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cheia

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21
Jul18

As estrelas

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Tão longe do Sol, tão perto de ti

Não quero perder o Sol, que há em ti

Meu Astro de luz e calor, meu amor

Em ti toda a luz sorri, que eu bem vi

Não é só nos teus bondosos olhos!

Os teus cabelos, esguios, são rios

De luzes, de estrelas, de luas violetas

Que tanto encantam as noites das borboletas

Quando nos abraçamos e voamos por todo o Mundo

Como se aquele momento fosse o nosso último segundo

E, de repente, acende-se não sei que vento

Que nos acorda e faz voltar à realidade

Continuamos abraçados, mas preso à terra

Sem asas, no meio de multidões, sem ilusões

Em que as únicas estrelas são teus cabelos enleados nas manhãs.

 

José Silva Costa

 

 

 

14
Jul18

Sul, sem sol!

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Mulheres

 

Jovens, crianças, bebés

Filhas de reis, condes, viscondes

Sentenciadas à nascença

Deserdadas de bens imóveis

Enclausuradas em conventos

Dos quais nunca tinham ordem de sair

Enclausuradas em bebés, crianças, jovens

Contactos com o exterior, só através do parlatório

Casavam com Cristo, entregando o dote ao convento

Setenta e tal anos de isolamento (Mariana)

Foi uma eternidade de casamento (sozinha)

As mulheres têm toda a razão para se sentirem indignadas

A História tem-lhes pregado cada partida!

E têm de continuar a lutar

As mentalidades levam muitos séculos para mudar

As mulheres, o Mundo, continua a discriminar

No convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja

Formaram-se como que dois clubes

Umas veneravam um Santo, outras, outro

A rivalidade, por vezes, levava-as a vias de facto

Aqueles longos corredores assistiram a muitas dores

Cada grupo concentrava todas as energias e dinheiro em embelezar o andor do seu Santo

Para que, aquando das procissões, lhes chegassem ecos, de qual o andor mais bonito

Era uma maneira de libertar tanta energia reprimida

A adolescência, a mocidade, a vida

Todos os sonhos, todas as ambições, todas as paixões

Presas naquelas paredes, grades e tenções

A verem abrir e fechar aqueles portões, sem poderem agarrar as ilusões

Sepultadas vivas, sem liberdade para serem mães!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

11
Jul18

O olhar

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O Olhar

Cruzo o infinito com o olhar

Não te vejo do outro lado do mar

Levaste o meu coração

Fiquei com o teu, até nos voltarmos a encontrar

Toda esta água a separar-nos!

Vamos vencê-la, para nos voltarmos a amar

Não desesperes, porque a nossa força tudo vai vencer

O que nos separou vai esmorecer

O nosso amor vai florescer

Os nossos corações, quando se voltarem a ver

Vão vibrar até mais não puderem

Vamos todos os sonhos e flores colher

Juntos, juntos até todo o sol desaparecer

Só acordaremos quando a manhã amanhecer

Quando, a promessa, obtivermos

De que nada, nem ninguém nos voltará a separar

Seja terra, seja mar!

Nós vamos, para sempre, ficar

Unidos, como a terra com o mar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

03
Jul18

Beijos e abraços

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O IP3

 

Há um ano, os incêndios ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, o que levou com que os políticos e o país descobrissem o interior

Há um ano que todos os dias, todos os políticos visitam as zonas destruídas, distribuindo beijos, abraços e promessas, como se as pessoas não precisassem de mais-nada

Agora, finalmente, foi anunciada uma obra de 134 milhões de euros, mas só para o ano que vem: a reconversão do IP3

Uma estrada, cujos projetistas e todos os responsáveis, pela mesma, deveriam ser condecorados, pelo trabalho exemplar: a estrada da morte

Os grandes investimentos, no interior do país, são sempre muito escrutinados, pelos pensadores, que vivem na capital.

O mesmo não acontece quando se trata de enterrar milhões no futebol, como aconteceu com os novos dez campos de futebol, do euro 2004, que alguns nem sequer conseguem dinheiro para a sua manutenção, quanto mais para a amortização.

Quanto tive de ouvir e ler por causa do Porto de Sines, durante muitos anos apelidado de elefante branco!

