Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2018

Foice em seara verde

Nove anos

 

Já todos o prevíamos

Mas, ter a certeza faz-nos voltar a Agosto

Quem comete estes crimes não tem coração, nem rosto

Nunca mais devia voltar a ter liberdade

Foi um crime horrendo, sobre uma inocente, flor

É uma dor insuportável, que carregaremos, para sempre

Quem praticou tamanho horror não pode ser gente

Tem de ficar na prisão, para sempre

As lágrimas da menina nunca secarão

Para nos lembrarem quanta dor sofreu o seu coração

Quantas crianças morrem todos os dias, sem que saibamos os seus nomes?

“ Olhos que não veem, coração que não sente”

Tantas vidas ceifadas inutilmente!

No Mundo já mão há gente

Apenas, uma enorme massa inerte, escondida atrás de um tablet

Podem-se cometer as maiores atrocidades, que ninguém as sente

Para todos os que desta vida foram antecipadamente

Pela maldade transformada em gente

Um grito de revolta que perdure, para sempre!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

publicado por cheia às 23:26
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

Os melhores, dos melhores!

Carnaval

 

A terça-feira de Carnaval é um dia fora do normal

Não é carne, nem peixe, o Governo decreta tolerância de ponto, os outros fazem o que quiserem!

Não é feriado, mas é quase, como se fosse, não se sabe o que está a funcionar: é à vontade do freguês

Muito ao jeito português: falta de rigor, tolerante com os incumpridores, pouco pontual, só para inglês ver

Um país, em que os incumpridores são aplaudidos, os outros não!

Em que graves crimes de poluição e outros são punidos com meio cêntimo, para a caridade

Aconteça o que acontecer nunca há culpados, algumas leis são para inglês ver

Quem as viola, é premiado, como aconteceu, com os crimes, que mataram o Tejo

Há muitos anos, que alguns se preocupam com a saúde do Rio

O Governo, para os calar, como é hábito, criou uma comissão de acompanhamento

Que teve como resultado: ver a água ter uma classificação de menos boa

Depois dizem que são as mas línguas que dizem mal das constantes comissões!

E, qual foi a medida implementada, para uma melhor classificação da água do Tejo?

Autorizar uma das celuloses a duplicar o volume de poluição para o rio!

O ambiente, ainda não é para levar a sério, cada um faz o que quer, porque as sanções são para fazer rir

O rio, num dia está morto, no outro já está normal!

Nada mais se pode saber, porque está tudo em segredo de justiça

No entanto, vão dizendo que há muitos metros cúbicos de lixo para, da albufeira, retirar

Não dizem é quem vai pagar!

Somos os melhores do Mundo, só podia ser!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por cheia às 21:35
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

O petróleo verde

O preço do petróleo verde!

 Muitos proprietários ficaram muito contentes, quando foram assediados para plantarem eucaliptos

Foi uma maneira fácil de conseguirem alguns rendimentos dos terrenos, que deixaram de ser cultivados

As celuloses esfregaram as mãos de contentes: um bom negócio, que países mais desenvolvidos não querem

Porque os eucaliptos esgotam os terrenos, acabam com a água, que existe no solo, matam tudo ao seu redor

Portugal tem pago um preço bem caro, por esta curta visão de políticos irresponsáveis, que só pensam no presente, que vendem o país e a sua gente

Quantas vezes o país já ardeu, quanto custa o combate aos incêndios, quem paga o que se perdeu?

Mas, a maior perda são as vidas perdidas, e, os que, para sempre, ficam com feridas!

Como se não chegasse, mataram o Tejo, matando tudo o que dele vivia!

Autorizam todas as indústrias, seja qual for a poluição, que se queiram instalar à beira Tejo

Nem mesmo a redução dos caudais, ao longo de anos, os conseguiu acordar, ou fazer atuar

Foi preciso o rio ficar coberto de espuma, já não ser possível encobrir o crime, para se mexerem!

