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cheia

cheia

02
Jun07

Albufeira

cheia

Albufeira

O encanto encantado

O Mundo no ponto desejado

Um perfume a mar

Em terra semeado

Com o sol bronzeado.

Nas praias, ou nas piscinas

O ar aconchegado

No corpo perfumado

Vindo de longe, ou de perto

À procura de um chão torrado

Que o aqueça do inverno gelado

E, esqueça todo o tempo passado

Longe do sonho desejado.

No calor do Verão

Com os corpos vestidos de areia

É o Mundo que te passeia

Princesa lusa enredada na teia

Gente de todo o mundo

Sonhando com noites de lua cheia

Que o ar incendeia.

Um ponto de encontro

De culturas, línguas e sono

No doce e suave aconchego

Dos teus braços salgados de de sul

Ondulados com as dores do Mundo

Quentes como a alfarroba, o figo e o medronho

Que embebeda todos os sonhos.

Gente de todo o Mundo

Embebida de encantos

Com corpos em em flor

Bocas sequiosas de odor

Envoltas em estrelas de desejo

Dormem em ondas de amor

Nas quentes noites de calor

Na meia lua das casas da rua

Onde a praia acorda nua.

Nascem ondas de amor

Com corpos salgados de furor

Bocas coladas de sede

Envoltas em estrelas de rede.

 

 

02
Jun07

Joana

cheia

Algarve, 12/09/2004

 

Joana, rosa enjeitada

De um para outro lado empurrada

Nem pelo pai, nem pela mãe amada

No seu triste sorriso sufocada.

Flor de alma magoada

Corpo franzino desprezado

Num vai vem esforçado.

O verão incendiou-se

O sol nunca mais brilhou

A verde dúvida mói mais

Que a negra morte.

Foram tão duros os dias

Que te traçaram a sorte.

Joana, escura foi a noite

Em que teus tristes olhos

Vibraram sem crer

No incesto que estavam a ver.

A lua imolou-se no éter

Por antever o que te ia acontecer

Tudo começou a esmorecer

Com o bárbaro anoitecer.

Só as tuas bonecas te choraram

Desfizeram-se em lágrimas

A tua morte as matou

Ninguém mais as embalou.

 

 

01
Jun07

Mosteiro de Arouca

cheia

Às

Noviças, e a todos, a quem roubaram a liberdade

Na juventude

Quando o corpo se empertiga

E o desejo o castiga

O pensamento é o seu sustento

Nada o prende, nem o vento.

A liberdade é empolgamento

Que não cabe em nenhum convento

Por muito que o queiram tornar bento

É, sempre, um lugar sem movimento.

Para o amor não existem prisões

Mosteiros, grades, divisões

É a vida afogada, no fogo da clausura

O sonho ceifado no raiar da aurora

O ímpeto maternal subjugado pelas paredes.

Noviças, monjas, abadessas no isolamento

Nem a presença das aias lhes suavizava o sofrimento

É a dimensão do mundo num momento

A roda do tempo presa num fio de vento

A morte antes da dor e do julgamento.

Pág. 2/2

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