70 trabalhadores vindos do centro de Angola, porque os do Norte só se dedicavam à construção de armadilhas para caça e pesca

Estes homens estavam a abrir uma picada, cortando arvores, que 2 homens não conseguiam abraçar, só com machados

Quem os comandava, um Cabo-verdiano, estava constantemente a dizer que queria ouvir a sinfonia dos machados

Nós tínhamos como missão dar-lhes proteção, como estavam destacados 2 pelotões, dia-sim-dia-não, lá íamos

Num dos dias em que ficámos de descanso, o outro pelotão sofreu uma emboscada, uma rajada atingiu 2 soldados, que tiveram de ser evacuados, para Lisboa, felizmente ficaram bem

A Companhia tinha um Furriel Miliciano com a especialidade de enfermeiro, coadjuvado por três ou quatro maqueiros, que sabiam dar injeções e fazer pensos

O maqueiro que estava connosco era louco por borboletas, passava o tempo todo a injeta-las, para as embalsamar

Um dia teve de dar uma injeção, ao Alferes do meu pelotão, a qual lhe causou uma grande infeção, teve de ser internado, porque a seringa não estava devidamente desinfetada

Já não me lembro se os trabalhos passaram a ser dia-sim-dia-não, o que me lembro é um dia estava com o outro Alferes, e depois do almoço, perguntou-me se era voluntário para ir com ele, porque queria saber para onde ia a picada, respondi-lhe que na tropa não era voluntário para nada

Ordenou-me que fosse com ele, mais dois soldados e um guia, munido de catana, para abrir o caminho, para que pudéssemos penetrar naquele labirinto.

As horas foram-se passando, já não sabíamos como sair dali, começámos por marcar as árvores, não adiantou, a seguir foi por votação, quando três diziam para onde era, lá íamos, mas também não resultou

 Disse-lhe que o melhor era fazermos fogo para o ar, na esperança de que os nossos camaradas, que tinham ficado a dar proteção aos trabalhadores, nos respondessem

Felizmente resultou, conseguimos, antes de o sol se pôr, sair do labirinto

Caso estivesse por ali perto, algum inimigo, tinha-nos apanhado à mão, porque a nossa desorientação era total

Monangambé, que significa contratado, é um poema de António Jacinto, musicado em 1960, às escondidas, por Rui Mingas

Letra de Monangambé

Naquela roça grande

não tem chuva

é o suor do meu rosto

que rega as plantações;

Naquela roça grande

tem café maduro

e aquele vermelho-cereja

são gotas do meu sangue

feitas seiva

o café vai ser torrado

pisado,

torturado,

negro da cor do contratado

 

Negro da cor do contratado!

 

Perguntem às aves que cantam,

aos regatos de alegre serpentear

e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo?

quem vai à tonga?

quem traz pela estrada longa

a tipóia ou o cacho de dendém? 

Quem capina

e em troca recebe desdém

fuba podre,

peixe podre,

panos ruins,

cinquenta angolares

 porrada se refilares”?

Quem?

Quem faz o milho crescer

E os laranjais florescer?

- Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar

máquinas,

carros,

senhoras

e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar

ter barriga grande

ter dinheiro?

_ Quem ?

e as aves que cantam

os regatos de alegre serpentear

e o vento forte do sertão

responderão:

- “ Monangambééé…..”

Ah! Deixem-me ao menos

subir às palmeiras

Deixem-me beber maruvo  ( seiva de palmeira, retirada junto às folhas, como se faz para retirar a resina)

E esquecer

diluído nas minhas bebedeiras.

 

Já tinha ouvido a canção dos contratados, mas nunca me tinha cruzado com eles

Quis o destino que primeiro visse o que faziam e como eram tratados, e menos de um ano depois, sem contar, assistisse ao seu recrutamento

Estava nos arredores de Nova Lisboa, quase pôr-do-sol, quando vi um grande alvoroço, numa das povoações dos arredores da cidade

Fui até lá, fiquei à distância a observar. Estavam todos reunidos, mulheres e homens, as mulheres agarravam-se aos seus homens, gritavam e choravam, o Soba ia correndo olhar por todos, de repente apontava para um, que imediatamente entrava no autocarro, que os iria levar, sem qualquer contestação

Assim que o autocarro ficou cheio, fecharam as portas. Disseram-me que partiriam na madrugada do dia seguinte

Diziam que aqueles homens, quando regressassem, os que o fizessem, pouco ou nada trariam, porque tinham de pagar a alimentação, o alojamento, etc.

 

Continua

 

 

 

   

 

  

 

17
Set20

A simplicidade

cheia

A Simplicidade

 

Nas ondas da tua mente

Navega o teu aspeto atraente

Nos olhos tens o presente

O teu coração a ninguém mente

Como é diferente!

Quem é inteligente

Com humildade cativa toda a gente

Tem um coração transparente

Que tudo sente

Que a todos diz presente

Seja qual for a situação, nunca está ausente

A simplicidade é a sua semente.