Mas logo vieram dizer, que não havia culpados, e têm toda a razão, porque o único culpado é o São Pedro, que se esqueceu de mandar água suficiente, para lavar o Tejo, levando tudo para o mar, para o fundo, de preferência para longe do nosso olhar

Não! Meus senhores, a água barata acabou-se, não podem continuar a mandar a água das estações de tratamento para os rios, devem aproveitá-la para as regas

Quanto às celuloses não é reduzindo, mas proibindo, toda e qualquer descarga

Se quiserem continuar a laborar, podem fazê-lo em circuito fechado, sem contaminarem a pouca água, que temos.

 É mais caro! Pois é. Mas, a água é um bem indispensável para a vida, não pode ser poluída!

 

José Silva Costa

 

 

 

publicado por cheia às 21:05
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola (2)

 

 

Professora, alunos e pais havia muito que esperavam o mobiliário e material didático

Todos ansiavam pela chegada do que lhes tinha sido prometido, no sentido de, pelo menos, no interior, aquele espaço se assemelhar a uma Escola, uma vez, que vista de fora, quem não soubesse, dificilmente diria que funcionava ali uma Escola!

Já o segundo período ia avançado quando, numa manhã de sol radioso, avistaram uma carroça, da Câmara Municipal de Mértola, puxada por um macho, conduzida por um funcionário da respetiva Câmara, carregada de material.

A professora mandou todos saírem, ninguém conseguiria, depois de avistarem a carroça e saberem que transportava o material tão aguardado e desejado, que voltassem a dar atenção ao que a professora lhes estava a ensinar.

Quando saíram já a carroça vinha a meio da descida, já tinha deixado para trás a estrada principal, sempre vigiada pelo gigante marco geodésico.

Todos quiseram participar, ajudando a descarregar a carroça, transportando as coisas mais leves, com a alegria de quem tem nas suas mãos uma ferramenta, para construir o futuro

O funcionário começou por fixar, na parede norte, o quadro preto, do lado direito penduraram os mapas, por cima do quadro, a meio, colocaram o crucifixo, do lado esquerdo a cadeira e a secretária da professora, no resto da sala as carteiras dos alunos, com os tinteiros brancos incrustados.

Também receberam uma caixa de giz, um globo e umas canetas de madeira com um aparo metálico.

Foi mais um dia inesquecível, no ano do nascimento da Escola

Passados uns dias, começaram a frequentar a Escola, dois irmãos gémeos, vieram de outra Escola, deviam ter dez ou mais anos.

Decorreram poucos meses, até que um dia os rapazes fizeram qualquer coisa de que a professora não gostou, castigou-os com varias reguadas.Como o dia estava quente, as duas janelas da sala de aula estavam abertas, os dois rapazes correram para as janelas, saltaram para a rua, aos gritos: “ vou dizer à minha mãe”, e a correrem pela rua acima em direção à estrada principal.

Nunca mais voltaram para aquela Escola!

Entretanto aproximava-se o fim do ano letivo, os alunos da primeira e segunda classes foram a São Pedro de Solis, onde lecionava uma professora oficial, prestar provas.   

Passaram todos, estava terminada a primeira etapa.  (continua)

 

 

José Silva Costa

  

 

 

 

 

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Sábado, 27 de Janeiro de 2018

Estado Novo

A Base VIII da proposta de lei para a Reforma

do Ensino Primário estabelece que «as Câmaras Mu-

nicipais fornecerão instalações para as escolas e postos

escolares, providas do material didáctico necessário e

de uma pequena biblioteca popular adequada ao

meio.»

Casamento de professoras

«O casamento das professoras não poderá reali-

zar-se sem autorização do Ministro da Educação Na-

cional, que só deverá concedê-la nos termos seguin-

tes:

1.° Ter o pretendente bom comportamento mo-

ral e civil;

2.° - Ter o pretendente vencimentos ou rendi-

mentos, documentalmente comprovados, em harmonia

com os vencimentos da professora.»

