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11
Dez25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

143

O Asdrubal dirigiu-se imediatamente  para o palácio do Governador, não queria chegar atrasado, para mais um jantar no palácio do Governador

Durante todo o caminho foi saboreando os beijos e o perfume da Francisca, estava de tal  maneira inebriado, que todos o notaram no brilho e alegria dos seus olhos

No fim do jantar, o Governador convidou-os a ficarem mais um dia em Luanda, para a conhecerem melhor e poderem apreciar a sua linda baía

Aceitaram o convite, o Rei agradeceu ao Governador e a todos os Luandenses a hospitalidade com que tinham sido recebidos, por todos

No dia seguinte, o Asdrubal, voltou a pedir ao Rei, que o dispensasse de o acompanhar, porque queria voltar a encontrar-se com a Francisca

O Rei disse-lhe que sim, que sabia muito bem o que era estar apaixonado, e aproveitou para lhe perguntar como fariam dali em diante. O Asbrubal respondeu-lhe que era isso que iam tentar combinar

Foi uma noite mal dormida, passou-a a arranjar maneira de ficar perto da Francisca, para sempre. Levantou-se cedo e foi para a porta da Cooperativa, quando ela chegou já ele estava à sua espera

Ficou radiante, estava encantadora, aos olhos do namorado estava, cada vez, mais bonita, não esperava por ele tão cedo, o que queria dizer, que já não podia passar sem ela

Beijaram-se, e ela perguntou-lhe se já estava ali há muito tempo, respondeu-lhe que não tinha conseguido dormir, porque passara a noite inteira a tentar encontrar uma maneira de ficar junto dela. Beijaram-se mais uma vez, e ela segredou-lhe, que a ela também lhe tinha acontecido o mesmo

Foi, então, que lhe revelou a sua decisão, viria para Luanda, para estar sempre junto dela, só faltava pedir ao Zico, se lhe arranjava uma lavra, para poder governar a vida   

Com aquela revelação, toda ela floresceu, sabendo que o Zico não só não lhe negaria ajuda, como mobilizaria toda a Cooperativa, para o ajudar, fazendo com que ele se pudesse mudar para Lunada, para puderem estar perto um do outro

Ambos estavam muito felizes, por saberem que tinham a ajuda de todos, para que estivessem perto um do outro e fossem muito felizes

Ao Asdrubal toldava-lhe a alegria, não saber como reagiriam os pais, mas esperava que compreendessem a sua decisão, mais tarde ou mais cedo deixaria o “ninho”.

Continua

 

   

04
Dez25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

142

Terminada a visita, deram os parabéns ao Zico pela grandiosa obra, que os cooperantes tinham construído, para bem de todos

O Zico, pela sua parte agradeceu a visita, dizendo-lhes que voltassem sempre que quisessem, ficou à fala com o Asdrubal, mas por pouco tempo, porque sabia que com quem ele queria falar era a Francisca

Assim, acompanhou-o ao seu departamento e ausentou-se, para que eles pudessem falar à vontade. O Asdrubal começou por lhe dizer que ela era muito bonita, e desde que a vira nunca mais deixou de pensar nela. Também não se fez rogada, dizendo-lhe que lhe acontecera o mesmo, receando que nunca mais o visse

Disse-lhe que estava muito feliz por voltar a vê-la, e que, também, ele teve esse receio. Mas, felizmente, que a paz entre os dois reinos tinha feito com que se pudessem visitar, o que para todos tinha sido muito bom,m para eles tinha sido excelente, por já não puderem passar um sem o outro

Ficaram à conversa, falaram de tudo e de nada, uma maneira de apresentação de um ao outro, tentando descobrir se à atração física também correspondiam os princípios e os sentimentos

Era tal o embeiçamento, que se esqueceram do pôr-do-sol, no breu da noite, caminharam até à casa dela, queria apresenta-lo ao pai, fazer-lhe uma surpresa, para que fosse o primeiro a saber do seu namoro

