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cheia

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21
Set18

O amor

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Meu Amor

 

Meu amor, os anos têm muito calor

És a mais linda flor

O teu perfume é encantador

Os anos não apagam o seu ardor

Viajamos nas asas do amor

Com os nossos sonhos sem cor

À procura do paraíso em flor

Onde possamos colher a nossa flor

Continuaremos com o nosso encantamento

Até que se apague o tempo

Na doçura dos braços do vento

Onde, todos estes anos, temos estado

Neste longo caminho, lada a lado

Continuamos a nossa caminhada

Acompanhados pelo sol, na nossa morada

Minha eterna namorada.

José Silva Costa

 

 

 

17
Set18

Viva a música

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Viva a música

Loulé inaugurou uma academia de música

Com uma cajadada matou dois coelhos: recuperou um palacete, para instalá-la

A única a sul do Tejo!

Ficaria, ainda, mais contente se tivesse sido em Beja ou Évora

O interior esquecido, que todos têm perto dos lábios, mas longe do coração

Depois do betão, das rotundas, das autoestradas, a valorização: cultura

Não sou dos que dizem mal do betão, das rotundas, das autoestradas

Infelizmente, temos muitas pessoas a viverem em barracas

As rotundas são a melhor solução, para fazer fluir o trânsito, nos cruzamentos e entroncamentos

As autoestradas encurtaram as distâncias

Mas, revolta-me, que não tenhamos pré-escolar para todas as crianças

Quando o pré-escolar deveria ter sido a primeira prioridade

Mas, nós damos mais valor às festas da cidade

Isso do ensino, poderá ou não ver-se algum resultado, monetário, ao fim de 20 ou 30 anos!

Muitos parabéns aos Louletanos.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

13
Set18

Bebo o vento

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Adivinho um novo tempo

Quando bebo o vento

Uma grande transformação está em andamento

Já há muito tempo

Mas, o século XXI deu-lhe um grande andamento

Quando bebo o vento

Vejo muita gente muito revoltada por dentro

Que calou muitos segredos durante muito tempo

Mas, o século XXI deu-lhe um grande alento

Abriu-lhe a boca, e ela disse tudo o que tinha lá dentro

Aqueles que, no exercício de altos cargos, os outros humilharam

Estão, todos os dias, a ser denunciados

Houve, como que, o destapar de uma panela de pressão

Rebentaram escândalos, como nunca ninguém tinha visto, até então

Os acusados não conseguem calar a multidão

Da Igreja ao cinema, da televisão à diversão

Chovem pedidos de demissão, resignação, perdão

Mas, nada disso cala a multidão

Foram muitos anos de humilhação.

José Silva Costa

07
Set18

As recordações!

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O crime organizado

O negócio dos incêndios tem vindo a aumentar

Mostrando que está bem organizado

Conta com muito apoio, que julgávamos insuspeito

De nada serviram as limpezas, as campanhas publicitárias

As ameaças exercidas

Quem é que está a fazer desta tragédia, um bom modo de vida?

Querem muito sol e vento, queimam a Norte, a Sul e ao Centro

Depois da trágica incompetência do ano passado

Agora, tentam salvar vidas

Quanto ao resto permanece o lema - “deixa arder, que o meu pai é bombeiro”

Este ano, para além dos pinheiros e eucaliptos, arderam também azinheiras e sobreiras

Que, se calhar, não dão tanto dinheiro

As sobreiras, que levam meio século a crescer, têm feito, com que Portugal

Na produção de cortiça, seja o primeiro

Mas, tendo a sorte de ver a vida poupada, não quer dizer que não sinta

A morte das casas, dos animais e das árvores, que os avós e os pais plantaram

Morreram azinheiras e sobreiras centenárias, com fogo, por mão de criminosos, ateado

Já não é só o incendiário, mas o crime muito bem organizado!

Sem o suficiente empenho na defesa de bens, que gastaram gerações, para serem criados

Com tanto esforço em meios humanos e materiais, não se veem resultados!

José Silva Costa

 

 

04
Set18

Como geril o sol?

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O tempo

 

Um tema que dá para entabular conversa com qualquer pessoa, em qualquer momento

Nunca ninguém está contente com o tempo

Ou porque faz sol, ou porque chove, ou porque está vento

Conversa para matar o tempo!

Porque não consegue alterar o tempo

Uma vez que não conseguimos influenciar o tempo

Vamos escolher entre o horário de verão e o de inverno

Na ilusão de que vamos alterar o nascer e o por do sol

Quem expressou a opinião quer o horário de verão

Mas eu não (quero os dois)

Já vivi essa experiência um ano e não gostei

Tive de me deitar às vinte e duas horas, ainda, com sol

E levantar-me às seis estremunhado

Esta discussão já vem do passado

Como nasci no campo, onde não havia fábricas nem escritórios

As pessoas viviam do que conseguiam arrancar da terra

Falavam muito da hora solar e da hora oficial

Quando tinham de tratar de assuntos burocráticos tinha de se sujeitar à hora oficial

Mas, nos trabalhos do campo mandava a hora solar

Se optarem pelo horário de verão

Vamos ter o sol a nascer às nove horas, nos dias de menos horas de sol

Como, atualmente, muita gente começa a trabalhar às oito

Terão de alterar o horário, porque ao ar livre não há interruptor para acender a luz.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

31
Ago18

O que fazer?