(Art. 9: do dec. n.• 27:279, de 24-11-936)

As interessadas devem requerer a Sua Exce-

lência o Ministro com fundamento no artigo citado,

e juntar ao reqrserimento documentos comprovativos

da idoneidade moral e civil, bem como dos vencimen-

tos ou rendimentos do seu noivo.

Os processos respeitantes a pedidos de autoriza-

ção para casamento de professoras de ensino primá-

rio devem ser acompanhados de parecer dos directores

dos distritos escolares.

Também é condição indispensável ao deferimento

que os pretendentes comprovem a data desde a qual

se encontram na situação económica que torna possí-

vel a autorização do casamento, bem como a estabili-

dade que a mesma pode oferecer.

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publicado por cheia às 18:31
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola       (1)

 

 

Estávamos em Outubro de 1951

 

José teve a sorte de ter sido criada uma escola, num monte a um quilómetro do monte onde vivia, o que fez com que entrasse para a escola com seis anos.

No Lobato, alguém ofereceu uma casa com duas ou três divisões, para ali nascer uma escola

Três ou quatro professoras foram ver o local, para onde iriam trabalhar, mas só a última aceitou criar uma Escola, numa casa particular, com quatro paredes, seis ou sete cadeiras, uma ou duas mesas, nada mais!

A professora era uma jovem muito determinada e apostada em tirar as crianças dos trabalhos no campo, para que aprendessem a ler e escrever.

Eram pouco mais de meia dúzia, de varias idades, entre os seis e os onze anos.

Poucos pais tinham a perceção de que mandar os filhos à escola era o melhor para o seu futuro. Eles não tinham ido à escola e conseguiam governar a vida. Portanto, ainda não se tinham apercebido de quanto era importante saber ler e escrever.

Passado um ou dois meses, a professora vendo que não apareciam mais alunos, decidiu ir com eles até ao Monte Santana, para informar os pais, de que era obrigatório mandar os filhos à Escola.

Foi uma manhã diferente: a professora à frente, os alunos atrás dela, por um caminho, que ligava as duas povoações. A imagem era a de uma galinha com uma ninhada de pintos a tentarem aninharem-se debaixo das suas asas.

A meio caminho encontraram um homem e o filho a trabalharem numa horta. Pararam, cumprimentaram-nos, e a professora questionou o senhor, perguntando-lhe se sabia que era obrigatório mandar o filho à Escola? O pai do rapaz disse: “ se a senhora lhe der de comer”

Sem trocarem mais palavras, seguiram para o Monte Santana, onde a professora tentou, junto de mães e país, sensibilizá-los para a importância de mandarem os filhos à Escola.

Os primeiros dias de aulas foram para aprender a escrever as vogais e os algarismos. Mas, José não encarreirava com o número nove: a professora dizia-lhe que era uma bolinha com um pauzinho do lado direito, e ele colocava-o do lado esquerdo, fruto de lhe terem, em bebé, atado o braço esquerdo ao pescoço, para que não fosse canhoto? A professora resolveu o problema dando-lhe uma palmada, o que fez com que não voltasse a colocar o pauzinho do lado direito, mas o sentido de orientação não teve conserto, ficou baralhado, para o resto da vida!

Tudo corria normalmente, até que numa manhã, por volta das dez horas, uma rapariga pediu à professora para ir lá fora, o que significava ir fazer as necessidades. Mas, a professora não a autorizou porque estava quase na hora do intervalo, pouco depois a rapariga abriu as pernas e regou a sala de aulas. De seguida a professora mandou todos para o recreio, sem qualquer referência ao sucedido. Nem os rapazes, nem as raparigas usavam cuecas: elas usavam vestidos e eles calças ou calções!      (continua)

 

 

José Silva Costa

 

 

publicado por cheia às 20:46
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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

As meias de vidro

As meias de vidro

 Estávamos em Julho de 1955

 Chegara a altura dos exames da Quarta Classe

 À Vila de Mértola tinham acorrido os alunos e familiares, de todas as escolas do Concelho, para prestarem provas.

