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cheia

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24
Fev18

A ver o mar

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O olhar

 

 

No brilho dos teus olhos,repouso o meu olhar

Ah, como é lindo esse brilho espelhado no mar!

Quando o tento apanhar fica ainda mais espetacular

Não! Ninguém o consegue agarrar, anda sempre a passear

Como conseguirei prender a magia do teu olhar?

Se ele não para, não quere prisões, quer ser livre, como o vento

O que poderei fazer para o conquistar?

Se é tão fugidio, tão esguio, tão frio, de uma cor, que mais ninguém viu

Só eu consigo ver a cor do brilho do teu olhar

Só eu o poderia amar e beijar

Mais ninguém o consegue enxergar

Se um dia os nossos olhares se cruzarem

Compreenderás quanto te quero amar

Prender, para sempre, o brilho do teu olhar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

20
Fev18

O nascimento de uma Escola

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O nascimento de um Escola (3)

 

Segunda classe

 

Nova Escola, nova Professora

A Escola só funcionou um ano no Monte do Lobato

No ano seguinte mudaram a Escola para o Monte da Corcha, para uma casa contígua à de José

Não poderia ter tido melhor prémio, pela passagem de classe!

Foram três anos a sair de uma porta e entrar noutra

A nova Professora fez-se acompanhar de um aparelho, até então, nunca visto: uma telefonia sem fios!

A TSF era um aparelho muito esquisito, dele saíam vozes e músicas

Os alunos raramente tinham oportunidade de ouvi-la, apenas uns minutos, no intervalo do almoço

Num dos dias em que a Professora ligou o aparelho, uns minutos antes da saída, José decorou um sequetche humorístico dos Parodiantes de Lisboa, o qual reproduziu em casa, mas a mãe repreendeu-o, dizendo-lhe para não repetir o que tinha ouvido

A Professora, de vez em quando, pedia a dois alunos, para irem a São Pedro de Solis, fazer-lhe compras, e eram sempre os que viviam no Monte onde estava instalada a Escola, porque os outros ainda tinham de ir para os seus montes

De uma das vezes, o bacalhau estava mal embrulhado, e eles tiraram um pouco, de maneira a não se notar, para provarem.

As Professoras passavam quase todo o ano nas Escolas. Só iam a casa no Natal, na Páscoa e nas férias grandes

A segunda Professora, quando ia de férias, pedia a dois alunos para a acompanharem até Alcaria Longa, a localidade mais perto, onde passava uma camioneta para a sua terra.

De uma das vezes a camioneta chegou bastante atrasada, fazendo com que uma grande parte do regresso dos rapazes se fizesse de noite

O companheiro do José não estava habituado a andar de noite, sempre que via sombras, que se parecessem com pessoas, parava e nada o fazia avançar

O José sem saber mais que lhe dizer para o convencer, colocou-se junto ao obstáculo, que não o deixava continuar, para que ele se convencesse que eram, apenas, sombras

Não é fácil controlar os nossos medos, o que fazia com que, o companheiro do José, estivesse constantemente a estacar.

O silêncio da noite, no campo, é assustador, fazendo com que o mais pequeno barulho, pareça uma tempestade

No fim do período letivo foram novamente, a São Pedro de Solis, fazer a passagem da segunda para a terceira classe.

Terceira classe, terceira Professora. Foi um ano calmo, à exceção do muito trabalho, porque já não era uma passagem, mas um exame!

Para fazerem o exame da terceira classe foram a São Miguel do Pinheiro.

A Professora já não entrou na sala, no ato do exame, alguns ficaram nervosos, e uma rapariga de dez ou onze anos, de quem o José gostava, não fez os problemas

Quando saíram da sala, ela correu para ele, lavadas em lágrimas, dizendo o que se tinha passado

O pai dela aproximou-se, já sabia que ela não tinha passado, leu-lhe ali a sentença: “não voltas para a Escola, já és uma mulher, vais ajudar a tua mãe”

A rapariga bem pedia e implorava ao pai que, pelo menos, a deixasse fazer a terceira classe

Mas, não conseguiu que ele voltasse atrás!

Foi no meio de uma grande tristeza, que se despediram, não se voltando a ver.

Na quarta classe tiveram direito a uma Professora, que já conheciam da segunda classe.