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Tragédias

 

Tanta irracionalidade

No ato de matar

Porque ninguém tem o direito de tirar

A vida, seja a quem for

Tanta maldade, tanta dor

Na irracionalidade, do amor

Tanta brutalidade, no ato de matar o outro

A vida não tem dono!

Foi-nos concedida

Por ninguém, pode ser interrompida

A vida é a única coisa que temos

Nenhum pretexto a pode aprisionar

Quanto mais, tira-la!

Tanto horror

Um homem matar a companheira!

Sem pensar, no horror, que é matar

Aquela, que dizia amar

Aquela, que tanto sofreu, para filhos, lhe dar

Como vão, os filhos, encara-lo!

Não se pode matar, muito menos, uma mãe

Que tanto sofre para, a vida, nos dar

Como é que alguém tem a monstruosidade de lha tirar

Sem pensar nos filhos, nos amigos, nos familiares

Naquela, com quem anos viveu!

Na terrível dor, que lhes vai causar!

Ninguém pode matar

Seja quem for!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

27
Ago18

Acabaram!

cheia

Últimos dias de Agosto

O mês mais desejado

Está praticamente acabado

Podes não ter sido o mais quente

Mas foste o de encontros de muita gente

Um mês de férias, de praia, de viagens, um mês diferente!

Todos os anos fazes parte dos planos de muita gente

Esperamos por ti, desesperadamente

Passas quase instantaneamente

Ficamos, sempre, com a sensação de que não te aproveitamos convenientemente

Passaremos mais um ano a fazer planos para sermos mais eficientes

Gostamos de noites quentes, para aquecermos os ossos dos nossos dentes

E esquecermo-nos do inverno, os dias tristes, que parecem um inferno

Um ano de canseiras que nunca têm fim

Acaba-se agosto, acabam-se as férias, perdem-se os rostos

Voltam os anseios por um novo agosto

Para nos encontrarmos, de novo, nas festas, nos bailaricos, em todos os sítios

Ainda não acabaste e já estamos a pensar no próximo

Boas férias, para ti, agosto

Adeus, até para o ano.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

23
Ago18

Géneros

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Géneros

 

Até há pouco tempo, só admitíamos a existência de dois géneros: feminino e masculino

Agora, felizmente, parece que se acabaram todas as certezas, e estamos no ponto de dizer, como o filósofo “só sei que mada, sei”

Assim, na Alemanha e Austrália já se preparam leis, para que nos documentos do registo civil, uma nova designação possa ser utilizada: feminino, masculino, indefinido, ou palavra semelhante

Quando, à nascença, o género não esteja devidamente definido, ou durante a vida, quem não esteja de acordo com o género atribuído, poderá mudar de género

Que tempos, que desafios, que respostas seremos capazes de lhes dar?

A inteligência artificial não para de nos surpreender!

Depois de todos os automatismos, que tanto nos têm facilitado a vida, começamos a utilizar robôs, para doentes mentais, estimular

Que lugar, no futuro, aos humanos, estará reservado?

Vamos continuar a comandar os robôs ou, por eles, ser comandados?

Tantas perguntas, a que, atualmente, poucos ou nenhuns saberão responder

O melhor é preparamo-nos, para novas coisas ver, e estar sempre disponível, para as tentar entender.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21
Ago18

VOZ

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Miguel Torga

 

Coimbra,6 de Abril de 1943

 

 

                                           VOZ

 

Era o céu que sorria nos seus olhos.

Eram junquilhos trémulos aos olhos,

As flores do rosto que eu beijava.

Fresca e gratuita como um hino à lua,

Nua,

Era um mundo de paz que se entregava.

 

Oh! Perfume da Vida! - gritei eu.

Oh! Seara de trigo por abrir,

Quem te fez todo o pão da minha fome?

 

Mas os seus braços, longos e contentes,

Só responderam, quentes:

   - Come

 

15
Ago18

A viagem

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A viagem

 Adormeço nas ondas do teu cabelo, a ouvir o mar

Contigo, os dias são rios, no mar, a desaguar

São torrentes de perfume, onde gosto de navegar

Enfeitiçado pelos teus olhos, não quero mais acordar

Há mais de meio século que estamos neste mar

Uns dias calmo, outros mais agitado, mas, não vamos naufragar

Um dia, a um porto vamos atracar

E, aí ficaremos, para sempre, a pernoitar

Deitados no perfume dos teus cabelos, presos às ondas do mar

Agarrados, como na primeira noite, em que a Lua nos veio deitar

Orgulhosos dos frutos, que deixamos no pomar

Para que a nossa viagem, por muitos séculos, continue a caminhar.

  

José Silva Costa

 

 

 

 

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