Hoje considerado um investimento estratégico

Com a barragem do Alqueva, décadas e décadas de discussão, sem que alguém tomasse uma decisão

O mesmo está a acontecer com o aeroporto de Beja: a maior pista de aviação do país

Há dias serviu de recurso para a descolagem de um voo chater, que não conseguiu horário no aeroporto Humberto Delgado

Os passageiros reclamaram e com razão, mas espero, que um dia o aeroporto de Beja, ainda tenha uma solução feliz

E, pergunto,qual a razão para que Beja seja a única capital de distrito, que não tem uma autoestrada?

 Hoje, todos os oplíticos se dizem interessados em desnvolver o interior do país, projetos não faltam!

Mas, infelizmente, são só para ingles ver e caçar votos, porque as eleições estão à porta.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

30
Jun18

OIM

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Migrantes

Os vinte e sete países da União Europeia estão cada vez mais desunidos sobre os refugiados

Às 4h35 da madrugada de 29/06/2018 chegaram a um acordo, que mais parece um desacordo

Com o que todos estão de acordo é continuarem a passar férias baratas, nos países dos migrantes, que querem entrar na Europa

Com o que todos estão de acordo, e ninguém se indigna é com a continuação da exploração de mão-de-obra barata, nas fábricas de confeções, que produzem produtos de marca, de que tanto gostam os europeus, não se importando que sejam manufaturados por crianças, sem quaisquer condições, numa exploração desumana

A Europa, através das suas colónias, explorou muita gente dos outros Continentes

Mais tarde ou mais cedo teremos de pagar a pesadíssima fatura de todos os séculos de exploração

Os novos defensores de muros, na Europa, não têm qualquer visão, tem saudades das guerras, e para isso estão a utilizar os refugiados

Querem acabar com a União Europeia, associando-se a Putin e Tramp, que têm o mesmo objetivo

A Europa não se pode fechar no seu egoísmo, deixando morrer, os desesperados, no cemitério do alto mar

Todos, nasçam onde nascerem, têm direito a procurar melhores condições de vida

Os portugueses, em todos os tempos, sempre procuraram, dentro ou fora do país, melhores condições de vida

No dia, do matutino acordo, que mais parece um desacordo, o doutor António Vitorino foi aclamado Diretor-Geral da Organização Internacional das Migrações, a quem desejo o maior êxito, nas suas novas funções, porque do seu saber e determinação, dependem muitos milhões de vidas.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

24
Jun18

O envelhecimento!

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Verão

 

Verão: calor, mais horas de sol, praia, mar

Férias, amigos, descompressão, amar

Viagens, convívio, matar saudades, sonhar

Reencontros, festivais, namoros, folia

Uma estação de muita acalmia

Com a natureza numa grande bonomia

Com as noites a fazerem de dia

Com os relógios, também, a fazerem férias

A redimirem-se dos onze meses, que nos atormentam

Não nos deixando acabar o sono

Sempre a lembrarem-nos que as vinte e quatro horas diárias

Não chegam para nada, a não ser para nos cansarem

São elas que nos envelhecem!

Sempre a pressionarem-nos, não nos deixando fazer o que gostamos

Sempre a lembrarem-nos que temos compromissos

Que temos e devemos ser pontuais

Porque quem nos espera não pode esperar mais.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

20
Jun18

O sonho americano!

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Que interessa!

 

Que interessa que os professores façam greve às notas, aos exames, ou às aulas!

Se temos futebol vinte quatro horas, por dia

Que interessa que os políticos tenham escolhido esta altura, para falarem de demografia, natalidade, défice demográfico!

Se ninguém os houve, porque estão todos sentados em frente aos televisores, a chorarem ou a rirem, de boca aberta, à espera que uma bola lhes acerte

Que interessa falar de natalidade!

Se não dão, aos que podem fazer filhos, as condições, para os criarem

Por que razão culpam a eutanásia de matar os velhinhos?

Se este ano, nos primeiros dias, o frio congelou cinco ou seis mil, por dia, para sempre

Que interessa aos mais de dois milhões de pobres, que lhes deem oportunidade de se empanturrarem de futebol, se eles não têm TV. Sport

O que deveria ter sido feito, não foi, porque os políticos não têm coragem de o fazer

Terem decretado, em Janeiro, que este ano, todos os portugueses tinham de passar férias de quinze de Junho a quinze de Julho, para poderem ver o campeonato do mundo de futebol

A fim de não perturbar o nosso glorioso crescimento económico, que tanto prestigio nos tem dado, ao ponto do Ministro das Finanças, para Presidente do Euro-grupo, ter sido nomeado

Todos os canais de televisão estão a abarrotar de ex-futebolistas, de comentadores de futebol, de doutorados em futebol, nada mais há para ver ou discutir

Que interessa que haja milhões de vidas em perigo, no alto mar!

