Sábado, 19 de Abril de 2008

A SECA

Almodôvar

Vale de Estacas, 12/02/2005

 

A seca

O dia é de primavera

A noite de Inverno

A chuva não aparece

Tudo, com o frio, esmorece

Não há erva, nem trigo

As pessoas e os animais

Sob o mesmo castigo!

Que a água falte no verão

Já o Alentejo está habituado

Mas em pleno inverno

É arder no inferno.

Os ovinos e bovinos

Com os focinhos

Varrem os campos

Acariciam o chão

Tudo em vão

Morrem de fome

Naquela que era a melhor estação.

Os Montes outrora, caiados,

Estavam repletos de gente

Agora, todos, desboroados.

Nem a liberdade!

Com os seus progressos:

Estradas, água, luz

Conseguiu evitar a debandada

 Porque chegou atrasada.

As modestas habitações

Completamente desventradas

Com as partes íntimas

Em exposição:

Ao vento, ao sol, à lua

Num silêncio estarrece dor

Ouvem-se as almas reclamar,

Porque a iluminação pública

Passa a noite a incomodar

Quem, em vida, só tinha o luar!

Que tristeza observar

As velhas pedras a chorar

Por não terem quem agasalhar:

Nem mulher, nem homem

Nem cão, nem gato, nem pardal.

Assusta, o barulho das oliveiras, sobreiras e azinheiras 

A sonharem com uma gota de água.

 

 

José Silva Costa

 

publicado por cheia às 22:12
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A Guerra no Iraque

Armas de destruição maciça

 

Rodízio,12 de Julho de 2004

 

Sucumbem no ar ardente

Nos grãos de areia quente

Jovens na flor da vida

Tingem a areia ferida.

Ai Bagdad invadida

Que tirania te tirou a vida?

 

Medicamentos por petróleo

Imposição carregada de ódio

Por quem representa o Mundo

Mascarando amor profundo

Matando um povo moribundo

Com um embargo desumano.

 

Ai Iraque cobiçado

Pelo petróleo amaldiçoado

Por um tirano torturado.

O  mundo levado ao engano

Pelo ambicioso americano

Para te roubar o tutano.

 

Nações Unidas

Votando embargos urdidos

Pelos Estados Unidos

Para vergarem o povo unido

Sem petróleo vendido

Viver! Não lhe é permitido.

 

As civilizações ocidentais

Defendendo liberdades vitais

Vendo os iraquianos morrendo

Sem medicamentos nos hospitais

Choram lágrimas de crocodilo

Só pensam no petróleo, nada mais.

 

O mundo munido

Levou o tirano de vencido

Destruiu  um país antigo

Castigou  o seu  povo

Não consegue consertar o ovo

Que partiu sem consentimento.

 

 

José Silva Costa 

 

 

publicado por cheia às 21:52
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