O Manuel, quando viu a filha entrar em casa, acompanhada de um rapaz, que desconhecia, ficou um pouco atrapalhado, sem saber o que dizer. Mas, a filha, sem rodeios, apresentou-o, dizendo que era o Asdrubal, o seu namorado

O pai deu-lhe as boas-vindas, dizendo que estivesse à vontade, como se a casa fosse sua, e acrescentou que já tinha ouvido falar muito bem dele, mas já não se lembrava se teria sido o Zico ou o Governador, fosse quem quer que fosse, a filha estava de parabéns, por ter escolhido um bom rapaz, o Asdrubal aproveitou para lhe dizer que também ele estava de parabéns por ter umas filhas muito bonitas

De seguida, pediu-lhe para se ausentar, porque não queria chegar atrasado ao jantar, no palácio do Governador, com o Rei e a restante comitiva

A Francisca acompanhou-o à porta, combinaram encontrar-se no dia seguinte, caso fosse possível, não sabia o que é que o Rei tinha decido fazer, mas certamente iria vê-la, o que fez sorri-la. Na despedida, beijaram-se pela primeira vez.

Continua

 

  

  

27
Nov25

O Império

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O Império  -   As teias que  o Império teceu

141

Quando o Rei anunciou a data da ida a Luanda, os olhos do Asdrubal sorriram de alegria, dentro de poucos dias voltaria a Luanda, para ver a Francisca, estava muito grato a quem o convidou, para um casamento, onde iria encontrar a encantadora Francisca

Aqueles poucos dias pareceram-lhe anos. Mas, o tão desejado dia chegou. Bem cedo, os seis puseram os pés ao caminho, era uma grande jornada, esperavam ser bem recebidos, porque desde que os dois reinos tinham confirmado a paz com um aperto de mão, os dois povos já tinham colaborado, principalmente, na troca de técnicas agrícolas

Ao chegarem a Luanda, foram encaminhados para o palácio do Governador, onde foram recebidos, com todas as honras, pelo Governador, que lhes deu as boas-vindas e informou-os de que podiam permanecer, em Lunada, o tempo que quisessem, utilizando os aposentos do Palácio. O Rei agradeceu a maravilhosa receção e amizade com que tinham sido recebidos

Como vinham muito cansados, o Governador indicou-lhes os aposentos, onde iriam pernoitar, e de seguida foram todos, para a sala de jantar

Depois do jantar, Governador e Rei reuniram-se, para que este transmitisse a sua mensagem ao Governador

Quando o Rei lhe disse que o seu reino pedia para ser integrado no reino de Portugal para acabar, definitivamente, com as guerras, e permitir que todos os povos de Angola pudessem viver sob a proteção do maior reino do mundo, o Governador ficou surpreendido com o pedido, mas aproveitou para lhe agradecer tão honroso pedido, dizendo que o Rei de Portugal, certamente, ficaria muito contente por ser soberano de uma Angola, unida

No dia seguinte, o Governador convidou-os para irem conhecer a cidade e a Cooperativa, o Asdrubal, que queria, quanto antes, voltar a ver a Francisca, ficou tão contente que, os que sabiam da sua paixão por ela, o notaram, imediatamente, ao verem os seus olhos a sorrirem de esperança

O passeio pela cidade é que demorou mais do que o que ele esperava. Teve de conter a ansiedade até que, finalmente, chegaram à Cooperativa. O Zico estava à espera dos ilustres visitantes, e assim que chegaram apresentou-se, convidando-os para conhecerem todos os departamentos e o que, em cada um, se fazia

Quando chegaram ao da Francisca, lá estava ela, florida de felicidade por voltar a ver o Asdrubal, e mais feliz ficou, quando os seus olhos, dois raios de luz, a iluminaram

Ao passar por a Francisca, o aperto de mão foi mais vibrante e não deixou de lhe dizer que mais tarde queria voltar a falar com ela, tendo seguido, porque não queria perder a visita a toda a Cooperativa

Quando a visita terminou, o Asdrubal pediu ao Rei, para ficar na Cooperativa, com a desculpa de que precisava de falar com o seu amigo Zico.

