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cheia

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30
Jul17

A seca

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Vale de Estacas, 12/02/2005

A seca

O dia é de primavera

A noite de Inverno

A chuva não aparece

Tudo, com o frio, esmorece

Não há erva, nem trigo

As pessoas e os animais

Sob o mesmo castigo!

Que a água falte no verão

Já o Alentejo está habituado

Mas em pleno inverno

É arder no inferno.

Os ovinos e bovinos

Com os focinhos

Varrem os campos

Acariciam o chão

Tudo em vão

Morrem de fome

Naquela que era a melhor estação.

Os Montes outrora, caiados,

Estavam repletos de gente

Agora, todos, desboroados.

Nem a liberdade!

Com os seus progressos:

Estradas, água, luz, esgotos

Conseguiu evitar a debandada

Porque chegou atrasada.

As modestas habitações

Completamente desventradas

Com as partes íntimas

Em exposição:

Ao vento, ao sol, à lua

Num silêncio estarrecedor

Ouvem-se as almas reclamar,

Porque a iluminação pública

Passa a noite a incomodar

Quem, em vida, só tinha o luar!

Que tristeza observar

As velhas pedras a chorar

Por não terem quem agasalhar:

Nem mulher, nem homem

Nem cão, nem gato, nem pardal.

Assusta, o barulho das oliveiras, sobreiras e azinheiras

A sonharem com uma gota de água.

Outra vez, a seca!

Agora, no verão de 2017

 

José Silva Costa

 

25
Jul17

Quantos são?

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Quantos são?

 

Os jornalistas cercam os governantes e não lhes fazem mais nenhuma pergunta

Depois de mais de um mês, só isso lhes interessa saber

Os que estão contra a solução, que foi encontrada para a governação

Só lhes interessa infernizar, agitar, destruir, queimar, matar

Para o provar, basta a invenção de que já se estavam a suicidar

Aos insaciados jornalistas e comentadores não interessa saber por que razão

Não há misericórdia que consiga libertar, o que foi doado, para quem ficou desgraçado

Será que vai ser, em campanha eleitoral, aplicado!

Pressionem os Governantes, no sentido de serem mais céleres e eficazes, na ajuda a quem ficou sem nada

Ajudem os interessados a acederem aos programas, para os ajudarem, criados

Não. Em nada disso estão concentrados, o que interessa é denegrir, especular, alarmar

Até que a situação lhes dê razão, para poderem dizer

“ Estão a ver! Nós tínhamos a solução”.

 

Até um de outubro, ainda, têm muito tempo, para cumprirem a vossa missão.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

17
Jul17

Almoços grátis!

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Almoços grátis!

 

Não acredito em almoços grátis, ainda menos de onde vêm

A Galp, que se recusa a pagar alguns impostos, ofereceu centenas de viagens, a governantes e outros, para irem a França ver o campeonato europeu de 2016

Ora, antes de gastar o dinheiro com o futebol, deveria cumprir as obrigações fiscais

Já temos demasiados comendadores, que se tornaram grandes beneméritos, com o dinheiro que deveria ter sido entregue ao erário público. Num dos casos, foi o despachante, que foi preso.

Pensei que já tinha passado o tempo em que o futebol e os políticos estavam acima da lei

Mas, depois de ver as declarações do Senhor Presidente da Assembleia da República, parece que alguns órgãos de soberania, quando lhes dá jeito dizem que a justiça é independente, noutros casos, criticam-na, quando a deveriam apoiar, mesmo que a investigação seja demorada, por que o que interessa é que se chegue à verdade.

Poucos dias depois das viagens à França, surgiu a lei de reavaliação de ativos, em que a Galp foi a grande beneficiada, fazendo com que algumas empresas recebam centenas de milhões de euros do Estado.

Esperemos que a justiça consiga esclarecer por que motivo a Galp oferece tantos convites.

 

José Silva Costa

13
Jul17

Verão

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Verão, Férias

 

Vejo a tua beleza

Irradiar um brilho permanente

Presa num raio de sol

Com o teu ar deslumbrante

Entras num mar transparente

Onde és massajada

Por cristais de sal

E areias douradas, do mar.

Férias, para relaxar

Do desgaste das correrias, de todos os dias

Sem tempo para ver os filhos acordar

Com os olhos cheios de alegria.

Aproveitemos as novas tecnologias

Para produzirmos mais, com menos

Para termos mais tempo, para eles, todos os dias

Não nos deixando aprisionar

Por necessidades, que a publicidade nos quer induzir

Criando-nos consumismos desnecessários

Obrigando-nos a muito trabalhar

Para tudo gastar no que é supérfluo

Como se os recursos fossem infinitos!

Que bom estar de férias

Ver os dias correr

Sem canseiras, mas com muitas brincadeiras

Aproveitar o sol, a areia, o mar e todo o ar

Para com a família e amigos as partilhar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com os meus olhos de alegria

 

05
Jul17

A sala de visitas de Portugal

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A sala de visitas de Portugal

 

A fresca, romântica e bela Sintra está um encanto

Ninguém consegue dar um passo, por haver tanta gente, em todo o canto

As filas são intermináveis, todos querem levar uma recordação da mais bela e pitoresca vila do mundo

Os travesseiros e as queijadas fazem os turistas sonhar

Os palácios estão sempre a abarrotar

Todos querem saber as peripécias de princesas, príncipes, rainhas e reis, que os habitaram

Ah! Se as fontes de Sintra falassem, tinham tanto que contar

Tanto enredo e segredo, que só elas e a lua presenciaram.

Em cada recanto um par romântico

A sondar a lua, a escutar a serra, comtemplar o Atlântico

Ninguém fica indiferente ao seu encantamento.

 

 

Soneto, de Luís de Camões, que se supõe, tenha sido inspirado na formosura da fresca serra de Sintra

 

A formosura desta fresca serra

E a sombra dos verdes castanheiros,

O manso caminhar destes ribeiros,

Donde toda a tristeza se desterra;

 

O rouco som do mar, a estranha terra,

O esconder do sol pelos outeiros,

O recolher dos gados derradeiros,

Das nuvens pelo ar a branda guerra;

 

Enfim, tudo o que a rara natureza

Com tanta variedade nos of`rece,

Me está, se não te vejo, magoando.

 

Sem ti, tudo me enjoa eme aborrece;

Sem ti, perpetuamente estou passando

Nas mores alegrias mor tristeza.

 

 

 

 

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