 

José Silva Costa

 

  1. O post sobre a quarta classe, já publicado, tem o título : “ As meias de vidro”

 

 

14
Fev18

Foice em seara verde

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Nove anos

 

Já todos o prevíamos

Mas, ter a certeza faz-nos voltar a Agosto

Quem comete estes crimes não tem coração, nem rosto

Nunca mais devia voltar a ter liberdade

Foi um crime horrendo, sobre uma inocente, flor

É uma dor insuportável, que carregaremos, para sempre

Quem praticou tamanho horror não pode ser gente

Tem de ficar na prisão, para sempre

As lágrimas da menina nunca secarão

Para nos lembrarem quanta dor sofreu o seu coração

Quantas crianças morrem todos os dias, sem que saibamos os seus nomes?

“ Olhos que não veem, coração que não sente”

Tantas vidas ceifadas inutilmente!

No Mundo já mão há gente

Apenas, uma enorme massa inerte, escondida atrás de um tablet

Podem-se cometer as maiores atrocidades, que ninguém as sente

Para todos os que desta vida foram antecipadamente

Pela maldade transformada em gente

Um grito de revolta que perdure, para sempre!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

13
Fev18

Os melhores, dos melhores!

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Carnaval

 

A terça-feira de Carnaval é um dia fora do normal

Não é carne, nem peixe, o Governo decreta tolerância de ponto, os outros fazem o que quiserem!

Não é feriado, mas é quase, como se fosse, não se sabe o que está a funcionar: é à vontade do freguês

Muito ao jeito português: falta de rigor, tolerante com os incumpridores, pouco pontual, só para inglês ver

Um país, em que os incumpridores são aplaudidos, os outros não!

Em que graves crimes de poluição e outros são punidos com meio cêntimo, para a caridade

Aconteça o que acontecer nunca há culpados, algumas leis são para inglês ver

Quem as viola, é premiado, como aconteceu, com os crimes, que mataram o Tejo

Há muitos anos, que alguns se preocupam com a saúde do Rio

O Governo, para os calar, como é hábito, criou uma comissão de acompanhamento

Que teve como resultado: ver a água ter uma classificação de menos boa

Depois dizem que são as mas línguas que dizem mal das constantes comissões!

E, qual foi a medida implementada, para uma melhor classificação da água do Tejo?

Autorizar uma das celuloses a duplicar o volume de poluição para o rio!

O ambiente, ainda não é para levar a sério, cada um faz o que quer, porque as sanções são para fazer rir

O rio, num dia está morto, no outro já está normal!

Nada mais se pode saber, porque está tudo em segredo de justiça

No entanto, vão dizendo que há muitos metros cúbicos de lixo para, da albufeira, retirar

Não dizem é quem vai pagar!

Somos os melhores do Mundo, só podia ser!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Fev18

O petróleo verde

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O preço do petróleo verde!

 Muitos proprietários ficaram muito contentes, quando foram assediados para plantarem eucaliptos

Foi uma maneira fácil de conseguirem alguns rendimentos dos terrenos, que deixaram de ser cultivados

As celuloses esfregaram as mãos de contentes: um bom negócio, que países mais desenvolvidos não querem

Porque os eucaliptos esgotam os terrenos, acabam com a água, que existe no solo, matam tudo ao seu redor

Portugal tem pago um preço bem caro, por esta curta visão de políticos irresponsáveis, que só pensam no presente, que vendem o país e a sua gente

Quantas vezes o país já ardeu, quanto custa o combate aos incêndios, quem paga o que se perdeu?

Mas, a maior perda são as vidas perdidas, e, os que, para sempre, ficam com feridas!

Como se não chegasse, mataram o Tejo, matando tudo o que dele vivia!

Autorizam todas as indústrias, seja qual for a poluição, que se queiram instalar à beira Tejo

Nem mesmo a redução dos caudais, ao longo de anos, os conseguiu acordar, ou fazer atuar

Foi preciso o rio ficar coberto de espuma, já não ser possível encobrir o crime, para se mexerem!

Mas logo vieram dizer, que não havia culpados, e têm toda a razão, porque o único culpado é o São Pedro, que se esqueceu de mandar água suficiente, para lavar o Tejo, levando tudo para o mar, para o fundo, de preferência para longe do nosso olhar

Não! Meus senhores, a água barata acabou-se, não podem continuar a mandar a água das estações de tratamento para os rios, devem aproveitá-la para as regas

Quanto às celuloses não é reduzindo, mas proibindo, toda e qualquer descarga

Se quiserem continuar a laborar, podem fazê-lo em circuito fechado, sem contaminarem a pouca água, que temos.

 É mais caro! Pois é. Mas, a água é um bem indispensável para a vida, não pode ser poluída!

 

José Silva Costa

 

 

 

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