José Silva Costa

 

 

 

 

14
Set20

Ano letico

cheia

Regresso às aulas

Este regresso às aulas não tem a magia dos outros anos

O medo, as máscaras, as regras, tolhem os movimentos

Este ano, infelizmente, não vamos ver a euforia de beijinhos e braços de outros momentos

Vão ser experiências novas, que temos de aprender e algumas antigas, que temos de esquecer

Estamos todos ansiosos para ver o que vai acontecer

Quem vai pela primeira vez, é quem fica mais a perder

Mas a vida é mesmo assim, temos de estar preparados para estar sempre a aprender

Não damos o devido valor a este tempo, em que temos quem nos ensine, e perguntas podemos fazer

Mais tarde é que vamos a orelha torcer

Por não termos dado atenção a tudo o que nos queriam dizer

Vão muito, ficar a saber para, a vida, ganhar

A escola é um mar de conhecimentos, que devemos aproveitar

Quanto mais soubermos, melhor o podemos utilizar

Para proveito próprio, e os outros ajudar

Há quem sinta uma grande felicidade, por os outros poder iluminar

Da escola vai-nos, sempre, alguma saudade ficar

Mais tarde, gostamos dos nossos colegas encontrar

Para todos, um bom ano escolar!

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12
Set20

Vidas!

cheia

Ilha de Lesbos

Campo de refugidos Moria

 

Uma desgraça nunca vem só

Confinados devido a Covid-19

Deitaram fogo às instalações

Que lhes tolhiam os movimentos

Mas as chamas depressa chegaram ao resto do acampamento

Tiveram de fugir sem nada e sem tempo

Com o que tinham em cima da pele, naquele momento

É tão triste não ter eira nem beira

Arder numa fogueira

À procura de uma terra que os queira

Depois de atravessar tanta fronteira

Nenhuma os quer 

São olhados como se tivessem lepra

Há vidas que, por muitos anos que vivam, morreram à nascença.

 

José Silva Costa

 

 

10
Set20

O sol

cheia

O Sol

 

 

Continuas, quente

Mas as manhãs estão diferentes

Cada vez chegas mais tarde e partes mais cedo

Vais para outras paragens, para o outro hemisfério

Menos horas de sol, maior escuridão

As noites ficam longas

Fico mais tempo no aconchego do lar

Com mais tempo para te recordar

Assim que te escondes, no Atlântico, e me dizes: até amanhã”

 Volto sozinho e triste, para casa

Não quero que digas que ando com o mar

De manhã volto a esperar-te

Para aqueceres o meu dia.

 

José Silva Costa

08
Set20

Sintra

cheia

Sintra

 

Minha romântica Sintra

Estás mais bela que nunca

O Covid-19 afastou de ti a multidão

Que por todo o lado, tudo atravancava

Há muito que não te beijava

Quem é que a ti chegava!

Estás mais radiosa

Com essa cabeleira airosa

A emoldurar o Palácio da Pena

Vestida com encantadores palácios e jardins

Com recônditos recantos

Onde rainhas e princesas beijavam a lua, a ver o mar

Os sonhos e os aís inundavam os ares

O perfume dos pomares

Inebriava todos os olhares

Ao rio caíram, da rainha, os colares

Nasceu uma nova vila, que já foi sede de Concelho

Perdeste a vergonha, já não te importas de mostrar o joelho

Nas tuas praias banha-se o mundo inteiro

E, tu, de vez em quando, escondes-te por detrás do nevoeiro

Jogando às escondidas, como faziam as princesas e rainhas

Faz parte do romantismo

De quem és a última rainha

Fazendo com que os namorados, não te vendo o rosto, fiquem baralhados

Estou, contigo, cada vez, mais encantado.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

05
Set20

Os meus 75!

cheia

75 anos!

 

Hoje completo a bonita idade de três quartos de século

Mesmo que o Cartão de Cidadão diga que é no dia 15

Os meus pais não tiveram tempo de ir atempo registar-me

A Junta de Freguesia era distante, não havia transportes

Ainda que no Alentejo, cem quilómetros, seja já ali

Eram precisas duas testemunhas e palmilhar alguns quilómetros, a pé

As consequências da guerra continuavam a fazer-se sentir

Fome, miséria, tudo racionado, só com senhas, o pouco, era comprado

Estou muito grato por aqui ter chegado

Felizmente, sem a ajuda de medicamento, nos últimos 20 anos, tomado

Muitas coias, algumas, muito boas ter presenciado

A começar por estas palavras, que podem chegar a todo o lado

Outras muito dolorosas como, aos dez anos, do ninho ter sido afastado

Como acontecia, por todo o país, em que muitos, ainda saíram mais cedo

Não tendo tido direito a irem à Escola, em relação a eles, sou um privilegiado

Porque o meu pai, sempre, disse que entre abandonar a escola, para não passar fome, ou continuar na escola, para os seus filhos, ela era o mais importante

Despois de guardar ovelhas, porcos, vacas, e outra vez porcos, fui para Lisboa

O meu irmão, mais novo 4 anos, caiu de cima de uma burra, partiu um braço e teve de ir para o Hospital de São José. O meu pai procurou uma prima da minha mãe, que vivia na Capital, pediu-lhe para me arranjar um emprego

Em maio de 1958, fui para Lisboa, para trabalhar num lugar de frutas e hortaliças, na rua da Imprensa Nacional

Os primeiros meses foram muito dolorosos, porque saltei de um dia para o outro, do campo, para a Capital, sem nunca antes ter visto uma cidade, um comboio, o mar, uma cerejeira

Os meus patrões, um casal do distrito da Guarda, sempre me trataram bem, mas no início não nos entendíamos

As freguesas estavam constantemente o corrigir-me, dizendo-me “que não era lete, que era leite, que não era mantega, que era manteiga”. Quanto lhes estou grato!