José, pela primeira vez, na vila, estava encantado com o rio e o gasolina, o barco, que não sei quantas vezes, por semana, fazia a ligação entre Mértola e Vila Real de Santo António, descendo e subindo o Guadiana

José, assim que podia corria para o Mercado Municipal, que tem uma vista espetacular para o rio, a moagem que existia no outro lado do rio e as fundações, para a construção da ponte, que estavam a começar

Alice com vinte e oito anos, já com três filhos, acompanhou o mais velho, para a prestação das provas.

Deixou os dois mais novos com o marido; tinham de passar, pelo menos, uma semana, na Vila

Sem meios para pagar uma pensão, um senhor da GNR emprestou-lhes uma casa que estava desabitada.

Pela primeira vez tinham de fazer as necessidades dentro de casa, para um balde, que um funcionário da Câmara Municipal, todos os dias, vazava para uma carroça metálica.

No primeiro dia da prova escrita, muito borborinho e nervosismo, professoras regentes e oficiais davam nas vistas, com as suas meias de vidro a contrastarem com as meias das mães dos alunos, quase todas com meias opacas, muitas e muitos nunca tinham visto tais meias!

Dias depois, foi a prova oral, José foi o primeiro a ser chamado ao quadro, professores e professoras ainda estavam a trocar impressões, não sei se sobre os exames!

José não chegava ao quadro, ficou à espera que alguém reparasse que não podia iniciar a resolução dos problemas, passaram uns intermináveis minutos, até que um professor reparou no que se passava e disse: “ oh rapaz, não chegas ao quadro, vamos já colocar um banco!”

Passada uma longa manhã, já muito para lá das treze horas, finalmente, a afixação das pautas com os resultados, todos se dirigiram para a vitrina, nem todas e todos tiveram a mesma sorte

A palavra “aprovado”, nunca mais se esquece.

José Silva Costa

 

 

 

 

publicado por cheia às 18:57
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Pérolas caem do céu

Chove, chove, meu Janeiro

Não faças frio, nem nevoeiro

Não leves a velha, nem o cordeiro

Chove, chove, meu Janeiro

Porque ainda não corre água, no ribeiro

Chove, chove, leva o mau cheiro

Chove, chove um mês inteiro

Porque a água é dinheiro

Chove, chove meu mês, primeiro

Chove, chove mais um aguaceiro

Chove, chove para regares o meu loureiro

Chove, chove para encheres o meu mealheiro

Chove, chove, porque fazes sorrir o lameiro

Chove, chove para lavares o soalheiro

Chove, chove para refrescares todas as árvores e o meu limoiero.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

publicado por cheia às 20:57
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

Meu amor!

Meu Amor

 

 

Ai, meu bem

Dos teus rubros lábios

Voam rios de versos

São melodias, são mel

Que bebo ao luar.

 

Ai, meu amor

O teu coração é uma flor

De mãos dadas seguramos a madrugada

Sonhamos com a lua encantada.

 

Ai, minha flor

Os teus olhos são pétalas

São a minha luz

São a chama a iluminar o amor.

 

Ai, idílico jardim

Onde planto sonhos

Que embalas nos olhos risonhos

Enquanto adormeces o sono.

 

 

 

 

 

José Silva Costa

publicado por cheia às 20:24
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

A vida!

A Chuva

 

Caiem gotículas de vida

A multidão está aborrecida

A semente estava adormecida

Sentia-se tão triste e esquecida

Tanto tempo no pó, aborrecida

Lavou os olhos e inchou de alegria

Tantos meses de hibernação à espera

Que uma gotícula lhe desse vida

Tudo o que estava à espera de água fervilha

Um pássaro desenterrou um grão de ervilha

Que rolou no declive para dentro duma cova

Fugiu da morte certa para uma vida incerta

Preferiu mais uma incursão no ciclo da vida

Sempre com a ambição da multiplicação

As sementes experimentam um fogo ardente

O verde rebenta do seu ventre

A Natureza brilha, novamente

Para alegrar toda a gente

Mesmo para os que não gostam da chuva

Que não querem saber da sede da semente

Mas, dizem-se amantes da Natureza!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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