Continua

 

20
Nov25

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

140

Foi a maior e mais bonita festa, que a cidade já viu. Todos estavam muito felizes, nunca se tinha visto uns noivos tão populares, todos os conheciam e queriam abraçar e beijar, foram precisas muitas horas, para poderem dar atenção àquele mar de gente, muito alegre e contente

Os visitantes ficaram mais uma noite em Luanda, pernoitaram mais uma vez na Cooperativa. Estavam muito gratos a todos, pela afetuosa receção, mas queriam voltar a casa, quanto antes, para transmitirem a mensagem do Governador ao seu Rei

Para além de se sentirem muito honrados pelas atenções com que foram recebidos, estavam muito empolgados por serem portadores de uma mensagem, que poderia ser muito importante, para os dois povos

Um dos forasteiros, o Asdrubal, ficou encantado com a Francisca, a única irmã, ainda, solteira das cinco irmãs da noiva, e ela bem deu por esse olhar, que a seguiu por todo o lado, como se fossem duas setas de cúpido. Mas, a Francisca não lhe deu muita importância, por se tratar de um estrangeiro, que nunca mais viria

De regresso a casa, todos estavam muito felizes, e isso notava-se nos seus rostos, saudados com euforia, por onde passavam, recebidos, como heróis, por terem cimentado a paz, mais uma vez, por ser o mais importante, para todos os povos

Quando chegaram à cidade, dirigiram-se imediatamente para o Palácio Real, onde foram recebidos e cumprimentados, um a um, pelo Rei, que muito lhes agradeceu a missão, de seguida, o porta-voz do grupo, transmitiu ao Rei a mensagem do Governador de Angola

O Rei ficou tão contente com a resposta à sua mensagem, que lhes pediu para serem eles a escolherem, entre os seus pares, cinco homens, para o acompanharem na sua viagem a Luanda

O Asdrubal foi o nomeado para escolher quem iria acompanhar o Rei a Luanda. A nomeação teve em conta o que os companheiros já sabiam da sua paixão, pela Francisca. Assim, o Asdrubal tinha a oportunidade de voltar a ver a sua amada, mais cedo do que esperava, ainda-por-cima na companhia do seu Rei, o que poderia ser uma boa oportunidade, para lhe dizer quanto a amava

Escolhidos os cinco, que acompanhariam o Rei, este anunciou-lhes a data em que iriam a Luanda, uma vez que estava ansioso para apresentar, ao Governador de Angola, a sua proposta de unificação dos dois reinos, colocando o seu reino sob a proteção do reino de Portugal, um reino tão grande e poderoso, que nos seus domínios o sol nunca se punha.

Continua

 

13
Nov25

O Império

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139

O Manuel, pai da noiva, queria que a festa fosse realizada no palácio do Governador, como acontecera com as das irmãs, até já tinha a autorização do seu sucessor, seu genro. Mas, os noivos não aceitaram, dizendo que preferiam que fosse na Cooperativa, onde se sentiam mais à vontade e o queriam era a confraternização de toda a cidade

Pela primeira vez, estaria presente uma representação do vizinho reino a Norte de Luanda, que foi convidada pelos noivos, por intermédio do Tico, Presidente da Cooperativa, para cimentarem a amizade conseguida entre os dois vizinhos, depois de os dois Governos terem firmado um acordo de paz, e na sequência da visita do Tico, para trocar ensinamentos, sobre a agricultura, com os seus colegas do reino a Norte de Luanda

O Rei do reino a Norte de Lunada ficou muito sensibilizado, pelo convite aos seus agricultores, para participarem no casamento da Jesuína e do Aurélio. Aproveitou esse contacto, entre os povos dos dois reinos, para enviar uma mensagem ao Governador de Angola, pedindo que se voltassem a encontrar, onde ele quisesse, tanto podia ser em Luanda, como no seu reino. Tinha uma proposta para lhe fazer, que muito agradaria aos dois povos