Lisboa estava pejada de serviçais: padeiros, leiteiros, carvoeiros, marçanos, ardinas, varinas, criadas de servir, lavadeiras, aguadeiros, compradores de ferro velho, o moço do talho, o moço do lugar de frutas e hortaliças, a mulher da fava-rica, a vendedora de figos…….

 

As donas de casa não precisavam de sair, para as compras diárias, nós levávamos-lhas a casa. Todos os dias ia perguntar-lhes o que queriam e de seguida ia tudo entregar, para chegar a tempo para o almoço

Os prédios antigos tinha escadas em ferro, no exterior, por onde nós podíamos subir e descer, nada de utilizar as escadas interiores, de madeira, muito bem enceradas, onde nos poderíamos ver, como se fossem espelhos

As mulheres da pequena, média e alta burguesia, não trabalhavam, com raras exceções, e, ainda, tinham criadas, viviam nas suas gaiolas douradas

Conforme o rendimento e o número de filhos, tinham ente 1 e 3 criadas, a cozinheira, a dos meninos, e a de fora

Como o trabalho do lar não tem hora para acabar

AS criadas de servir tinham, ao domingo, de 15 em 15 dias, 4 horas para namorar, das 15 às 19, se se conseguissem despachar

Eu, nem isso, também ainda não namorava!

Tinha era um bom horário, na parede, afixado: entrava às 9, saía às 13, entrava às 15 e saía às 19, só para inglês ver, na realidade entrava às 5 ou 6, conforme o que o patrão tinha para comprar, no Mercado da Ribeira e no Mercado da fruta.

Pelas sete e meia, o meu patrão continuava a fazer as compras, eu apanhava o elétrico, para ir abrir o estabelecimento, às oito horas

O mais difícil era abrir a porta, por ser em ferro, a toda a largura do estabelecimento, muito pesada, que, à força de braços, ia enrolando

Primeiro que a conseguisse descolar do chão, a minha coluna até gemia

O meu patrão dizia-me para pedir, a quem passa-se, ajuda

Mas eu tinha vergonha de incomodar as pessoas, pedindo-lhes que começassem o dia fazer a força, só uma vez pedi ajuda, a um rapaz, que a aparentava ter a minha idade

Tomava o pequeno-almoço e almoço atrás do balcão, fechava o estabelecimento às 21, arrumava-o e lava o chão

Depois jantávamos, a patroa lavava a loiça, e só depois de irem para a casa onde, praticamente, só dormiam, é que me podia deitar, porque o meu divã estava em frente ao lava loiça

A primeira senhora, que vi conduzir um carro, deu-me boleia, foi a esposa do destinto cirurgião, Dr. Jaime Celestino da Costa, que nasceu e morreu nos mesmos anos em que nasceu e morreu o meu pai

Uma Senhora muito humana que, sensibilizada com o peso que teria de carregar, estacionou o carro em frente ao estabelecimento, para carregarmos as compras, tendo ido com ela, para a ajudar a descarregá-las  

A televisão tinha começado as emissões no ano anterior, mas poucos tinham televisão

 De vez em quando, depois do jantar, ia com o meu patrão, enquanto a patroa ia deitar os miúdos, tinham um casal, um rapaz da minha idade e uma menina de poucos meses, a um café, na Rua de São Marçal, ver a televisão

A única coisa de que me lembro, desses tempos, foi a apresentação das Apostas Mutuas Desportivas, Totobola, tudo muito bem explicado pelo inesquecível Artur Agostinho

Foram tantas as novidades: a esferográfica, o plástico, o self-service, os eletrodomésticos, a pilula, a inauguração do Metropolitano, na qual, alguns passageiros saíram lá debaixo, dizendo que não conseguiam respirar, a inauguração do Cristo Rei, da Ponte sobre o Tejo…...

Ainda se viam algumas carroças pelas ruas, quanto aos automóveis dizíamos, lá vem um!

Ao cimo da Rua da Imprensa Nacional, do lado direito de quem sobe, havia, ainda, uma olaria, pouco tempo depois deu lugar a uma loja de plásticos

Lisboa era uma cidade fechada, triste e infeliz, amordaçada pela censura e pela Polícia Internacional de Defesa do Estado, onde não se viam turistas nem habitantes de outros Continentes, nem sequer de África, onde tínhamos colónias. Pretos, só o da Casa Africana!

A todos os que me ajudaram a chegar até aqui, muito obrigado!

A melhor prenda, que me podem dar, é tratarem-me por tu, para continuar na ilusão de que sou jovem.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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