Se a União Europeia se transformou numa desunião, em que são mais os que se recusam em receber os migrantes, do que aqueles que os querem receber!

Valeu-nos o bom exemplo de Espanha, para podermos ver sorrisos desinteressados de crianças, que sem saberem o que estava a acontecer, exibiam o pouco que tinham, com a mais pura alegria

Que interessa o sonho americano!

Se um tirano

Afasta, os filhos, dos pais

Para os traumatizar, para sempre.

 

José Silva Costa

 

 

 

14
Jun18

Natalidade

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Junho

No sorriso do teu amor

Santos Populares em andor

Faz com que todas as terras

Tenham um padroeiro

As marchas são do povo, inteiro

Todas querem ficar em primeiro

Numa festa que mexe com a localidade

Todos os Bairros querem publicidade

Contam com o encanto da sua mocidade

Numa promessa de vitalidade

Em que todos gostam de se enganar

Sabendo que não há natalidade

Que consiga suportar a terceira idade

Que não para de aumentar

Enquanto, nos nascimentos, não param de poupar

Assim, não conseguiremos, os dez milhões, aumentar

Veremos, cada ano, a população, a baixar

A não ser, que o Santo António, nos consiga ajudar

Com os casamentos em série

Que há cinquenta anos foram seis dezenas

E, este ano não chegaram a duas dezenas

Só nos resta uma esperança

Que os migrantes mudem de ideias

Queiram no nosso país, ficar

Para nos ajudarem a crescer.

 

José Silva Costa

 

 

 

12
Jun18

Lisboa!

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Festas de Lisboa

 

Lisboa, quem te viu e quem te vê!

Antigamente: desconfiada, amordaçada, num vestido de chita, enfiada

Cantando o fado, com uma canastra de peixe, à cabeça, carregada

Com muitos negócios de vão de escada

Passavas os dias, calada, com medo da piada, atribuída ao símbolo da cidade: dois corvos num barco

“se pias, embarcas”

Só os pregões quebravam a monotonia de uma cidade, vazia

--- O homem do ferro velho: “quem tem trapos, garrafas ou jornais, para vender”?

--- A varina: “é carapau e sardinha, vivinha da costa”

--- A mulher da fava-rica; “ fava-rica, quem quer almoçar”?

--- O ardina : “Século, Diário de Notícias”

Um compadre meu, apanhou um comboio, com destino à estação de Sul e Sueste, cuja viagem de comboio terminava no Barreiro, sendo o resto do percurso feito de barco, para ir depositar o dinheiro da cortiça.

Mal saiu do comboio, apareceu o ardina a apregoar: Século, Diário de Notícias, Século, Diário de Notícias

O meu conterrâneo percebeu, cerca o da cortiça; voltou para o comboio e seguiu para casa

A mulher estranhou a rapidez da viagem, e pelo aspeto do marido, viu, logo, que algo tinha corrido mal

Foi, então, que ele lhe disse: Vê lá, que mal saí do comboio, no Barreiro, apareceu um homem a gritar: “ cerca o da cortiça, cerca o da cortiça”

Como é que eles sabiam que eu tinha vendido a cortiça?

Lisboa, com os seus bairros populares, sempre em competição, mas o mais badalado era o Bairro Alto, onde se situavam os jornais, as casas de fado e as de prostituição, lado a lado

Uma coisa que não mudou foi a pedinchice! Parece-me que o país sempre viveu de mão estendida

Pelo Santo António, em cada esquina, um bando de miúdos, com uma imagem do santo, na mão, pediam: “ um tostãozinho para o Santo António”.

 

José Silva Costa

08
Jun18

O tempo!

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O tempo

 

O tempo! Nunca consegue a unanimidade, no contento

Uns querem chuva, outros sol, e, outros vento

Uns querem-no radioso e, outros cinzento

Vai-se o sol, vem a chuva e o vento

Temos tido uma Primavera fresca, alguma chuva e vento

Para acabar falta pouco mais, que um momento

Ai o tempo! Como é que poderia agradar a todos?

Só se chovesse no nabal e fizesse sol na eira, ao mesmo tempo

O tempo, é motivo de conversa a todo o momento

Em breve chegara o Verão, para mais um julgamento

Uns querem-no bem quente, outros, ameno.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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