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cheia

cheia

28
Abr20

Nova era

cheia

Namorar

A Natureza está florida e perfumada

Quase todos os dias tem sido regada

Fica, ainda, mais bonita, depois de ser lavada

É a minha, perfeita, namorada

Como não podemos namorar abraçados e aos beijinhos

Namoramos pela janela, como antigamente

Ela tenta surpreender-me, todos dias, com a sua beleza

Tento corresponder

E, ela, todos os dias, confirma que está muito agradada

Quando assomo à minha janela, vem fresca, alegre, endiabrada

Como que a alegrar-me o coração

Dizendo-me, que temos de olhar para ela com olhos de ver

Porque a natureza não pode mais sofrer

Queremos água limpa e ar puro

Mas não queremos abdicar de nenhum dos nossos exageros

Queremos continuar a, todos os dias, rodopiar, por todo o mundo

Queremos continuar a consumir, o mais que pudermos, incluindo produtos, que têm de viajar milhares de quilómetros

Queremos pegar no nosso brinquedo individual, de 2 toneladas, e acelerar nas autoestradas

Queremos passar férias em todos os paraísos do mundo

Queremos tudo, só não queremos poluição, nem ruído, nem turistas a mais, no nosso burgo

Aceitam-se soluções, para mudar o mundo, mantendo todas as nossas contradições

De preferência, que sejam os outros a mudar, e que a nós não nos toque nada

Hoje, dizem para ficarmos em casa

Para o mês que vem, dirão para não sairmos de casa sem máscara, para colocarmos a máscara antes de sair de casa

A máscara vai fazer parte da nossa indumentária

É mais uma parte do nosso corpo, que temos de nos habituar a tapar

Como fazemos quando vestimos cuecas, calças, camisa, calçamos meias e sapatos

Segundo uma cientista, que participou no programa, prós e contras da RTP1., os vírus só vivem nosso corpo. Temos de evitar a sua propagação, com o uso obrigatório de máscara

Na lista das compras não se esqueçam de incluir as máscaras

Mas não façam como fizeram com o papel higiénico

Vai haver máscaras para todos

Boas entradas na nova era

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25
Abr20

Em confinamento

cheia

46 anos

Foi a madrugada mais radiosa, que nasceu

As balas foram substituídas por cravos vermelhos

Quando a madrugada rompeu

Lisboa foi acordada pelos carros de combate

A cidade, de medo, estremeceu

Mas, quem os mandou disparar, não venceu

Porque o atirador não obedeceu

Não quis manchar o dia que, tão radioso, apareceu

O povo ocorreu à rua

De peito afogueado, com medo que algum passo fosse maldado

Quando o sol raiou, uma senhora, um cravo vermelho, colocou

No cano de uma espingarda G3

O povo sorriu e aplaudiu

Estava quebrado o vazio

Um punhado de militares acabava de derrubar uma ditadura de meio-século

E um império de cinco séculos

Nos cinco cantos do mundo, houve choros e desejos

Que do velho império, nascessem povos inteiros

Que finalmente regressasse a paz

Foi um parto muito doloroso e difícil

Após treze anos de guerra

Valeu-nos o cansaço da espera

Para que sete povos decidissem os seus destinos

As transições são quase sempre, difíceis e dolorosas

Mas com disse uma futura rainha de Portugal:

“ Vale mais ser rainha por um dia, do que duquesa toda a vida”.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

13
Abr20

Os tempos

cheia

Os tempos

 

O silêncio sufoca-me o presente

Falta-me o barulho dos carros, em andamento

As cidades, as vilas, as aldeias estão em confinamento

Tudo tão calmo, tão parado, tão puro, o ar

Hoje, nem o vento apareceu!

Mas, não consigo sossegar

Penso no movimento intenso

Não fosse o inimigo invisível

Cortar-nos o ar, roubar-nos o dia

Afinal, tudo tem um dia: do começo e do fim

E, nós esquecemo-nos de quão bela é a alegria

Foi preciso o tempo dar-nos tempo, para voltarmos ao pensamento

Sem tempo, nunca nos aperceberíamos da importância do silêncio

Quando não temos tempo, para aproveitar o tempo

Como seria tão bom, beneficiarmos de tanto tempo, sem confinamento

Sem ele, não nos aperceberíamos da qualidade do tempo

Tanto ambicionámos ter tempo, agora não sabemos o que fazer com o tempo

Nunca tínhamos saboreado o silêncio, o perfume do vento, o cheiro do asfalto e do cimento

O que me assusta, foi termos parado, quase todos, ao mesmo tempo

Resta-nos a dolorosa fatura, deste descanso, que estamos a pagar e pagaremos durante muito tempo.

Para não falar dos que se foram antes do tempo.

 

José Silva Costa

08
Abr20

Páscoa.

cheia

Abril

Abril! Chegaste molhado

Fazendo jus ao ditado

Abril, águas mil

Para tudo lavar

Para que mais tarde possamos sorrir

Por enquanto podemos aproveitar para dormir

Para ler, cozinhar, tanta coisa que podemos fazer

Saborear o nosso doce lar

Tudo o que nos rodeia admirar

Neste tempo de relaxar

Vamos o futuro planear

Mesmo sem saber quando ele vai chegar

É preciso que nessa altura estejamos prontos para o agarrar

Este ano, temos mais tempo para te contemplar

Este ano, a Páscoa vai ser no lar

Não o podemos abandonar

Muitos, nesta altura, nele não queriam ficar

Mas, este ano, um intruso veio tudo estragar

Tudo foi cancelado ou adiado

Quase toda a atividade humana está parada, em todo o Mundo

Uma Páscoa diferente

Num estranho ano

Que, quem não o viveu

Dificilmente vai compreender o que aconteceu.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Abr20

Os Portugueses

cheia

Portugal

 

“ O saber cura”

 

Foi agradável de ver

De Norte a Sul

O saber, a fazer

Tudo o que for possível

Para que possamos sobreviver

Das Universidades aos Institutos Politécnicos

Dos Centros de Investigação aos que deram as mãos

Todos estão a fazer das tripas coração

Para que tenhamos a produção

De material de proteção

Para todos, sem exceção

Ergueu-se uma Nação

Para mostrar quanto vale sua educação

Quanto Portugal é solidário

Nestes momentos mostramos do que somos capazes

Precisávamos de ser mais eficazes

E, se fossemos mais eficazes!

Seríamos menos criativos?

Já se sabe que a perfeição não existe

Portanto, muito obrigado, amigos

Por tudo quanto estão a fazer

Para que em breve

Voltemos, de novo, a viver.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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