Os noivos, à semelhança do que tinha acontecido nos casamentos das irmãs da Jesuína, convidaram toda a cidade, para o seu casamento. Estavam orgulhosos por serem os primeiros a ter convidados do reino vizinho, devido ao acordo de paz entre os dois reinos

Os convidados de fora, vieram na véspera do dia da boda, foram recebidos pelo Tico, que  foi o primeiro a apresenta-los ao Miguel, aquém transmitiram a mensagem de que tinham sido incumbidos pelo seu Rei. O Miguel agradeceu-lhes a mensagem e pediu-lhes para dizerem ao seu Rei, que estava convidado para vir a Lunda, quando quisesse, que seria muito bem recebido

De seguida, o anfitrião foi apresentá-los aos noivos, que lhes apresentaram, também, as boas-vindas e lhes agradeceram terem aceitado o convite, para estarem presentes no dia mais feliz das suas vidas

Pernoitaram nas instalações da Cooperativa, a convite do seu Presidente, que os tinha convidado, para o casamento, em nome dos noivos

No dia do casamento a cidade acordou alegre, airosa, formosa, como nunca se tinha visto, não tinha sido decorada, a sua beleza estava no sorriso de cada um dos seus habitantes

Todos estavam imbuídos de uma alegria contagiante, via-se que a cidade estava muito feliz por participar nas cerimónias do casamento de uns noivos muito queridos, por todos

Os olhares eram flores atiradas ao ar, com um brilho e perfume, que só a África tem. Tinha chovido, como diz o ditado: casamento abençoado. Toda aquela multidão estava envolvida no cheiro a terra molhada, quente.

Continua

 

06
Nov25

O Império

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138

Nunca se tinha visto um namoro tão intenso, como o da Jesuína e o Aurélio, enquanto ela fazia o seu trabalho, na Cooperativa, ele ajudava-a, para que depois, fosse ela a ajudá-lo no trabalho das lavras. Já todos diziam que os pombinhos andavam a construir o ninho

O que é certo, é que, o facto de passarem muito tempo juntos, ajudava a que fossem cimentando uma amizade baseada no conhecimento mútuo sobre como cada um encarava o futuro, juntos

A Jesuína estava muito marcada por mal ter conhecido a mãe, que morrera quando ainda era muito pequena, admirava o pai, por ter conseguido criar seis filhas, sozinho. Mas, continuava convencida de que tinha sido uma grande perda, para todos, fazendo com que as suas vidas tenham sido muito prejudicadas, por não terem sido acompanhadas pelos dois progenitores, sendo que o pai foi o mais prejudicado, por ter desistido da sua vida, dedicando-se inteiramente às filhas

Por isso, queria saber se o namorado partilhava da opinião de que para criar uma criança, o ideal é que seja um casal que, por vezes, ainda têm de pedir ajuda aos avôs, se forem vivos

O Aurélio disse-lhe que estava totalmente de acordo e que estaria sempre ao lado dela e dos filhos, não faria como alguns homens, que tinham tantas mulheres e filhos, que nem os conheciam

As palavras do namorado deixaram-na tranquila, cada vez estava mais contente e feliz por ter feito a escolha certa, desejando que em breve casassem, para estar sempre ao lado do homem, que amava

O pai parecendo-lhe que estavam a andar depressa de mais, perguntou-lhe quando pensavam casar, a filha respondeu-lhe que seria o mais rápido possível, porque já não tinham idade para andarem a perder tempo em anos de namoro, queriam ter filhos e o tempo não esperava

Disse-lhe que a compreendia e que ela sabia quanto ele gostava de ter muitos netos, e que tudo faria, para que todas as filhas fossem muito felizes, como o tinha feito, sempre, desde que a esposa tinha morrido devido ao parto do nascimento da filha mais nova

Tudo se conjugava, para que em breve houvesse mais um casamento, um acontecimento, que muito contribuiria para um grande convívio e muita alegria, como tinha acontecido com todos os casamentos das irmãs

Também, na Cooperativa, se vivia um momento de euforia, todos conheciam e tinham muito carinho pelos noivos, desejando que fosse uma bonita cerimónia e que os noivos fossem muito felizes.

