Domingo, 9 de Outubro de 2016

A seca

12/02/2005

 

A seca

O dia é de primavera

A noite de Inverno

A chuva não aparece

Tudo, com o frio, esmorece

Não há erva, nem trigo

As pessoas e os animais

Sob o mesmo castigo!

Que a água falte no verão

Já o Alentejo está habituado

Mas em pleno inverno

É arder no inferno.

Os ovinos e bovinos

Com os focinhos

Varrem os campos

Acariciam o chão

Tudo em vão

Morrem de fome

Naquela que era a melhor estação.

Os Montes outrora, caiados,

Estavam repletos de gente

Agora, todos, desboroados.

Nem a liberdade!

Com os seus progressos:

Estradas, água, luz

Conseguiu evitar a debandada

Porque chegou atrasada.

As modestas habitações

Completamente desventradas

Com as partes íntimas

Em exposição:

Ao vento, ao sol, à lua

Num silêncio estarrecedor

Ouvem-se as almas reclamar,

Porque a iluminação pública

Passa a noite a incomodar

Quem, em vida, só tinha o luar!

Que tristeza observar

As velhas pedras a chorar

Por não terem quem agasalhar:

Nem mulher, nem homem

Nem cão, nem gato, nem pardal.

Assusta, o barulho das oliveiras, sobreiras e azinheiras

A sonharem com uma gota de água.

 

 

José Silva Costa

 

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publicado por cheia às 22:56
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2 comentários:
De musiquinhas a 10 de Outubro de 2016 às 19:23
Super adorei o teu poema,absolutamente extraordinário!! Muito boa semana para ti,beijinhos fofinhos!!


De cheia a 10 de Outubro de 2016 às 21:52
Também te desejo uma boa semana.Ainda bem que gostaste, porque isso dá-me força para tentar fazer melhor. Beijinhos


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