Continua

 

30
Out25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

137

A noite pareceu-lhes muito mais longa, mal o sol rebentou, voltaram a encontrar-se, para continuarem a jornada, que o escuro tinha interrompido

Beijaram-se como senão se vissem há séculos, os seus olhos continuavam a brilhar como no primeiro minuto em que se cruzaram, pareciam quatro rosas a desabrochar, estrelas a cintilar, como que a quererem os corpos hipnotizar, fazendo-os abraçarem-se e o tempo parar

Queriam saber o mais possível um do outro, para avaliarem se o seu enlace era compatível com o que cada um queria, para o futuro

Não tinham tempo a perder, aquele encontro tinha sido uma estrela a iluminar as suas vidas, pela qual tanto esperaram, não querendo, nem um, nem outro, perder tempo em vão

Não pretendiam perder muito tempo a namorar, queriam casar-se, viver juntos, muito felizes, para sempre. Estavam de acordo em ter filhos, sem os quais não se sentiriam realizados

Apesar de se conhecerem, havia tão pouco tempo, a Jesuína estava deslumbrada pela coincidência de gostos e ideais, que ambos já tinam revelado um ao outro

Como futura mãe preocupava-a a educação dos filhos, sabendo que são as mães, nos seus primeiros anos, que mais tempo estão com eles, tendo muita influência na sua educação, o que fazia com que quisesse, para pai dos seus filhos, um homem que estivesse disponível, para a ajudar nessa tarefa

Não concordava com a nova moda, defendida por algumas mulheres, de que sozinhas os educavam tão bem, como se fossem os dois progenitores, para ela era indispensável o exemplo do pai e da mãe, só esse equilíbrio os poderia preparar para o futuro, para uma convivência saudável com os dois sexos, necessários para a conceção

Estava consciente de que tinha de dar tempo ao tempo, durante o namoro teriam muitas oportunidades de falarem sobre todos os assuntos importantes, tentando acertar o passo, para que quando casassem tudo corresse bem

Quem ficou, também, muito contente, com o namoro, foi o Manuel, pai da Jesuína, que deseja ver todas a filhas casadas. Mesmo não conhecendo o Aurélio, estava certo de que a filha, tal como as outras 4 irmãs, que tinham bons maridos, também, era capaz de encontrar um bom companheiro. Se aquele romance fosse bem-sucedido, só faltava a Francisca encantar um parceiro, para que visse as filhas todas casadas e cumprido o seu grande sonho.

Continua

 

23
Out25

O Império

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O Império    -    As teias que o Império teceu

 

O Miguel conferenciou com a Zulmira, para combinarem o que escreveriam ao Rei de Portugal, para lhe darem a boa nova de tão proveitoso acordo

 Na carta, que iriam enviar ao Rei, quando houvesse portador, isto é, quando o barco da carreira da Índia atracasse ao porto de Luanda, sendo que a resposta poderia demorar muitos meses

Quem não perdeu tempo foi o Zico que aproveitou as boas relações, com os vizinhos do Norte, para lhes fazer uma visita, acompanhado de mais três sócios da cooperativa, no sentido de trocarem experiências sobre as culturas, os produtos cultivados e o possível intercâmbio entre a cooperativa e os agricultores do Reino a Norte de Luanda

Antes de regressarem a casa, ainda, foram recebidos pelo Rei, que lhes agradeceu a visita, acrescentado que estava muito contente pelo interesse demonstrado em ensinarem, aos seus agricultores, novas técnicas e a sementeira de novas culturas, o que muito contribuiria para mais produção de alimentos e a esperança de eliminar a fome

No dia seguinte, a Jesuína e o Aurélio voltaram a encontrar-se, ambos estavam muito felizes, já eram namorados, no dia anterior, antes de se despedirem, o Aurélio pediu-lhe namoro, e ela aceitou imediatamente, dizendo-lhe que, só, não foi ela a pedir-lhe namoro, porque ele poderia não achar graça e não aceitar

Respondeu-lhe que ela era muito engraçada e que estava encantado com a sua postura, parecia que tinham sido feitos um para o outro, que o amor era louco, os olhos é que o sabiam ver, e que os seus, mal a viram, incendiaram-lhe o corpo, com um fogo, que não parava de arder, ficando mais suave, quando estava junto dela

O Aurélio não ficou sem resposta, a Jesuína acusou-o de terem sido os olhos dele a encantarem-na, de tal maneira, que tinha sido ela a ter de ir falar com ele, porque aquela ótima radiação lhe estava a dizer que não podia continuar a fazer sofrer aquele coração

Foi uma feliz decisão, retorquiu o Aurélio. Assim, não só, não perdi o meu, como ganhei o teu, para poder oferecer-te, o meu

Ambos ganhámos: sorriu, beijou-o, acrescentando, agora, temos dois corações, estamos muito mais fortes, quando um se cansar, há outro para o ajudar, para o massajar até recuperar, fazê-lo de novo sorrir, para que nenhum dos nossos corações se volte, só, a sentir-se

Sem que dessem pelo tempo passar, o sol caiu no mar, tiveram de, a casa, regressar. Mas, a separação não estava a ser fácil, quanto mais se beijavam, mais tempo, juntos, queriam ficar, para os beijos continuarem a saborear, parecendo não se quererem apartar.

Continua

 

16
Out25

O Império

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O Império   -    As teias que o Império teceu

135

Alguns dias depois, os vinte e cinco heróis foram homenageados na cooperativa, onde todos se podiam reunir, onde havia lugar para todos, fossem ou não sócios. Mas, como a cidade compareceu em peso, o espaço foi insuficiente. Assim, todos tiveram de ficar na rua, para ovacionarem os que tinham conseguido a paz 

Todos lhes estavam muito gratos pelos esforços, por terem colocado as suas vidas em perigo, para conseguirem a paz com o vizinho Reino, a Norte de Luanda, porque a boa vizinhança contribuí para uma vida melhor, para todos, oportunidades de negócios, de experiências, de convivência, de amizades

O Tico, como presidente da cooperativa, deu-lhes as boas vindas, pediu desculpa por a cooperativa não ter instalações onde todos coubessem, o que seria, sempre, impossível, porque nunca se tinha assistido a uma reunião de todos os habitantes da cidade, o que dizia bem da sua importância

A cidade quis mostrar que quem trabalha, para o bem da comunidade, merece ser reconhecido e incentivado a continuar a trabalhar, para o bem de todos

Por fim, o Governador aproveitou a reunião de tão grande multidão para lhes agradecer e   dizer, que continuava a contar com todos para defenderem a Colónia, cajo fosse agredida fosse por quem fosse

Quanto à missão, agradeceu, mais uma vez, a todos os que o acompanharam, e especialmente a quem muito bem a preparou, fazendo com que tivesse o êxito, que teve, porque a paz é um bem tão importante, que todos os povos devem fazer o que estiver ao seu alcance, para preservá-la

Foi uma festa muito emotiva, houve muitos abraços e beijos, as mulheres dos que integraram a missão ainda continuavam nervosas, como se o perigo não tivesse passado, o facto de terem passado muitas horas sem saberem o desfecho de tão arriscada missão, algumas admitindo que tinham perdido o companheiro, para sempre, marcou-as, senão, para o resto da vida, pelo menos, por muitos anos

Nos encontros há olhares que se cruzam, que parecem ficar presos aos olhares das outras pessoas, por mais que a pessoa queira desviar o olhar, os olhos não deixam

Foi o que aconteceu a um dos dois guias, que orientaram o grupo de emissários até à casa do Rei, eles conheciam aqueles trilhos, como a palma das suas mãos. Um deles, o Aurélio calhou a ficar defronte da Jesuína, uma das duas filhas do anterior Governador, que ainda era solteira: os seus olhos ficaram pregados na rapariga e nunca mais se conseguiram soltar

A rapariga, vendo que o rapaz não deixava de olhar para ela, dirigiu-se para junto dele, cumprimentou-o e deu-lhe os parabéns pelo brilhante trabalho, que tinha feito, segundo a tinham informado

O rapaz ficou um pouco envergonhado, agradeceu-lhe as amáveis palavras e aproveitou para lhe perguntar o nome, ao que ela correspondeu, acrescentando que era filha do Manuel

A conversa continuou durante todoo caminho para a casa da Jesuína, onde se separaram, tendo ficado combinado que se voltariam a encontrar no dia seguinte.

 Continua

 

09
Out25

O Império

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O Império   -   As teias que o Império teceu

134

Quando o sol se pôs, em Luanda, as mulheres e os filhos, dos homens, que tinham ido falar com o Rei, começaram a dirigir-se para o palácio presidencial, estavam preocupadas por os maridos, ainda não terem regressado. A Zulmira que, também, estava preocupada, tentou mostrar que estava calma, dizendo-lhes que o sol tinha acabado de desaparecer, era muito apertado, fazer tudo num só dia. Mas, sem local onde pernoitarem, tinham de voltar para casa, nem que tivessem de andar de noite

Não conseguiu acalmá-las, tinham receio que os maridos tivessem sido presos, ou muito pior, que tivessem sido todos mortos, porque eles tinham ido para um encontro suicida, sem primeiro o terem preparado, não sabendo como seriam recebidos, e o que pensava o Rei do seu pacto de amizade

A Zulmira bem tentava que não tirassem conclusões antes de se saber o que tinha acontecido. Mas, as outras mulheres questionavam-na sobre como é que saberiam se foram mortos ou presos. Respondeu-lhes que mais tarde ou mais cedo, alguma coisa se saberia, por agora, era aguardar com serenidade

Mas, à medida que as horas avançavam, todas foram ficando mais nervosas e desesperadas, algumas reagiam como se os maridos já tivessem sido mortos: chorando, dizendo que não tinham nada que ir para aquele massacre, que o culpado era o Governador

Entretanto, as crianças já tinham adormecido, o sono venceras, as mães, no seu desespero, no aflito choro, nem deram por falta do choro delas, nem das suas incómodas perguntas, às quais não sabiam como responder, sendo melhor assim: o descanso interrompeu-lhes a tristeza e a dor de verem as mães em tão grande aflição

As mulheres estavam, cada vez, mais convencidas de que os seus maridos não voltavam, a Zulmira, não o dizia. Mas, também, achava que já devia ser muito tarde, que já deveriam ter chegado, não conseguindo esconder a preocupação, fez de conta que não ouviu as que culpavam o seu marido, pelo sucedido

Quando, já nem a Zulmira acreditava que voltassem, ouviram barulho, abriram a porta e viram os seus maridos a arrastarem os pés de tão cansados, mas os seus olhos brilhavam como as estrelas, como que a anunciar que tinha sido uma missão muito bem cumprida

As mulheres correram para os seus braços, continuavam a chorar, mas de alegria, no breu da noite, todas queriam certificar-se se tinham par, não fosse algum não ter aguentado tão dolorosa jornada. Todos tinham regressado sãos e salvos, no meio dos beijos e abraços iam dizendo às mulheres, que tinha chegado a um acordo de paz, selado com um aperto de mão, entre todos

Esgotadas as energias criadas pela receção das esposas, os pais foram buscar energia às reservas, para levarem os filhos pequenos, para as suas casas. Exaustos, só queriam cair nas suas camas, para um merecido descanso de um longo dia de muitas emoções e não menos dores físicas.

Continua

 

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